Mar no centro do debate político

Setenta ministros do Mar, da China ao Kiribati, passando pelos países de língua portuguesa e praticamente todos os mediterrânicos, para além das grandes economias azuis, como o Canadá, Austrália e Noruega, vão estar a partir de quinta-feira em Lisboa, numa cimeira inédita a nível mundial.
Esta reunião faz parte da Semana Azul (BlueWeek, 3-6 de Junho), uma ideia da ministra Assunção Cristas, que se inspirou na chamada Semana Verde, que decorre anualmente em Berlim e que junta os ministros da Agricultura de todo o mundo. Tal como este evento, a ministra pretende fazer de Lisboa o ponto de encontro anual dos decisores ao nível do Mar.
A realidade superou as expectativas: Cristas contava com 20 ministros, recebeu a confirmação de praticamente 70 dos seus homólogos. Para além destes, marcarão presença representantes da ONU, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), da Comissão Europeia e da Cimeira Ibero-Americana.
Os Estados Unidos enviam a subsecretária de Estado Chaterine A. Novelli, com a pasta das políticas ligadas ao crescimento económico, energia, oceanos, ciência e tecnologia.
A cimeira, que decorre na próxima sexta-feira no CCB (Lisboa), terá como ponto alto a aprovação de uma declaração conjunta.
A BlueWeek inclui ainda um fórum empresarial (Blue Business Forum), com a participação de 200 entidades, entre empresas (nacionais e internacionais), centros de investigação, institutos de ciência e investidores estrangeiros, que decorrerá entre quinta-feira e sábado, na FIL, no Parque das Nações (Lisboa).
A nova economia azul
Em simultâneo, decorrerá pela primeira vez em Portugal a World Ocean Summit, uma iniciativa da revista Economist e que junta habitualmente centenas de participantes. No ano passado, na Califórnia, onde se realizou a segunda edição desta conferência, o Presidente Cavaco Silva foi o convidado de honra do evento, que foi inaugurado pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry.
Criada a partir da ideia de uma nova economia e de um novo paradigma emergente de negócio (a economia azul), a Conferência dos Oceanos visa colocar o Mar na agenda política mundial, reunindo políticos e empresários para discutir temas tão amplos quanto a sustentabilidade da actividade económica, a protecção ambiental e a investigação associadas ao mar.
Que o mar é importante ninguém dúvida. Cobre três quartos do planeta (1.300 milhões de quilómetros cúbicos de água), constitui o maior ecossistema único do mundo e contribui de forma decisiva para a existência da vida na Terra. Alimenta um vasto conjunto de serviços e recursos, que prestam apoio à saúde humana, assim como às sociedades e economias.
De acordo com o relatório “Do declínio à recuperação — Um plano de resgate para o oceano mundial”, da Comissão Mundial dos Oceanos, o valor de mercado dos recursos marinhos e costeiros equivale a 2,72 mil milhões de euros (cerca de 5% do PIB mundial).
Ao mesmo tempo, 3 mil milhões de pessoas dependem do mar para a sua subsistência, sendo que ele assegura 350 milhões de empregos em todo o mundo; 97% dos pescadores vivem em países em desenvolvimento.
A cobiçada sardinha
Nunca como agora se pescou tanto, o que põe em causa a sustentabilidade dos ‘stocks’ do pescado mundial. Se, em 1950, apenas 1% da pesca era feita em alto mar, essa percentagem subiu para 63% em 2006 (os últimos dados disponíveis). Nessa altura, já 87% das espécies estavam sobreexploradas ou em vias de extinção.
O exemplo da sardinha, que tanto toca ao português (consome 13 exemplares por segundo, segundo contas do jornal Público), mostra bem esta realidade. Entre 2011 e 2014, a pesca desta espécie caiu das 55.223 toneladas anuais para umas escassas 15.824 (dados do INE). Em consequência, está cada vez mais cara: num ano, o seu preço na lota aumentou 39,3%.
Em 2006, já 87% das espécies estavam sobre-exploradas ou em vias de extinção 
Este cenário de escassez é o resultado da diminuição abrupta dos ‘stocks’ de pescado. A sardinha, apesar de não ser alvo das quotas de pesca europeias, é objecto de constante monitorização: assim que a estabilidade dos ‘stocks’ é posta em causa, a pesca é suspensa. Em 2014, foi-o a partir 20 de Setembro e só retomada no início de Março deste ano.
Mas este não é um panorama unicamente português. Na Califórnia, vive-se o mesmo drama: os Estados Unidos levaram 40 anos para repor os seus ‘stocks’ de sardinha, que estão, de novo, ameaçados.
Em Portugal, os mesmos dados do INE mostram que o pescado transaccionado em lota em 2014 caiu para o nível mais baixo desde que há registo oficial (1969): foram descarregadas nos portos nacionais 119.890 toneladas de peixe fresco e refrigerado, um recuo de 17,1% face ao ano anterior. A redução das capturas de sardinha, atum e cavala é a grande responsável pela quebra das pescas portuguesas.
A grande “sopa de plástico”
Outro dos dramas que afecta os oceanos são as verdadeiras “ilhas de lixo” que circulam pelas águas de todo o mundo. A maior “sopa de plástico” encontra-se no Pacífico, estimando-se que a sua dimensão é duas vezes o tamanho do Estado norte-americano do Texas.
Até 2050, 33 mil milhões de toneladas de plástico acumular-se-ão nos oceanos 
Oitenta por cento dos detritos marinhos provêm de terra e acabam nos oceanos por acção dos ventos e das correntes. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), 15% dos detritos marinhos flutuam à superfície; 15% permanece na coluna de água; e 70% repousa no fundo do mar. Segundo o relatório da Comissão Mundial dos Oceanos, 33 mil milhões de toneladas de plástico acumular-se-ão no oceano até 2050.
Alerta mais que vermelho para este grande recurso azul que, de acordo com a ONU, terá de ser o grande produtor de alimentação para a crescente população  mundial.

Fonte: Expresso



Mar criou 18 mil empregos nos últimos cinco anos

As actividades ligadas ao mar geraram, nos últimos cinco anos, 18 mil postos de trabalho, um aumento de 10% em contraciclo com as quebras no emprego registadas no conjunto da economia.

As actividades ligadas ao mar geraram, nos últimos cinco anos, 18 mil postos de trabalho, o que significa um aumento de 10% em contraciclo com as quebras no emprego registadas no conjunto da economia, segundo o secretário de Estado do Mar.
“Desde que foi feita a avaliação da Estratégia Nacional para o Mar [em 2010] até ao início deste ano, o número de postos de trabalho em actividades directas ligadas ao mar [registou] um aumento de quase 10% o que é muito significativo”, destacou Manuel Pinto de Abreu em entrevista à agência Lusa.
“São cinco anos especiais, em que há uma tendência global de diminuição [de emprego] e não só o sector do mar aguenta, como aumenta o número de postos de trabalho”, acrescentou.
Lisboa vai tornar-se nos próximos dias a capital mundial dos oceanos, acolhendo reuniões ministeriais, encontros empresariais e uma conferência organizada pela revista The Economist para discutir o futuro da economia azul.
O secretário de Estado assinalou que a economia do mar tem estado a crescer, o que é “um bom sinal”, e estimou que actualmente representa um peso de aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
“Tem havido desenvolvimento, embora não seja um desenvolvimento em todas as áreas. Às vezes há áreas que andam um pouco para trás”, continuou, comentando desta forma as estatísticas mais recentes sobre a pesca que dão conta de uma quebra histórica nas capturas de 2014, que registaram o valor mais baixo dos últimos 45 anos.
“Temos de ver que essas oscilações estão dentro de uma trajectória que, em média, será ascendente”, indicou o governante.
Já outros sectores, como o das conservas, destacaram-se pela positiva.
“O sector conserveiro foi recuperado e hoje tem mais 17 fábricas novas e passou a ter uma capacidade de produção que nunca teve, o que também corresponde a um aumento significativo das exportações”, congratulou-se Pinto de Abreu.
Salientando que “o mar tem todos os recursos”, vivos e não vivos, o secretário de Estado reconheceu que o petróleo “é um dos caminhos possíveis”, mas notou também que estes projectos são muito lentos em termos de desenvolvimento.
O primeiro projecto de mineração submarina, que está a ser desenvolvido na Papua Nova-Guiné pela empresa Nautilus Minerals, que se mostra igualmente interessada nos Açores, só deverá estar concretizado em 2018 e já dura há dez anos, exemplificou.
Pinto de Abreu adiantou ainda que tudo o que tem estado a ser feito ao nível dos recursos naturais tem estado associado ao projecto de extensão da plataforma continental, que prevê o alargamento dos limites exteriores para além das 200 milhas marítimas.
“Não são acções dedicadas à avaliação e inventariação de recursos mas dão pelo menos uma indicação clara de onde deveremos começar por procurar”, explicou, acrescentando que estão a ser adquiridos novos equipamentos para melhorar a avaliação prévia de recursos.
Questionado sobre se a burocracia representa um entrave ao desenvolvimento do sector, o secretário de Estado admitiu que “há muitas barreiras de papel”, mas disse que é preciso olhar para as situações “com serenidade” e compará-las com os exemplos internacionais.
“Tive oportunidade de fazer isso com a aquacultura, porque me confrontaram com um processo que durou cerca de dois anos, e foi-me difícil encontrar um estado da União Europeia” em que o processo demorasse menos tempo, observou o mesmo responsável.
Fonte: Observador


Focas ajudam cientistas a recolher dados em zonas remotas dos oceanos

Focas equipadas com sensores estão a ajudar cientistas a recolher dados nos cantos mais remotos dos oceanos, contribuindo para a pesquisa sobre aquecimento global, gelo oceânico e meteorologia.

Os cientistas envolvidos no projecto, que conta com participação brasileira, lançaram hoje o portal “Mamíferos Marinhos Exploradores dos Oceanos de Polo a Polo” (www.meop.com) com os resultados recolhidos durante a investigação, que começou em 2004 e já envolveu mais de 1.000 focas. 
“Estão a captar informação em locais de onde praticamente não havia dados antes, é único”, disse à agência France Presse (AFP) Mike Fedak, chefe da Unidade de Pesquisa de Mamíferos Marinhos na universidade de Saint Andrew’s (Reino Unido), onde os sensores foram desenvolvidos. 
“Estes dados podem ser usados de muitas formas diferentes, incluindo para medir o impacto do movimento dos glaciares nos oceanos”, acrescentou o investigador. 
Os sensores, colocados na cabeça das focas, têm uma bateria com autonomia para vários meses de funcionamento e recolhem medições de salinidade e temperatura da água que são depois transmitidas para os investigadores via satélite em curtas mensagens.
Outros sensores em desenvolvimento medirão o nível de oxigénio na água e a quantidade de clorofila – o pigmento verde responsável pela fotossíntese nas plantas-, dados úteis para medir os níveis de dióxido de carbono e controlar o fenómeno da acidificação dos oceanos. 
Desde o início do projecto, foram produzidos cerca de 400.000 “perfis ambientais” com os dados que são recolhidos durante os mergulhos das focas, que podem chegar até aos 2.100 metros de profundidade.
“A informação enviada de volta dá-nos detalhes sobre o ambiente físico imediato das focas, é como ‘twittar'”, revelou Lars Boehme, professor em St. Andrew’s.
Os sensores não são invasivos e caem quando as focas mudam periodicamente de pele. Também já foram experimentados em cerca de 100 espécies marinhas, incluindo tartarugas, baleias e tubarões.
Segundo Mike Fedak, os aparelhos “não são fáceis de construir, requerem software sofisticado e têm energia limitada”, sendo necessário “aproveitar ao máximo a bateria” para que esta dure 10 meses no inverno antárctico.
O projecto envolve um consórcio internacional de 11 países e inclui cientistas do Reino Unido, Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Gronelândia, Noruega, África do Sul, Estados Unidos e Brasil.
Lusa/SOL

Portugal com ouro, prata e bronze na Taça do Mundo em canoagem

Portugal conquistou três medalhas na Taça do Mundo de canoagem de Montemor-o-Velho, com destaque para o ouro de Fernando Pimenta em K1 1000 e a prata de Hélder Silva em C1200, neste sábado.


Depois do bronze Europeu, no início do mês na República Checa, Fernando Pimenta impôs-se em 3.25,156 minutos, batendo o australiano Murray Stuart por 1,092 segundos e o espanhol Francisco Sanchez por 1,140.


A prova não contou com o alemão Max Hoff nem o dinamarquês René Poulsen, campeão europeu e vice-campeão, respectivamente, mas teve, entre outros, o canadiano Adam Van Koeverden, em quinto, antigo campeão do mundo e olímpico, neste caso nos 500 metros.


O espanhol Alfonso Ayala impediu Hélder Silva de conquistar o ouro na Taça do Mundo, impondo-se nos 200 metros por apenas 284 milésimos de segundo, com o tempo de 38,424 segundos.


Com duas medalhas em Mundiais e quatro em Europeus, incluindo o bronze em 2015, o mesmo que Hélder Silva conquistou em 2014, Ayala bateu ainda o chinês Qiang Li por 660 milésimos.


Também em busca do apuramento olímpico, em Agosto em Milão, Itália, a dupla Emanuel Silva e João Ribeiro conquistou o bronze em K2 1000, a embarcação que deu a única medalha a Portugal nos Jogos de Londres 2012, na altura com Pimenta no lugar de Ribeiro.


A dupla lusa concluiu a prova em 3.10,272 minutos, ficando a 1,884 segundos dos australianos Kenny Wallace e Lachlan Tame, vice-campeões do Mundo em título, que bateram os franceses Arnaud Hybois e Etienne Hubert por 240 milésimos.


A quarta medalha não foi para Portugal porque o K2 200 de Francisca Laia e Maria Cabrita virou na parte final, quando a jovem dupla seguia em primeiro lugar.


Teresa Portela falhou o pódio em K1500, com o quarto lugar numa das provas mais competitivas do programa de Montemor-o-Velho, vencida pela campeã olímpica e mundial dos 200, Lisa Carrington, da Nova Zelândia.


Carrington terminou em 1.48,016 minutos, superiorizando-se às húngaras Anna Kárász e Krisztina Fazekas-zur por 560 e 596 milésimos, quando Teresa Portela ficou a 1,992 segundos.


Nas restantes finais lusas, o K2 500 Joana Vasconcelos/Beatriz Gomes (sexto em Londres2012) foi sexto com 1.42,952, a 2,844 do ouro das húngaras Anna Kárász e Ninetta Vad.


A C1 de Nuno Barros, que tem títulos Europeus e Mundiais, mas nas maratonas, foi sétima nos 1000 com 3.56,784, a 11,344 do vencedor, o canadiano Mark Oldershaw.


Fonte: Público

Maersk dividirá navios com MSC entre Ásia e América do Sul

A Maersk fechou um acordo de partilha de embarcações com a Mediterranean Shipping Company (MSC) e a japonesa Mitsui O.S.K Lines (MOL) em rotas entre a Ásia e a costa leste da América do Sul.
“O acordo de partilha de embarcações vai simplificar a rede e melhorar a capacidade de resposta operacional na rota”, disse a Maersk Line em comunicado.
O acordo vai incluir 22 navios.
A rota da Ásia à costa leste da América do Sul é um trajecto importante para o transporte de electrónica e autopeças, impulsionando a indústria automóvel da América Latina.
A Maersk Line e a MSC já estão partilhando cerca de 185 embarcações devido ao acordo (2M), fechado no ano passado.
Fonte: Exame

É descoberto peixe 'de sangue quente'

O peixe-opah é capaz de capturar calor pelas suas barbatanas, isoladas por uma generosa camada de gordura, e manter o seu sangue e órgãos aquecidos enquanto nada a uma profundidade de centenas de metros. Um estudo que detalha essa descoberta foi publicado pela revista Science.


Outros peixes, como o atum, conseguem aquecer certas partes do corpo – dessa forma se movimentam mais rápido quando precisam perseguir alguma presa. Mas uma endotermia completa nunca havia sido notada em algum animal do tipo anteriormente. E o facto de aparecer justamente no opah, que é um peixe de grandes profundidades, conhecidos por serem lento e não perseguirem as presas (comem animais encurralados) é surpreendente.


Com isso, foi descoberto também que o opah é incrivelmente ágil, podendo alimentar-se de lulas o outros animais velozes. Também podem migrar e nadar por longas distâncias. 


Os peixes são capazes de deixar seu sangue 3ºC mais quentes do que a água – pode não parecer muito para nós, mamíferos, mas requer uma sofisticada engenharia termal. Ainda mais do tamanho do opah: no estudo, o mais pesado pesava 68kg, mas já foram encontrados espécimes de 270kg.


BBC

A beleza dos Mares Mexicanos [ Com Vídeo ].

Jorge Cervera Hauser passou 4 anos a fotografar a rica biodiversidade dos mares mexicanos, para mostrar o quão “subvalorizadas” e “maravilhosas” são as águas mexicanas.



Os cantos subaquáticos guardam inúmeros segredos e não faltam tesouros naturais ainda estão por explorar. Jorge Cervera Hauser é só mais um dos curiosos que se aventurou a explorar os mares do México.
Cervera fotografou durante 4 anos a vida e a biodiversidade existente nas águas mexicanas no âmbito de uma expedição daPelagic Life, ONG que visa “proteger e promover a sustentabilidade” marítima mexicana.
“Não há nada que se compare à sensação de suster a respiração por mais de um minuto, mergulhar no azul marítimo, e dar de caras com um tubarão em absoluta paz. Foi a verdadeira paixão pelo oceano que me levou a explorar a vastidão do mar, saindo da minha zona de conforto”, confessou Cervera num artigo na Bored Panda. “Na maior parte das vezes [quando mergulhas], sabes que voltas de mãos vazias [sem fotografias]. Mas a única maneira de encontrar o que procuramos é ir ao sítio. Numa ocasião, extremamente rara, um tubarão-martelo conviveu comigo por mais de uma hora. Ai sim, soube que tudo valeu a pena”, acrescentou.




A Pelagic Life promove a riqueza e diversidade dos mares do México que é, segundo o site da organização, uma das águas “mais ricas” e que “mais sofrem da sobrepesca”. Na equipa da organização está a lusodescente Ana Isabel Lagos. 

Fonte: Observador
Foto: Jorge Cervera Hauser

Submergir de corpo e alma a bordo do Tridente

Chego à Base de Alfeite a meio de uma tarde que deambula entre a chuva e uns rasgos de sol. Recebi há dias a autorização da Marinha Portuguesa para viajar no submarino Tridente. A curiosidade é enorme.
Neste dia de Abril, a Primavera apresenta-se com o seu pior vestido. Há nuvens volumosas sobre o Tejo. Sou recebido por um oficial de distinta formalidade e simpatia. De malote atravessado ao peito, percorro a extensa base. É como uma cidade ao serviço da marinha, abrigada por muros dos olhares indiscretos dos civis. O Cristo Rei pisca-lhe o olho, de braços abertos, no Alto do Pragal.
Ao lado das fragatas impecavelmente cuidadas, destaca-se o lugre Creoula, um antigo bacalhoeiro, branco como a neve que cobria as paragens onde tantas vezes atracou. Está a aguardar pelas marés do Verão.
Esta é uma paisagem rara para os meus olhos. Apenas em jogos de computador ou em exposições de modelismo vi este tipo de beleza. O submarino destaca-se pelos seus 68 metros de comprimento. É negro como o carvão. Os mastros e a ponta do periscópio vincam a sua identidade.
Vou agora
Envio o último SMS antes de o telemóvel ficar sem rede. Desço umas escadas em ferro com cerca de seis metros para chegar ao corpo de avante. Belisco-me para confirmar que não se trata de um sonho. O sol ficou lá fora – deu lugar à luz artificial que me vai iluminar nos próximos dois dias.
Cabe aqui uma guarnição de sete oficiais, dez sargentos e 16 praças, todos fardados a preceito. Hirtos de rigor militar, sabem o que fazer e onde estar, de forma coordenada, com bordadas (turnos) de seis horas. Parece uma colmeia. A movimentação faz-se ao comprido neste tubo estreito. Quando duas pessoas se cruzam, alguém tem de ceder passagem.
Só posso circular entre a sala de controlo e a sala de convívio. Recebo indicações para não recolher imagens de determinados equipamentos. Respeito e guardo só para mim o que vi. Na verdade os meus olhos estão esgazeados de tanto fascínio, que nem tento perceber o que me coibiram de fotografar. Existem torneiras, botões e tubos por todo o lado. Até nas duas únicas casas de banho. O submarino não é uma embarcação de recreio. É uma máquina de trabalho ao serviço da nação, que tem a peculiaridade de não ser visível quando está submersa. Daí a austeridade do interior.
“O senhor Comandante convida-o a subir à torre”, comunica-me um oficial. Subo as escadas até ficar com o Tejo à vista. O vento bate-nos na face. Parece que o sol afinal chegou para ficar. Vamos a uma velocidade moderada, de peito cheio. Sinto-me tão orgulhoso por estar aqui como se sentem os submarinistas por pertencerem à 5.ª Esquadrilha.
À medida que vamos deixando a Base para trás, passamos por baixo da ponte 25 de Abril. Estão todos a postos e em permanente comunicação. Cruzamo-nos com cacilheiros e veleiros, que nos dão prioridade. Entretanto começo a sentir que estamos em alto-mar, depois de avistar o farol de São Lourenço do Bugio. Cascais esfuma-se no horizonte e a Costa da Caparica transforma-se numa linha ténue, lá bem ao fundo. Continuamos ainda à superfície a deslizar ao de leve nas águas do Atlântico. Fumamos um cigarro e conversamos sobre tudo um pouco. Sinto o corpo a baloiçar suavemente. O submarino é acariciado pela corrente do mar enquanto está parado. Esta viagem servirá de preparação para uma operação de 15 dias, conjunta com um submarino alemão que se encontra nas nossas águas. Vão testar o lançamento dos torpedos que o submarino carrega.
Na torre, junto-me a um punhado de submarinistas. Uns fumam, outros enviam SMS, outros conversam. O espírito de camaradagem está bem patente. Há quem relembre momentos passados a bordo deste mesmo submersível. “Uma vez fomos aos EUA. A discrição do submarino é de tal ordem que conseguimos estar ao lado de um porta-aviões americano sem que se apercebessem da nossa chegada. Somos invisíveis debaixo de água”.
Noite
Quando nos aproximamos das 20 horas, as luzes no interior do submarino começam a baixar de intensidade. É a única forma de distinguirmos o dia da noite. Não existem janelinhas redondas com vista para o exterior, como vemos nos desenhos animados. A Sala dos Comandos está crivada de monitores e painéis de controlo. A guarnição fala entre si sem que eu entenda patavina. Subentendo que os gráficos desenhados em alguns dos monitores correspondem aos sons registados pelo sonar. Conseguem distinguir os tipos de embarcações a partir do som que as suas hélices produzem. Os sensores são de tal forma potentes e exactos que permitem identificar muitas espécies marinhas, como camarões ou cardumes de sardinha. O submarino vai às escuras pelas águas oceânicas. É como se estivéssemos num quarto sem luz.
Enquanto uns controlam os monitores, outros escrevem o Diário de Bordo do submarino, à mão e com aprimorado rigor. Entretanto vou dar uma volta, ver como está o ambiente na sala de convívio. Passo pela pequena cozinha. Dois cozinheiros preparam arroz de lulas ao som de uma música africana que sai da coluna de um telemóvel.
Janto na sala dos oficiais. Os turnos também se aplicam nas horas das refeições. Não comem todos juntos, nem sequer ao mesmo tempo. A conversa prolonga-se e começo a perceber que dentro do submarino  estão representadas quase todas as regiões do país. Um é dos Açores, outro do Porto e por aí adiante.
Antes de submergirmos subimos à torre para fumar um cigarro. O mar está uma ‘sopa’, sem agitação. “Você trouxe sorte. Há dois anos que não apanhamos um tempo assim”, diz-me o comandante. Lá ao fundo pisca o farol do Cabo Espichel. O céu está estrelado. “Está a ver ali? É planeta Vénus alinhado com a cintura de Orion”. Pergunto-lhes se estudam os astros e respondem-me que sim.
Chegada a hora de recolher, volto a descer as escadas. É fechada a escotilha. A partir de agora estou selado. Esta cápsula gigante vai submergir. Não entra água aqui. Não pode.
Encaminho-me para a minha cama, uma maca montada no corredor, mesmo sobre a mesa onde logo de manhã será servido o pequeno-almoço. Estou deitado. Por cima de mim está um futuro cozinheiro. Só podem ser submarinistas aqueles que se comprometem a permanecer nos quadros da Marinha. O conhecimento adquirido nesta embarcação é demasiado precioso para se formar militares de passagem. Os quartos estão reservados para os graduados, que têm outras responsabilidades. Merecem umas horas de sono tranquilas para preservar as suas competências. Sinto a cama a inclinar e alguns estalinhos nos ouvidos. É o submarino a submergir. Oiço dizer que atingimos os cento e tal metros de profundidade.
Sou embalado por um zunido grave das ventilações que renovam o oxigénio. Lá ao fundo, continua a trabalhar a guarnição que está de serviço, enquanto outra, como eu, dorme para daqui a seis horas entrar em acção.
Bom dia
Acordo em sobressalto, de novo inclinado, a sentir alguma vibração como se fosse um terramoto. Ouve-se o barulho de motores mas nenhum sinal da guarnição. Acho que o militar que está a dormir na cama por cima de mim nem abriu a pestana. Já conhece isto de frente para trás.
Entretanto o ambiente estabiliza e percebo que estamos a vir à superfície. São seis da manhã. O sol nasce às 07h15. Levanto-me, arrumo o saco de cama e preparo-me para mais um dia. Acorda mais gente. Vão entrar em serviço. Uns dizem ‘bom dia’, outros dirigem-se para a casa de banho em silêncio. Vou à cozinha queixar-me de que a água está fria. O cozinheiro faz-me o favor de a tornar quente. Tomo banho num dos dois chuveiros e visto-me para começar a trabalhar. Tomo o pequeno almoço com um dos oficiais e subo para a torre. Deparo-me com um nascer do sol como nunca tinha visto. Os tons alaranjados espalham-se em reflexos ao longo do oceano. Aproveito cada minuto como se fosse o último.
Entrego o corpo e a alma a cada clique da máquina fotográfica. Só vejo mar à minha volta. Explicam-me que, com a extensão da plataforma continental, o nosso país atingiu os 4 milhões de km2. Hoje somos 97% de mar e 3% de terra. Estou a flutuar sobre Portugal. Afinal não é assim tão pequeno. 
Fonte: Sol

China transforma Mar em Terra

Pequim está a aumentar superfície terrestre no mar do sul da China.

A China está a aumentar a sua influência nas ilhas Spratleys, no mar do sul da China, cuja soberania é disputada através da construção de ilhas artificiais a um ritmo sem precedentes, disse na sexta-feira um responsável norte-americano. 

Com as ilhas artificiais, a China “aumentou a superfície que ocupa, multiplicando-a por 400”, afirmou o mesmo responsável, acrescentando que Pequim ganhou 800 hectares no mar entre janeiro de 2014 e 2015.
“A rapidez e a amplitude” dos esforços da China para conquistar o mar “superam” os esforços dos outros países, disse a fonte.

Fonte: TVI24

MSC e estivadores acordam reforço do hub de Las Palmas

Os estivadores aceitam, entre outras condições, baixar os salários em 15%. A MSC compromete-se a transformar o porto de La Luz, na Gran Canária, Las Palmas, num hub para as ligações Norte-Sul.

Reunidos em plenário, os estivadores do porto de Las Palmas ratificaram ontem o acordo firmado há dias, em Genebra, entre os seus representantes e dirigentes da MSC, com o envolvimento da autoridade portuária.
No essencial, o acordo a flexibilização do trabalho portuário para aumentar a produtividade e reduzir os custos da operação dos porta-contentores. Ao nível das cláusulas de natureza pecuniária, prevê-se uma redução do nível dos salários na casa dos 15%.
Em contrapartida, a MSC compromete-se a investir no porto de La Luz para o tornar capaz de operar os maiores navios da sua frota (serão 50 mega-navios no final de 2916), criando aí uma plataforma de transbordo para os tráfegos Norte-Sul. Actualmente, o porto apenas pode receber navios de 4 000 / 5 000 TEU de capacidade.
As negociações entre a MSC e os trabalhadores portuários de La Luz, que agora chegaram a bom termo, iniciaram-se por alturas da Páscoa.
Entretanto, dirigentes sindicais estiveram na recente Transport Logistic, de Munique, onde se avistaram com dirigentes da Hapag-Lloyd, também com o objectivo de atrair para as Canárias a transferência de cargas perecíveis entre a América Latina e a Europa.
Fonte: T e N