Portugal perde vantagem comercial com os Estados Unidos após novo acordo.

Durante mais de uma década, Portugal manteve uma posição confortável nas trocas comerciais com os Estados Unidos, vendendo mais do que comprava e garantindo um saldo positivo que se tornara habitual.

Essa tendência, contudo, foi quebrada em Setembro, precisamente no mês em que entrou em vigor o novo acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, destinado, em teoria, a facilitar o comércio e eliminar barreiras tarifárias.

Pela primeira vez em vários meses, a balança comercial portuguesa com o mercado norte-americano registou um défice, revelando que o novo enquadramento poderá ter alterado as dinâmicas habituais de exportação e importação. Os combustíveis surgem como o principal factor de desequilíbrio, já que o aumento das importações de energia, num contexto de volatilidade dos preços internacionais, pesou fortemente nas contas externas.

Além disso, o abrandamento da procura por alguns produtos portugueses nos Estados Unidos, nomeadamente no sector têxtil e agroalimentar, também terá contribuído para o enfraquecimento das exportações. Enquanto isso, empresas nacionais começaram a enfrentar uma concorrência acrescida de bens norte-americanos, agora mais competitivos após a redução de certas tarifas.

Assim, um acordo que pretendia reforçar as ligações económicas entre as duas margens do Atlântico acabou, para já, por inverter o equilíbrio que durante anos favoreceu Portugal, transformando um parceiro comercial estável num terreno de maior incerteza.

APS é um dos principais participantes no projecto europeu ADMIRAL.

O Porto de Sines participa no projecto europeu ADMIRAL (Horizon Europe), que visa reforçar a sustentabilidade e digitalização das cadeias logísticas.

No piloto luso-espanhol, o Porto de Sines e os parceiros MARLO, UPM, LNEC, VTT e CERTH desenvolvem um catálogo de serviços de baixas emissões para o transporte de mercadorias entre Sines e Madrid, promovendo a transferência intermodal, do modo rodoviário para o ferroviário.

Uma iniciativa que reforça o papel de Sines na descarbonização e inovação logística europeia.

Cessar-fogo não é suficiente para reabrir o shipping no Mar Vermelho.

Mesmo com um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, ( mais efectivo que o actual), o tráfego marítimo no Mar Vermelho não deverá regressar à normalidade num futuro próximo. A trégua entre as partes envolvidas no conflito não é, por si só, suficiente para restaurar a confiança das companhias de navegação nem para garantir a segurança ao longo desta rota estratégica.

Os rebeldes Houthi, que controlam parte significativa do Iémen, já anunciaram que pretendem continuar a atacar embarcações e a interromper as linhas de comércio que atravessam a região. Até agora, não manifestaram qualquer intenção de aderir a um acordo de cessar-fogo, o que mantém o risco elevado para o transporte marítimo internacional.

Os grandes armadores exigem garantias de segurança concretas antes de retomarem as passagens pelo Canal do Suez. Além disso, reorganizar as frotas globais é um processo demorado, e os especialistas estimam que possa levar vários meses até as rotas voltarem a funcionar com regularidade.

Um regresso repentino ao Suez também não resolveria todos os problemas. Pelo contrário, poderia provocar congestionamentos severos nos principais portos, uma vez que centenas de navios estão actualmente desviados por rotas alternativas mais longas, como a que contorna o sul de África.

Em termos económicos, o impacto deverá ser sentido de forma oscilante: as tarifas de transporte poderão aumentar num primeiro momento, devido à procura reprimida, mas poderão cair rapidamente depois, quando o excesso de oferta voltar ao mercado. No melhor dos cenários, analistas antecipam que a recuperação plena do tráfego marítimo na região só ocorrerá entre o final de 2026 e o início de 2027, um sinal claro de que os efeitos do conflito e da instabilidade regional continuarão a fazer-se sentir durante muito tempo.

Bruxelas fecha portas ao GNL da Rússia e endurece controlo sobre “frota sombra”.

A União Europeia deu um novo passo na escalada das sanções contra a Rússia, ao aprovar um pacote que inclui a proibição da importação de gás natural liquefeito (GNL) proveniente daquele país e o reforço das restrições à chamada “frota sombra”, usada por Moscovo para contornar as medidas em vigor.

O 19.º pacote de sanções, anunciado esta quinta-feira pela Comissão Europeia, prevê que a proibição entre em vigor em Janeiro de 2027, dando tempo aos Estados-membros e às empresas para se adaptarem. Trata-se da primeira vez que o bloco comunitário avança para uma interdição total do GNL russo, um sector até agora poupado por razões de segurança energética.

O novo pacote atinge também a vasta rede de navios e intermediários que a Rússia tem utilizado para manter as suas exportações energéticas. Bruxelas estima que mais de 500 embarcações façam parte desta “frota em sombra”, registada sob bandeiras de conveniência e operada através de empresas-fantasma.

A União Europeia passa agora a proibir o acesso aos portos europeus a qualquer navio que transporte petróleo ou gás russos fora dos limites fixados pelas sanções. Serão igualmente sancionadas empresas de navegação, seguradoras e intermediários que participem nesses esquemas de transporte.

Fontes comunitárias explicam que estas medidas visam reduzir o financiamento da guerra na Ucrânia e “fechar as brechas” que, até agora, permitiam à Rússia continuar a exportar energia através de canais informais.

Bruxelas reconhece que a decisão poderá ter efeitos no mercado europeu do gás, sobretudo para países com maior dependência de GNL importado. Ainda assim, a Comissão defende que a diversificação de fornecedores — nomeadamente dos Estados Unidos, do Qatar e de África Ocidental — permitirá compensar a perda de volumes russos.Do ponto de vista marítimo, o endurecimento das regras deverá aumentar o escrutínio sobre registos navais e seguros de navios, sectores frequentemente utilizados para ocultar a verdadeira origem das cargas. A frota sombra tem sido criticada por motivos de segurança e ambientais, devido ao envelhecimento das embarcações e à opacidade das suas operações.

Pressão de Trump congela plano de descarbonização da IMO por um ano

A Organização Marítima Internacional (IMO) adiou por um ano a adopção do “Quadro de Emissões Líquidas Zero”, que visava criar um sistema global de comércio de emissões semelhante ao aplicado na União Europeia. A decisão foi tomada em Londres, após intensa pressão dos Estados Unidos.

A sessão extraordinária do Comité de Protecção do Meio Ambiente Marítimo terminou com 57 países a favor do adiamento, 49 contra e 21 abstenções. A maioria dos países da União Europeia, incluindo Portugal e Espanha, votou contra a suspensão, enquanto Rússia, China e as potências petrolíferas do Médio Oriente apoiaram o adiamento. A proposta foi apresentada por Singapura e pela Arábia Saudita.

Segundo fontes internacionais, Riade alinhou-se com Washington ao propor uma alteração no procedimento de adopção do regulamento — de “aceitação tácita” para “aceitação explícita” —, o que, na prática, poderia atrasar indefinidamente a entrada em vigor do quadro regulatório.

A oposição norte-americana intensificou-se nos dias anteriores à votação. Donald Trump, através da sua conta na rede Truth Social, classificou a medida como “um golpe” e apelou aos países para rejeitarem o plano: “Não aceitarei esta taxa de forma alguma. Não toleraremos preços mais altos para os consumidores americanos”, afirmou. De acordo com diversos meios de comunicação, a administração norte-americana terá exercido pressão directa sobre delegações de países mais vulneráveis, ameaçando medidas comerciais caso não seguissem a posição de Washington.

APS distinguida pelo IPS

A APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve foi reconhecida, como Instituição de Mérito Científico e Tecnológico durante as comemorações do 46º aniversário do Instituto Politécnico de Setúbal.

Em comunicado, a APS referiu que a distinção foi atribuída pelo “seu papel enquanto entidade impulsionadora da modernização do setor portuário, contribuindo para a afirmação de Portugal em domínios estratégicos como a digitalização, sustentabilidade e transição energética”.

“Este galardão premeia ainda o contributo da APS para o desenvolvimento científico e tecnológico, numa constante procura de projetos de inovação, com interesse para a sociedade”, acrescenta a mesma fonte.

Atividade Portuária em Portugal com quebra generalizada.

Entre Janeiro e Julho de 2025, o sistema portuário nacional movimentou cerca de 51 milhões de toneladas, menos 7,3% do que no período homólogo de 2024. Apesar da quebra acumulada, o mês de Julho registou uma recuperação expressiva de 18,8%, atenuando o recuo do primeiro semestre. O contexto internacional manteve-se adverso, com instabilidade geopolítica, custos acrescidos da transição energética e perturbações nas rotas marítimas globais.

O porto de Sines, que detém mais de metade da carga movimentada no país (54,6%), foi o principal responsável pela queda global, registando uma descida de 11,7%, influenciada não só pela redução do tráfego internacional, mas também pelos efeitos prolongados da greve dos trabalhadores portuários, que afectou operações de carga contentorizada e produtos petrolíferos, provocando atrasos e desvio temporário de escalas para outros portos.

Lisboa (+2%), Aveiro (+0,8%) e Viana do Castelo (+12,6%) apresentaram desempenhos positivos, enquanto Leixões, Setúbal e Figueira da Foz recuaram. As principais tipologias, como a carga contentorizada (-4,6%), produtos petrolíferos (-30,4%) e petróleo bruto (-6,1%), concentraram quase 70% da movimentação, embora a carga fraccionada (+31,1%) e o tráfego Ro-Ro (+29,9%) tenham crescido de forma expressiva.

O movimento de contentores fixou-se em 1,9 milhões de TEU (-4,2%), com quebras em Sines e ganhos em Lisboa e Leixões. As escalas de navios diminuíram 2,6%, embora Julho tenha registado ligeira recuperação. Comparativamente, Espanha teve uma queda mais moderada (-2%) e reforçou a sua vantagem em volume. Apesar da retoma pontual em Julho, o relatório alerta que o sector portuário português continua sob pressão, exigindo investimento, estabilidade laboral e modernização para garantir competitividade face aos portos espanhóis.

Royal Caribbean atinge os 100M de passageiros.

A Royal Caribbean alcançou um marco histórico que ficará gravado na história dos cruzeiros: 100 milhões de passageiros recebidos a bordo da sua inovadora frota de 28 navios.

Uma conquista que traduz décadas de dedicação, inovação e, acima de tudo, paixão por criar viagens memoráveis. Para assinalar este feito impressionante, a companhia recorda algumas das experiências mais icónicas que têm conquistado viajantes de todas as idades — desde aventuras electrizantes até momentos de puro relaxamento, sempre com a hospitalidade e o serviço característicos da Royal Caribbean. Seja no entusiasmo das famílias a participar em atividades conjuntas, seja na serenidade de espaços cuidadosamente concebidos para o descanso, cada instante a bordo é pensado ao pormenor para criar memórias que duram para toda a vida. Este compromisso com a excelência e a inovação mantém a Royal Caribbean na liderança do setor, sempre com propostas surpreendentes e adequadas a todos os perfis de viajantes.

Os números desta celebração não deixam margem para dúvidas: mais de 1,26 milhões de crianças já embarcaram nestas viagens inesquecíveis, participando em mais de 20.000 atividades em família a bordo. Para os amantes da aventura, não faltaram desafios e diversão: foram registadas 508.826 corridas nos carrinhos de choque, 276.367 sessões emocionantes na pista de gelo e 34.717 voos de balão na deslumbrante ilha privada Perfect Day at CocoCay.

Portos da Madeira assinam protocolo com Portos de Sines e do Algarve.

A Administração dos Portos da Madeira (APRAM), tutelada pela Secretaria Regional da Economia, celebrou um acordo de cooperação com a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), reforçando a aposta na inovação e na transformação digital do sector marítimo-portuário.

O protocolo contempla o desenvolvimento de soluções como a Janela Única Logística (JUL) e a plataforma digital Control Tower, no quadro da Agenda NEXUS, que promove a transição verde e digital. As duas administrações reconhecem este entendimento como uma oportunidade estratégica para acelerar a modernização e a descarbonização dos portos, assumindo-o como um projeto de interesse público. Para o secretário regional da Economia, a partilha de conhecimento e a colaboração institucional são fundamentais para enfrentar os desafios actuais, permitindo que ambas as entidades beneficiem de uma troca de experiências capaz de gerar maior eficiência.

José Manuel Rodrigues destacou ainda a relevância das infraestruturas portuárias para a economia, sublinhando que, na União Europeia, 74% das mercadorias transitam por via marítima, e que, no caso da Madeira, 95% da carga que entra e sai das ilhas depende dos portos. O governante reforçou também o papel estratégico destas estruturas na vertente da defesa nacional, lembrando que, na região, é garantida tanto a utilização civil como militar.

No plano do investimento, o Governo Regional prevê aplicar cerca de 30 milhões de euros na modernização dos portos da Madeira e do Porto Santo até ao final da década. Parte deste valor, cerca de 10 milhões, já está a ser canalizada para as obras de requalificação do porto do Caniçal, enquanto um concurso público internacional, estimado em 9 milhões, será lançado em breve para viabilizar a expansão dessa infraestrutura.

Foto: DR

Transporte marítimo verde pode valer 10 mil milhões até 2030.

O mercado de transporte verde no sector marítimo poderá atingir 10 mil milhões de dólares até 2030, de acordo com o estudo “The $10 Billion Opportunity in Green Shipping”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG). Esta estimativa tem por base a predisposição da maioria dos proprietários de carga para pagar um preço acrescido por transporte sustentável, sendo que 80% destes assume estar disposto a pagar, em média, um acréscimo de 4,5% pelo transporte marítimo verde em comparação com o convencional.

Apesar do forte interesse em soluções de transporte marítimo sustentáveis, o crescimento da disposição para pagar esse valor extra por transporte marítimo verde desacelerou, passando de +1% ao ano entre 2021 e 2023 para +0,5% em 2024. Este abrandamento é um reflexo da incerteza regulatória e da limitada maturidade do mercado de combustíveis alternativos. As empresas aguardam por um enquadramento mais claro para tomar decisões de longo prazo, o que tem travado a adoção mais generalizada destas soluções.Ao mesmo tempo, as transportadoras enfrentam um ambiente complexo que impede uma adoção mais rápida e generalizada, com fatores como a escassez de combustíveis verdes, falta de transparência e rastreabilidade, e impactos geopolíticos que influenciam a estabilidade global. Mais ainda, a ausência de transparência, rastreabilidade e confiança nas soluções de combustíveis verdes constituem uma barreira relevante, levando muitos clientes a rejeitar as ofertas disponíveis devido à incerteza quanto aos benefícios reais. Neste contexto, a capacidade de interpretar o mercado, construir confiança e agir de forma estratégica pode ser determinante para capturar valor.

Segmento dos proprietários de carga líderes é responsável pela maioria do crescimento no setor do transporte marítimo verdeCom base na disposição para adotar soluções de transporte sustentável, a BCG identificou três segmentos principais de proprietários de carga: empresas pioneiras, seguidoras e resistentes. As pioneiras lideram a adoção de soluções verdes e são responsáveis pela maior parte do crescimento do mercado de transporte marítimo sustentável, estando dispostas a pagar mais de 5% de valor acrescido por alternativas com menor pegada carbónica. Mais de 90% destas organizações têm metas de redução das emissões da cadeia de valor e 75% alocam parte do orçamento para atingir esses objetivos. As empresas seguidoras, por sua vez, revelam abertura à transição, com disposição para pagar um acréscimo entre 1% e 5%.

No entanto, continuam dependentes de maior clareza regulatória antes de se comprometerem plenamente. Cerca de 75% têm metas de redução das emissões, mas apenas 60% afetam parte do orçamento para avançar com essas metas. Por contraste, as empresas resistentes mantêm uma postura reativa, não estando dispostas a pagar qualquer prémio por soluções sustentáveis e adotando combustíveis verdes apenas quando tal for exigido por regulamentação obrigatória. Apenas cerca de 40% têm metas de emissões e, entre as que têm, apenas uma minoria afeta recursos para as concretizar.O estudo, baseado num inquérito a 125 executivos do setor, incluindo diretores de logística e da cadeia de abastecimento,