Missão Swim Challenge: Nadar por oceanos mais limpos

5ª edição decorre este fim de semana e traz novidades
Tem pulmões para aceitar este desafio? A 5ª edição do Swim Challenge Cascais decorre já este domingo, junto à praia da Duquesa, com as novidades da prova de 3,8km com e sem fato isotérmico e a sensibilização ambiental e das alterações climáticas, um flagelo que atinge a vida marinha e todo o nosso ecossistema, pondo em risco a vida no Planeta.
O programa abre no sábado com a Caminhada dos Oceanos e com uma mensagem ambiental. O Swim Challenge e a Ocean Recovery Alliance dão as mãos por uma causa; nadar na mais bela baía do mundo contra a poluição e por oceanos mais limpos.
Esta Caminhada parte às 10h00 da Praia da Poça, em S. João do Estoril, e termina na Praia da Duquesa, percorrendo os 3km de Paredão Marítimo, onde será feito o alinhamento para um grande mergulho coletivo.
Os caminhantes são desafiados a desfilar mascarados com o tema “Oceano”, existindo no final um concurso que elegerá como vencedoras as 3 máscaras mais originais.
No domingo são várias as provas em que podem participar, de acordo com a idade, experiência e forma física. Provas Milha oficial com regras da FINA, para nadadores federados; provas abertas 3,8km e 1,9km, para todos, permitindo fato isotérmico e Kids 200m e 400m, incluindo prova extra onde é permitido acompanhamento por parte de um adulto.
As provas decorrem num percurso retangular junto da Praia da Duquesa na baía de Cascais. O percurso é cumprido em duas ou mais voltas.
O Swim Challenge organizado pela 3 IRON Sports, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais, Junta de Freguesia Cascais Estoril, Associação de Nadadores dos Estoris e Associação de Natação de Lisboa, tem visto desfilar as grandes estrelas da natação em Portugal, que regressam anualmente como Vasco Gaspar, Mário Bonança, Rafael Gil, e Arseniy Lavrentyev, assim como muitos triatletas de renome como João Silva, Vanessa Pereira, Bruno Pais e Sérgio Marques. Nadadores de todos os cantos do planeta visitam-nos anualmente para participar na maior prova de águas abertas em Portugal.
Cerca de 400 nadadores inscreveram-se pelo site esgotando algumas das provas, no entanto, no sábado é ainda possível participar nas provas, pelo que a organização prevê que o número de atletas aumente.
Espanha lidera as inscrições estrangeiras que representam cerca de 20% do total.
Notas:

Website SwimChallenge: http://www.swim-challenge.com

Navio encontrado no oceano Ártico 168 anos depois

O Terror, barco comandado pelo explorador polar britânico Sir John Franklin, partiu em 1845 para completar a famosa “Passagem do Noroeste”. Só agora apareceu. Deu filmes, livros e até canções.


O HMS Terror, barco comandado pelo explorador polar britânico Sir John Franklin, foi encontrado em óptimas condições, 168 anos depois de se ter afundado junto do Árctico, a região circunscrita pelo Oceano Árctico e o Polo Norte, que se situa a norte do continente americano. Franklin embarcou em 1845 e tinha como objectivo completar a “Passagem do Noroeste”, a viagem que passa na margem mais a norte do continente americano, onde se encontram o oceano Atlântico e o oceano Pacífico.
Na expedição seguiam dois navios, o HMS (Her Majesty Ship) Terror e o HMS Erebus, o navio principal da expedição, encontrado no fundo do mar em 2014.
Franklin liderou a expedição que zarpou no dia 19 de maio de 1845 com 24 oficias e 110 marinheiros de Greenhithe. Todos os que embarcaram na pequena cidade costeira morreram, naquele que foi considerado o “pior desastre da história da Marinha Real Britânica na sua história da exploração polar”, como informa o The Guardian.
A compilação de relatos de vários navios e as cartas enviadas pelos marinheiros permitiram aos investigadores perceber a progressão da expedição. Souberam, por exemplo, que no inverno de 1845 os barcos ficaram em Beechey Island, uma ilha de um arquipélago canadiano.
Depois, em Setembro de 1846, o Terror e o Erebus encalharam no gelo na ilha do Rei William, no arquipélago canadiano árctico. Uma carta deixada na ilha por dois dos oficiais informava que o capitão Franklin tinha morrido a 11 de Junho de 1847. A tripulação decidiu então que ia abandonar a ilha e andar em direcção ao Canadá. Dos que haviam embarcado já mais de vinte tinha morrido. Durante a travessia para o Canadá mais perderam a vida e já em terras canadianas morreriam os últimos tripulantes, a centenas de quilómetros da civilização.
Gravura do HMS Erebus e do HMS Terror. (Illustrated London News/Getty Images)
As procuras pela embarcação e tripulação duraram cerca de onze anos, mas não foram encontradas pistas sobre o paradeiro de nenhum dos navios ou marinheiros e o mistério do paradeiro do HMS Terror manteve-se durante várias décadas. Até que no passado domingo (11 de setembro) uma equipa da Artic Research Foundation navegava num veículo subaquático e encontrou o barco. O veículo terá entrado por uma escotilha e, segundo Adrian Schimnowski, o Director da fundação, terá navegado pelo corredor, captado imagens das cabines e da zona de armazenamento de comida “ainda com pratos nas prateleiras”.
O barco encontrava-se a 96 quilómetros do local onde os especialista supunham que estivesse afundado. Um tubo que existia no motor rudimentar do navio deixa poucas dúvidas de que este seja o Terror, informou Schimnowski ao The Guardian. “O navio parece ter sido tapado para suportar o inverno e depois afundou. Estava tudo fechado. Até as janelas estão intactas. Se se conseguir levantar esse barco da água e retirar a água de lá de dentro, muito provavelmente flutua”, acrescenta o Director da Arctic Research Foundation.
Sir John Franklin e a sua tripulação em retratos de 1845. (Hulton Archive/Getty Images)

A descoberta do Erebus

Já o HMS Erebus foi descoberto a 7 de Setembro de 2014, mais a sul do que o Terror. A descoberta do Erebus foi muito influenciada por uma lenda que circulava na tradição oral inuíte. Segundo a lenda, um grande navio de madeira tinha encalhado no golo da Rainha Maud. Quando os investigadores procuraram na área indicada encontraram de facto o barco, no fundo do mar.
A lenda inuíte contava ainda que um dos membros da ilha tinha encontrado, a bordo, um homem morto com um grande sorriso na cara, um detalhe que os especialistas consideram como indicativo de escorbuto a bordo.
Até hoje já foram recuperados canhões, pratos de cerâmica e outros objectos.
Terá sido também o relato de um membro de uma tribo inuíte que terá ajudado a encontrar o HMS Terror. Sammy Kogvik contou a Schimnowski que numa viagem de pesca com um amigo, em 2010, encontrou um pedaço de madeira que parecia um mastro. Schimnowski decidiu então procurar um barco perdido naquela área, o que acabou por resultar na descoberta histórica.

Influência da expedição falhada

Nos 171 anos que já passaram desde que zarpou a expedição, já foram feitas várias evocações artísticas sobre o sucedido.
Sir John Franklin tem uma estátua em sua honra na cidade natal onde se pode ler “Sir John Franklin – Descobridor da Passagem do Noroeste”, existindo também estátuas do capitão em Londres e na Tasmânia.
A expedição foi também tema de vários trabalhos literários. Ken McGoogan escreveu dois romances sobre o tema: Fatal Passage Lady Franklin’s Revenge. Uma peça de Wilkie Collins escrita com a assistência de Charles Dickens chamada The Frozen Deep decorre também à volta da expedição fatal.
Júlio Verne escreve sobre o Terror e o Erebus em pelo menos dois livros: uma das vezes através do Capitão Nemo no livro Vinte Mil Léguas Submarinas e em Journeys and Adventures of Captain Hatteras. Mark Twain escreveu uma sátira ao destino da expedição no seu conto Some Learned Fables for Good Old Boys and Girls. Joseph Conrad menciona também as duas embarcações na novela Coração das Trevas, o livro que influenciou o filme Apocalypse Now.
Vários documentários tiveram também como tema a viagem de Franklin pela passagem que liga o Atlântico e o Pacífico.
Muitas canções foram também escritas sobre a tragédia, sendo Lamento de Lady Franklin uma das mais famosas.
Fonte: Observador


"Exigimos demasiado dos oceanos" , diz Obama

O Presidente norte-americano, Barack Obama, apelou para uma rápida mobilização internacional em defesa dos oceanos, confrontados com “novas ameaças”, ao anunciar a criação de uma reserva natural no Atlântico para proteger espécies e ecossistemas em risco.
“Exigimos demasiado dos oceanos ao querer que se adaptem a nós. Não podemos verdadeiramente proteger o nosso planeta sem os proteger”, disse Obama.
Apontando, entre outras, as práticas de pesca não sustentáveis, o Presidente insistiu na imperiosa necessidade de tornar os oceanos mais resistentes às alterações climáticas, que modificaram profundamente a vida submarina.
“Os nossos oceanos alimentam-nos, protegem-nos, regulam o nosso clima”, prosseguiu, numa cimeira que reúne cerca de 90 países, cientistas e organizações não-governamentais, intitulada “2016 — Our Ocean Conference”.
Desde que chegou ao poder há quase oito anos, Obama já protegeu mais zonas, em terra e no mar, que qualquer dos seus antecessores, para tal recorrendo à Antiquities Act, uma lei assinada em 1906 por Theodore Roosevelt, fervoroso defensor da proteção dos recursos naturais.
“Os oceanos [têm um papel primordial] para “a nossa economia, a nossa política externa e a nossa segurança nacional, mas também para o que somos”, defendeu o presidente dos Estados Unidos que se prepara, aos 55 anos, para deixar o poder, frisando quanto esta questão é, para ele, pessoal.
“Cresci no Havai, o oceano lá é magnífico. A ideia de que o oceano com o qual cresci não seja uma coisa que eu possa transmitir às minhas filhas e aos meus netos é inaceitável, inimaginável”, observou.
A nova reserva natural hoje anunciada, situada ao largo da costa de Nova Inglaterra, é a primeira criada no Atlântico por um chefe de Estado norte-americano.

Ela estender-se-á por cerca de 12.700 quilómetros quadrados e permitirá, em particular, proteger diversas espécies de baleias e tartarugas do mar, bem como corais de águas profundas, segundo a Casa Branca.

Fonte: Dnoticias

Extinção em massa: nos oceanos o tamanho importa

Os maiores animais marinhos são os que têm maior risco de desaparecerem das águas do planeta. É um padrão de extinção sem precedentes, avisam os cientistas que analisaram o passado de moluscos e vertebrados recuando até há 445 milhões de anos.



Debaixo de água, os maiores animais são os que correm mais perigo de extinção, conclui um estudo publicado esta semana na revista científicaScience. A ameaça, diz uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, vem do homem, mais precisamente, da pesca. O que está a acontecer nos oceanos é muito diferente do que se passou há milhões de anos, constatam os autores do trabalho que relaciona o nível de ameaça com as características ecológicas dos animais.

“Percebemos que a ameaça de extinção nos oceanos modernos está fortemente associada com o tamanho do corpo dos animais”, refere Jonathan Payle, investigador da Universidade de Stanford, na Califórnia, no comunicado sobre o estudo que analisou 2497 espécies marinhas extintas e actuais — de fora ficaram animais com menos de cinco centímetros, difíceis de se encontrar no registo fóssil. “Isto deve-se muito provavelmente ao facto de as pessoas terem agora como alvo espécies maiores para o consumo”, acrescenta, realçando que o desaparecimento destes animais seria devastador para os ecossistemas marinhos.

O motor desta mudança inédita no padrão de extinções no oceano está nas tecnologias que nos levaram de uma pesca limitada a zonas costeiras até aos mares mais profundos, a bordo de embarcações maiores e mais preparadas para a pesca a grande escala. “Quando os humanos entram num novo ecossistema, os maiores animais são os que são mortos primeiro. Os sistemas marinhos foram poupados até agora porque os humanos estiveram restritos a áreas costeias e não tinham a tecnologia para pescar no oceano profundo numa escala industrial”, nota Noel Heim, outro dos autores do artigo.

“A baleia-azul está em perigo de extinção devido à caça da baleia, o atum-do-sul, muito usado no sushi, está em perigo crítico de extinção. O dugongo-de-steller, parente do manatim, foi levado à extinção no século XVIII por causa da caça. Vivia no Norte do oceano Pacífico”, diz Andrew Bush, outro autor do estudo, da Universidade de Connecticut.  

Os cientistas analisaram a associação entre o nível de ameaça de uma espécie e características como o tamanho, em dois grandes grupos de animais marinhos — os moluscos e os vertebrados — nos últimos 500 anos. E compararam esta informação com o registo fóssil marinho desde há 445 milhões de anos, com uma atenção maior para os últimos 66 milhões de anos. O registo fóssil mostra que no passado houve vários momentos de extinção em massa. O último terá ocorrido há 65 milhões de anos, quando os dinossauros foram extintos, após a colisão de um meteoro com a Terra.

Agora, mergulhamos na anunciada “sexta extinção”. E a ameaça não vem do espaço. Investigadores de várias áreas concordam que o responsável pela limpeza de espécies — que ocorre a um ritmo assustador — é, desta vez, o homem. Mas a época em que vivemos é única, comparando com as extinções em massa que ocorreram no passado, pelo impacto que está a ter nas maiores criaturas marinhas, revela este estudo.

Nos continentes o padrão tem sido igual. “As extinções passadas, de origem humana, afectaram principalmente organismos grandes, estamos a falar da extinção da megafauna, principalmente mamíferos e aves, que ocorreu há alguns milhares de anos e que levou à extinção de 70 a 80% dos animais com mais de 35 quilos, os moas, os mamutes, os grandes rinocerontes, por exemplo”, explica Miguel Araújo, professor na Universidade de Évora e investigador na Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva.

“Usámos registos fósseis para mostrar, de uma forma convincente e concreta, que o que está a acontecer no oceano moderno é realmente diferente do que aconteceu no passado”, afirma Noel Heim. Os investigadores concluíram que animais com uma massa corporal dez vezes maior, têm 13 vezes mais hipóteses de serem extintos. Quanto maior, pior. Os cálculos e cenários propostos pelos investigadores levam a crer que os efeitos da sexta extinção podem ultrapassar, em número de espécies e ritmo, o que aconteceu há 65 milhões de anos.

“Desde o princípio dos anos 2000 que houve contribuições importantes em revistas como a Science e a Nature, que descrevem o efeito do que se chama ‘fishing down the food web’ o que quer dizer que estamos a pescar no sentido decrescente da cadeia trófica. Pescávamos os grandes predadores, vamos passar aos intermédios e, qualquer dia, estamos aí a apanhar alforrecas”, refere Henrique Cabral director do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Um dos autores citados pelo investigador português é Daniel Pauly, um biólogo marinho francês da Universidade de British Columbia, no Canadá, que tem publicado vários artigos que mostram como os resultados da pesca intensiva e o impacto no ambiente marinho são muito maiores do que se pensava. Fora do radar das estatísticas oficiais, denuncia Daniel Pauly, faz-se uma pesca intensiva sem limites ou remorsos que está a destruir muitas espécies.

Fenómeno complexo

Assim, os resultados do novo estudo não surpreendem Henrique Cabral, que é especialista em ecologia marinha. “Os peixes de maiores dimensões, como é o caso dos atuns e de alguns tubarões, há muito que estão ameaçados. Já para não falar dos mamíferos marinhos que em grande parte dos oceanos não são pescados mas também são muito afectados porque as suas presas são alvo de pesca”, diz, sublinhando que os organismos que estão no topo das cadeias tróficas têm uma capacidade de reprodução bastante limitada. E exemplifica: “Um tubarão pode ter apenas uma, duas, três crias por geração. Sendo que alguns tubarões só conseguem reproduzir uma vez porque demoram bastante tempo a atingir a maturidade sexual, eles têm de viver 40 anos para chegar pela primeira vez a um evento reprodutivo. E com a pressão da pesca, a alteração dos ambientes marinhos e a poluição, começa a ser difícil”.

Infelizmente, a pesca não é a única mas apenas uma das ameaças, defende o cientista: “É muito difícil distinguir o efeito isolado de pressões. Não conseguimos saber o efeito da pesca só, e o efeito das alterações climáticas, e o da poluição. Eles aparecem todos juntos. Na nossa costa temos todos esses factores. O que se diz muitas vezes em artigos talvez um bocado apocalípticos é que estas sinergias de efeitos negativos poderão levar à extinção de algumas espécies”. Um apocalipse que, aliás, pode acontecer em breve. “Nos artigos que se publicavam sobre estes assuntos há duas ou três décadas nem se falava em prazos. Dizia-se apenas ‘atenção, estas espécies estão a diminuir’. Agora, há artigos que tentam projectar isso no tempo e que nos falam de desaparecimento e extinção em décadas, poucas décadas”.

Para Douglas McCauley, outro dos autores do estudo, as alterações climáticas poderão tornar-se no maior problemas de todos. “Se não fizermos nada em relação às alterações climáticas o fim desta história das extinções pode ser um pouco diferente. As alterações climáticas podem até tornar-se no maior responsável das extinções”, disse o investigador, da Universidade da Califórnia.

Possivelmente temos andado pouco atentos ao que se passa debaixo de água, concentrando as atenções no que temos em terra firme, mais próximo de nós. “Durante décadas ou séculos houve uma ideia de que o oceano é gigantesco e é impossível o homem ir a todos os lados no oceano e, por isso, ele estava a salvo. O que hoje temos cada vez mais evidência é que não é assim. Alguns ecossistemas são únicos, bastante limitados e frágeis. Uma pequena alteração, mesmo que seja remota, desse ambiente devido ao homem pode ter efeitos significativos, que começam agora a estar documentados e que desconhecíamos”, diz Henrique Cabral. Miguel Araújo acredita na “resiliência do sistema oceano”. Mas até a um certo ponto: “Quando se dão mudanças neste sistema, elas são bruscas e têm repercussões em todo o sistema terrestre e planetário.”

A real percepção do que está a acontecer nos oceanos está a vir ao de cima. Mas, falta a incontornável questão: ainda vamos a tempo de mudar alguma coisa? Jonathan Payne responde que sim. “Não podemos fazer muito para reverter as tendências do aquecimento dos oceanos e da acidificação, que são duas ameaças reais que têm de ser encaradas. Mas podemos mudar as ameaças relacionadas com a forma como caçamos e pescamos. As populações de peixes têm a capacidade de recuperar muito mais rapidamente que a química dos oceanos ou do clima. Com decisões de gestão apropriadas ao nível nacional e internacional, podemos dar a volta a isto relativamente rápido”. 

Autora: Andrea Cunha Freitas
Fonte: Público


José Luís Cacho vai liderar portos de Sines e Algarve

João Soares Franco, administrador público mais antigo em funções, despede-se com duas realidades díspares: Sines a superar estimativas e os portos de Faro e Portimão em dificuldades.


O Governo prepara-se para substituir os actuais membros da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS). O novo presidente será José Luís Cacho, que foi presidente do porto de Aveiro e do porto da Figueira da Foz até Março de 2015. O nome do novo gestor já foi enviado para análise da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública e a decisão também foi comunicada ao actual presidente do conselho de administração, João Soares Franco.

 “A senhora ministra informou-me, na sexta-feira passada, que iria haver alteração da composição da administração”, disse nesta terça-feira João Soares Franco, num encontro com jornalistas, em que acrescentou deixar a empresa com “enorme solidez financeira” e “excelente relação com todos os concessionários”.

Segundo o responsável, “os negócios estão a correr muitíssimo bem”, o porto de Sines tem “um volume de negócios de 45 milhões de euros, um resultado líquido, no final deste ano, de 18 milhões e quase 40 milhões em caixa”, tendo atingido uma quota de mercado em Portugal superior a 55% e uma “clara implantação internacional”, além de ser uma referência “em termos tecnológicos”.

Em 2016, o porto de Sines vai atingir perto de 48,4 milhões de toneladas de carga movimentada, superando as estimativas iniciais, que eram de 45,5 milhões (atingidas já este mês de Setembro, até dia 12). Com este resultado, o porto alentejano, de acordo com a APS, afirma-se como terceiro maior da Península Ibérica em carga movimentada, atrás dos portos de Algeciras e Valencia e à frente de Barcelona.

O movimento em Sines cresceu este ano também em número de navios (13,9%), para um total de 2284 até ao momento, além de que “a dimensão dos navios também está a aumentar”. João Soares Franco concluiu que “há boas razões para pensar que Sines tem um futuro risonho pela frente”, embora existam questões pendentes de decisão política, sobretudo a expansão do terminal de contentores, concessionado à PSA até 2029.

A empresa de Singapura está disponível para pagar 140 milhões dos custos de alargamento do terminal e do respectivo equipamento, como novos pórticos, mas o Estado português terá de pagar a construção do molhe de protecção – uma obra de 60 milhões de euros – e aceitar o alargamento do prazo de concessão à PSA por mais entre 10 e 20 anos, dependendo das negociações.

A alternativa a esta opção é a concessão do novo terminal de contentores a uma segunda empresa.

Portos do Algarve em dificuldades

No caso dos portos do Algarve, que representam 0,5% do volume de negócios da APS e que empregam cerca de 30 trabalhadores, o ainda presidente revela que enfrentam uma situação difícil, apesar dos investimentos feitos nos últimos anos.

“Faro não é negócio” disse João Soares Franco, explicando que o porto de carga desta cidade algarvia está dependente da actividade da cimenteira de Loulé, uma unidade industrial que tem vindo a enfrentar dificuldades e redução de produção. O administrador afirma que “é preciso arranjar uma solução se a cimenteira falhar” e aponta a reparação naval, a recolha de barcos e o uso para barcos de recreio como eventuais alternativas para evitar o encerramento do porto de Faro no futuro.

Para o porto de Portimão, vocacionado para navios de cruzeiro, João Soares Franco diz que são necessárias também decisões politicas. “Coloca-se a questão de saber que investimento fazer, já que os navios de cruzeiro também estão a aumentar de dimensão”. A APS está, por isso, a preparar opções de investimento, entre 12 a 35 milhões de euros, para apresentar ao Governo em 2017. O responsável avisa, no entanto, que, além de implicações ambientais, a ampliação do porto de Portimão terá pouca viabilidade económica. “O negócio de cruzeiros nunca pagará o investimento, mesmo na opção mais reduzida”.

Fonte: Público


Navio de Vasco da Gama pode ter sido encontrado em Omã.

Os destroços de um navio encontrados em 1998 junto à costa de Omã pode pertencer a “Esmeralda”, o navio que Vasco da Gama usou na segunda viagem à Índia. O estudo foi publicado na passada sexta-feira.


Partes do navio que Vasco da Gama utilizou durante os Descobrimentos portugueses do século XVI podem ter sido descobertos ao largo da costa de Omã. Novos dados sobre as buscas estão a ser avançadas esta sexta-feira num estudo publicado esta sexta-feira no “Journal of Nautical Archaeology“. Essas porções do navio foram encontrados em 1998 junto à ilha de Al Hallaniyah, no mar Arábico, mas as escavações arqueológicas feitas no local permitiram obter mais pormenores sobre a infraestrutura.
Tudo indica que este pode ser o navio Esmeralda, que o explorador português utilizou na sua segunda viagem marítima para a Índia. Esse navio pode ter sido destruído durante uma tempestade no século XVI. De acordo com as informações dispostas no estudo, “a baía onde o navio foi encontrado tem uma concordância geográfica quase perfeita para onde se supõe que os navio Esmeralda e São Pedro afundaram”.
Depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498, os portugueses começaram a aventurar-se anualmente até àquele país asíatico. Era uma das viagens mais perigosas e mortíferas para os marinheiros: estima-se que, entre 1498 e 1650, morreram 219 portugueses naquela que era chamada a Carreira da Índia. No entanto, pouco se sabia sobre os navios: nunca foram encontradas muitas carcaças dos navios afundados nesta época, provavelmente por terem sido saqueados. Além disso, há um grande espaço em branco nos relatórios dos arqueólogos: sabe-se muito pouco sobre o que aconteceu entre a data da primeira viagem à Índia até 1552, ano em que o navio São João se destruiu no mar.

Pôr a História em pratos limpos

D. Manuel I tinha muito respeito por Vasco da Gama. As missões de Pedro Álvares Cabral, que tinha ao seu comando treze navios, não tinham satisfeito o rei: é que só seis dessas embarcações conseguiram chegar à costa de Malabar entre 1500 e 1501. Mas Vasco da Gama tinha encontrado uma fonte de riqueza na Índia que viria a ser útil a Portugal, por isso o rei podia garantir assim que ficaria na História como um líder de prestígio e ambição. Era algo que parecia longe de acontecer e a religião era parte do problema: quando Álvares Cabral chegou à costa de Malabar, depois de um grande investimento real no oceano Índico, os caminhos das especiarias eram controlados pelos soldados egípcios, com quem o explorador português não manteve amizades.
Aos olhos do rei, Vasco da Gama era um homem mais ponderado. Por isso, apostou na criação de uma frota de vinte navios, cinco deles postos na mão de homens da confiança do navegador. Foi a maior frota do Caminho das Índias alguma vez constituída. Além de Vicente Sodré e de Brás Sodré, seus tios, foram chamados Estêvão da Gama (primo), Álvaro de Ataíde (cunhado) e Lopo Mendes de Vasconcelos (futuro cunhado).
De todos eles, Vicente Sodré era o protagonista: era ele quem deveria substituir Vasco da Gama caso este morresse na viagem, uma ordem dada pelo rei quando este decidiu reagir à agressividade asiática com uma resposta militar. D. Manuel I chamou Vicente (um cavaleiro da Ordem de Cristo) e deu-lhe o comando do esquadrão de cinco navios da família Gama, que funcionava quase independentemente das outras quinze embarcações. O objetivo: iniciar uma guerra contra os navios de Meca na costa de Malabar e à entrada do rio Vermelho para conseguir o controlo forçado dos caminhos das especiarias. Os cinco navios iam carregados de armas.
Vasco da Gama voltou a Lisboa, mas Vicente Sodré continuou a patrulhar o sudoeste da costa indiana para manter as fábricas portuguesas em segurança. Mas o navegador ignorou as ordens de D. Manuel I e decidiu levar o esquadrão, a bordo do Esmeralda, para o Golfo de Áden para assaltar os navios da Arábia. Conseguiu-o com a ajuda do irmão, a bordo do São Pedro, que incendiou os navios inimigos matando todos a bordo. Mas só depois de os saquear e ficar com tudo: roupa, açúcar, pimenta, arroz, entre outros bens.
Claro que os navios portugueses não ficaram intactos. Em busca de um local onde os pudessem arranjar, os irmãos Sodré levaram o esquadrão para a ilha Al Hallaniyah, a única ilha habitada na costa de Omã. Ficaram várias semanas por lá, acabando por manter amizade com os locais. Um dia, os habitantes da ilha avisaram os irmãos Sodré de que uma tempestade estava prestes a chegar àquela costa e que os navios não sobreviveram à violência do fenómeno, a não ser que fossem levados para o sotavento da ilha. Vicente e Brás Sodré mantiveram os dois navios principais, Esmeralda e São Pedro, na mesma costa, confiantes de que as âncoras eram fortes o suficiente para os proteger.
Não foi o que aconteceu. Os dois navios foram completamente destruídos pelo vento, pelas correntes marítimas e pelas rochas. Julga-se que nenhum homem a bordo do navio Esmeralda sobreviveu e que Vicente Sodré morreu durante a tempestade. Quando o tempo acalmou, os sobreviventes enterraram os seus corpos. Ao fim de seis dias, Pêro de Ataíde, um dos navegadores, tomou comando dos navios e viajou até à Índia para se encontrar com Francisco D’Albuquerque. Antes de morrer, já de regresso a Portugal e a passar ao lado de Moçambique, Pêro de Ataíde escreveu uma carta a D. Manuel I contando toda esta odisseia, que pode ser vista no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
Fonte: Observador

Transporte de contentores tem 1,7 milhões de TEU a mais

A sobrecapacidade de oferta no mercado de transporte marítimo de contentores atinge os 8,1% da frota mundial, medida em TEU, de acordo com a consultora norueguesa Xeneta.

Tendo em conta que, segundo a Alphaliner, a capacidade da frota mundial é de 20 719 986 TEU (dados de 7 de Setembro), o sector terá cerca de 1,7 milhões de TEU em excesso.
Da consultora lembram que só no ano passado entraram no mercado mais de duas centenas de navios, agravando o desequilíbrio entre a oferta e a procura.
A sobrecapacidade, aliada à descida da procura, é uma das causas para a crise por que passa o sector, de acordo com os especialistas.”É demasiado espaço para tão pouca procura”, salientam desde a Xeneta, que apontam a fragilidade da economia europeia e a descida do comércio entre a Ásia e os Estados Unidos como principais causas para o arrefecimento da procura. Com consequências no nível dos fretes e, logo, na facturação das companhias.
A resposta dos operadores a este cenário parece passar por mais fusões e aquisições e por mais anulações de rotações, mas isso não será suficiente para resolver o problema de fundo no futuro próximo, segundo os analistas. Aliás, avisam, os recentes aumentos dos preços dos fretes em alguns tráfegos apenas disfarçam a crise.
Os especialistas avisam que é necessária, também, uma mudança de mentalidade da parte dos operadores que, para assegurar volumes, assinaram contratos de longo prazo a preços muito baixos com os carregadores. “Os operadores começam a renegociar as tarifas para não voltarem a ficar presos”, indica a Xeneta.
Fonte: T e N

Exportações diminuem 4,6% em Julho

Os dados do INE, divulgados esta sexta-feira, mostram que as exportações nacionais caíram 4,6% e as importações 7,2% durante o mês de Julho, quando comparadas com o mesmo mês de 2015. Os dados mostram ainda que os as exportações para países fora da UE foram as que mais contribuíram para a redução global verificada. 

Assim, as exportações diminuíram 39,9% para Angola, 22,6% para os Estados Unidos e 29,6% para a China. Já as nas importações, Espanha foi o país que mais contribuiu para a redução global, com uma variação homóloga de -5,7%, sendo de salientar ainda as quedas de Angola (-54,7%) e dos Estados Unidos (-23,4%).

No conjunto de importações e exportações, o défice da balança comercial de bens diminuiu 174 milhões de euros para os 557 milhões de euros. Excluindo os combustíveis e lubrificantes, reduziu-se em 13 milhões de euros, situando-se nos 353 milhões de euros.

Já no trimestre terminado em Julho de 2016, as exportações de bens caíram 2,3% e as importações de bens diminuíram 3,9%, em termos homólogos (respectivamente -1,5% e -3,4% no segundo trimestre de 2016).

O INE lembra que desde meados de 2015, as exportações e importações, excluindo os combustíveis e lubrificantes, “têm registado taxas de variação superiores às da totalidade das exportações e importações”, diferencial de evolução que “reflecte em larga medida o impacto da redução dos preços dos combustíveis e lubrificantes”.

O INE disponibilizou também os resultados provisórios de 2015, sendo que os definitivos serão conhecidos em maio de 2017. Os resultados provisórios do comércio internacional face aos definitivos de 2014 mostram que as exportações terão subido 3,7%, assim como as importações terão aumentado 2,2%.

Mónaco vai crescer sobre o Mar

O Mónaco, que nos últimos 150 anos conquistou 40 hectares ao mar, está agora em vias de ganhar outros seis. Em causa está o projecto de construção do bairro de Le Portier, no valor de dois mil milhões de euros, que visa acolher o cada vez maior número de residentes no principado. Por ano chegam 600 novas pessoas para viver ali.
O projecto, apoiado pelo Governo do Mónaco, será no entanto financiado totalmente por construtores privados, que esperam recuperar o investimento através da venda de 60 mil metros quadrados em imóveis de luxo. Um dos arquitectos envolvidos é Renzo Piano, sendo responsável pelo edifício à entrada da nova marina.

E como é possível construir no mar?

As obras deverão arrancar até ao final de 2016 e estar concluídas até 2020. A primeira fase, tal como conta o Euronews, consiste em deslocar as espécies marinhas protegidas para reservas naturais, sendo que a área de construção será isolada por uma barreira protectora, para minimizar o impacto da empreitada no ecossistema.
O leito rochoso, indica ainda, será limpo para acolher os taludes onde repousam blocos de betão armado que contêm a extensão. O paredão será estruturado de forma a reocupar o local com vida marinha. No interior do muro de protecção, será colocada areia para sustentar a península artificial. Concluída essa etapa, poderá começar o processo de urbanização do bairro, onde o mar vai garantir 40% das necessidades energéticas.
“Não há muitos países no mundo que possam alargar o seu território sem provocar uma guerra. O Mónaco necessita de uma nova extensão porque está limitado a uma área de dois quilómetros quadrados. As construções subterrâneas e em altura não são suficientes para dar uma resposta à necessidade de alojamento das pessoas que vêm instalar-se aqui”, declara Michel Roger, ministro de Estado do Mónaco.
Fonte: Idealista

Água do mar a 26º C aproxima tubarões das praias

Subida
da temperatura da água está a atrair mais tubarões à costa. Mas
não são um grande perigo: só procuram peixes e plâncton

Que
a costa portuguesa é abastada de tubarões já não é propriamente
novidade. Serão mais de 30 as espécies que “moram” lá
para alto-mar, a um mínimo de dez quilómetros dos areais. Mas este
verão aconteceu algo invulgar. A temperatura da água subiu para
valores recordes, a rondar os 25 a 26 graus, tendo atraído o mais
famoso dos predadores – que até Spielberg celebrizou no cinema –
para próximo das praias. Mas não há razão para medo. Os
especialistas garantem que os tubarões que por cá temos só andam
atrás de novos cardumes e não representam perigo para os humanos. É
que chegaram peixes invulgares por estas paragens, que este ano se
deixaram convencer pela água quente. Quando arrefecer voltarão ao
Mediterrâneo.
O
avistamento de um tubarão-martelo de 2,5 metros, filmado esta semana
por um grupo de pescadores na zona da Comporta, ao largo de Setúbal,
é um dos mais curiosos, enquanto dois pescadores foram mordidos. Um
ao largo de Peniche, tendo sido resgatado de urgência pela Marinha
na quarta-feira, e um outro camarada também sofreu uma dentada a 26
de 
Julho ao largo da Póvoa de Varzim. Ambos estariam a manusear o
peixe preso nas redes. Mas há mais testemunhos de quem também foi
surpreendido por tubarão-frade ou tintureira, conhecido por
tubarão-azul, o mais comum em Portugal.

Que
o diga Paulo Martins, pescador da Costa de Caparica, cujas redes de
arte xávega têm trazido tintureiras como nunca. “Têm meio
metro e é preciso ter cuidado quando as estamos a manusear, porque
podem morder para tentarem fugir”, revela, recorrendo à
experiência de anos para garantir que as águas mais quentes estão
a trazer novas espécies e a afastar outras.
“A
sardinha e o carapau quase não existiram este verão”, diz,
revelando que há dias apanhou um lírio com 24 quilos que vendeu em
lota por 180 euros, depois de estar tentado a devolver o exemplar ao
mar antes de conhecer o seu valor. Desconfia que terá sido o
primeiro pescador da zona a capturar esta espécie mais comum nos
Açores. “Mas ainda agora fiz nova captura e apanhei seis
palmetas, o que também era raro”, insiste.
É
no encalço das novas espécies que os tubarões se aproximam das
praias, como confirma o diretor do Departamento de Educação do
Zoomarine, João Neves. “É um fenómeno igual ao dos golfinhos
que também têm registado mais avistamentos nas praias, porque andam
à procura de outros peixes junto à costa”, compara,
acrescentando que o risco para os banhistas é “zero”.
Recorre
às estatísticas para assegurar que Portugal não tem registos
objetivos de ataques de tubarão, admitindo que algum animal possa
morder um pescador no momento em que está a ser “manipulado”,
considerando que isso é apenas o instinto de sobrevivência para
tentar escapar. “Nós não somos comida para eles e até fogem
quando nos veem”, insiste o especialista, admitindo que se o
aquecimento global elevar a temperatura da água do mar para valores
próximos aos deste ano é possível que os tubarões apareçam com
mais frequência. “Uns alimentam-se no fundo e outros mais à
superfície. Talvez o tubarão-frade, que não tem dentes e come
plâncton, passe a ser mais visto”, diz.
Nuno
Moreira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA),
confirma que as temperaturas este verão andaram acima do normal e
que as várias situações de levante no Algarve aqueceram o mar como
não havia memória, elevando a temperatura da água até às zonas
da Comporta e de Troia. “Não tivemos o arrefecimento típico de
verão com a chamada nortada.”

Fonte: DN