No espaço de um ano, a PSA International fecha dois terminais de contentores em Zeebrugge. Resta um, operado pela APM Terminals. A culpa é da quebra de actividade.
Autor: portaldomar
O mar no Programa do Governo
Fundo Azul, Simplex do Mar e linhas de crédito para a pesca entre as propostas do Executivo.
Novo Canal do Suez baixa custos dos navios em 10%
O “novo” Canal do Suez reduz o tempo de trânsito dos navios de 18 para 11 horas, o que permite diminuir os custos da operação entre 5% e 10%, conclui o estudo “O Novo Canal do Suez: Impacto Económico no Tráfego Marítimo no Mediterrâneo”, que a consultora italiana SRM, do Intesa Sanpaolo, desenvolveu em parceria com o AlexBank.
A análise prevê ainda reflexos positivos nos sectores dos transportes, da logística e do turismo e em todas as actividades relacionadas com os fluxos marítimos, devido ao desenvolvimento do Canal, bem como em oportunidades de investimento e novos projectos que o governo do Egipto pretende implementar na área do Suez.
A lula cor-de-rosa que vive no fundo dos oceanos [ Com Vídeo].
Uma equipa de cientistas norte-americanos conseguiu filmar uma lula luminescente de mar profundo, espécie raramente vista viva. Tem uma forte tonalidade cor-de-rosa, e os cientistas explicam porquê.
Opinião: Smart Ports – Era dos Portos de Baixo Carbono
«Ao longo das últimas décadas, os principais portos do mundo passaram por diversos estágios de evolução que tiveram o seu início com o processo de informatização até ao conceito de “Porto Digital”.
A proximidade dos actores da cadeia de valor da logística com o fenómeno da Internet das Coisas (IoT) está a levar para o seio dos portos novas formas de recolher, partilhar e gerar valor a partir da informação. Estamos a assistir ao nascer de uma nova geração de portos apoiados por infraestruturas inteligentes, pela interconectividade das coisas e por processos de gestão optimizados pela geração de conhecimento fruto do processamento electrónico de largos volumes de dados: – Os “Smart Ports”.
A tecnologia IoT e o Big Data tomam o seu lugar na dianteira das tendências tecnológicas que irão fazer nascer uma nova geração de ecossistemas portuários.
A interconectividade entre sensores permite que os diferentes objectos e actores ganhem percepção sobre o que está a acontecer. Tecnologias como a RFID permitem que os objectos possam “falar”, o Machine-to-Machine (M2M) permite que troquem informação entre si e o IoT permite que todos estejam ligados à internet, para que sobre os seus dados sejam desenvolvidos serviços inovadores que contribuam para a eficiente articulação de carga, equipamentos, navios e pessoas.
Nos resultados preliminares da nossa investigação, observamos uma estreita relação no foco do “Porto Inteligente” e as necessidades dos territórios, por exemplo, no norte de África, o desaparecimento de contentores impulsionou a aplicação da RFID e a implementação de serviços de localização de carga; nos Estados Unidos – apesar dos portos de Los Angeles e Long Beach estarem a dar passos significativos em prol da sustentabilidade e eficiência energética- o alerta para o terror que ficou do rescaldo do 11 de Setembro conduziu a inovações tecnológicas focadas na segurança do transporte de mercadorias e no combate ao terrorismo e ao tráfego de armas de destruição em massa; já na Europa, a pesada regulação, a dependência externa de combustíveis fosseis, e preocupações ambientais aliadas à coesão territorial têm influenciado iniciativas de optimização dos fluxos de carga e dos processos administrativos, eficiência energética e a monitorização do impacto da actividade portuária sobre o quotidiano da envolvente e os ecossistemas naturais.
Os “Portos Inteligentes” estão a emergir do princípio em que “a necessidade aguça o engenho” e, um pouco por toda a Europa, estão a chegar à vida iniciativas experimentais de tecnologias eco eficientes.
Valência e Livorno cooperam na definição de boas práticas de gestão inteligente de recursos energéticos e na experimentação de combustíveis alternativos. Dispõem de uma plataforma electrónica para monitorização das operações e o consumo de energia das diferentes máquinas que operam no ecossistema portuário ajudando, deste modo, os operadores de terminais dna aplicação de medidas de eficiência energética. Sobre este exercício de experimentação recai a expectativa de se reduzir em 50% do combustível usado pelos guindastes e 30% do consumo energético dos sistemas de iluminação do perímetro portuário.
Do outro lado do Atlântico, “Long Beach” desenvolveu o conceito de “Porto Virtual” que consubstancia uma plataforma electrónica para fornecer, em tempo real, indicadores de performance que permitem compreender e actuar com precisão sobre situações que impactem no uso ineficiente dos recursos energéticos. Neste caso, a gestão inteligente suportada por serviços de informação assentes no potencial da IoT permitiram um aumento significativo da rentabilidade e dos resultados operacionais, quer do porto, quer dos operadores de terminais com a redução em 50% dos consumos de electricidade.
Num ou noutro continente observamos a tendência crescente da gestão suportada pelo processamento inteligente e em tempo real da informação. A introdução de ferramentas para a gestão inteligente dos recursos energéticos e a compreensão do impacto das actividades sobre o meio ambiente tem contribuído para diminuir a poluição e as emissões de dióxido de carbono (CO2) e melhorar a performance das diferentes perspectivas de desempenho portuário.
Os portos estão a passar por uma nova “Revolução Digital” impulsionada pelos desígnios da sustentabilidade.
Podemos dividir a actuação da revolução em marcha em três diferentes eixos: a energia, o ambiente e as operações logísticas. Não podemos esperar sucesso nas iniciativas de eficiência energética sem considerar a gestão inteligente de infraestruturas, tráfego e fluxos de carga. Na verdade, uma boa parte dos impactos ambientais e utilização ineficiente de recursos energéticos devem-se a congestionamentos e outras lacunas de fluidez que podem, hoje, encontrar resposta aos seus problemas na interconectividade entre objectos e pessoas.
A mudança dos padrões de desenvolvimento dos portos deve ser assumida como uma estratégia prioritária para que estes acompanhem as tendências dos serviços modernos. A construção de um verdadeiro “Porto Inteligente” levar-nos-á a um universo de colaboração dinâmica entre diferentes coisas, melhorando a eficiência, a precisão, a visualização, a segurança e a fluidez das operações portuárias.
Os novos serviços de base tecnológica baseados na IoT estão, já hoje, acessíveis aos vários players do mercado, permitindo que estes potenciem a criação de novos modelos de negócio dentro e fora do ecossistema portuário, interagindo com vários outros sectores de mercado.
Estamos a viver o momento em que Portugal acertou uma agenda com iniciativas concretas rumo à “Janela Única Logística” (JUL). Esta é uma oportunidade única para as comunidades portuárias e para o sector tecnológico português assumir, novamente, o controlo da vanguarda tecnológica portuária. Tal implicará que descolemos de uma visão focada no processo administrativo para darmos um espaço de oportunidade para que “todas as coisas” que intervêm nos portos e na cadeia de valor da logística comecem a “falar” umas com as outras, produzindo informação e conhecimento para assegurar o equilíbrio entre a eficiência da operação e a saúde do planeta.
A nova Revolução Digital dos portos e das cadeias de valor da logística já está em curso. Portugal tem de lhe tomar a dianteira.»
Fonte: Cargo
Autores: Ana Cristina Ribeiro, Nelson Figueiredo de Pinho e Hugo Metelo Diogo – Dirigentes da Compta
Energia Positiva – A resposta dos portos aos desafios da sustentabilidade
A União Europeia apesar dos poucos recursos naturais conhecidos – 1% das reservas mundiais em petróleo, 1,5% de gás natural e 4% de carvão – continua a afirmar-se como um dos maiores consumidores de energia do mundo. Com 28 países e mais de 505 milhões de pessoas, o “velho continente” acolhe apenas 10,5% da população mundial que consome 20% da energia produzida no mundo. Refém dos mercados externos para a satisfação das suas necessidades energéticas e a debater-se com os fenómenos do desemprego, do envelhecimento da população e exclusão social das populações mais jovens, a Europa está a envelhecer envolvida numa espiral de regulação não simplificada que lhe condiciona a capacidade de acompanhar um mundo em permanente mudança.
Devido à sua influência económica, o sector de transportes tem estado na linha da frente, implementando ações de combate às mudanças climáticas, sobretudo porque este sector possui um padrão energético baseado fundamentalmente em combustíveis fósseis (cerca de 96% das suas necessidades energéticas), o que apresenta uma forte relação com o aumento das emissões de gases do efeito estufa e emissão de partículas nocivas.
A concentração das diferentes modalidades de transporte e equipamentos nas operações portuárias contribuem negativamente para a saúde das pessoas e para a boa relação do sector com as dinâmicas dos territórios envolventes – sendo igualmente responsáveis por elevados consumos energéticos, produção de ruído e libertação de dióxidos de enxofre, óxidos de nitrogénio e CO2 na atmosfera.
Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de visitar diversos portos e terminais, e assistir a conferências nos mais variados continentes. Observamos processos de implementação e os resultados de diversas iniciativas de baixo carbono, ao mesmo tempo que chegamos ao diálogo com técnicos e decisores que assumiram a missão de contribuir para um sistema logístico e portuário inteligente, inclusivo, eficiente e amigo do ambiente.
Destacamos iniciativas que contribuíram para a coesão territorial, como é o caso do Porto de Gotemburgo, um dos pioneiros no abastecimento de energia eléctrica a navios, o que reduziu a poluição atmosférica e os odores que afectavam o bem-estar das populações vizinhas. Logo ali ao lado, a Noruega pretende afirmar-se como líder mundial na concepção e utilização de navio “limpos” e amigos do ambiente, com o Porto de Oslo a apoiar um grupo de engenheiros, investidores e representantes do sector marítimo que estão a apostar na concepção de navios híbridos.
No Porto de Bremenhaven, questionamos o seu CEO, Robert Howe, relativamente às prioridades para o futuro do porto. Numa pronta resposta, afirmou a sua crença na indústria das “eólicas offshore” como resposta à redução do desemprego da região, em simultâneo com a redução da dependência energética da Alemanha. Bremenhaven tem uma estratégia clara para atrair ao cluster portuário todo o tipo de indústrias relacionadas com as eólicas. O espaço em que outrora havia um aeroporto foi convertido num parque tecnológico para centros de excelência e indústrias que contam com um moderno e especializado terminal – desenhado para responder aos requisitos específicos destas características de carga. Para além da geração de valor e a movimentação daqueles enormes artefactos, a criação de condições favoráveis à prosperidade das eólicas colocou o porto num patamar de resposta ao combate ao desemprego da região e numa alavanca para proteger a economia alemã da dependência dos mercados externos.
Nos Estados Unidos, os portos de Los Angeles e de Long Beach, na Califórnia, investiram dois biliões de dólares para reduzir 45% das emissões. Destacam-se iniciativas como o investimento na instalação de redes eléctricas nos terminais, para que os navios possam desligar os seus motores enquanto permanecerem acostados; na modernização de pórticos e gruas por sistemas que permitam o reaproveitamento da energia gasta; na substituição dos tradicionais veículos de transporte de contentores por rebocadores, empilhadores, e camiões híbridos ou eléctricos, e outras viaturas eléctricas e menos poluentes.
O Porto de Long Beach pretende assumir-se como o porto mais verde do mundo, investindo na redução contínua das emissões de carbono ao mesmo tempo que procura aumentar a actividade económica. Para o Mayor de Long Beach, Robert Garcia, este objectivo depende sobretudo da concepção de infraestruturas sustentáveis e inovadoras que optimizem a eficiência operacional do porto, aumentem a velocidade de movimentação das mercadorias e que facilitem a integração dos diferentes elos das cadeias de abastecimento.
O processo de gerir, consumir e fornecer energia eléctrica está a marcar as tendências de uma nova Era de desenvolvimento da economia portuária. Esta tendência abrirá caminho para um novo paradigma do porto enquanto produtor de energia. Disso mesmo temos sinais vindos do Porto de Long Island, onde o conceito “Energy Island” está a começar a dar resposta à demanda energética, através do potencial combinado das fontes solar, eólica, geotérmicas e das marés.
Quer no outro lado do Atlântico, quer na Europa, comprovamos que o caminho que está a ser percorrido, na adaptação dos portos às necessidades energéticas e desafios das alterações climáticas, pode atrair novos negócios, criar postos de trabalho, aumentar a receita, reduzir custos, melhorar a qualidade de vida das pessoas e a preservar os ecossistemas. Este é um caminho que está longe do horizonte da sustentabilidade, mas muito perto de obter resultados concretos em matéria de coesão social e territorial num horizonte de médio-curto prazo. Sigamos este rumo…
Fonte: Cargo
Autores: Ana Cristina Ribeiro e Hugo Metelo Diogo são dirigentes da unidade de negócios da “Economia do Mar” a Blue Growth by Compta
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