Peixe: O ouro do nosso Mar

Há quem diga que Portugal tem o melhor peixe do mundo. Embora não científica, a tese assenta em argumentos de peso: um mar com as condições ideais, uma costa heterogénea e uma gastronomia que sabe tratar o alimento.

No campeonato gastronómico, Portugal leva a taça na categoria peixe. Esta ideia começou a ganhar forma quando o famosíssimo chefe catalão Ferran Adrià anunciou que “Portugal tinha o melhor peixe do mundo”. Depois de alguma estranheza, o conceito foi-se entranhando, apoiado em fortes argumentos oferecidos pela biologia e pela meteorologia. “O nosso mar tem uma boa oxigenação, temperatura óptima para o crescimento e reprodução e excelente disponibilidade e qualidade do alimento”, enumera a bióloga e especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Bárbara Serra Pereira. Na confluência das águas frias do norte e das quentes das regiões tropicais apanhamos com o melhor dos dois mundos. Além disso, temos ainda a agradecer ao fenómeno do afloramento costeiro, ou upwelling, que traz água mais fria às praias, mas que faz maravilhas pela vida marinha. Este movimento das águas, que resulta de uma combinação entre o vento e o movimento de rotação da Terra, arrasta as massas de água à superfície, afastando-as da costa, e uma subida de águas mais profundas, das camadas abaixo dos 200 metros. Esta renovação, que acontece nos meses de verão, transporta nutrientes à superfície, pequenos animais e vegetais, que vão sustentar toda a cadeia alimentar. 
Uma costa muito variada permite-nos ter uma grande riqueza de animais – sardinhas a norte e linguados ao centro – exemplifica a investigadora do IPMA. Só nos Açores, haverá 600 espécies de peixes diferentes.

FILETES: UM DESPERDÍCIO

O chefe Vítor Sobral não se coíbe de traçar elogios ao ingrediente de eleição no seu restaurante Peixaria da Esquina, em Lisboa. “Em Portugal existe com certeza dos melhores peixes do mundo. Uma matéria-prima fantástica, que inclui os mais raros e os mais comuns. Além disso, temos formas muito peculiares de cozinhar”, sublinha. “Há pratos de peixe para ricos, para pobres, de interior e de litoral. Um receituário incrível. Grelhados, fervidos, arrozes”, salienta.
Na gastronomia portuguesa, o peixe ocupa grande destaque – estamos entre os maiores consumidores a nível mundial, algures entre o terceiro e o quarto lugar. Mas é preciso que não se perca todo este património, alerta a crítica gastronómica e autora do livro O Melhor Peixe do Mundo (Assírio & Alvim), Fátima Moura. “Os nossos peixes são saborosos – alimentam-se de coisas boas, como camarões e amêijoas – temos boas lotas e uma boa distribuição”, reforça. “Servimos o peixe inteiro, que é coisa que não se vê no resto da Europa, onde vem tudo em filetes”. Mesmo assim, Fátima Moura lamenta que nas cozinhas portuguesas não se arrisque muito, fugindo às douradas, robalos e bacalhau. Aliás, a contabilidade das pescas isso o demonstra: 60% do que pescamos é sardinha, cavala e carapau. “Às vezes, as pessoas têm medo do peixe. Desperdiçam as cabeças, os fígados de tamboril, que são deliciosos”, nota. É com pesar que Rosa Cunha, peixeira no Mercado da Ribeira, em Lisboa, transforma um belo linguado num par de filetes. Ou que se desperdicem as cabeças do peixe. “Fazem uns caldos deliciosos”, ensina a dona da banca Rosanamar, que serve alguns dos principais chefes em Lisboa.

PEIXE DA ÉPOCA

Além de diversificar nas espécies, seria importante respeitar a sazonalidade. “A salema fora de época sabe a palha, no tempo próprio é deliciosa”, refere Fátima Moura. Para fomentar este consumo mais sustentado, que favorece a reposição dos stocks, a autora está a pensar num projecto de divulgação das épocas próprias de consumo de cada espécie.
E se não vai a bem, vai a mal. É muito provável que sejamos todos obrigados a diversificar, com a entrada em vigor de legislação europeia que proíbe atirar peixe fora. Em algumas pescarias, só 10% do que vem à rede é aproveitado. A partir de 2019, os pescadores serão obrigados a trazer tudo para terra, num esforço de poupança dos stocks.
Mesmo assim, a nossa pesca até é bastante sustentável, sobretudo se compararmos com a que se pratica na Ásia, ou até em Espanha e Marrocos aqui mais perto. “As nossas técnicas são relativamente artesanais. Respeitamos os habitats e as cotas estabelecidas”, defende a especialista do IPMA, organismo que tem a responsabilidade de inspeccionar os mares, monitorizando a pesca e avaliando a evolução das espécies. São os dados recolhidos por estes especialistas, em cruzeiros científicos e no acompanhamento do peixe desembarcado, que servem de base às, por vezes duras, negociações das cotas na Comissão Europeia.
E até na aquacultura, que é vista como obrigatória num mundo onde o apetite por peixe cresce de ano para ano, Portugal é um bom exemplo. Ao contrário do que acontece na Grécia, Turquia ou Ásia, grandes produtores, em que o regime adoptado é sobretudo o intensivo, em tanques com grande concentração de animais, no nosso país pratica-se sobretudo a aquacultura semi-intensiva, com aproveitamento de salinas abandonadas. Neste sistema, há mais espaço para os peixes nadarem, o que dá origem a animais mais musculados e saborosos. Num sinal claro de que esta é uma aposta do Governo, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou esta semana um novo pacote de medidas para o sector, com financiamento público de 80 milhões de euros. Objectivo: duplicar a produção nacional até 2020 e reduzir as importações. Foi ainda apresentado um novo regime de licenciamento das explorações, reduzindo de nove para apenas uma entidade – um pedido antigo da Associação Portuguesa de Aquacultura. Para que não nos falte à mesa o melhor do mundo.

Como saber se o peixe é bom

Olhos – Devem ser brilhantes e salientes 

Pele – Firme e húmida. Quando comprimida, deve regressar à posição inicial. Se a marca do dedo permanecer é porque já não está fresco 

Guelras – Brilhantes, de cor rosa ou vermelho intenso 

Escamas – Brilhantes, unidas entre si, bem agarradas à pele

Rota gastronómica

Se há quem viaje só para beber um bom vinho, porque não há de haver quem faça quilómetros, por terra ou por ar para se deliciar com um peixe bem cozinhado. Portugal figura de proa é um projecto da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia (Aptece) que quer tornar o peixe, de mar e de rio, num pretexto para portugueses e estrangeiros conhecerem o País. Para isso, será feito um guia em papel e numa aplicação, que funcionará como um roteiro gastronómico, com itinerários onde se indica o que comer, em que altura, e o que fazer na região. Eventos como os festivais da lampreia ou do achigã ou a sugestão de uma visita ao museu do bacalhau, em Ílhavo, são um exemplo do género de informação também disponível. A apresentação do guia, dedicado ao Norte, Centro e Alentejo, vai decorrer, em Londres, no restaurante Taberna do Mercado, do chefe português Nuno Mendes.
Fonte: Visão 

Baleia chega a Lisboa arrastada por navio de carga

O barco, que vinha de Marrocos para Lisboa, trazia uma baleia morta presa na proa. O animal só será retirado de dentro de água amanhã.

Um cargueiro que atracou no passado domingo de manhã em Lisboa trazia, preso na proa, uma baleia morta, noticiou a SIC Notícias. O corpo da baleia será retirado da água e incinerado.
O animal, que terá entre 12 e 15 metros, foi entretanto rebocado desde a Doca de Alcântara, onde atracou o navio de carga, até junto do Centro de Coordenação e Controlo de Tráfego Marítimo do Porto de Lisboa, em Algés.
O barco era proveniente de Marrocos e tinha como destino Lisboa. No caminho percorrido passou por uma zona que é normalmente usada pelas baleias que procuram alimento.
Marina Sequeira, técnica do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, disse à SIC Notícias que se pode tratar de uma baleia-comum – uma espécie ameaçada, que foi alvo de caça intensiva durante muitos anos e que ainda não conseguiu recuperar o número de indivíduos.
Mas só será possível confirmar a que espécie pertence na segunda-feira, depois de o animal ser retirado da água. Nessa altura serão também recolhidas algumas amostras para análise e de seguida a baleia será encaminhada para incineração.
Fonte: Observador


Viagem histórica. O primeiro grande navio a cruzar o Ártico

As
alterações climáticas abriram a Passagem do Noroeste e um grande
cruzeiro com cerca de 1700 pessoas a bordo já se fez ao mar… e aos
gelos. Há muitos críticos deste novo luxo 

atravessaram o estreito de Bering, e no último fim de semana
acostaram a Ulukhaktok. Esta pequena aldeia de Nunavut de 400
habitantes, no Alasca canadiano, marca, justamente, o início da
etapa mais ansiada – e também mais perigosa – da viagem do Crystal
Serenity, o primeiro grande navio de cruzeiros, com 13 andares e
capacidade para 1700 pessoas (incluindo mais de 650 tripulantes), que
se aventura no oceano Ártico através da rota Northwest Passage (a
Passagem do Noroeste), antes só acessível a quebra-gelos e navios
mais pequenos. 
A
nova rota é uma consequência do degelo oceânico naquela região
polar, causado pelas alterações climáticas. Mas esta viagem de
estreia do Crystal Serenity é tudo menos pacífica. 
Meticulosamente
preparado ao longo de três anos, o cruzeiro largou de Anchorage, no
Alasca, no dia 17 de agosto e tem chegada prevista a Nova Iorque, do
lado oposto da América do Norte, a 17 de setembro, depois de
atravessar todo o Ártico, tocar a Gronelândia, Boston e Newport, em
Rhode Island. Mas a etapa crucial, afinal o principal destino
deste cruzeiro que prometeu aos seus quase mil passageiros
avistamentos de ursos-polares, de morsas e de baleias, é a da
travessia da Passagem do Noroeste, que está agora a iniciar-se e
onde os perigos, sob a forma de gelos submersos ou eventuais
tempestades, são uma possibilidade muito real. Por mais seguro que o
Crystal Serenity seja, não é um navio construído com o objetivo de
fazer face aos gelos do Ártico. 
Por
isso, a preparação da viagem levou cerca de três anos e a empresa
proprietária do navio apostou tudo na segurança, incluindo no
aluguer de um pequeno quebra-gelos equipado com dois helicópteros,
que acompanha a navegação do princípio ao fim, para o que der e
vier. 
Há,
no entanto, quem critique a decisão de fazer este cruzeiro por
motivos de segurança, como o antigo comandante da marinha de costa
Robert Papp, 
actual representante especial dos Estados Unidos para o
Ártico, que à Radio Canada International (RCI) se mostrou
preocupado em relação à capacidade real de 
reacção a um acidente
com um navio que transporta 1500 passageiros, numa zona onde o
socorro é dificultado pelas suas condições extremas. 
E,
se a segurança é uma questão, não é a única. Na outra face da
moeda estão os problemas ambientais e o impacto que uma travessia
deste género pode causar numa região do planeta que até agora tem
estado salvaguardada das intromissões humanas pelas duras condições
que a caracterizam. Que impacto terá na vida selvagem local,
perguntam-se ambientalistas e cientistas, preocupados não apenas com
esta viagem em concreto, mas com as portas que ela pode abrir a
cruzeiros regulares na região. Está previsto, aliás, que o Crystal
Serenity repita o cruzeiro no verão de 2017. 
Um
dos cientistas que colocam a questão é Michael Byers, investigador
no Ártico e professor na Universidade de British Columbia. “Quando
penso na possibilidade de dezenas de grandes navios de cruzeiro virem
a atravessar o Ártico canadiano todos os verões, fico preocupado”,
afirmou à RCI. “Preocupo-me, por exemplo, com o impacto de um
eventual derramamento de combustível, ou com os efeitos do ruído do
navio nos mamíferos marinhos, como as morsas ou as baleias”,
sublinha, notando que os benefícios económicos deste tipo de
cruzeiros para pequenas comunidades humanas locais não são
relevantes. 
Outra
voz que se fez ouvir foi a da WWF, através de Elena Agarkova. Aquela
dirigente ambientalista analisou os possíveis impactos da viagem e
explica que o navio está obrigado, por exemplo, a fazer os seus
despejos de águas residuais a pelo menos 12 milhas náuticas ao
largo da costa, para evitar a poluição nas comunidades costeiras.
No entanto, afirma Agarkova, citada no jornal online irlandês The
Journal, “esta viagem é simbólica das mudanças rápidas no
Ártico, e não dispomos hoje dos regulamentos necessários para
reduzir os riscos [deste tipo de atividade] para a vida selvagem e as
comunidades humanas na região, nem a capacidade necessária para
responder a um eventual acidente”. 
Menos
preocupados estarão os cerca de mil passageiros a bordo, que pagaram
entre 18 mil euros e 153 mil euros por cabeça, mais um seguro
obrigatório de 45 mil euros para poderem participar nesta viagem
inaugural. “Os bilhetes esgotaram em 48 horas”, assegurou o
comandante do navio, o norueguês Birger Vorland, ao canal local KTVA
Alaska. Também para este homem do mar, que há três décadas
comanda navios de cruzeiro, esta é uma viagem muito especial, um
pouco como um tributo ao seu pioneiro compatriota, Roald Amundsen, o
primeiro que fez esta travessia, entre 1903 e 1906. Mas, nota, “nós
vamos fazê-la em 32 dias e com muito mais conforto”. 
Fonte: DN

Mike Stewart disputa campeonato do mundo de bodyboard em Viana

Mike Stewart, um dos criadores do bodyboard está entre os cerca de 80 atletas que vão disputar, de 21 a 25 deste mês, em Viana do Castelo a sexta etapa do campeonato mundial da modalidade, revelou a organização.
“É uma referência, uma figura lendária da modalidade que nos orgulha muito ter em Viana do Castelo”, afirmou esta quinta-feira o presidente do Surf Clube de Viana do Castelo (SCV), João Zamith.
O responsável, que falava em conferência de imprensa no Centro de Alto Rendimento durante a apresentação da prova, sublinhou que Viana do Castelo tem “responsabilidades históricas” no desenvolvimento do bodyboard uma vez que, “em 1994, o SCV conseguiu trazer a prova para a cidade realizando-se, pela primeira vez, fora do Havai, e levando à criação do World Tour”.
A prova de Viana do Castelo que conta com o apoio da Câmara local e da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (ERTPNP), vai decorrer na praia da Arda, em Afife, e contará ainda com a participação do sul-africano Jared Houston, campeão mundial em título.
Zamith adiantou que o clube “tem provas dadas e grande capacidade organizativa”, sendo este o quarto mundial de bodyboard que realiza.
O currículo do clube conta ainda com a organização de “três europeus de bodyboard, três mundiais e europeus de surf e largas dezenas de campeonatos nacionais e regionais”.
O presidente do SCV referiu que este tipo de evento desportivo “tem um impacto muito grande”, estimando “em cerca de 1 milhão o número de pessoas que vão acompanhar, através das transmissões em direto, a etapa do tour mundial”.
João Zamith revelou também que a prova de Viana do Castelo “vai integrar um jogo mundial de bodyboard praticado por milhões de pessoas e que levará bem longe o nome da cidade”.
Na sexta etapa, onde estão em causa quatro mil pontos no ?ranking’ e 25 mil dólares em prémios, vão marcar presença 80 atletas de Portugal, França, Espanha, Brasil, Austrália, África do Sul, Chile, Argentina, Peru, EUA – Hawai, Marrocos e Inglaterra.
Paralelamente, também na mesma data e na mesma praia vai decorrer o mundial de bodyboard de juniores, para atletas sub-18 e com um prémio de dois mil dólares.
Presente no encontro com os jornalistas, o presidente ERTPNP, Melchior Moreira frisou que os eventos desportivos “são um produto estratégico” para a região por “representarem um retorno financeiro fantástico no turismo”.
No entanto, o responsável reclamou a atribuição de “mais apoios para a promoção turística” da região.
“É preciso olhar para o turismo com outros olhos. É preciso mais apoio para a promoção turística. Nós temos capacidade de fazer mais mas precisamos de mais apoios, ou seja, de descentralização do poder central para as áreas regionais” disse.
Elogiou a aposta da Câmara local nos desportos náuticos quer através da construção de equipamentos desportivos quer do programa “Náutica nas Escolas” implementado há três anos.
Já o presidente da Câmara, José Maria Costa referiu que a escolha de Viana do Castelo para o evento mundial “resulta do um trabalho sério, construtivo e de responsabilidade dos dirigentes desportivos que tem sido apoiado pelas entidades públicas”.
“A construção de um conjunto de equipamentos desportivos permitem agora potenciar o território, dando projecção internacional à cidade e ao país”, referiu.
Na véspera do arranque da competição vai decorrer a primeira conferência mundial com o tema “Passado, Presente e Futuro do Bodyboard”.
Além do campeonato do mundo, já nos dias 17 e 18 o SCV vai organizar o campeonato Luso Galaico, entre surfistas galegos e portugueses e vai acolher a Semana Europeia do Desporto.
“Viana é a única cidade em território nacional a acolher um evento oficial da Comissão Europeia, no dia 12 de Setembro, com a presença de 12 associações sociais e cerca de 200 praticantes”, explicou João Zamith.
Fonte: O Jogo

Estaleiros Navais de Peniche: Revitalização aprovada

Os Credores dos Estaleiros Navais de Peniche aprovaram a proposta de recuperação da empresa apresentada pelo administrador judicial no âmbito do Plano Especial de Revitalização (PER).

O Plano de Revitalização, a que a agência Lusa teve acesso, deu entrada este mês no Tribunal de Alcobaça e propõe medidas de reestruturação financeira que assegurem o pagamento das dívidas aos credores, que permitam manter a actividade dos estaleiros e que reduzam a estrutura de custos.

O administrador judicial Jorge Calvete propôs um “programa de continuidade da empresa”, já que o passivo (cerca de 14 milhões de euros) é superior ao activo da empresa (6,1 milhões) e no cenário alternativo de liquidação não haveria recuperação total de créditos.

Por outro lado, justificou, a empresa tem vindo a reconstituir a sua carteira de clientes, tendo contratos fechados até Junho no valor de 3,2 milhões de euros.

Não só com a construção e reparação naval, mas também com o segmento de produção modular para a indústria de gás e petróleo e para o sector das energias renováveis, prevê facturar 6,2 milhões de euros em 2017 e 9,9 milhões de euros em 2020.

Depois de ter reduzido custos, sobretudo com pessoal, de 56 para 28 trabalhadores através de rescisões por mútuo acordo, o plano aponta também para a transformação da dívida de curto prazo em dívida de médio e longo prazo, para aumentar a liquidez da empresa.

“Com a manutenção da actividade e os lucros daí advindos, conseguirá pagar as dívidas aos credores”, conclui o administrador judicial.

O plano estabelece ainda o pagamento integral das dívidas ao Estado, aos trabalhadores, aos fornecedores e à banca.

Em 2014, os Estaleiros Navais de Peniche tinham uma dívida que ascendia a cerca de 14 milhões de euros, distribuídos pelo Estado (1,7 milhões), trabalhadores (800 mil euros), fornecedores (2,3 milhões) e banca (9 milhões), motivo pelo qual houve nesse ano a entrada de novos accionistas, a AMAL – Construções Metálicas, S.A. e a Ultra Ratio, S.A..

Apesar dos esforços de saneamento financeiro, de reinício de actividade e de procura de novas oportunidades de negócio, a empresa continuou a atravessar dificuldades, por não conseguir pagar aos fornecedores e por falta de investimento para executar encomendas, e em Março deste ano recorreu a tribunal a solicitar o PER, qualificando de “muito difícil” a sua situação económica.

As dificuldades da economia angolana “levaram à impossibilidade de abertura de cartas de crédito, o que inviabilizou o arranque das novas construções contratadas” por aquele país.

Sendo Angola o seu principal mercado, a empresa veio a deparar-se com “dificuldades na obtenção de negócio”, que agravaram os problemas que vinha a sentir desde 2014 devido à crise económica e financeira em Portugal.

A empresa possui mais de centena e meia de credores e dívidas de 20,6 milhões de euros, dos quais 674 mil euros aos trabalhadores, de acordo com a lista de credores que consta do PER.

No final de 2014, a empresa atingiu um volume de negócios de 2,8 milhões de euros, registando uma quebra significativa face aos últimos anos (4,8 milhões em 2013 e 11,4 milhões em 2012) e fechou o ano com um prejuízo de 3,3 milhões de euros, superiores aos 1,5 milhões de euros negativos de 2013.


Fonte: Cargo

Ilhas Galápagos: Um paraíso escondido debaixo de água.

O que se esconde nas profundezas das ilhas Galápagos? Foi com esta pergunta em mente que o fotógrafo Octavio Aburto rumou a esta ilha em pleno Oceano Pacífico. Numa expedição organizada pela Fundação Charles Darwin e equipado com a sua máquina, Octavio mergulhou nas profundezas da ilha idílica e por lá encontrou uma imensidão de vida marinha muito além das expectativas.
E se muitos dos locais com maior diversidade de corais e peixes estão a ser invadidos por turistas, as ilhas Galápagos estão a conseguir preservar a natureza do espaço quase intocável. “Os manguezais de Galápagos são um claro exemplo de como eram estas florestas, antes da intervenção humana. As pessoas que lá vivem devem orgulhar-se da condição primitiva que o local mantém”, conta o fotógrafo ao Daily Mail. “Espero que o Parque Nacional dos Galápagos consiga proteger todas estas lagoas costeiras para manter estes habitats e as espécies que lá vivem, para a alegria das gerações futuras”, acrescenta maravilhado com o espaço.
Uma fotogaleria a não perder.
Fotos: Octavio Aburto


Salvador Couto integra a Selecção para o Mundial de Surf Júnior nos Açores

Salvador Couto é o único atleta do norte do país que integra a Selecção de Surf no VISSLA ISA World Junior Surfing Championship, em Setembro, nos Açores.

Salvador Couto, actual campeão nacional Surf Esperanças, vai competir, pela segunda vez, no VISSLA ISA World Junior Surfing Championship.
O evento, que reúne as maiores promessas do surf nacional e internacional, terá lugar, este ano, na Praia do Monte Verde, Ribeira Grande, em São Miguel, entre 16 e 25 de Setembro.
Já no ano passado, em Outubro, o atleta de 16 anos foi um dos convocados do seleccionador David Raimundo para disputar a taça de selecção vencedora e medalha de ouro individual em Oceanside, Califórnia.
“Este ano tenho objectivos ainda mais definidos. Estão a ser meses de muito treino e trabalho, pelo que espero que a Selecção tenha ainda melhores scores do que o ano passado”, afirma Salvador Couto.
Salvador Couto, o único atleta a representar o norte do país, quer levar a equipa das quinas à vitória do Mundial de Surf Júnior.


Movimento Associativo de Pesca vê sector ao "abandono"

O Movimento Associativo de Pesca Portuguesa, constituído por organizações de armadores e sindicatos, exigiu uma audiência urgente com o secretário de Estado das Pescas, considerando que o sector está ao “abandono”.

O Movimento Associativo, reunido hoje, decidiu pedir uma audiência ao Governo, considerando que existem diversos problemas no sector que é preciso resolver de forma urgente.
“Existe um grande desrespeito pelo sector, que se sente ao abandono, pois os problemas não são resolvidos. A Direcção Geral de Recursos Marítimos não dá respostas e demora muito nos processos”, disse à Lusa Frederico Pereira, um dos membros do Movimento.
O sindicalista refere que o sector está preocupado com várias questões, como a Lei de Ocupação do Espaço Marítimo.
“A Lei de Ocupação do Espaço Marítimo é uma das preocupações, tal como as reformas da pesca ou as quotas. São várias questões que não estão resolvidas e o sector exige respeito”, afirmou.
A ministra do Mar apresentou um novo pacote de medidas para a aquicultura, que terá uma dotação de quase 80 milhões de euros e que tem como objectivo duplicar a produção nacional até 2020 e reduzir as importações.
“A ministra anunciou este investimento, mas o que nos incomoda é o abandono que o sector das pescas sente”, referiu Frederico Pereira.
Também Jerónimo Rato, membro do movimento, considerou que o sector tem estado a ser “maltratado”.
“Está tudo como estava, ninguém resolve nada. O tempo vai passando e o sector vai ficando asfixiado. Existe uma grande insatisfação e temos que ser ouvidos, senão temos que tomar medidas de força”, concluiu.
Fonte: AYL// ATR Lusa/fim

Mapa dos Mares Algarvios é projecto pioneiro no país.

Pescadores, mestres e armadores algarvios uniram-se ao Centro de Ciências do Mar num projeto inédito em Portugal. Um mapa com as designações populares usadas pelos homens do mar em 500 pontos ao longo da costa

« Se as casas, áreas e aldeamentos têm nomes porque é que o mar, que é a vida de tanta gente, não há de ter nomes? E ruas?», questionou o mestre Júlio Alhinho, 58 anos, membro da comissão de validação do primeiro mapa da toponímia dos mares algarvios, apresentado ao público na Sala de Seminários da Reitoria do Campus de Gambelas da Universidade do Algarve, em Faro.
Com uma carreira que soma 40 anos, Alhinho considerou «este trabalho muito importante até porque sempre achei que o mapa da costa portuguesa estava muito mal sinalizado. Desde que sou pescador só conheci um mapa, sem actualizações. Nunca vi nada deste género».
A iconografia do novo mapa evidencia o jargão dos pescadores e os nomes que gerações de homens do mar deram ao vários locais ao longo da costa algarvia, e também os termos com que se referem à paisagem marinha. Palavras como Rodãos (rocha isolada), Prezuras (áreas onde se prendem as redes), Cabeços (área elevada e saliente em zonas rochosas), Ramos (gorgónias e corais), são exemplos da gíria.
«Isto é mais do que um mapa. É uma mostra da cultura da comunidade piscatória algarvia. Queremos valorizar estas comunidades e os seus conhecimentos», explicou Jorge Gonçalves, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), especialista nas áreas da pesca e conservação da biodiversidade marinha e coordenador do projecto.
Durante um ano, cinco biólogos marinhos em colaboração com centenas de pescadores dedicaram-se à construção e validação deste documento, que «está agora acessível a toda a comunidade».
A recolha de informação envolveu a realização de 207 inquéritos, durante dois meses, de Aljezur a Vila Real de Santo António. Foram percorridos 17 portos e recolhidos cerca de 7000 entradas de nomes que foram depois reduzidos a cerca de 500 designações, agora presentes no mapa. «Foi com a informação destes inquéritos e a validação da comissão composta por oito experientes mestres que conseguimos realizar este primeiro mapa», referiu Gonçalves.
«O mar tal como a terra tem nomes. Os pescadores dão-lhe vida. Aquele azul infinito que se perde de vista tem nomes dados enquanto referência pelos pescadores. E agora pertencem-nos a todos, mas não deixa de ser uma homenagem e testemunho da identidade e das tradições das comunidades piscatórias do Algarve».

Coroa da Azenha até à Pedra Palametas

Quem olhar o novo mapa ficará surpreendido pela imaginação e a criatividade com que os pescadores algarvios baptizaram as várias zonas ao longo da costa algarvia – Mar da Avozinha, Talão da Couve, Pedra das 49, só para citar alguns exemplos.
«Não temos a certeza da origem nos nomes. Alguns podem ter a ver com o tipo de fundos, por exemplo, o Parte e Rasga, supomos que ali não se devem usar redes. Mas há outros como o Corredor da Makro, que era um marco de terra, um enfiamento para terem uma posição. Outros têm a ver com o objecto da pesca como o Mar dos Pargos, ou com os nomes dos pescadores ou dos pesqueiros que descobriram o sítio como Joaquim Tomas ou a Pedra do Gomes. Outros têm a ver com aquilo que os pescadores imaginavam que seria o fundo como o Mar dos Anzóis, entre muitos outros».

Agradecimento aos profissionais da pesca

Durante a apresentação, em Faro, os investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve fizeram questão de deixar um profundo agradecimento a todos os armadores, mestres e pescadores envolvidos no processo bem como à comissão envolvida na validação da toponímia, os «lobos do mar»: Casimiro António, Martins da Conceição, Délio Garrafa, Francisco José Afonso Graça, Hélder Correia, Júlio Alhinho e Joaquim Manuel Dias, Joaquim Manuel Ramos e Jorge Vieira.
Não ficou descartada a hipótese de vir a existir uma «segunda fase» ou «edição» deste mapa, uma vez que são esperados melhoramentos e novas contribuições após a sua divulgação. Para já, o documento está disponível em formato digital em na plataforma online do CCMAR.

Projecto inédito em Portugal

«Apesar de a ideia ser muito simples, não conheço nenhum projeto do género em Portugal ou no estrangeiro. Para mim este mapa é um marco e será muito útil», disse Jorge Gonçalves. O projeto «Pesca Mar» foi solicitado pela Barlapescas, a cooperativa dos armadores de pesca do Barlavento.
«Disseram-nos que precisavam de mapear os bancos de pesca do cerco, porque está a haver um processo de licenciamento de aquacultura nos limpos em mar aberto, isto é, nas areias onde têm os pesqueiros. Precisavam de ter mapas dos bancos de pesca, dos sítios onde pescam para servir de argumento a outras aquaculturas que venham por aí e fazerem valer a palavra do sector. E assim foi», explicou o coordenador do projecto.
O mapeamento resulta assim de um projecto de investigação do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve, designado por «PESCAMAP – Mapeamento dos bancos de pesca algarvios» (2014-2015), financiado pelo Programa Operacional Pesca (PROMAR) através dos grupos de ação costeira (GAC) do Barlavento e Sotavento algarvios.
Fonte: Barlavento

Aos 104 anos, mulher italiana vê o mar pela primeira vez

Maria Bernacchi tem 104 anos e garante que o segredo para a sua longevidade está no trabalho e nos bons amigos que fez ao longo da sua vida.

Apesar de ter mais de 100 anos, Maria ainda tem três desejos por realizar, sendo que um deles foi agora concretizado: ver o mar.
Conta o jornal italiano La Stampa que graças a Liliana, a enfermeira que cuida dela, Maria está de férias num mosteiro em Finale Pia situado numa aldeia litoral da região de Liguria, cuja capital é Génova, no noroeste de Itália.
O sonho tornou-se realidade na última terça-feira quando Maria, acompanhada por elementos do mosteiro e nadadores-salvadores colocou os pés na areia.
“Apercebi-me que quando eu dizia ‘mar’ não tinha noção do que é que estava a falar. Ver o mar foi uma enorme satisfação e uma grande alegria para o meu coração, mas sentir a água nos pés foi maravilhoso”, disse a idosa citada pelo jornal La Stampa.
Inicialmente, o plano era de que a estadia tivesse a duração de oito dias, mas Maria e Liliana decidiram alargar o número dias e, assim, vão passar o resto do mês em Finale Pia.
“Agora que descobri o que é o mar não quero ir embora”, afirmou Maria.
Realizado o sonho de ver o mar, Maria tem ainda dois desejos por cumprir. O primeiro é mudar de casa, pois a idosa vive no terceiro andar de um prédio em Milão que não tem elevador. O segundo é conhecer o Papa Francisco que descreve como sendo o seu Papa “preferido” de todos os que viu liderar a Santa Sé.