Dubai tem à venda luxuosas moradias flutuantes

O Kleindienst Group está a construir uma série de moradias flutuantes na costa do Dubai. Chama-lhes “cavalos-marinhos flutuantes” e têm o preço de 1,6 milhões de euros.


As moradias que o Kleindienst Group está a construir na costa do Dubai são exóticas e complexas. A sua construção estava prevista desde 2008, como noticia o site Green Savers, tendo sido adiada devido à crise económica global. Custarão 1,6 milhões de euros.


Segundo noticia o mesmo meio, estas moradias fazem parte do projeto ‘Coração da Europa’, um grupo de ilhas artificiais que serão construídas a quatro quilómetros do Dubai.
Com três andares, terão o andar principal ao nível do mar, um outro superior e um último submerso. O quarto principal encontra-se debaixo de água e terá janelas com vista para o oceano que rodeia a casa.
A moradia é “essencialmente um barco” que não se mexe, avança a Kleindienst, que garante já ter construído 42 infraestruturas e estar a preparar outras 35. O projecto estará concluído no final de 2016 e os primeiros proprietários poderão mudar-se em 2017.
E prometem promover a biodiversidade marinha. “Vamos também criar um recife de corais artificial atrás dos retiros luxuosos: Será uma área protegida na qual os cavalos-marinhos poderão viver e reproduzir-se em segurança”, garantiu o CEO da Kleindienst, Josef Kleindienst.

Uma cacofonia de sons no abismo mais fundo do Oceano


A mais de 11 mil metros da superfície do Oceano Pacífico, o Abismo Challenger, na Fossa das Marianas, é o lugar mais profundo dos oceanos da Terra. Tão isolado, era de se esperar que fosse um mar de silêncio, mas os cientistas surpreenderam-se ao descobrir que o local na verdade é atingido por uma cacofonia de sons produzidos tanto por fontes naturais quanto humanas, num volume e diversidade impressionantes.
O barulho no abismo foi registado continuamente pela primeira vez ao longo de pouco mais de três semanas por um tipo especial de microfone, chamado hidrofone, protegido por uma cápsula de titânio mergulhado em Julho do ano passado no local por investigadores da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa), da Universidade do Estado do Oregon e da Guarda Costeira americana. Neste período, ele registou de terramotos ao canto de baleais, além dos motores e hélices dos muitos navios que circulam naquela região da Micronésia.
“Pensaria que a parte mais profunda do oceano seria um dos lugares mais quietos da Terra” – conta Robert Dziak, investigador da Noaa e líder do projecto. – Mas na verdade o que temos é um barulho quase constante tanto de fontes naturais quanto humanas. O som ambiente no Abismo Challenger é dominado por terramotos tanto próximos, quanto longe, assim como o distinto canto de baleias e o impressionante clamor do tufão de categoria 4 que passou sobre ele na altura. E teve também muito barulho do tráfego de navios, identificável pelo claro padrão de som de suas hélices enquanto passam.
O projecto, financiado pelo Escritório de Pesquisas e Exploração do Oceano da Noaa, tem como objectivo estabelecer uma linha de base para medir a poluição sonora nos oceanos. O barulho antropofágico, ou produzido pela Humanidade, nos mares tem aumentado constantemente nas últimas décadas e essa primeiras gravações vão ajudar os cientistas do futuro a determinar se ele subiu de volume.
– É como mandar uma sonda para os confins do Sistema Solar – compara Dziak. – Enviamos uma sonda para o fundo do oceano, chegando a regiões desconhecidas do espaço interior de nosso planeta.
Nos últimos meses, Dziak e seus colegas analisaram os sons captados pelo hidrofone durante 24 dias, diferenciando os naturais dos de navios e outras actividades humanas.
– Gravamos um terremoto de magnitude 5 muito alto que aconteceu a uma profundidade de cerca de 10 quilómetros na crosta terrestre próxima – relata o pesquisador. – Mas como nosso hidrofone estava a 11 quilómetros de profundidade, na verdade ele se encontrava numa posição mais baixa que o epicentro do terremoto, o que é uma experiência muito incomum. O barulho do tufão também foi dramático, embora a cacofonia de grandes tempestades tenda a se espalhar e elevar o volume geral do som por um período de dias.


Fonte: Extra

Investigadores da UP criam projecto para monotorizar oceanos

Um grupo de investigadores da Universidade do Porto está a desenvolver um protótipo para monitorizar os oceanos. O JPN falou com a coordenadora do projecto MarinEye.

Um grupo de investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) está a criar um protótipo que vai permitir monitorizar os oceanos, como forma de gerir recursos de forma mais sustentável. A proposta surgiu para um concurso que teve início no mês de Março de 2015.
Uma equipa interdisciplinar de investigadores do CIIMAR juntou-se ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e ao laboratório MARE, associado ao Instituto Politécnico de Leiria (IP Leiria), para dar resposta a “um projecto multidisciplinar, na área da Biologia, da Química, da Física, dos Oceanos, da Química, da Engenharia e Tratamento de Dados”, revela ao JPN Catarina Magalhães, coordenadora do projecto no CIIMAR.
Em Julho do ano passado, a ideia dos investigadores foi a premiada. O projecto entrou em execução dois meses depois. O modelo desenvolvido vai permitir obter informação integrada sobre os oceanos. Para a investigadora esta funcionalidade é a grande inovação. O projecto propõe a criação de um protótipo com quatro módulos distintos. Catarina Magalhães explicou ao JPN como irá decorrer todo o processo de criação.
O MarinEye é “um sistema autónomo que poderá ser acoplado a plataformas fixas de observação dos oceanos, como por exemplo bóias, ou poderá ser colocado em sistemas de observação móvel”, informa a coordenadora do CIIMAR.
No futuro, o protótipo poderá ser integrado em observatórios nacionais ou internacionais. Os investigadores esperam a curto prazo terminar o modelo e provar a sua validade em laboratório. A longo prazo, os investigadores querem levar o projecto a novos concursos, de modo a fazer a validação do modelo desenvolvido nos oceanos.
De acordo com Catarina Magalhães, passa por este tipo de projectos e iniciativas minimizar alguns dos riscos que o planeta actualmente atravessa. Para a investigadora é preciso olhar para os ecossistemas como um todo. O MarinEye vai, no seguimento do que a cientista defende, ajudar a compreender melhor e a prever situações de risco e “eventos naturais extremos”, porque o protótipo dará uma visão mais real dos componentes dos oceanos e de que forma esses componentes se comportam.
Do projeto MarinEye fazem parte os investigadores Eduardo Silva do INESC TEC, Sérgio Leandro do MARE e Antonina dos Santos IPMA. O investigador do Politécnico de Leiria indica ao JPN que o seu envolvimento “envolve a validação em contexto real do protótipo MarinEye”.
“Para tal, será testado na reserva da biosfera das Berlengas (UNESCO), local de enorme mais-valia ambiental e no qual o MARE-IPLeiria tem vindo a desenvolver, juntamente com o IPMA, um programa de monitorização ambiental (hidrologia e comunidades)”.
Sérgio Leandro acrescenta ainda que o desenvolvimento do MarinEye constitui para a comunidade científica “uma ferramenta extremamente útil para a monitorização da qualidade ambiental dos ecossistemas marinhos tendo por base a análise de diversos parâmetros em simultâneo”.
O protótipo dos investigadores da UP é financiado pelo programa EEA Grants.


Fonte: Jpn.Up.Pt
Autora: Vânia Pimenta

Boyan Slat. O miúdo holandês que quer salvar os oceanos

Aos 21 anos, o estudante de engenharia aeroespacial pode ter encontrado uma solução para os milhões de toneladas de plástico à deriva nos oceanos.

Boyan Slat, holandês, tem apenas 21 anos, mas arrisca ver o seu nome impresso nas páginas da história da preservação ambiental por ser o homem (o jovem?) que vai libertar os oceanos das ilhas de plástico do tamanho de países inteiros. Slat tinha 19 anos quando encontrou uma solução para este problema e, passados dois anos, já conseguiu reunir milhões de euros para o seu projecto.
No seu twitter, Boyan partilhou o vídeo de uma entrevista que deu ao “Huffington Post” em que explica como tudo começou. Numa mistura de Frodo Baggins com Samwise Gamgee, com um toque de cantor de rock, o agora estudante de Engenharia Aeroespacial conta que foi na Grécia que se apercebeu do problema. “Tinha 16 anos e estava a fazer mergulho, e dei-me conta de que me deparei com mais plástico do que com peixe. Na altura, pensei: ‘Porque não podemos simplesmente limpar isto?’” A pergunta, quase ingénua, já tinha sido feita por cientistas, investigadores e tantas outras pessoas incomodadas com a dimensão que o problema estava a tomar: milhões e milhões de toneladas de plástico que flutuam à deriva no mar e que assinalam a marca negra do impacto humano no meio ambiente.
 

“A corrente não é um obstáculo” Até Boyan Slat, ninguém tinha encontrado uma solução que parece ter tanto de simples como de eficaz. “Desenvolvi este sistema passivo que está ligado ao fundo do mar e permite ao oceano limpar-se a si mesmo.”

Demasiado simples? Expliquemos. 
O estudante desenvolveu uma tecnologia que aproveita as correntes marítimas e, usando um sistema de drenagem gigante – uma espécie de peneira montada em linha, em pleno oceano –, retira do mar os pedaços de plástico que acompanham as tais correntes. “A maior parte do plástico ainda tem uma dimensão considerável e não se fragmentou em partículas de microplástico, o que significa que é, na verdade, mais fácil de limpar do que imaginávamos e que podemos limpá-lo antes de se transformar naquelas partículas de microplástico bastante perigosas”, explica Boyan. Depois de recolhidas, essas toneladas de plástico são encaminhadas para um centro de transformação para que possam voltar a ser utilizadas.
“A maior limpeza da história” Boyan recusou sempre a ideia de que não havia nada a fazer ao plástico que já tinha chegado ao oceano. Quanto mais lhe diziam que a única solução seria evitar que novos produtos fossem parar aos oceanos, mais o jovem inventor se convencia de que estava no caminho certo para contrariar a teoria vigente.
O primeiro passo do projeto vai ser dado no terreno já este ano, ao largo do Japão. Mas antes disso, a equipa de engenheiros vai estrear a barreira de limpeza na costa da Holanda – não foi essa a casa de Boyan? –, aproveitando para testar a tecnologia. O contacto com condições reais vai ser fundamental para avaliar a resistência das barreiras, um dos mais críticos elementos do sistema. O relógio está em contagem decrescente até ao próximo mês de Junho.
E a empresa que Boyan fundou não põe o desafio em termos pequenos. Será a “maior limpeza da história”. De acordo com os dados disponibilizados por The Ocean Clean Up (A Limpeza do Oceano), usando os meios actualmente disponíveis seriam precisos 79 mil anos para livrar os oceanos de todos os detritos existentes. Boyan Slat diz que, com o modelo que desenvolveu, esse trabalho pode ser feito em 20 anos. Esse objectivo deixou de ser a irreverência de um jovem holandês para passar a ser olhado como algo muito mais sério. Em dois anos, Boyan juntou cerca de dois milhões e meio de euros através de uma campanha de crowdfunding.

A grande conquista, se tudo correr como esperado, será avançar em força em 2020. A grande ilha de plástico do Pacífico – um dos piores registos de concentração de plástico do mundo – é o foco principal, que Boyan Slat espera ver livre de detritos em dez anos.
 

O ponto de viragem Mas para chegar ao lançamento do projecto, Boyan teve de fazer a travessia do deserto.

Um miúdo de 16 anos a bater de porta em porta para chamar a atenção dos grandes investidores para o seu projecto de salvação dos oceanos? Tinha tudo para dar mau resultado. E deu. “Não”, “não”, “não” e “não” foi a resposta que ouviu quase até à exaustão. Quase.

Só quando o estudante conseguiu os primeiros cinco minutos de fama, em 2013, na TEDx , a sua sorte mudou, com a intervenção que fez a tornar-se viral. Foi aí que começou a campanha de recolha de fundos e, em duas semanas, Boyan conseguia reunir quase 100 mil euros.
Fonte: Ionline

Golfinho raro morto pelos turistas ansiosos por uma selfie

Um golfinho de uma espécie em vias de extinção morreu por os turistas terem insistido em tirar fotografias com ele, mantendo-o demasiado tempo fora de água. Tudo aconteceu na Argentina.

Uma golfinho bebé foi morta a semana passada numa praia argentina, depois de uma multidão de banhistas ter passado o animal de mão em mão para tirar fotografias. A golfinho franciscano (a espécie) terá sido tirada da água para esse propósito e não suportou o calor do sol e a falta de água, explica o The Dodo
Foi isto que explicou um ambientalista da Fundação Vida Silvestre: como os golfinhos têm uma pele muito espessa e revestida por uma grande camada de gordura que os aquece, eles não conseguem permanecer muito tempo fora de água. “Se ficarem muito tempo longe da água entram rapidamente em desidratação que os conduz à morte”, pode ler-se no site da organização.
Estavam mais golfinhos envolvidos nesta situação, mas apenas há confirmação da morte de um deles. O golfinho franciscano (o nome vem do facto de ter a pele acastanhada, lembrando o fato dos monges) é um dos mais pequenos do mundo: não costuma ultrapassar 1,70 m de comprimento e é exclusivo das zonas da Argentina, Uruguai e Brasil. A União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou que só existem 30 mil golfinhos deste tipo, estando portanto em vias de extinção.


Baía do Seixal atrai cada vez mais nautas

A Baía do Seixal é cada vez mais uma porta de entrada no município e, em 2015, recebeu 521 embarcações de recreio e mais de 3500 tripulantes.

A Estação Náutica Baía do Seixal está a atrair cada vez mais visitantes que recorrem ao conjunto de serviços oferecidos, como as excelentes condições de acostagem e de fundeadouro.

Em 2014, foram registadas 349 embarcações e 3017 tripulantes e, em 2015, o número de utilizações cresceu para as 521 embarcações e 3500 tripulantes.

Na maioria, as embarcações que navegam nas águas da Baía do Seixal são portuguesas, mas também há visitantes oriundos da Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Alemanha e Holanda.

Para 2016, está já prevista a construção do Núcleo de Náutica de Amora, um dos principais investimentos do município neste ano, que assim reforça a aposta na náutica de recreio. 


Fonte: C.M. do Seixal

PONG-Pesca satisfeita com informações do Governo

PONG-Pesca (Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas sobre a Pesca) manifestou ontem, 11 de Fevereiro, o seu agrado “pela definição da quota de sardinha ibérica para 2016 respeitar o Princípio da Precaução estabelecido pelo Conselho Internacional para a Exploração dos Mares”.
A mesma plataforma, contudo, exige “que todo o processo seja claramente comunicado, não só aos intervenientes directos, como ao público em geral” e considera que “a quota agora definida – 14.000 toneladas – só deve ser aumentada se os dados científicos recolhidos durante 2016 comprovarem que este aumento não coloca em causa a sustentabilidade do stock da sardinha ibérica”.
Recorde-se que no dia 5 de Fevereiro representantes da PONG-Pesca estiveram numa reunião de trabalho na Secretaria de Estado das Pescas, durante a qual o tema da sardinha ibérica ocupou grande parte do tempo. Depois de conhecerem as medidas divulgadas pelo Governo na reunião, a PONG-Pesca congratulou-se com as mesmas.
A plataforma também recebeu com satisfação as indicações sobre a “tendência verificada para uma melhoria do estado do recurso”, mas considera importante recordar que a tendência deverá ser confirmada “pela informação recolhida nas campanhas científicas de 2016”. Qualquer alteração da quota deverá depender de prévia aprovação pelo Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM), considera a PONG-Pesca.
Reconhecendo o desejo de que a sardinha recupere, Gonçalo Carvalho, coordenador da plataforma, nota que não devem esquecer-se os níveis ainda reduzidos dos stocks, pelo que as recomendações científicas devem ser seguidas com rigor. Finalmente, o mesmo responsável manifesta apreço pelo trabalho do IPMA, que considera merecedor de todas as condições para levar a cabo a sua tarefa.

“O dinheiro está a ser transferido dos Portos para as Finanças”

O
presidente do Conselho Português de Carregadores defende que o
modelo de concessões deve ser mudado para o de licenças.
Os
lucros e os impostos arrecadados pelas administrações portuárias
não estão a ser reinvestidos na economia e no fomento do sector
portuário e das actividades exportadoras, sendo transferidos
directamente para os cofres do Ministério das Finanças. Esta é
constatação de Pedro Viegas Galvão, presidente do Conselho
Português de Carregadores, que reúne algumas das maiores empresas
exportadoras nacionais.

Segundo as contas de Pedro Galvão, entre
2010 e 2014, por exemplo, a administração do porto de Leixões
(APDL), registou lucros de 67,4 milhões de euros. A estes lucros, há
que juntar os lucros dos concessionários que operam no porto
nortenho, os quais superaram os 71 milhões de euros no período em
análise.

No conjunto, está-se a falar de 138,5 milhões de
euros, sobre os quais o Ministério das Finanças cobrou 21,7 milhões
de euros de IRC aos concessionários e 16,7 milhões de euros de IRC
à própria APDL: um total de 38,4 milhões de euros. Além disso, o
Estado, ainda através do Ministério das Finanças, recolheu ainda
mais 22,8 milhões de euros em dividendos retirados à própria APDL
entre 2010 e 2014. Ou seja, dos 138,5 milhões de euros de lucros
conseguidos pela APDL e pelos respectivos concessionários entre 210
e 2014, o Ministério das Finanças ‘capturou’ 61 milhões de
euros em cobrança de IRC e dividendos.

“O que nós
defendemos é que haja um ‘pass through’ [transferência] para a
economia, em vez de ser como agora, em que se está a tirar dinheiro
dos portos para o Ministério das Finanças. A única forma de
alterar o actual estado de coisas é as pessoas sentarem-se para
negociar e tentar encontrar uma plataforma de entendimento. Se nas
PPP rodoviárias se conseguiu, não vejo como é que nos portos não
se consegue”, defendeu Pedro Viegas Galvão, em declarações ao
Diário Económico.

De acordo com o presidente do CPC, “em
vez de os portos poderem ser o motor da economia, cobram taxas que
depois transferem para o Ministério das Finanças”. “É preciso
incentivar a economia, e não desincentivar. O trabalho que se tem de
fazer para ganhar eficiência nos portos, está longe de estar
concluído. É um processo contínuo. É preciso alterar o regime de
concessões e reduzir os tarifários, o que era defendido pela
‘troika’”, alerta Pedro Galvão. 

“Não estamos a
atacar as administrações portuárias. Reconhecemos que houve
melhorias significativas nos últimos anos com o regime das
concessões portuárias, mas a vida evolui. Tem de haver um
ajustamento às novas regras”, garante este responsável ao Diário
Económico. 

Para Pedro Galvão, “a situação
financeira de todos os portos nacionais é muito saudável”. O
presidente do CPC explica que “este regime de concessões foi
lançado há cerca de 20 anos com o objectivo de maximizar as
receitas das administrações portuárias porque era necessário que
os próprios portos limpassem os seus passivos; e isso não só foi
conseguido, como também permitiu a rentabilidade dos
concessionários, mas, nós, empresas exportadoras, estamos neste
momento a lutar com muitas dificuldades para penetrar em mercados
externos, em ganhar quotas”.

Para Pedro Galvão, “esta
transferência de dinheiro dos lucros dos portos, da economia, para o
Ministério das Finanças, é mais uma taxa à exportação do que
uma receita para maximizar o volume de cargas”. O presidente do CPC
é contra o monopólio no sector; defende que deve haver, no mínimo,
dois prestadores para cada serviço portuário; é adepto da
transferência do regime de concessões para o de licenças, “onde
não há barreiras à entrada nem à saída, podendo qualquer
operador com licença funcionar”; e aguarda a redução das tarifas
portuárias para beneficiar as exportações, a actividade portuária
e a economia nacional. 

Fonte: Económico  

Portos são a excepção nas empresas públicas com quatro anos de lucros

Portos nacionais atingiram lucros de 174 milhões de euros entre 2010 e 2014. O porto de Leixões liderou o ‘ranking, com lucros de 67,4 milhões de euros.



As cinco principais administrações portuárias nacionais registaram lucros agregados de 173,7 milhões de euros entre 2010 e 2014, o que perfaz uma média anual de lucros de 34,7 milhões de euros, de acordo com dados compilados pelo Conselho Português de Carregadores (CPC), a que o Diário Económico teve acesso.


Numa altura em que ainda não são conhecidas as contas destas administrações portuárias referentes ao exercício de 2015, estes dados atestam uma excepção no Sector Empresarial do Estado (SEE), uma vez que a grande maioria das empresas públicas apresenta défices crónicos de gestão, acumulando passivos de ano para ano. E confirmam que um dos poucos motores da economia nacional nestes anos de crise tem sido proporcionado pelas exportações, com reflexos evidentes nas cargas movimentadas pelos portos e, por conseguinte, nos dados económico-financeiros das administrações portuárias.


De entre as cinco maiores administrações portuárias nacionais – Leixões, Sines, Setúbal, Lisboa e Aveiro –, o grande destaque vai para o porto nortenho, que registou lucros de 67,4 milhões de euros no período em análise. A seguir, posicionou-se o porto de Sines, com lucros de 45,3 milhões de euros entre 2010 e 2014. 


Já o porto de Setúbal surge em terceiro lugar neste ‘ranking’, com 29,1 milhões de euros de lucros, significativamente acima do conseguido no mesmo período pelo porto de Lisboa: 21,9 milhões de euros de lucros. Este é mais um sinal dos problemas crescentes que o porto da capital tem atravessado nos últimos anos, em particular derivado de constantes greves dos estivadores, que têm afastado alguns dos maiores armadores mundiais para outros portos nacionais (como Setúbal) e ou mesmo estrangeiros, com destaque para os espanhóis. 


Neste momento, está a decorrer há mais de um mês um processo negocial entre os operadores e os estivadores do porto de Lisboa, sob a iniciativa de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, com o objectivo de solucionar de forma definitiva este diferendo laboral não sendo publicamente conhecidas as evoluções dessas conversações. 


Como é natural, por questões de dimensão, no último lugar deste ‘ranking’ dos lucros das principais administrações portuárias nacionais, posicionou-se o porto de Aveiro, com lucros de cerca de dez milhões de euros entre 2010 e 2014.


Apesar da saúde financeira das administrações portuárias que estes números evidenciam, diversos operadores do sector têm manifestado publicamente críticas à situação, como foi o caso de Pedro Viegas Galvão, presidente do CPC. Numa conferência sobre “Concorrência no Sector Portuário”, realizada no passado dia 26 de Janeiro, em Lisboa, este responsável defendeu que o actual regime de concessões portuárias tem de ser alterado e substituído preferencialmente pelo regime de licenças.


No seu entender, no passado, com o regime das concessões portuárias, pretendia-se a maximização das receitas das administrações portuárias, privilegiando o encaixe inicial e apostando na cobrança de rendas variáveis e fixas, mas de futuro Pedro Viegas Galvão recomenda “a maximização da competitividade da economia, maximizar volume, diluir custos fixos e ganhar massa crítica”.


Fonte: Económico.