Nível dos oceanos pode subir com consequências para mais de mil milhões de pessoas, alerta novo estudo da ONU

Sem acção urgente para reduzir emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes, elevando o nível dos oceanos com consequências para mais de mil milhões de pessoas, advertem peritos da ONU.


O alerta consta de um relatório lançado esta quarta-feira no Mónaco pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas, dedicado ao impacto climático nos oceanos e na criosfera, as regiões cobertas por gelo e neve permanentes que constituem 10 por cento da superfície do planeta.
Durante este século, os oceanos deverão sofrer alterações “sem precedentes”, com temperaturas mais altas, água mais ácida, com menos oxigénio e condições alteradas de produção de recursos.
“Ondas de calor marinhas e fenómenos extremos ligados aos (fenómenos meteorológicos) ‘El Niño’ e ‘La Niña’ deverão tornar-se mais frequentes”, preveem os cientistas do IPCC, que ressalvam que “a frequência e a gravidade destas mudanças será menor num cenário de emissões de gases com efeito de estufa reduzidas”.
O IPCC estabelece que “o oceano e a criosfera acolhem habitats únicos e estão ligados a outros componentes do sistema climático através de trocas globais de água, energia e carbono”.
Alterações neste sistema afetam mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo, desde os cerca de quatro milhões que vivem no Ártico aos 680 milhões das zonas costeiras e aos 670 milhões que se contam nas zonas de alta montanha, que poderão chegar aos 840 milhões dentro de 30 anos.
Os cientistas do painel constataram que o oceano global tem vindo a aumentar de temperatura desde 1970, absorvendo “mais de 90% do calor em excesso no sistema climático”, com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.
“Ao absorver mais dióxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez à superfície”, apontam os cientistas, considerando muito provável que 20% a 30% do dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde 1980 foi parar ao oceano e provocou uma perda de oxigénio desde a superfície marinha até aos mil metros de profundidade.
O nível médio global do oceano está a subir, com aceleração nas últimas décadas devido às perdas cada vez maiores das massas de gelo da Gronelândia e da Antártida e da perda continuada da massa dos glaciares e tem havido “aumentos da precipitação e de ventos tropicais ciclónicos, com episódios climáticos extremos que representam um risco para as zonas costeiras”.
O IPCC aponta uma subida “sem precedentes” do nível médio global dos oceanos no período de 2006 a 2015 em relação ao último século, a um ritmo de 3,6 milímetros por ano, atribuindo-a principalmente às massas de gelo e glaciares que derreteram.
Na Antártida, as perdas de gelo “triplicaram no período entre 2007 e 2016 em relação ao período 1997-2006”, lê-se no relatório em que se conclui com “confiança alta” que “a causa dominante da subida do nível médio do mar desde 1970 tem origem humana”.
A projeção dos cientistas é que a subida do nível dos oceanos atinja 15 milímetros por ano em 2100 e “vários centímetros por ano no século XXII”.
Níveis elevados das águas que se verificavam uma vez por século poderão ser uma realidade anual neste século.
Entre as consequências, o relatório aponta “alterações nas atividades sazonais e na abundância e distribuição de espécies animais e vegetais importantes ecológica, cultural e economicamente”, com “perturbações ecológicas e no funcionamento dos ecossistemas” e aumento do risco de extinção de espécies adaptadas a temperaturas baixas.
A perda das massas de gelo deverá “afetar recursos aquáticos e o seu uso”, com a libertação de metais como o mercúrio na água dos rios, consequências para a saúde, e na agricultura de zonas no sopé de montanhas, com “alterações nas cheias, deslizamentos de terras, avalanches e desestabilização dos solos”, com efeitos nas atividades humanas, da agricultura ao turismo.
Nos últimos 100 anos, “perto de 50% das zonas húmidas costeiras perderam-se em resultado da pressão humana, subida do nível do mar, aquecimento e eventos climáticos extremos”, perdendo-se “ecossistemas vegetais costeiros que protegem o litoral de tempestades e da erosão” e que absorviam dióxido de carbono, refere também o documento.
A tendência é para os glaciares continuarem a derreter nas próximas décadas: “as massas gelo da Gronelândia e Antártida deverão continuar a derreter a um ritmo crescente durante o século XXI e mais além”, uma realidade agravada no cenário de continuarem a aumentar as emissões de gases com efeito de estufa.
Medidas de mitigação dos efeitos descritos “ambiciosas e adaptação eficaz” são a única maneira de contrariar “os custos e riscos crescentes” de continuar a adiar ações concretas para limitar o aquecimento global.
“As pessoas mais expostas e vulneráveis são muitas vezes as que têm menos capacidade para responder”, nota o IPCC, frisando que muitas iniciativas ao nível governamental (como proteção de áreas marinhas ou sistemas de gestão de águas) estão “demasiado fragmentados em muitos setores administrativos” para serem eficazes face “aos riscos crescentes provocados pelas alterações climáticas”.
Entre as medidas apontadas como positivas, o IPCC refere a recuperação de ecossistemas vegetais costeiros, que poderão absorver cerca de “0,5% das emissões anuais atuais” e emitir menos dióxido de carbono, proteger o litoral de tempestades, aumentar a qualidade da água e trazer benefício à biodiversidade.
“Apesar das grandes incertezas sobre o ritmo e dimensão da subida do nível dos oceanos depois de 2050”, as comunidades costeiras beneficiarão de planeamento atempado, com “respostas flexíveis” que possam ir sendo adaptadas à realidade, diz o IPCC, admitindo medidas que podem ir de sistemas de alerta de cheia à relocalização de pessoas antes ou depois de desastres.
A redução “urgente e ambiciosa” de emissões é fundamental, consideram os cientistas, que defendem a mesma ambição para medidas de adaptação às alterações climáticas.
“Educação e literacia climática, monitorização e previsão, uso de todas as fontes de conhecimento disponíveis, partilha de dados, informação e conhecimento, financiamento e apoio institucional” são essenciais, salientam ainda. 


Foto: NSIDC/Ted Scambos

Caverna em Maiorca mostra que a água do mar subiu 16 metros há milhares de anos

Escondida na costa nordeste da ilha espanhola de Maiorca, encontram-se as Cuevas de Artà, uma enorme rede de caverna repleta de estalagmites e estalactites.


Estas formações rochosas naturais dominam espaços cavernosos com nomes como a “Câmara do Purgatório” ou a “Câmara do Inferno” – mas a caverna Artà guarda um segredo antigo, revela agora um novo estudo.

Na nova investigação, uma equipa internacional de cientistas analisou depósitos minerais chamados espeleotemas dentro da Caverna Artà. Os espeleotemas, que incluem estalagmites e estalactites, assumem várias formas diferentes e desenvolvem-se lentamente à medida que precipitam nas reações químicas à base de água que ocorrem ao longo de dezenas a centenas de milhares de anos.
A análise desses depósitos geoquímicos pode dizer muito sobre as condições ambientais quando essa formação mineral surgiu.
No novo estudo, publicado no fim de agosto na revista especializada Nature, os cientistas analisaram caraterísticas chamadas supercrescimentos freáticos, que se formam dentro de cavernas, quando estas são inundadas pelo aumento da água do oceano.
Dentro da rede de cavernas, a equipa liderada pela geoquímica Oana Dumitru, da Universidade do Sul da Florida, identificou seis dessas formações de supercrescimento, encontradas em vários locais dentro da caverna e em elevações que variavam de 22,5 a 32 metros acima do nível do mar.
A análise das amostras extraídas desses supercrescimentos data dos depósitos de entre 4,39 a 3,27 milhões de anos atrás, indicando que se formaram durante a época do Plioceno, o último grande período de aquecimento da Terra, quando árvores até cresceram no Polo Sul. Mas isso não é tudo o que os investigadores descobriram.
Um intervalo durante o Plioceno Tardio, chamado Período Quente do Meio Piacenziano, é frequentemente considerado um tipo de análogo para o futuro aquecimento antropocêntrico. Isto porque as condições atmosféricas de dióxido de carbono eram comparáveis ​​às de hoje (cerca de 400 ppm) e o mundo estava entre 2 a 3°C mais quente do que uma temperatura média global pré-industrial.
Durante esse período, os cientistas descobriram que o nível médio global do mar estava a 16,2 metros acima do nível atual. De acordo com a equipa, é provável que, mesmo que o CO2 atmosférico se estabilize onde está hoje, o nível do mar provavelmente subirá inevitavelmente novamente às mesmas altitudes, embora reconheçam que possa demorar centenas ou milhares de anos.
“Considerando os padrões atuais de derretimento, a extensão do nível do mar provavelmente seria causada pelo colapso das camadas de gelo da Gronelândia e da Antártica Ocidental”, explicou Dumitru em comunicado.
Assim, escreve o ScienceAlert, se os humanos não são capazes de estabilizar ou reduzir o carbono atmosférico e outros gases de efeito estufa que capturam calor, poderíamos observar até 23,5 metros de elevação do nível do mar – algo que o mundo testemunhou pela última vez há quatro milhões de anos atrás, quando as temperaturas eram até 4°C superiores aos níveis pré-industriais.
Por outro lado, se conseguirmos manter com sucesso os aumentos acima da temperatura pré-industrial de 1,5 a 2ºC, estudos anteriores publicados no ano passado indicam que o aumento do nível do mar pode estar limitado entre dois a seis metros acima do atual nível do mar.
O objetivo científico dos invetsigadores é usar a química antiga contida na caverna Artà para ajustar a calibração dos futuros modelos de placas de gelo.

Será que o monstro de Loch Ness é uma enguia gigante?

Uma equipa de investigadores analisou cerca de 500 milhões de sequências de ADN para fazer um catálogo das espécies existentes no lago Ness e não encontrou nenhuma criatura gigante ou pré-histórica.


Um monstro gigante de pescoço comprido, a que carinhosamente se chama Nessie, tem alimentado mitos, livros, programas de televisão e filmes. O monstro de Loch Ness poderia ser um réptil pré-histórico encalhado naquele lago escocês, dizem alguns mitos. Agora, uma equipa internacional diz que pode não ser mais do que uma enguia gigante, noticiou a BBC. Será que, mesmo assim, o turismo movido pelo mito do mostro vai continuar a prosperar?



O primeiro relato de um monstro a viver naquelas águas escocesas remonta a 565 d.C., na obra do missionário irlandês Santo Columba, mas diz respeito ao rio Ness, não ao lago. Os relatos de uma criatura gigante a viver no lago surgem em 1933, descrevendo-o, por exemplo, como uma criatura semelhante a uma baleia que fazia agitar as águas.
A primeira fotografia do monstro surge no ano seguinte — e ficou conhecida pela “Fotografia do Cirurgião” —, mas 60 anos mais tarde a fotografia foi desmascarada e comprovou-se ser falsa. Afinal não passava de um brinquedo. Pelo caminho surgiram relatos de mais avistamentos, várias expedições e muitas teorias sobre o que poderia ser Nessie: elefantes dos circos que atuavam na região a nadar com a tromba de fora, ramos caídos a boiar, a ondulação do próprio lago, um peixe-gato gigante, um tubarão-da-gronelândia (o vertebrado mais antigo do mundo) ou mesmo um plesiossauro (um réptil marinho do período Jurássico).
Agora, uma equipa internacional, coordenada pela Universidade de Otago (Nova Zelândia), apresentou os resultados do ADN encontrado no lago. Foram recolhidas 250 amostras de água, em 2018, e analisadas cerca de 500 milhões de sequências do material genético aí encontrado, como se fossem pegadas ou impressões digitais deixadas dentro de água. As análises feitas permitem criar um catálogo de todas as espécies de plantas, insetos, peixes e mamíferos que vivem no lago.
O objetivo da equipa não era encontrar o monstro de Loch Ness. De facto, não encontraram e é nisso que se baseiam. Não encontraram vestígios de répteis marinhos pré-históricos, nem peixes gigantes, nem tubarões, nem tão pouco a presença de um animal de grande porte que correspondesse às descrições feitas da criatura. O que encontraram — e muito — foi material genético de enguias. Só não conseguem é dizer, com base no ADN, que tamanho têm as enguias que vivem naquelas águas.
Bem, os nossos dados não revelam o tamanho, mas a quantidade absoluta de material diz que não podemos descartar a possibilidade de haver enguias gigantes no lago Ness. Desse modo, não podemos descartar a possibilidade de que o que as pessoas veem e acreditam ser o monstro de Loch Ness seja uma enguia gigante”, diz Neil Gemmell, geneticista na Universidade de Otago.
E agora, quem é que quer ir ver o monstro de Loch Ness? Gary Campbell, que mantém um registo dos avistamentos, diz que todos os anos há pelos menos 10 relatos de algo inexplicável visto à superfície do lado. Para ele, o turismo que gira à volta do mito de Nessie não será afetado. “O monstro de Loch Ness é um ícone mundial.”
Chris Taylor, da VisitScotland, considera que as perguntas que continuam por responder só vão atrair mais visitantes à região em busca de respostas por elas próprias. Basta dizer que o lago é visitado anualmente por 400 mil pessoas.

Austrália diz que estado da Grande Barreira de Coral é agora “muito pobre”

A avaliação do estado da Grande Barreira de Coral passou de “pobre” para “muito pobre”, como resultado das alterações climáticas. É essa a conclusão de um relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, na Austrália, que faz uma avaliação do estado de conservação da barreira a cada cinco anos.
“Os impactos significativos e em larga escala das temperaturas recorde da superfície marítima resultaram numa passagem do estado do habitat da barreira de coral de um estado pobre para muito pobre”, diz a agência governamental no relatório, citado pela Al Jazeera. “É urgente tomar acções de gestão fortes e efectivas a uma escala global, regional e local”, pede ainda o organismo, a fim de salvar a maior barreira de coral do mundo, com mais de dois mil quilómetros de comprimento.
The Guardian explica que o relatório conclui que os corais da Grande Barreira estão afectados e que há uma degradação do habitat que afecta peixes, tartarugas e aves.
A ministra do Ambiente australiana, Sussan Ley, destacou ainda que nos últimos cinco anos a Grande Barreira foi afectada por dois branqueamentos de corais de grande escala, bem como vários ciclones e uma invasão de estrelas-do-mar-coroas-de-espinhos, uma espécie predadora de corais. “Podemos mudar e estamos comprometidos com a mudança”, reforçou a ministra.
Imogen Zethoven, directora de estratégia da Sociedade Conservadora Marinha da Austrália, tem uma interpretação diferente: “Podemos dar a volta a isto, mas apenas se o primeiro-ministro se importar o suficiente para liderar um Governo que queira salvar [a Barreira]. Salvar significa liderar nesta matéria e conseguir reduzir as emissões de gases de efeito de estufa a nível mundial”, declarou à BBC. “Tivemos dez anos de avisos, dez anos de aumento das emissões e dez anos a ver a Barreira a caminhar em direcção a uma catástrofe.”

Açores Atlantis 2019: uma expedição pela sustentabilidade do oceano

Os Açores vão receber uma expedição inédita: a Açores Atlantis 2019. Em setembro e outubro, especialistas mundiais irão navegar ao largo desta ilhas portuguesas promovendo a responsabilidade ambiental e o respeito pelas espécies marinhas, em prol da harmonia do oceano.

Promovida pela plataforma Oceans and Flow, esta expedição vai arrancar no próximo mês de setembro, no grupo ocidental do arquipélago dos Açores, com cinco grandes ações.
Esta expedição tem início com a viagem Açores-Atlantis, que decorre entre os dias 10 e 17 de setembro. A aventura contará com o apoio de um grupo de especialistas, que receberá dez participantes na Ilha de São Miguel, que serão convidados a «aprofundar a sua relação com o oceano e consigo mesmos, enquanto fortalecem a sua consciência ambiental», lê-se em comunicado.
Entre 20 e 29 do mesmo mês, dois veleiros com 13 pessoas a bordo irão visitar várias ilhas ao longo de 10 dias, com o propósito de «desenvolver práticas na Natureza como método para melhorar a escuta profunda do oceano, integrar a responsabilidade ambiental e respeitar as espécies marinhas». Esta viagem contará com a presença de figuras como Matthieu Paley, fotógrafo da National Geographic, e Juliana Marinho, jornalista da WWF-Brasil. Desta viagem nascerá o documentário «Song for Atlantis», realizado por Gustavo Neves.
A Expedição Açores Atlantis 2019 integrará também as Ocean Talks. Estas sessões de palestras para a comunidade local decorrerão no dia 1 de outubro, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.
Para além dos projetos anteriores, a primeira edição desta expedição inclui ainda uma ação de limpeza de praia, a Eco Ação, que decorrerá a 6 de outubro às 9h00, na Ribeira Grande, São Miguel. Esta iniciativa contará com o envolvimento da comunidade.
«A Expedição Açores Atlantis 2019 é um evento que junta os conceitos de “Viagem e Comunicação Social”, apresentando o trabalho de uma tribo aquática em busca de harmonia pelo Oceano. Financiada por parceiros estratégicos, esta equipa, que foi selecionada pelas suas competências aquáticas, experiência fotográfica e impacto na comunicação social global, apresenta os Açores como destino essencial para escutar a Natureza e conectar-se com o meio ambiente. Sempre envolvendo e contando com o apoio da comunidade local», afirma Violeta Lapa, principal mentora e produtora desta Expedição, em comunicado.
[Imagem: Peregrinus Studio]

Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados, alerta relatório da ONU

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em setembro.
Com o aumento da frequência dos ciclones, diz o documento, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. E até ao fim do século as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.
Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.
O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em setembro.
O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus celsius até ao fim do século.
Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.
Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.
Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.
A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.
A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos polos.
Segundo o documento as calotes polares da Antártica e da Groenlândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

Seul analisa possível radiotividade no mar causada por urânio da Coreia do Norte


O governo sul-coreano está a analisar amostras de água do mar recolhidas na fronteira marítima com a Coreia do Norte, depois de imagens satélite mostrarem derramamentos de uma mina de urânio norte-coreana num rio que ali desagua.

As autoridades estão a recolher essas amostras junto à chamada Linha de Limite Norte (LLN), a divisória marítima ocidental de ambas as Coreias, perto de onde desagua o rio Ryesong, que flui no Mar Amarelo da Coreia do Norte, segundo confirmou esta quarta-feira à agência de notícias espanhola Efe, uma porta-voz do ministério da Unificação da Coreia do Sul.
A análise está a ser realizada depois do investigador norte-americano Jacob Bogle alertar recentemente, após verificar em várias imagens tiradas por satélite, a possibilidade de que a mina de urânio de Pyongsang, uns 100 quilómetros a sudeste de Pyongyang, esteja a realizar derrames no rio.
As imagens mostram contínuos derrames contínuos vindos do cano de esgoto no leito de Ryesong, cuja foz está a cerca de 45 quilómetros a sudoeste de Pyongsan.
As análises para detectar a possível presença de material radioativo vão demorar cerca de duas semanas,segundo a mesma porta-voz, que assegurou que o governo tornará os resultados públicos.
Por seu lado, o site especializado em assuntos da Coreia do Norte ’38north’ publicou esta quarta-feira a sua análise das imagens satélite e reduziu o alarme gerado por alguns meios de comunicação que informaram sobre a investigação.
Segundo a página, apesar de ser evidente que o lixo está a ser derramado no rio e que o ritmo dessa contaminação parece ter aumentado nos últimos dois anos, “a descarga observada é menos extensa do que a sugerida” pelos investigadores.
Sustenta ainda que mais preocupante que o possível derrame é o facto de “as operações desta instalação (a maior do tipo na Coreia do Norte) indicam que Pyongyang mantém e continua a dar prioridade ao programa para produzir urânio altamente enriquecido para produzir armas nucleares”.
Foto: YONHAP/EPA

As primeiras imagens do Titanic em 15 anos mostram que o navio está a desaparecer no oceano

Foi a primeira vez em quase 15 anos que uma equipa desceu ao fundo do oceano para visitar o Titanic. E as imagens são “chocantes”: o navio está a deteriorar-se e pode desaparecer num futuro próximo.

“O Titanic está a ser devolvido à natureza”. É desta forma que os cientistas e mergulhadores que visitaram e recolheram imagens do famoso navio pela primeira vez em quase 15 anos descrevem o que se está a passar. O Titanic está a deteriorar-se rapidamente e há importantes partes dos destroços que já desapareceram completamente.
O navio naufragou há 107 anos ao largo da costa do Canadá e está a enferrujar num “isolamento silencioso”, a mais de 3.8 quilómetros de profundidade. Os mergulhadores detetaram um colapso parcial do casco do Titanic, pondo em risco os famosos aposentos do capitão do navio e todos os quartos de luxo. A banheira do capitão, uma imagem querida dos entusiastas da história do Titanic, já não existe.
“Todo o convés está a colapsar, levando atrás os quartos principais. E a deterioração vai continuar a progredir”, lamenta Parks Stephenson, historiador que participou no mergulho.
Citado pela BBC, Stephenson descreve o processo de deterioração do Titanic como “chocante” e diz que a próxima estrutura a colapsar pode ser o telhado do compartimento interior.
Mas porque estamos a perder o Titanic, aquele que em tempos foi o maior navio do mundo? As correntes fortes, a corrosão causada pelo sal e as bactérias que consomem metal estão na origem do problema. Os micróbios que estão a “comer” os destroços enfraquecem a estrutura do navio, explica a cientista e perita em ambiente marítimo Clare Fitzsimmons, da Universidade de Newcastle. Isto leva a que os fragmentos fiquem cada vez mais finos, transformando-se num pó que as correntes tratam de arrastar e destruir. Ainda assim, e apesar dos estragos em todo o navio, o vidro das escotilhas está bem preservado. 
Lembra a Science Alert que estudos apontam para o desaparecimento total do Titanic até 2030. Para trás, pode ficar nada mais que uma “mancha de ferrugem no fundo do Atlântico”.
Os cientistas responsáveis pela recolha das primeiras imagens 4K do Titanic fizeram um total de cinco mergulhos em agosto, com um submersível. Trata-se da mesma equipa que, em maio, realizou o mergulho mais profundo de sempre, ao descer à Fossa das Marianas.
Para além das primeiras filmagens de alta resolução do navio — que podem mesmo ser as últimas — a equipa recolheu imagens dos destroços que vão permitir recriações do Titanic em 3D, em realidade virtual e aumentada. Estas reconstruções virtuais poderão ser a única forma de, no futuro, ver e estudar este histórico navio.
Os destroços são o único testemunho que temos do desastre do Titanic. Todos os sobreviventes já morreram. Por isso, acho importante recorrer aos destroços, enquanto os destroços ainda têm algo a dizer”, comentou o historiador Robert Blyth.
Os mergulhadores aproveitaram ainda os mergulhos para prestar homenagem com uma coroa de flores aos mais de 1.500 passageiros que, naquela noite de abril de 1912, morreram no naufrágio.

Descoberta mensagem em garrafa com 50 anos no Alasca. Autor chorou quando soube



O marinheiro russo Anatoliy Botsanenko tinha 36 anos quando, a bordo do Sulak, em plena Guerra Fria, mandou uma mensagem ao mar. Agora encontraram a garrafa na costa e o autor foi localizado.


Tyler Ivanoff estava “apenas à procura de lenha” na costa do Alasca quando encontrou algo muito “maior”. Não em tamanho, já que o que descobriu foi apenas uma garrafa. Mas com uma história: tinha 50 anos e uma mensagem no interior.

“Estava à procura de lenha. Deparei-me por acaso com a garrafa e vi que, lá dentro, havia um bilhete. Os meus filhos ficaram muito entusiasmados. Pensaram se seria uma mensagem de um pirata ou um mapa do tesouro”, relatou Ivanoff.
O homem abriu a garrafa e deparou-se com uma mensagem escrita em russo:“Percebi que era russo porque estudei a língua no liceu e na universidade”.
A mensagem estava bem preservada mas Tyler Ivanoff decidiu pedir ajuda nas redes sociais para a traduzir. E, uma vez que uma mensagem circula, hoje em dia, mais rapidamente na internet do que uma garrafa no mar, o post teve mil partilhas em apenas três dias. “Encontrei uma mensagem numa garrafa hoje. Algum amigo que traduz russo por aí?”, escreveu.
Finalmente, a história chegou à Rússia e várias pessoas traduziram o bilhete: remonta a 20 de junho de 1969, é uma saudação de um marinheiro russo da Guerra Fria e o autor escreveu uma morada para que quem encontrasse a garrafa pudesse responder. 
Mas a história não ficou por aqui. Na verdade, estava apenas a começar. Os jornalistas do canal de televisão Russia 1 decidiram procurar o autor da mensagem. E sim, conseguiram encontrá-lo. Em 1969, esta mensagem foi escrita pelo capitão Anatoliy Prokofievich Botsanenko.
Os jornalistas visitaram o antigo marinheiro e mostraram-lhe o bilhete. O momento foi partilhado no site do canal. Ao início, Anatoliy teve dúvidas. Mas depressa reconheceu a própria letra.
Parece a minha letra. A sério… parece. Mas não tenho a certeza. Esperem… Claro! East industry fishing fleet! E-I-F-F! Sim! Eu sempre escrevi assim!”, exclamou o homem, em lágrimas.
Anatoliy Botsanenko explica que mandou a garrafa ao mar quando tinha 36 anos a partir do Sulak, um navio cuja construção o próprio supervisionou em 1966 — e nele navegou até 1970. O homem acrescenta ainda que, naquela altura, chegou a ser o mais jovem capitão no Pacífico.
Botsanenko também mostrou aos jornalistas lembranças do navio, incluindo um autógrafo da mulher de um famoso espião russo e garrafas de álcool do Japão. O capitão emocionou-se quando o jornalista lhe disse que o Sulak foi vendido para sucata nos anos 90.
Já Tyler Ivanoff, o responsável pelo “desenterrar” da história, afirma que a mensagem o inspirou a escrever cartas. “Se calhar é algo que possa fazer no futuro com os meus filhos. Enviar uma simples mensagem numa garrafa e ver onde vai parar”, diz.