A Comissão Europeia reiterou o seu compromisso de aplicar as medidas internacionais de controlo do atum-rabilho durante a principal campanha de pesca de 2014. Durante esta campanha, que decorre até 24 de Junho no Mediterrâneo e no Atlântico Este, o atum-rabilho pode ser pescado por grandes navios, cercadores com rede de cerco com retenida. A curta duração da campanha de pesca faz parte do plano de recuperação acordado a nível internacional para repor as unidades populacionais deste peixe a níveis sustentáveis.
Maria Damanaki, Comissária Europeia responsável pelos assuntos marítimos e as pescas, declarou: «A UE tem vindo a trabalhar incansavelmente para proteger o atum-rabilho: reduzimos a frota de pesca, apertámos os controlos e temos desempenhado um papel activo e coerente na Convenção Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico, que é responsável pela gestão desta pescaria. Contribuímos assim para afastar a ameaça de extinção que pairava sobre as unidades populacionais de atum-rabilho do Atlântico Este. Estou convicta de que estamos no bom caminho.» Este ano, a Croácia fará pela primeira vez parte da frota da UE. Consequentemente, o número de cercadores com rede de cerco com retenida aumentou, assim como a quota da UE para 2014, que passou a ser de 7 939 toneladas, ou seja, mais 5 %. Os outros Estados-Membros activamente envolvidos na pesca do atum-rabilho são a Espanha, a França, a Itália, a Grécia, Portugal, Malta e Chipre. Estes oito países dividem entre si a quota da UE, tendo a Espanha e a França as maiores partes. Para impedir a sobrepesca, foi instaurado um rigoroso programa de controlo e inspecção. O programa assegura o rigor dos controlos estabelecendo prioridades e parâmetros de referência concretos. Envolve um grande número de inspectores, assim como de navios e aeronaves de patrulha, coordenados pela Agência Europeia de Controlo das Pescas (EFCA) e pelos Estados-Membros em causa. A Comissão Europeia também monitoriza, em permanência, as capturas e analisa os dados do sistema de localização dos navios (um sistema de controlo por satélite), a fim de garantir o respeito integral de todas as regras e, nomeadamente, das quotas individuais dos navios. A pesca do atum-rabilho é regulamentada pela Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT), de que são membros a UE e os seus Estados-Membros. A estreita colaboração com a Agência Europeia de Controlo das Pescas, com os Estados-Membros e com as outras Partes Contratantes na ICCAT é garante de que todas as medidas necessárias estão a ser tomadas para apoiar o plano de recuperação das unidades populacionais e a sua sustentabilidade a longo prazo.
Contextualização
Em 2006, a ICCAT adoptou um plano de recuperação, de 15 anos, para o atum-rabilho no Atlântico Este e no Mediterrâneo, o qual tem sido periodicamente alterado com base na avaliação das unidades populacionais, nos controlos efectuados e nas novas tecnologias. Em 2010 e 2012 foram introduzidas medidas substanciais para impor na prática a gestão sustentável das unidades populacionais. Na última reunião anual da ICCAT, em Novembro de 2013, foram adoptadas medidas complementares para melhorar o controlo do atum-rabilho capturado vivo para fins de criação, estabelecendo-se regras detalhadas para a aplicação das novas tecnologias.
No dia 7 de Junho, Vila Nova de Milfontes receberá o 1º Open de Pesca Embarcada do Sudoeste Alentejano, um convívio de pesca desportiva embarcada promovido no âmbito da Feira Nacional de Turismo Desportivo e de Natureza.
Com o grande objetivo de promover a pesca embarcada, a organização está a cargo da empresa DUCA, em parceria com o Município de Odemira e com as empresas Serica-Mar, Lucas Castanheira, Jig e Vertical.
O 1º Open de Pesca Embarcada será aberto a todas as embarcações que queiram participar, licenciadas ou não, com o controle e júris da responsabilidade das empresas marítimo-turísticas de Vila Nova de Milfontes que participem no evento.
A saída será às 6.00 horas do dia 7 de junho, no Portinho do Canal, em Vila Nova de Milfontes.
Será atribuído um prémio à embarcação vencedora e, a título individual, prémios para maior exemplar pescado e melhor pescador dos 3 primeiros barcos. Há ainda um prémio especial: o barco solidário, entregue à equipa que der mais peixe para uma instituição local (não obrigatório).
Várias empresas locais associaram-se à organização e oferecem prémios aos vencedores do 1º Open de Pesca Embarcada do Sudoeste Alentejano, designadamente os alojamentos Cerro da Fontinha, Três Marias, Casa do Adro, Rosa dos Ventos, Casa da Seisseira e restaurante L-colesterol (2 refeições).
As inscrições poderão ser efectuadas junto do Posto de Turismo de Vila Nova de Milfontes.
Inês tem 34 anos e voltou à Nazaré para trabalhar com a mãe na secagem do peixe. O irmão, Samuel, criou uma nova embalagem para explicar aos turistas o que isto é. E o projecto Endògenos está a reinventar o carapau seco nas cozinhas.
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São sete da tarde e o sol começa a pôr-se sobre a praia da Nazaré. Ana Palmira continua sentada por detrás da sua banca de peixe seco. Não tem grandes esperanças de vender alguma coisa, mas vai ficando, sempre pode ser que ainda passe alguém que queira comprar.
Passa um casal de jovens. Ele faz perguntas. Ela olha com um ar desconfiado para os peixes escalados e secos. Como é que se cozinha?, pergunta ele. Parece tentado a levar. Ana Palmira ganha algum alento com a perspectiva da venda e garante que é um petisco de primeira. A rapariga abana a cabeça. Acabam por agradecer e ir embora sem levar nada. “Isto está a acabar”, lamenta-se a peixeira. “Isto” é a venda de peixe seco, uma tradição antiga e um dos bilhetes-postais da Nazaré. São sete da tarde e a banca continua cheia. De nada adianta estar a pé desde as quatro da manhã e já ter corrido a Nazaré, primeiro a comprar o peixe na lota, depois a vendê-lo ainda fresco e por fim a abrir o restante, a passá-lo na salmoura e a pô-lo ao sol. “A malta nova hoje não quer nada disto. Só os mais velhos é que compram, e esses estão a desaparecer.”
Ana Palmira andou toda a vida a vender peixe, conseguiu pôr os filhos a estudar, hoje todos têm cursos superiores e até mestrados, mas, afinal, contra todas as suas expectativas, isso não lhes serviu de garantia de uma vida melhor. “Estão todos desempregados.” E é isso que lhe deixa “o coração tão negro” como o lenço que tem enrolado à cabeça, e que agora desenrola para nos mostrar a cor — é preto mesmo.
“Isto hoje é só entrevistas”, lança-lhe outra peixeira, também junto da sua banca de peixe seco. Na praia, por trás delas, ergue-se o “estindarte” que é como aqui chamam ao estendal, os rectângulos de madeira e rede, inclinados e virados para sul, onde o peixe é colocado para secar ao sol. A tradição começou, não se sabe exactamente quando, como forma de preservar o peixe em tempos de maior dificuldade e garantir que a comida chegava para os dias em que os homens não podiam ir ao mar. Embora o carapau seja o mais emblemático, secam-se diferentes peixes, do cação à petinga e à sardinha (estes peixes mais pequenos não são escalados), passando pelo polvo.
As técnicas também diferem: um carapau seco deve ficar uns dois a três dias ao sol, dependendo das condições atmosféricas e da temperatura e pode ser comido cru e desfiado ou cozido e regado com azeite, vinagre ou sumo de limão e alho picado. O carapau a que chamam “enjoado” fica apenas um dia, ou algumas horas ao sol, passa por uma salmoura menor e é geralmente grelhado.
Por força do hábito, os nazarenos ganharam gosto a este peixe assim seco e deliciam-se quando o comem. Mas e os outros? Bem, os outros — os não nazarenos, entenda-se — passam, olham, fazem perguntas. E não compram. É por isso e porque dantes o “estindarte” era muito maior e a praia estava cheia de mulheres a vender, que Ana Palmira não está optimista.
N
No entanto, esta história pode ser diferente — e muito mais feliz. Se nesse dia Ana Palmira estava mais a dar entrevistas do que a vender peixe, era porque dali a pouco ia realizar-se um jantar dedicado precisamente ao carapau seco da Nazaré.
O que está a acontecer aqui é uma coincidência de interesses que pode ajudar a virar o destino à tradição do carapau seco. O jantar está marcado para a Taberna do 8 ó 80, casa aberta há dois anos na marginal, por Abel Santos, filho da Adélia, da Taberna d’Adélia, famosa na Nazaré pelo seu peixe fresco. Foi o restaurante de Abel o local escolhido pelo projecto Endògenos — uma iniciativa do empresário Nuno Nobre, que, em colaboração com o chef António Alexandre, pretende recuperar vários produtos tradicionais portugueses, das algas ao capão, passando pelo ouriço-do-mar — para este jantar em torno do carapau seco.
Quem forneceu o carapau esta noite foi a Maria da Nazaré. Por isso, é tempo de conhecermos os irmãos Samuel e Inês Fialho, ele com 28 anos, ela com 34, netos e filhos de mulheres que dedicaram a vida ao peixe seco da Nazaré e que acreditam que esta é uma tradição com futuro. Foi essa razão que os levou a criar a marca “Maria da Nazaré” —uma homenagem a essa avó, chamada Maria da Nazaré, hoje com 91 anos, que é para eles um exemplo.
Inês fez o curso de Educadora de Infância, viveu em Lisboa, tem um marido ligado ao cinema e, há três anos, quando ficou grávida da filha, decidiu ir viver para a Nazaré. “Pela qualidade de vida”, explica. O facto é que a carreira de educadora de infância foi substituída pela venda de peixe.
Encontrámo-la, bem-disposta e sorridente, pelas nove da manhã, junto à mãe, Isaura, a amanhar o peixe numa banca do mercado municipal. No café do mercado, há grande animação, com as vendedoras da praça a beber café de saco e a comer pão com manteiga. Isaura e Inês já receberam os carapaus e os batuques (têm um vendedor que compra na lota e lhes vende no mercado) e vão passar algumas horas a abrir cada peixe, a tirar-lhe a tripa, a escalá-lo à mão, fazendo correr o dedo junto à espinha, sempre debaixo de água corrente e, por fim, a passá-lo por duas ou três salmouras. Muito importante, sublinha Inês, é tirar-lhe completamente o sangue, porque é este que atrai as moscas, um dos maiores perigos para este produto.
Quando já têm vários alguidares cheios de peixes abertos, põem-nos num carrinho de mão e atravessam as ruas da Nazaré, vazias àquela hora, até ao estendal. Na praia, de manhã cedo, só as gaivotas, que enchem o areal na esperança de apanhar um peixe, ou pelo menos as tripas, que algumas peixeiras têm o hábito de lhes dar.
Os paneiros (as tábuas com rede) têm diferentes cores para se saber a quem pertencem. As duas desembrulham os seus paneiros, protegidos por um plástico azul, e aparecem os primeiros, verde-claro, e os restantes, vermelhos. “O vermelho foi sempre a cor da minha mãe”, diz Isaura. Pega num e segura-o ao alto para mostrar o M e o N, pintados a vermelho, com os quais a Maria da Nazaré — que começou neste trabalho em 1928, tinha apenas seis anos, e continuou até aos 87 — identificava as suas tábuas.
Samuel agarra no tablet para mostrar o site da marca e o filmezinho que fizeram com a avó a mostrar como se cozinha o carapau seco — na realidade, um processo muito fácil, semelhante ao do bacalhau. “O que nós sentimos foi que muitas pessoas, nomeadamente os turistas, tinham curiosidade em saber o que era o peixe seco, mas nem sempre é fácil explicar.” Sobretudo para as peixeiras na praia, que não falam outras línguas e têm apenas os gestos para se fazer entender.
Por isso, numa assumida estratégia de marketing — até porque Samuel tem uma starp-up dedicada a projectos digitais, entre os quais, os recentemente lançados áudio-guias Nazaré Museum, com informação para os visitantes sobre as diferentes rotas que podem fazer na Nazaré — a “Maria da Nazaré” criou uma embalagem em triângulo e colocou lá dentro um, apenas um, carapau. Isto permite que quem não conhece prove e satisfaça a curiosidade. “Os estrangeiros não vão comprar meia dúzia ou uma dúzia de carapaus, como as mulheres vendem na praia, mas são capazes de comprar um para saber como é.” E ainda para mais porque a embalagem conta a história desta tradição, em português, inglês e francês.
A Nazaré sempre se encheu de gente para o Verão. E ainda hoje se vêem as mulheres nas ruas segurando placas anunciando quartos para alugar. Mas foram as ondas gigantes surfadas por Garrett McNamara que recentemente lhe deram fama mundial. “Aparecem muitos turistas a perguntar a que horas é a onda gigante”, ri Samuel. “Temos de melhorar a informação que damos porque as pessoas têm a expectativa de ver ondas grandes todos os dias, e não é assim.” O facto é que aparecem muito mais estrangeiros e, em particular, muitos japoneses e coreanos, que ficam surpreendidos a olhar para o peixe a secar. Quem não fica nada surpreendido são os africanos — que usam muito peixe seco nos seus cozinhados e chegam a vir à Nazaré de propósito para o comprar.
Fonte: Público
A ideia de Samuel e Inês de vender um carapau com explicação incluída é boa, mas não será certamente suficiente para salvar o carapau seco se nada mais acontecer. É aqui que entra a tal convergência de interesses. Acontece que o Endògenos se interessou pelo carapau seco — até porque foi um produto que o chef António Alexandre já trabalhou no passado — e que a Câmara da Nazaré, dirigida por Walter Chicharro, está também muito empenhada em não deixar morrer a tradição, que considera parte fundamental da identidade nazarena.
“Estas mulheres, com o seu trabalho, preservam grande parte do património da Nazaré”, diz o presidente da câmara. “Por isso, queremos melhorar as condições em que trabalham.” O projecto que a autarquia está a desenvolver prevê o reaproveitamento de uma área no interior do centro cultural, que funciona no edifício da antiga lota, precisamente em frente ao estendal.
Aí, as peixeiras terão um espaço para amanhar o peixe e fazer a salmoura — algo que hoje a Maria da Nazaré, ou seja, a Inês e a mãe, faz no mercado municipal e as outras fazem na praia. O objectivo é também permitir que os turistas e outros visitantes assistam ao processo. Depois da salmoura, as mulheres poderão atravessar a rua e pôr o peixe a secar nos paneiros, numa zona que hoje está muito danificada (até por causa dos recentes temporais) e que será reabilitada com um projecto do arquitecto paisagista Álvaro Manso. “Queremos tornar a secagem num museu vivo”, frisa Walter Chicharro. “E isso é uma prioridade para a Nazaré.”
Para já, e enquanto este projecto não se concretiza, a câmara está a planear, para o Verão, a primeira Mostra do Carapau Seco, mais uma oportunidade para mostrar o que acreditam que é o potencial gastronómico deste produto. Potencial que, para já, foi explorado por António Alexandre em colaboração com Ana Pereira, da 8 ó 80, no jantar acompanhado por vinhos da Quinta do Gradil, do Cadaval.
Houve carapau — neste caso, foi o “enjoado” o único utilizado — de várias formas. Para entrada, apareceu em patê, em patanisca e em pizza. Depois, num wrap tradicional e noutro com couve, acompanhado por amendoim e mel (dois outros produtos que o Endògenos está a tentar valorizar), seguido por uma sopa de peixe com um ravioli de camarão, carapau e algas.
Houve ainda um muito bem conseguido arroz malandrinho com o carapau enjoado desfeito, dando uma textura e um sabor surpreendentes; e, como prato de carne, um mais arriscado frango recheado com morcela de arroz, espinafres e carapau sobre um puré de maçã, pêra e beringela. No final, como é tradição nos jantares do Endògenos, até a sobremesa teve carapau: maçã assada com carapau, nêsperas, mel caramelizado, pêra grelhada e gelado de amendoim e mel.
Samuel Fialho tem uma ideia muito clara do que gostaria que fosse o futuro do carapau seco. “Era importante que este produto começasse a ser usado nos restaurantes da Nazaré, porque as pessoas vêem-no aqui à venda e não conseguem prová-lo nos restaurantes. Era bom tê-lo pelo menos nas entradas, num patê por exemplo.” Mas há um grande obstáculo, que Samuel explica, e que Abel, o dono da Taberna do 8 ó 80, confirma: a fiscalização. Enquanto não estiverem garantidas as condições de higiene e segurança alimentar que cumpram os requisitos da lei os restaurantes da Nazaré, não vão servir o peixe seco, mesmo que muitos nazarenos o comam diariamente nas suas casas. Ninguém quer correr o risco de ter o estabelecimento fechado por causa disso. Solução? Avançar com o processo de certificação, algo em que a câmara, em colaboração com a “Maria da Nazaré”, quer apostar.
Inês, sentada à mesa da taberna, está entusiasmada com o que provou: “Achei fabulosa a nova dimensão que o carapau seco pode ter. Há pouca malta nova a pegar nas coisas. Na minha geração, ninguém quer estragar as unhas a arranjar peixe. Mas neste momento este é o meu projecto de vida, quero levar o nome da minha avó mais longe.” Em casa, com 91 anos, Maria da Nazaré ainda insiste em fiscalizar o peixe para ver se a filha e a neta estão a fazer tudo bem. Há uma fama a respeitar, uma tradição a manter.
Raul Brandão escreveu que as peixeiras da Nazaré “são a vida desta terra”. No livroOs Pescadores, escrito no início da década de 1920, fala delas assim: “Surpreendo-as na labuta de todos os dias: carregando peixe, salpicando-o de sal e estendendo na areia sobre palha o cação, o polvo, o carapau, para a seca.” Também Alves Redol descreve a “lida sem fim” destas mulheres.
Hoje já são poucas. São cada vez menos. “Só com a certificação podemos crescer”, diz Inês, camisola e calças pretas, botas de borracha nos pés, o cabelo claro a vir-lhe para a cara, empurrado pelo vento da praia. Diz que gostava de usar um avental típico da Nazaré e que ainda vai pensar numa forma de também não deixar que estes desapareçam quando as mulheres que começam agora a montar à nossa volta os seus estendais um dia também desaparecerem. “Mas nós sozinhos, com a ‘Maria da Nazaré’, não vamos a lado nenhum”, frisa Samuel. Este tem de ser um projecto comum às mulheres que toda a vida trabalharam na secagem do peixe, as mulheres, como Ana Palmira, que hoje têm medo que “isto esteja a acabar”. Inês e Samuel vêm dizer precisamente o contrário: “Isto tem futuro.”
Lisboa já cheira a Santos Populares mas nem só de sardinha assada vivem as festas da cidade. A Loja das Conservas, que junta no mesmo espaço 17 marcas de conservas de peixe nacional, quer pôr os lisboetas a consumirem sardinha em lata no Santo António…e no ano inteiro.
A partir desta segunda-feira e até domingo decorre a I Semana da Marca, uma iniciativa que visa promover as conservas portuguesas de peixe, actualmente exportadas para mais de 70 países, segundo Sara Costa, responsável pela loja situada na Rua do Arsenal, na Baixa. Para os visitantes há workshops, tertúlias e degustações gratuitas.
Nas prateleiras há 350 produtos distintos, de 17 conserveiras. “Estamos a falar de empresas concorrentes entre si, que percebem a importância de estarem unidas em torno das conservas portuguesas”, afirma Sara Costa. Esta primeira semana temática é dedicada à conserveira A Poveira Conservas/Canned Fish, que detém as latas da Minerva.
As conservas de peixe, associadas ao longo do tempo a “comida dos pobres”, são “um produto saudável, de qualidade, acessível, que pode ser uma refeição sofisticada, e que pode deixar de ser a refeição de recurso a que estamos habituados”, disse a responsável pela empresa de conservas A Poveira, Sofia Brandão.
“A crise, que levou a um aumento do custo da alimentação em geral, mas dos produtos frescos em particular, fez com que o consumo interno de conservas banais como a sardinha em óleo aumentasse exponencialmente”, disse a empresária, acrescentando que com 160 anos de história a indústria conserveira de peixe é “a terceira maior exportadora entre os produtos agrícolas e alimentares”.
Durante a sessão de degustação que marcou o arranque da iniciativa, o crítico de gastronomia José Silva afirmou que a qualidade das conservas portuguesas se justifica com a qualidade do peixe. “Se nós temos o melhor peixe do mundo, porque não havemos de ter as melhores conservas do mundo”, questionou.
“Há outras formas de comer sardinha, para além da sardinha assada. Não tem que ser este consumo sazonal a que estamos habituados”, sublinhou o crítico.
A I Semana da Marca vai oferecer um conjunto de iniciativas gratuitas, incluindo degustações, eventos de show cooking, workshops para crianças e uma tertúlia sobre vida saudável.
A Loja das Conservas, que nasceu por iniciativa da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe, reúne no mesmo espaço todos os empresários de conservas de peixe nacional, um sector em crescimento. “A tendência de crescimento tem sido constante e as vendas internacionais ultrapassaram em 2013 os 206 milhões de euros, uma subida de 15,6% face ao ano anterior”, referiu Sofia Brandão.
O remador olímpico português Pedro Fraga sagrou-se campeão da Europa de “skiff” ligeiro nos campeonatos que estão a decorreram em Belgrado, na Sérvia.
Pedro Fraga juntou ainda ao título um novo recorde europeu, ao conseguir um tempo de 6.51,72 minutos. A medalha de prata foi conquistada pelo italiano Marcello Miani, com um tempo de 6.54,42 minutos, e o bronze foi entregue ao suíço Michael Schmid.
Numa mensagem publicada na sua página oficial na rede social Facebook, Pedro Fraga confessou que o ouro conquistado em Belgrado tem um “sabor muito especial, já que o perseguia há algum tempo, depois da prata em 2010, 2012 e 2013”.
“A estratégia definida para esta regata foi sempre confiar na minha velocidade e eficiência técnica, tendo sempre em atenção os adversários de peso, como o italiano campeão da Europa e do mundo neste barco, assim como o suíço e os restantes finalistas”, explicou o actual campeão da Europa.
Apesar da vitória, Pedro Fraga garante que tem já em mente os próximos desafios. “Hoje sinto-me feliz e realizado, mas já a pensar na próxima Taça do Mundo daqui a três semanas, onde voltarei à carga com o Nuno [Mendes] no LM2x”, concluiu o remador.
Um dos melhores resultados da história do remo português
O inédito título europeu de Pedro Fraga foi considerado um prémio “justo” e um anúncio de futuros êxitos pelo presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR), Luís Ahrens Teixeira.
“Sabe lindamente, como é óbvio. Principalmente para ele. Já andava a cheirar isto há bastante tempo. É um sinal muito importante para os mais novos e o parceiro de equipa, o Nuno Mendes. Mostra que quando nos organizamos e trabalhamos sistematicamente e com muita exigência, conseguimos fazer as coisas como deve ser”, disse o dirigente à agência Lusa.
Luís Ahrens Teixeira admitiu ser “suspeito” para considerar este título Europeu como o melhor resultado da história do remo português, mas realçou que “é um dos melhores de sempre, se não o melhor”.
“Fica para os outros analisarem. Se isto é melhor do que o quinto [lugar] nos Jogos? Não sei. É muito bom. Agora temos de pensar nos próximos”, finalizou o líder federativo.
Recorde-se que, em 2013, Pedro Fraga foi vice-campeão da Europa, tendo ainda conquistado o ouro em duas Taças do Mundo e o quarto lugar nos Mundiais da Coreia do Sul.
Nos últimos cinco anos, a visita de baleias ao arquipélago dos Açores tem aumentado drasticamente. O fotógrafo Nuno Sá e os proprietários da empresa Pico Sport, que opera há mais de 20 anos, afirmam que a presença destes cetáceos terá aumentado cerca de 100 por cento.
Os Açores estão a tornar-se um destino cada vez mais procurado pelas baleias. Há cerca de uma semana, o fotógrafo de vida marinha Nuno Sá foi alertado para o número “anormalmente elevado de baleias ao largo da Ilha do Pico”, pelo que não hesitou em “meter-se num avião e deslocar-se ao local”.
“Está a ser um ano incrível. Cheguei há poucos dias e já vi quatro espécies: baleias-azuis, baleias-de-bossas, baleias comuns e cachalotes. No total, terei avistado mais de 20 baleias, além dos golfinhos que são presença assídua”, conta o fotógrafo.
A baleia-azul registada pela lente de Nuno Sá com a montanha do Pico ao fundo
Nuno Sá mostra-se particularmente satisfeito com a presença da baleia-azul, o maior animal do planeta. “A que avistámos (na foto acima) tinha seguramente 25 metros de comprimento”, salienta.
Outro avistamento surpreendente foi a baleia-de-bossas “que são raras e não costumam aparecer nos Açores”, explica, “são muito chamativas porque costumam saltar fora de água” atraindo a atenção das pessoas.
O fotógrafo, que já conquistou vários galardões a nível nacional e internacional, acredita que este aumento do número de cetáceos nos Açores se deve ao facto de, nos últimos anos, as águas locais estarem “particularmente ricas em plâncton”, devido às correntes.
Nuno Sá garante que os animais têm estado tão perto da costa do Pico que “tem sido possível observar e fotografar estes mamíferos sem entrar na água, que aliás se apresenta turva e com pouca visibilidade, devido ao plâncton, o que dificulta a observação”.
Uma das baleias-de-bossas observadas esta semana ao largo do Pico
A ilha do Pico, de resto, é privilegiada para observar cetáceos e por isso mesmo “foi o berço de observação de baleias, conservando ainda muitas das vigias usadas na época em que era permitida a caça à baleia”, recorda o fotógrafo.
Um aumento de 100 por cento
Também o alemão Frank Wirth, proprietário da empresa de observação de cetáceos Pico Sport, a funcionar desde 1996, confirma este fenómeno: “Os cachalotes sempre estiveram muito presentes mas temos assistido a um aumento das baleias de barbas, posso afirmar que nos últimos cinco anos houve um aumento de pelo menos 100 por cento”.
Frank Wirth admite que o facto das águas dos Açores serem muito ricas em alimento tem atraído mais baleias, “já que estes animais conseguem comunicar através de longas distâncias”. “Uma baleia consegue informar outra baleia que esteja a 160 quilómetros de que há alimento em determinado local “, explica.
“Nós muitas vezes avistamos algumas baleias e percebemos que duas ou três semanas depois a sua presença aumenta bastante porque já avisaram as outras de que este ‘restaurante’ tem comida abundante e boa”, conta Frank.
Regulamentação da caça está a ter bons resultados
O responsável da Pico Sport considera que a regulamentação, a nível internacional, da caça à baleia, também tem contribuído de forma “muito positiva para o aumento da população”. Foi em 1987 – ano em que a prática passou a ser proibida no nosso país – que foi caçada, em Portugal, ao largo da vila das Lajes do Pico, a última baleia das águas portuguesas.
Frank traça ainda elogios às autoridades locais que têm sabido preservar estas espécies. “Graças às políticas locais, as companhias turísticas nos Açores têm um comportamento muito sustentável não permitindo, por exemplo, que demasiados barcos estejam ao mesmo tempo no mar e exigindo que preservem uma certa distância dos animais”.
Por outro lado, as próprias empresas de observação esforçam-se por não incomodar as espécies, oferecendo ao mesmo tempo um serviço com mais qualidade aos clientes.
“Noutros locais os barcos transportam cerca de 30 passageiros e as observações duram apenas uns breves minutos. Aqui é tudo feito com mais calma, os barcos transportam uma média de 12 passageiros e as observações são sempre acompanhadas pela explicação de um biólogo para que as pessoas aprendam um pouco mais sobre estas espécies”.
O mar dos Açores é um “diamante”
“Este arquipélago é um diamante no que respeita à observação de cetáceos”, garante o responsável, salientando que já visitou locais de observação de baleias em vários pontos do mundo. “Por aqui passam pelo menos 28 espécies de cetáceos, o que é um recorde mundial”, sublinha, garantindo que entre Fevereiro e Maio será possível observar nos Açores pelo menos três espécies de baleias, entre elas a gigante baleia-azul.
Frank afirma que a maior parte dos turistas que procuram este tipo de atividades vêm de países da Europa central, da Europa do norte e também dos EUA. O responsável lamenta que não haja mais portugueses a procurar estes serviços e considera que isso acontece porque muitos desconhecem os “tesouros que têm no seu próprio país”.
A expansão do Terminal XXI, tal como proposta pela PSA de Singapura, implicará um investimento público da ordem dos 75 milhões de euros. O BEI será um dos financiadores.
“A APS está em condições de garantir o financiamento necessário para as suas responsabilidades, de acordo com as informações públicas”, adiantou João Franco, presidente dos portos de Sines e do Algarve, em declarações ao “DE”.
Para o efeito, a APS terá já garantido um financiamento do BEI (Banco Europeu de Investimento), a taxas reduzidas, no montante de 15 milhões de euros. A candidatura a fundos comunitários é outra possibilidade (Sines integra a rede core da RTE-T) e há que contar ainda com os meios próprios e com a capacidade de endividamento (a empresa limpou há muito o passivo acumulado com as anteriores expansões do porto).
Os 75 milhões de euros a investir pela APS no âmbito da expansão do terminal de contentores aplicar-se-ão na extensão do molhe de protecção do terminal (65 milhões) e na regularização dos fundos para permitir a operação dos Triple-E sem quaisquer limitações.
A proposta de expansão do Terminal XXI apresentada pela PSA de Singapura contempla um investimento global de cerca de 205 milhões de euros. O envolvimento público ascende a 36% daquele montante, sendo certo que está limitado legalmente.
Como contrapartida para aumentar o terminal de contentores de Sines até aos 3,7 milhões de TEU/ano, a PSA exige também o prolongamento da actual concessão por mais 15 anos, até 2044. E haverá ainda a questão da exclusividade da operação de contentores em Sines, que impediria a concessão do denominado Terminal Vasco da Gama (previsto há muito mas não considerado uma prioridade no PETI).
Actualmente decorrem as obras de expansão do terminal de contentores de Sines até aos 1,7 milhões de TEU/ano, mediante o prolongamento do cais até aos 940 metros e da zona de parqueamento até aos 36 hectares. Os trabalhos ficarão concluídos no final do ano.
No ano passado a PSA Sines movimentou 931 mil TEU e este ano projecta chegar aos 1,2 milhões.
Nos primeiros quatro meses do ano, o porto de Setúbal cresceu nos contentores, para 34 mil TEU, face aos 18,7 mil TEU no mesmo período, em 2013. Se este nivel de crescimento continuar no que resta do ano, Setúbal pode chegar aos 90 mil TEU no final de 2014.
Tem sido uma consolidação sustentada pelas actuais sete Linhas de Serviços Regulares: três quinzenais, que escalam portos da Europa, Mediterrâneo, África Ocidental e Angola; uma quinzenal, que escala portos do Norte da Europa, Le Havre, Antuérpia e Roterdão; uma a cada 10 dias, que liga Setúbal a todos os portos do Mediterrâneo, Norte de África e Médio Oriente; uma Con Ro, que serve o Mediterrâneo e África, incluindo Moçambique; e uma bissemanal, com ligações ao Norte da Europa, Dublin, Liverpool, Londres, Dunkirk e Roterdão.
O feedback à aposta do porto de Setúbal em melhorar e potenciar a oferta no segmento é encorajante, como demonstram as declarações de Fernando Delgado, Director Regional da MacAndrews, à revista Cargo, em que afirma estar “extraordinariamente satisfeito com o serviço no Porto de Setúbal”, destacando as boas relações com o operador, com os trabalhadores portuários, com os fornecedores de transportes e com a ferrovia.
Neto do lendário oceanógrafo Jacques Cousteau, o francês Fabien Cousteau iniciou nesta semana uma nova missão com objectivo de quebrar o recorde de seu avô – que em 1963 passou trinta dias submerso, numa estação no Mar Vermelho.
O objectivo de Fabien agora é ficar 31 dias na estação Aquarius, a cerca de 20 metros de profundidade, distante 14,5 Km da costa da Flórida, nos Estados Unidos.
A experiência – que será registada num documentário – servirá para estudar os efeitos no corpo humano da temporada prolongada sob a água.
Além disso, a equipa de investigadores que participa da expedição vai analisar os impactos da poluição e das mudanças climáticas nos corais.
A base conta com ligação de internet e estará constantemente ligada ao mundo exterior e às redes sociais. É possível acompanhar ao vivo a rotina da equipe no site
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A ministra da Agricultura e Mar, Assunção Cristas, quer captar investimento estrangeiro para a aquacultura e exploração submarina de minerais e vai promover um roteiro internacional que começa hoje na Noruega.
«Começamos pela Noruega porque é uma referência mundial em termos da economia do mar. Depois seguir-se-à o Japão e a Coreia do Sul. Vamos reunir com investidores e ir ao encontro das empresas que trabalham na área do mar», explicou a ministra à agência Lusa.
Assunção Cristas vai encontrar-se, entre outros, com responsáveis da multinacional norueguesa Marine Harvest, «talvez a maior referência da aquacultura a nível mundial», e espera convencê-los a «desenvolver o potencial na economia do mar».
Na Noruega, a aquacultura é fundamentalmente de salmão e de truta, mas a ministra que tutela a pasta do Mar acredita que as empresas norueguesas também estão interessadas em diversificar as espécies com que trabalham e deu como exemplo a corvina.
Segundo Assunção Cristas, o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) está a desenvolver um projecto de aquacultura de corvina que «pode passar para uma fase comercial» e serão necessárias empresas, nacionais ou estrangeiras, para desenvolver esse projecto.
«A corvina é conhecida como o salmão do Sul, naturalmente que faz sentido irmos ao encontro de uma grande empresa que faz salmão do Norte e perguntar-lhes se não estarão interessados em vir para o nosso pais, seja fazer bivalves, seja fazer corvina ou outras espécies de peixe», salientou.
Para atrair os investidores, a ministra leva na pasta o que considera ser um enquadramento legislativo «amigo do investidor», incluindo uma nova Lei de Bases do Ordenamento do Espaço Marítimo, cuja legislação complementar está a ser finalizada, e um concurso internacional para a exploração de 72 áreas de aquacultura “offshore” (em mar aberto), entre o Algarve e Aveiro, que deverá ser lançado em meados de Junho.
As áreas estão pré-licenciadas para aquacultura “offshore” de bivalves, mas podem ser posteriormente licenciadas para outras culturas, seja de algas seja de peixes, adiantou, garantindo que já houve «sinalização de interesse» por parte de empresas nacionais e estrangeiras.
Assunção Cristas reforçou que a preocupação é assegurar a sustentabilidade.
«Por isso, começamos com aquacultura “offshore”, 100% biológica», disse, não afastando a hipótese de avançar para outros sistemas no futuro.
Após a Noruega, Assunção Cristas vai deslocar-se à Coreia do Sul, ao Japão, aos Estados Unidos e ao Canadá, com o objectivo de apresentar aos investidores, não só oportunidades no domínio da aquacultura, mas também a nível dos recursos minerais do oceano, sendo acompanhada nas visitas por um especialista em geologia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).