Portugal de fora do acordo MSC/Ellerman para as rotas do Atlântico

Portugal não está incluído nos países que fazem parte do acordo assinado pela MSC e a Ellerman City Liners que irá permitirá à Ellerman utilizar uma combinação da capacidade da MSC e da sua própria capacidade entre portos europeus e da Costa Atlântica dos Estados Unidos.

O acordo inclui um volume semanal definido, com opção pparaa Ellerman aumentar conforme seja necessário. O acordo abrange contentores secos e reefers carga seca e terá início por a 1 de janeiro de 2024.

Não se sabendo se Portugal estava previsto para ser um dos pontos de passagem, a mais curta distância em relação à Costa Atlântica dos EUA, bem como tendo um terminal preparado para dar a resposta (Terminal XXI), dava todas as condições para Portugal e Sines, ser igualmente parte deste novo serviço.

Pasquale Formisano, Vice-Presidente sénior da MSC, disse: “Estou muito satisfeito por eestendermosa nossa parceria estratégica com Ellerman, um dos grandes nomes da indústria naval. Este acordo tem tudo a ver com eficiência. Carga garantida significa que podemos operar na capacidade máxima e, assim, minimizar o impacto ambiental de cada TEU que transportamos. Quanto mais pudermos fazer isso, mais poderemos reduzir as emissões.” 

Peter Andrews, Diretor Comercial da Ellerman, disse: “Temos o prazer de anunciar esta cooperação com a MSC, a maior empresa de transporte marítimo do mundo. Este acordo permite à Ellerman operar com maior eficiência, reduzindo a nossa pegada ambiental e ao mesmo tempo alargando o nosso alcance geográfico na Europa e nos Estados Unidos.” 

O acordo abrange rotas entre portos na Suécia, Polónia, Lituânia, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e França, e portos na costa atlântica dos Estados Unidos, de Nova Iorque à Florida.

Nota: Rectificamos o artigo anterior e adicionamos declarações de responsáveis sobre o acordo.

Catarina Frazão com bolsa para planeamento do uso sustentável do Oceano na Antárctida

 

A investigadora portuguesa Catarina Frazão Santos vai pensar o espaço marinho da Antárctida, ou seja, investigar os benefícios e os desafios do espaço marinho da Antárctida e planear o seu uso de forma sustentável, justa e que promova a adaptação e a mitigação das alterações climáticas. A Antárctida é uma região de capital importância na regulação da saúde do oceano e na regulação climática.

Catarina Frazão Santos ganhou uma bolsa de 1,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para levar a cabo o projecto que deve começar no 1° trimestre de 2024 e durar cinco anos.

A Antárctida é uma região de capital importância na regulação da saúde do oceano e na regulação climática. A reforçá-lo, a visita oficial à Antárctida, na semana passada, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que alertou para a aceleração do degelo, que acontece três vezes mais rápido do que há 30 anos.

Arsenio Velasco: "IMO prosperará no cumprimento de toda a sua agenda."

Arsenio Dominguez Velasco foi confirmado como o próximo secretário-geral da IMO –  Organização Marítima Internacional, com os participantes da Assembleia da IMO endossando o panamiano que assumirá o cargo dentro de um mês. 

Arsenio Velasco substituirá Kitack Lim para um mandato inicial de quatro anos e irá tornar-se o 10° secretário-geral do órgão das Nações Unidas. 

Dirigindo-se à assembleia, Arseni0 Velasco afirmou: “Têm todos o meu compromisso de desenvolver o excelente trabalho que foi feito pelos meus antecessores, transformando o que já é uma organização significativa e influente, numa instituição que prosperará no cumprimento de sua agenda completa, da segurança à descarbonização, da digitalização ao elemento humano.” 

Arsenio Velasco continuará no cargo de director da Divisão de Meio Ambiente Marinho do Secretariado da IMO até o final do ano. O panamiano assume o comando do órgão da ONU em Londres, num momento em que o transporte marítimo enfrenta um conjunto negro de regras que provêm de vários órgãos por todo o mundo.

A Assembleia da IMO é composta por todos os estados membros e reúne-se a cada dois anos na sede da IMO em Londres para discutir os próximos programas de trabalho, orçamentos e também para eleger o Conselho da IMO.

Nova pesquisa revela "crença" dos investidores na transição verde do transporte marítimo

Um novo artigo de pesquisa publicado no Journal of Environmental Innovation and Societal Transitions por investigadores do UCL Energy Institute explora o papel que os investidores de navios podem desempenhar na transição do transporte marítimo para combustíveis com emissão zero. 

Utilizando um novo quadro teórico que categoriza os investidores em cinco categorias facilitadoras ou incapacitantes, conclui-se que a maioria manifestou a ambição de apoiar os armadores existentes como facilitadores leais na transição, mas isto deve-se principalmente à importância das suas relações corporativas existentes. 

Com esta abordagem de financiamento, atribuem a responsabilidade da transição energética ao armador. Isto poderia levar a um maior aprisionamento tecnológico, afirmam os autores, e a riscos de activos ociosos, com os autores citando como exemplo o apoio de alguns bancos a navios movidos a GNL.

MSC, Maersk, CMA CGM, Hapag-Lloyd e Wilhelmsen pedem data final para novas construções exclusivamente a combustíveis fósseis

Os CEOs das principais companhias marítimas globais, MSC, Maersk, CMA CGM, Hapag-Lloyd e Wallenius Wilhelmsen, emitiram uma declaração conjunta na COP 28 na passada sexta-feira, pedindo uma data final para novas construções movidas exclusivamente a combustíveis fósseis e instando a IMO – Organização Marítima Internacional para criar as condições regulamentares necessárias para acelerar a transição para combustíveis verdes.

A única forma realista de cumprir as novas metas estabelecidas pela IMO este ano é fazer a transição dos combustíveis fósseis para os combustíveis verdes em escala e ritmo, argumentaram os cinco CEO numa declaração conjunta, que tem o apoio de Emmanuel Macron, o presidente francês entre os outros. 

A declaração conjunta apela ao estabelecimento de quatro pilares regulamentares, começando com uma data final para a nova construção de navios que utilizam apenas combustíveis fósseis e um cronograma padrão claro de intensidade de GEE (Gases de Efeitos de Estufa),  para inspirar confiança nos investimentos, tanto para novos navios como para a infra-estrutura de fornecimento de combustível necessária para acelerar a energia. transição. 

Em segundo lugar, apelaram a um mecanismo eficaz de fixação de preços de GEE para tornar o combustível verde competitivo com o combustível negro durante a fase de transição, quando ambos são utilizados. Isto pode ser feito distribuindo o prémio para os combustíveis verdes por todos os combustíveis fósseis utilizados. Com volumes iniciais baixos de combustíveis verdes, quaisquer efeitos inflacionistas serão minimizados. O mecanismo também deve incluir um incentivo regulamentar crescente para alcançar reduções mais profundas das emissões. Além disso, para além de cobrir a taxa do equilíbrio verde, as receitas geradas pelo mecanismo devem ser destinadas a um fundo de I&D e a investimentos nos países em desenvolvimento, a fim de garantir uma transição justa que não deixe ninguém para trás. 

Os cinco líderes também apelaram a uma opção de agrupamento de navios para conformidade regulamentar de GEE, onde o desempenho de um grupo de navios pudesse contar em vez de apenas o de navios individuais, garantindo que os investimentos sejam feitos onde alcançam a maior redução de GEE e, assim, acelerando a descarbonização.

Por último, exigiram uma base regulamentar de GEE adequada ou de ciclo de vida para alinhar as decisões de investimento com os interesses climáticos e mitigar o risco de activos irrecuperáveis. “A nossa responsabilidade colectiva por um futuro sustentável e práticas limpas é fundamental”, comentou Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd. “O apoio dos governos de todo o mundo será um elemento essencial para alcançar o nosso objectivo comum e entre esses esforços queremos ver o fim da entrega de navios que só podem funcionar com combustíveis fósseis”, disse Soren Toft, CEO da MSC, ao mesmo tempo que o CEO da Wilhelmsen, Lasse Kristoffersen, apelou a um quadro regulamentar global que corresponda à ambição das cinco empresas de impulsionar os investimentos necessários à escala global.

Madeira: Movimento de mercadorias nos portos em alta. 

Na Região Autónoma da Madeira, a variação do movimento de mercadorias nos portos da Região, no trimestre, foi grandemente positiva em comparação com o mesmo período dos últimos quatro anos (+3,9% face ao 3.º trimestre de 2022; +16,1% face ao 3.º trimestre de 2019). 

Para esta variação contribuíram os acréscimos observados homólogos verificados tanto no descarregamento (+3,5%; +18,1% que no mesmo trimestre de 2019), como no carregamento (+7,1%; +3,3% face ao 3.º trimestre de 2019) de mercadorias. A variação homóloga acumulada foi igualmente positiva (+6,6%; +18,6% face a 2019).

No domínio dos transportes marítimos, contabilizaram-se, nos primeiros nove meses de 2023, 168 navios de cruzeiro entrados nos portos da RAM (-25 que no mesmo período do ano passado). Quando comparado com 2019, foram mais 3 navios que fizeram escala nos portos da Região. Apesar do número de escalas ser menor do que no ano anterior, o número de passageiros em trânsito (366 456) cresceu significativamente (+92,6% em termos homólogos, +5,2% do que no mesmo período de 2019).

Nos primeiros nove meses do ano, o Porto do Funchal recebeu 365 856 passageiros em trânsito, a larga maioria (86,5%) dos quais constituída por europeus. As nacionalidades predominantes foram a alemã (38,6% do total; -6,1% que em 2019), a britânica (37,9% do total; +36,9% que em 2019), a francesa (1,6% do total; -20,4% que em 2019) e a italiana (1,6% do total; ‑50,8% que em 2019). Note-se ainda que os passageiros do continente americano em trânsito no Porto do Funchal (12,3% do total) cresceram 43,0% face a 2019, sendo que as nacionalidades que mais contribuíram para este aumento foram os norte-americanos (7,4% do total; +36,5% que em 2019) e os brasileiros (2,5% do total; +236,6% que em 2019).

Na linha Madeira-Porto Santo, o número de passageiros, no 3.º trimestre do corrente ano, aumentou 13,9% em relação ao mesmo trimestre de 2022, sendo também superior aos valores de 2019 (+18,7%). Em termos acumulados, nos primeiros nove meses, o número de passageiros transportados foi de 327,0 mil, valor acima ao do mesmo período do ano anterior (+21,8%; +11,6% face a idêntico período de 2019).

Foto: © RTP-M

Transição nos mares enfrenta desafios complexos

O debate sobre transportes marítimos, na manhã do segundo dia do Portugal Mobi Summit, foi certamente um dos painéis mais movimentados da cimeira, pelo menos até agora. 


É a quarta edição da Portugal Mobi Summit, a maior cimeira de mobilidade urbana do país, organizada pelo Global Media Group, que detém o Diário de Notícias, Dinheiro Vivo, Jornal de Notícias, TSF e Motor 24

Os oradores tinham todos noção da urgência de descarbonizar o sector, mas houve uma intensa troca de ideias sobre a melhor forma de concretizar a meta ou sobre a gravidade dos obstáculos. 

O custo da transição, as dúvidas sobre o futuro combustível dos navios, o papel dos portos, estes foram os temas principais da discussão.

Aprovada 1ª Área Marinha Protegida de Portugal Continental no Sec.XXI

O Conselho de Ministros aprovou a proposta para a
classificação do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado,
que tinha sido apresentada pela Fundação Oceano Azul e pelo Centro de Ciências
do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR).

Esta área marinha que se estende por 156 quilómetros
quadrados, possuí um dos maiores recifes rochosos costeiros de Portugal o que
faz dela uma das zonas mais ricas em termos de biodiversidade a nível nacional.

A proposta para a criação desta área marinha protegida foi
apresentada ao Governo em 2021, pela Fundação Oceano Azul e pelo Centro de
Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR).

Esta Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário (AMPIC)
contou com o envolvimento dos municípios de Albufeira, Lagoa e Silves, além de
associações de pescadores locais, indústria hoteleira, empresas
marítimo-turísticas e organizações não governamentais.

“Resulta de um processo participativo que envolveu cerca de
80 entidades, sem precedentes no país, tendo também registado resultados
históricos na consulta pública prévia a este Ato de Classificação: uma forte,
abrangente e heterogénea participação, com mais de 150 comentários e 86
documentos submetidos”, segundo a Fundação Oceano Azul.

O interesse na criação desta Área Marinha Protegida foi
reconhecido a 28 de Julho de 2021, e por unanimidade, no Parlamento português,
através de uma Resolução da Assembleia da República.

Xeneta: 2024 pode ser “ainda mais brutal” para o sector contentorizado.

Os sinais já estão à vista há algum tempo, com os analistas
do sector portuário a lançarem alertas de que o segmento contentorizado está
enfrentando um período prolongado de crise, devido à mistura de circunstâncias
como a queda geral e significativa de movimentação, um excesso de oferta e um abrupto
decréscimo do valor das taxas.

O Drewry World Container Index, um dos indicadores de
mercado mais relevantes, já dava sinais de queda, tendo-se agora juntado nos
alertas, a Xeneta, plataforma líder de benchmarking de taxas de frete marítimo
e aéreo e análise de mercado, que vê um “sinal ameaçador para os armadores”, à
medida que as taxas contratadas a longo prazo continuam a cair.

De acordo com a Xeneta, “Os sinais de alerta já existiam,
mas os dados mais recentes sugerem que 2024 poderá ser ainda mais
brutal do que o esperado para com os armadores no mercado de transporte
marítimo de mercadorias”, afirma na sua mais recente análise.

O Índice de Remessa Xeneta, que acompanha a evolução das
taxas contratadas globais de longo prazo, relatou uma queda adicional de 4,7%
em outubro, que agora é 62,3% menor do que em novembro de 2022.

Emily Stausbøll,  analista de mercado da Xeneta, Emily Stausbøll, destacou que os contratos mais
antigos provavelmente estão sustentando a média, compromissos que foram
assinados em 2022, quando as taxas eram muito mais altas. Stausbøll afirma,
porém, que a situação ficará ainda pior à medida que entrarmos em 2024.

“Sempre soubemos que haveria uma tempestade no primeiro
trimestre de 2024, quando os contratos mais antigos expiraram, mas parece que
chegou mais cedo do que o esperado”, afirma a Xeneta. “Podemos ter a certeza
absoluta de que os novos contratos serão assinados a taxas muito mais baixas do
que as assinadas nesta altura do ano passado, por isso, se as transportadoras
já estão a reportar perdas, quais serão elas no próximo ano? Poderíamos estar
falando de números extremamente grandes.”

Xeneta vê alguns sinais positivos, observando que as taxas
de longo prazo permanecem altas em 39,5% em comparação com novembro de 2020.
Com perspectivas limitadas de uma forte recuperação nas taxas, eles acreditam
que as transportadoras terão que ser mais agressivas na gestão da capacidade
para evitar o potencial de crises financeiras catastróficas.

Decorreu o seminário “Encontro do Mar – História, Economia, Ambiente, Responsabilidade social”

 

Decorreu o seminário “Encontro do Mar – História, Economia,
Ambiente, Responsabilidade social”, evento organizado pela AEZULMAR –
Associação Economia Azul em parceria com a APSS e com a Câmara Municipal de
Setúbal e que se realizou no âmbito das comemorações do Porto de Setúbal.

Carlos Correia, presidente da APSS – Administração dos
Portos de Setúbal e Sesimbra, referiu que no ano em que comemora o seu
centenário, o Porto de Setúbal afirma-se como «um porto moderno mas dono de uma
história marcante para o desenvolvimento da região», acrescentando que
«assistimos a uma mudança de paradigma marcado pela necessidade de apostar
fortemente no desenvolvimento sustentável e competitivo».

Segundo Carlos Correia, é necessário «apostar na nova
indústria verde, agregada a uma logística de ponta, onde a inovação é um fator
transversal e potenciador de sucesso. Por outro lado, é preciso contribuir para
o desenvolvimento da Economia do Mar, na procura incessante de um equilíbrio
sustentável entre a atividade económica e a capacidade de preservar, a longo
prazo, os ecossistemas marítimos, suporte dessa atividade, mantendo-os
resilientes e saudáveis. Trata-se de assegurar um futuro que passa, inquestionavelmente,
por perceber, respeitar e aproveitar o Mar».

O Porto de Setúbal quer assumir-se como um polo de
desenvolvimento sustentável da atividade portuária e, simultaneamente, promover
o crescimento económico, a economia azul, a inovação, a tecnologia e o
bem-estar local, regional e nacional.

Neste sentido, o presidente da APSS reforçou e valorizou o
«apoio dado pelo Município ao Porto de Setúbal», assim como o contributo da
Comunidade Portuária de Setúbal como «parceiro ativo da Administração
Portuária, no desenvolvimento de um porto moderno, verde e competitivo, numa
estratégia que visa criar oportunidades de desenvolvimento e crescimento».

Já Isabel Moura Ramos, administradora da APSS, destacou,
durante a mesa-redonda dedicada ao tema “Economia Azul” que Setúbal é «o porto
nacional de maior potencial de desenvolvimento no futuro, estando mesmo a um
passo de integrar a rede CORE da rede transeuropeia de transportes, com
vantagens desde logo no acesso a financiamentos relevantes para concluir um
conjunto de infraestruturas verdes e resilientes: requalificação de
infraestruturas e acessos aos Terminais Portuários; Expansão do Cais e Parqueamento
RO-RO; Terminais Green Multimodal, Terminal Wind2Sea, Multiusos Mitrena,
Bunkering e área Logística de apoio ao offshore».

De referir que este seminário integrou o programa do evento
“Encontro do Mar”, que contou ainda com a realização de atividades desportivas,
em várias escolas do concelho, envolvendo dezenas de estudantes da cidade de
Setúbal ao longo do dia. O evento teve como objetivo fomentar a cultura
marítima junto da população, promover as atividades marítimas junto das
escolas, consolidar o papel da Economia do Mar no País, contribuindo para o
reforço do conhecimento, ensino e formação profissional nos sectores marítimo e
portuário.