Mar 2020 com 50% de execução até março

O programa Mar 2020 atingiu 50% de execução no final de março, contando com mais de 5.574 projectos aprovados, com 695,7 milhões de euros de investimento, foi anunciado.

“O programa Mar 2020 dispõe de 392,5 milhões de euros de Fundo Europeu de Assuntos Marítimos e das Pescas para serem executados até 31 de dezembro de 2023, estando, em finais de março, 50% deste montante já executado pelos beneficiários”, lê-se numa nota divulgada por este programa operacional.

Por prioridade de investimento, as que apresentam maior dinamismo são as dedicadas a “promover a comercialização e transformação dos produtos da pesca e aquicultura” e a “promover uma pesca ambientalmente sustentável, eficiente em termos de recursos, inovadora, competitiva e baseada no conhecimento” com, respetivamente, 67% e 57% da dotação programada executada.

Por sua vez, 60% do apoio público aprovado já foi pago.

No total, já foram aprovados 5.574 projectos com 695,7 milhões de euros de investimento global.

De janeiro a março, o Mar 2020 contabilizou 21,8 milhões de euros de investimento realizado, mais 2,6 milhões de euros do que no mesmo período de 2020.

O programa operacional Mar 2020, que se insere no Portugal 2020, tem como objectivo a implementação das medidas de apoio enquadradas no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), estando entre as suas prioridades a promoção da competitividade e a sustentabilidade económica, social e ambiental, bem como o aumento da coesão territorial.

Este programa tem uma dotação global de 508 milhões de euros, dos quais 116 milhões de euros correspondem à contrapartida pública nacional, que tem origem no Orçamento do Estado.

Conforme estipulado pela Comissão Europeia, o Portugal 2020 está sujeito à regra n+3, o que significa que, apesar de o prazo de vigência dos programas ser apenas até ao final de 2020, o orçamento pode ser executado até três anos depois.

Costa anuncia 252 milhões do PRR para investigação e Economia do Mar

 

O Primeiro-ministro anunciou esta segunda-feira que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vai ter uma verba de 252 milhões de euros autonomizada para financiar investimentos na investigação, na economia do mar e na segurança pesqueira.

Além dos 252 milhões de euros no âmbito do PRR, no que diz respeito especificamente ao sector do mar, António Costa referiu que a essa verba se juntarão ainda cerca de 300 milhões de euros provenientes do próximo Quadro Financeiro Plurianual, o “Portugal 2030”, bem como fundos da ciência directamente geridos pela União Europeia e aos quais as empresas e instituições portuguesas terão de concorrer.

António Costa anunciou estes investimentos no final de uma visita ao navio científico Mário Ruivo, no Alfeite, em Almada, em que também estiveram presentes os ministros da Defesa, João Gomes Cravinho, e do Mar, Ricardo Serrão Santos.

“No âmbito da discussão pública do PRR, o Governo tomou a decisão de autonomizar um capítulo próprio dedicado ao mar que mobilizará 252 milhões de euros, dos quais 30 milhões de euros alocados a uma iniciativa da Região Autónoma dos Açores e 222 milhões dedicados ao conjunto do país para o financiamento de atividades diversas”, declarou o primeiro-ministro.

O Desenvolvimento do “Cluster do Mar dos Açores”, que tinha previstos 32 milhões de euros na versão do PRR colocada a consulta pública, apontava para investimentos em “infraestruturas físicas fixas e móveis (Tecnopolo MARTEC), no âmbito da investigação das ciências do mar e sua articulação com o sector económico”. E como as “infraestruturas fixas disponíveis” sobretudo na ilha do Faial, estão “impróprias, sem capacidade física ou tecnológica adequada para a investigação em áreas emergentes” foi “identificado como investimento fundamental a criação de um centro experimental de investigação e desenvolvimento ligado ao Mar, partilhável com as instituições do Sistema Científico e Tecnológico dos Açores e as empresas, indutor de I&D em áreas tradicionais e emergentes”, pode ler-se no documento.

Segundo António Costa, serão financiadas actividades ligadas à investigação, à incubadora de empresas associadas à economia azul e à melhoria das condições de segurança da pesca. “Este programa será bastante abrangente e vai complementar outros recursos, porque o conjunto do PRR é acessível as actividades dedicadas ao mar, seja na área do combate às alterações climáticas, seja no domínio da transição digital ou da resiliência”, justificou. No documento, os investimentos na economia azul estavam inserido no domínio das agendas/ alianças verdes que pretende “reforçar a importância do crescimento verde e da inovação” que tinha uma dotação do PRR 372 milhões de euros.

Ainda em matéria de investimentos, o líder do executivo frisou ainda que o Quadro Financeiro Plurianual do Portugal 2030 é também acessível às acções do mar.

Ervas marinhas podem ser boas aliadas contra a acidificação do oceano

 

As alterações climáticas estão a ter grande impacto nos oceanos, inclusive no seu pH. Com grandes toneladas de dióxido de carbono (CO2) a serem emitidas para a atmosfera, que por sua vez são absorvidas pelos oceanos, os oceanos começaram a acidificar rapidamente.

Um novo estudo da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, concluiu que as ervas marinhas podem ser grandes aliadas no combate a este fenómeno. Além de contribuírem para a redução da acidificação, estes seres vivos “trabalham” tanto de dia, como de noite.

Para chegar a estes dados os cientistas colocaram sensores entre 2014 e 2019 em sete prados de ervas marinhas em vários locais na Califórnia, nomeadamente, Newport Bay, Mission Bay, Bodega Harbor, Tomales Bay e Elkhorn Slough.

Os dados apontaram para uma variação consoante a localidade e a época do ano, sendo a primavera a altura mais produtiva, mas verificou-se uma redução da acidez até 30%.

“O que é chocante para todos que observaram este resultado é que vemos os efeitos de melhoria durante a noite e durante o dia, mesmo quando não há fotossíntese. Vemos também períodos de pH alto a durar mais de 24 horas e às vezes mais do que semanas, o que é muito emocionante”, afirma Aurora M. Ricart, autora do estudo.

Além desta mudança positiva, os investigadores também verificaram uma grande abundância e diversidade de espécies e organismos. A investigadora compara estes ecossistemas a uma floresta, mas uma floresta marinha e sem árvores; “A escala da floresta é menor, mas toda a biodiversidade e vida que existe naquela floresta é comparável ao que temos nas florestas terrestres.”

Melissa Ward, uma das autoras do estudo, conclui “Já sabíamos que as ervas marinhas são valiosas por muitos motivos – desde a mitigação das alterações climáticas ao controlo da erosão e ao habitat da vida selvagem. Este estudo mostra mais uma razão pela qual sua conservação é tão importante. Agora temos uma evidência para dizer que a directriz do Estado para explorar estas ideias para melhorar a acidificação dos oceanos é uma linha valiosa a seguir e merece mais trabalho”.

Covid-19: estudo analisa impacto do 'momento único de silêncio' nos oceanos provocado pela pandemia

 

A pandemia diminuiu o ritmo frenético da vida humana não apenas em terra.

Os confinamentos e as restrições de deslocamento reduziram o tráfego de navios de carga a uma escala à qual seria “impossível” chegar de outra maneira, como explica Peter Tyack, professor da Universidade de St. Andrews, na Escócia.

Ele é um dos investigadores envolvidos numa grande experiência batizada de “o ano dos oceanos silenciosos”.

Oceanógrafos de todas as regiões do planeta uniram-se para estudar o impacto do “momento único de silêncio” sobre as espécies marinhas.

O objectivo é investigar a acústica oceânica antes, durante e depois da pandemia.

Para isso, eles identificaram 200 hidrofones — sensores da acústica subaquática — entre aqueles que já estão distribuídos pelo mundo, usados em outras pesquisas.

“A ideia é usá-los para medir as diferenças no ruído e como elas afectam a vida marinha — como o canto das baleias ou os sons emitidos por cardumes”, afirma Tyack.

“Assim como os habitantes de cidades podem ter percebido que, com a redução da circulação de veículos e da actividade humana, é possível ouvir mais o canto dos pássaros ou até ver os animais nos seus habitats naturais, nós precisamos de instrumentos para monitorizar esse efeito equivalente nos oceanos.”

O propósito não é apenas verificar o efeito breve da pandemia sobre a acústica dos oceanos, mas aproveitar a oportunidade para avaliar como décadas de escalada na poluição sonora impactou o ecossistema marinho.

Combinado com outros métodos, como o monitoramento de animais com sensores, os investigadores esperam que o estudo revele até que ponto o ruído nos “mares do Antropoceno” afecta a vida nas profundezas.

“A poluição e a mudança climática tiveram um impacto enorme nos oceanos do planeta — mas a questão do barulho é que é relativamente fácil diminuir o volume”, ressalta o professor.

O pulso do oceano

Jennifer Miksis-Olds, especialista em acústica oceânica da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, acrescenta que o volume de informações recolhido no “ano dos oceanos silenciosos” vai permitir análises que vão muito além da poluição sonora.

“Um dos meus objectivos é construir um mapa da acústica oceânica, no qual se poderia identificar o som das rotas dos navios, ver os padrões migratórios das baleias — a partir de seu canto — e até entender melhor a mudança climática a partir das alterações nos sons produzidos pelos icebergs que estão a romper-se.”

Ouvir o oceano,afirma, pode ajudar a encontrar um ponto de equilíbrio entre a actividade humana e os processos naturais dos oceanos.

As evidências científicas apontam que, ao longo de décadas, o ruído produzido pelo homem vem se sobrepondo cada vez mais ao som marinho natural. De acordo com uma importante estudo de revisão publicado recentemente na revista Science, actividades como navegação, construção, actividade militar e pesquisas submarinas nas áreas de petróleo e gás estão “abafando” a acústica natural do oceano.

Os impactos manifestaram-se em alguns episódios dramáticos, como os encalhes em massa de algumas espécies de baleias, relacionados por alguns estudos aos sonares usados por navios.

“Mas mesmo as larvas dos peixes usam o som dos recifes de coral para escolherem o melhor local para se estabelecer”, destaca Tyack.

“Como primatas, nós, humanos, estamos acostumados com a visão como nosso sentido de distância — é como sabemos onde estamos no mundo. Se já praticou mergulho com snorkel, entretanto, sabe que só consegue ver alguns metros à frente, mas pode ouvir coisas a quilómetros de distância — até mesmo a centenas de quilómetros de distância.”

“A vida marinha desenvolveu mecanismos incríveis para usar esse recurso para entender onde está no ambiente, encontrar presas e se comunicar.”

“Precisamos então mudar a nossa mentalidade — parar de perguntar quanto mais de barulho podemos adicionar ao oceano e passar a buscar meios de reduzi-lo e consertar os danos.”

Canal do Suez inutilizado

 

Nos tempos que correm, talvez por causa do Suez, os navios de transporte passaram a ser gigantes, com medidas estratosféricas, já fora do pensamento humano normal. Primeiro foram os petroleiros (que, em desastres cada vez maiores, provocavam gravíssimos problemas ambientais).

O Canal do Suez esteve vários dias inutilizado, porque um enorme navio de carga de Taiwan, o Ever Given (porta-contentores), encalhou de lado, ocupando toda a passagem do Canal – entre 3º-feira da semana anterior e a noite de domingo para 2ª-feira da semana passada, embora a normalização do tráfego demorasse mais. Esperavam para passar 300 navios dos 2 lados, fora uns tantos com mais poder de andamento, que optaram por outra rota (a seguir havia a utilizada pelo Cabo da Boa Esperança, contornando a África toda).

Nos tempos que correm, talvez por causa do Suez, os navios de transporte passaram a ser gigantes, com medidas estratosféricas, já fora do pensamento humano normal. Primeiro foram os petroleiros (que, em desastres cada vez maiores, provocavam gravíssimos problemas ambientais).

Depois, estes porta-contentores enormes. Tornam tudo mais barato? Talvez. Até que vem um desastre enorme, como este, com consequências económicas enormes.

Os supercontentores apareceram como um dos principais veículos da globalização, depois de um bloqueio maior do Suez (cerca de 8 anos, por volta da década de 60 do século passado, 1960). Os superpetroleiros também a serviam muito bem. Resta saber se tudo continuará na mesma, ou se mesmo reconhecendo a globalização como parte da evolução da História, é melhor entrarmos rapidamente numa era pós-globalização, em que a Sociedade abdica destes gigantes perigosos e de dimensões pouco humanas.

Autor: Pedro d’Anunciação – No Jornal Sol

Nas profundezas do Mar Negro, a última Idade do Gelo ainda não acabou

 

Algumas das partes mais profundas do Mar Negro ainda estão a responder às mudanças climáticas provocadas pela última Idade do Gelo, que terminou oficialmente há quase 12 mil anos.

Durante uma expedição de seis semanas com o navio alemão METEOR no outono de 2017, uma equipa do GEOMAR Helmholtz Center for Ocean Research Kiel e MARUM – Centro de Ciências Ambientais Marinhas da Universidade de Bremen investigou um depósito de hidrato de metano no leque de águas profundas do Danúbio, no oeste do Mar Negro.

Os hidratos de gás são um composto sólido de gases e água que têm uma estrutura semelhante a gelo em baixas temperaturas e altas pressões. Compostos de metano e água, os chamados hidratos de metano, são encontrados em muitas margens do oceano.

Além do possível uso como fonte de energia, também está a ser investigada a estabilidade dos depósitos de hidrato de metano, uma vez que se podem dissolver com mudanças de temperatura e pressão. Além das libertações de metano, isto também pode ter um impacto na estabilidade do declive submarino.

Durante o cruzeiro, as jazidas de hidrato de gás foram perfuradas, usando o dispositivo móvel de perfuração do fundo do mar MARUM-MeBo200.

“Com base em dados de expedições anteriores, selecionámos duas áreas de trabalho onde, por um lado, o hidrato de metano e o gás metano livre coexistem nos 50 a 150 metros superiores da zona de estabilidade do hidrato e, por outro lado, um deslizamento de terra e infiltrações de gás foram encontradas diretamente na borda da zona de estabilidade do hidrato de gás”, explicou Gerhard Bohrmann, líder da expedição, em comunicado.

Além de obter amostras, os cientistas conseguiram, pela primeira vez, realizar medições detalhadas de temperatura in situ até à base da estabilidade do hidrato de gás no fundo do mar. Anteriormente, essa linha de base era determinada por métodos sísmicos, a partir dos quais o chamado “refletor de simulação de fundo” (BSR) era obtido como um indicador dessa base.

“O nosso trabalho provou pela primeira vez que a abordagem usando o BSR não funciona no Mar Negro”, disse Michael Riedel, da GEOMAR. “Do nosso ponto de vista, o limite de estabilidade gás-hidrato já se aproximou das condições mais quentes na subsuperfície, mas o gás metano livre, que se encontra sempre nesta borda inferior, ainda não conseguiu subir com ele”.

Isto pode acontecer devido à baixa permeabilidade dos sedimentos, o que significa que o gás metano ainda está “preso” e só pode subir muito lentamente com a sua própria força.

“No entanto, as nossas novas análises dos dados sísmicos também mostraram que, em alguns lugares, o gás metano pode romper o BSR. Lá, um novo BSR está a estabelecer-se sobre o ‘velho’ refletor. Isso é novo e nunca foi visto antes”, afirmou Matthias Haeckel, da GEOMAR. “A nossa interpretação é que o gás pode subir nesses locais, pois distúrbios no fundo do mar favorecem o escoamento do gás”.

“Em suma, encontrámos uma situação muito dinâmica nesta região, que também parece estar relacionada com o desenvolvimento do Mar Negro desde a última era glacial”, explicou Riedel.

Após o último máximo glacial (LGM), o nível do mar subiu e, quando o nível do mar global subiu acima do limite do Bósforo, a água salgada do Mar Mediterrâneo conseguiu propagar-se para o Mar Negro. Antes, essa bacia oceânica era basicamente um lago de água doce. Além disso, o aquecimento global desde o LGM causou um aumento da temperatura das águas profundas do Mar Negro.

A combinação desses três fatores – salinidade, pressão e temperatura – teve efeitos drásticos sobre os hidratos de metano, que se decompõem como resultado desses efeitos.

O estudo exemplifica os feedbacks complexos e escalas de tempo que induzem mudanças climáticas no meio ambiente marinho e é adequado para estimar as consequências esperadas do aquecimento global mais rápido de hoje em dia.

Este estudo vai ser publicado em junho na revista científica Earth and Planetary Science Letters.

Investigadora desenvolve fiambre de peixe na Universidade de Évora

Segundo avança o Tribuna Alentejo, foi no âmbito da tese de doutoramento em Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade de Évora que Ana Teresa Ribeiro procurou, sob a orientação de Miguel Elias, Professor do Departamento de Fitotecnia, e de Rogério Mendes, investigador do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), recorrer a vários tipos de pescado de aquacultura, fibras vegetais e diferentes tecnologias de gelificação para desenvolver um produto saudável e pronto a consumir, com características semelhantes às de um fiambre de porco.

O estudo procurou replicar a textura e a coloração do fiambre, a partir de vários tipos de pescado e de diferentes processos de elaboração, com o objectivo de não só alertar para a importância e grande potencialidade das principais espécies nacionais de produção aquícola, mas também produzir uma alternativa ao produto de charcutaria que melhor se enquadre com um estilo de vida e uma alimentação saudáveis.   

Através da utilização de polpas de dourada, de robalo e de corvina de aquacultura, capturadas no verão e no inverno, incorporação de diferentes fibras vegetais e duas tecnologias de gelificação, Ana Teresa Ribeiro procurou obter um produto que fosse mais saudável e completo, assim como apelativo, satisfazendo as preferências do consumidor actual.  

Com a adição de duas fibras vegetais –  transglutaminase microbiana (MTGase) e glucomanano de konjac (KGM) – e do recurso a dois processos de gelificação – térmica (pasteurização) e processamento por altas pressões (HPP) -, procurou-se conceber e optimizar as propriedades físicas e funcionais do produto. Esta última tecnologia relativamente nova para a indústria alimentar tem sido cada vez mais considerada como uma alternativa aos métodos mais tradicionais de conservação, como o processamento pelo calor, por permitir alcançar uma cor e sabor mais naturais, bem como uma textura mais lisa, brilhante e macia.

As principais conclusões acerca do produto foram conseguidas com recurso a análises químicas, físicas e sensoriais, assim como com um inquérito online. A avaliação sensorial foi realizada, inicialmente, por 8 provadores treinados, do IPMA, e aplicada, posteriormente, a um grupo de crianças entre os 6 e os 8 anos, por ser um público-alvo do produto devido ao elevado valor nutricional que este possui.

Os resultados das análises efetuadas permitiram concluir que a melhor fórmula conseguida é o fiambre de corvina capturada no inverno e produzido com 0,5% de transglutaminase microbiana (MTGase). Enquanto em termos texturais a fórmula que mais se assemelha ao pretendido é o fiambre submetido ao processamento por alta pressão com a combinação de 350 MPa (megapascal) durante 10 ou 20 minutos a uma temperatura de 30 °C. 

Em relação à coloração do fiambre de peixe, a avaliação do público, feita através de um inquérito online, demonstrou que as preferências recaem sobre o produto preparado com uma pequena parte de cochonilha, um corante natural, cuja cor é muito idêntica à do fiambre de corvina sem corante.

Esta combinação foi a versão final do produto que melhor correspondeu às propriedades texturais e à coloração do fiambre de porco, sem comprometer, porém, as propriedades sensoriais e nutricionais do produto na sua versão de pescado.  De momento, o estudo da aplicação da polpa de peixe em produtos alimentares prossegue, quer com investigação associada a estágios curriculares quer com investigação associada à indústria alimentar. 

Ana Teresa Ribeiro, actualmente dedica-se à investigação e conhecimento científico e tecnológico nas áreas da sustentabilidade dos agroecossistemas, ambiente e territórios e da segurança alimentar no Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da UE.

Navio Mercante embate contra pilar sul da Ponte 25 de Abril

Um navio mercante com 180 metro de comprimento embateu ontem de tarde no pilar sul da Ponte 25 de Abril. Não houve registo de vítimas “nem aparentes danos estruturais na ponte”, anunciou a Autoridade Marítima Nacional.

À Sic Noticías,  o comandante Diogo Vieira Branco explicou que o navio “deu um toque no pilar da Ponte 25 de Abril”, do qual “resultou um dano estrutural no bolbo do navio que foi alvo de uma vistoria por parte da Capitania do Porto de Lisboa que se encontra em apreciação pelo Port State Control”.

Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional explicita que um “navio mercante com bandeira das Ilhas Marshall embateu, no pilar sul da Ponte 25 de Abril, enquanto navegava no rio Tejo, não tendo causado vítimas nem aparentes danos estruturais na ponte“.

O alerta foi recebido pelas 17h00 e na sequência do incidente, a embarcação fundeou “junto da Ponte 25 de Abril”. O caso foi entregue à Polícia Marítima e comunicado à Infraestrutura de Portugal, a entidade responsável pela segurança da infraestrutura da ponte, que explica que a zona de cimento dos pilares sofreu apenas danos leves.

Barcos eléctricos a hidrogénio? Noruega vai ter gigafábrica de fuel cells

 

A Teco 2030 quer colocar a Noruega no mapa da produção em massa de células de combustível a hidrogénio para uso marítimo e diz ter uma solução equivalente ao diesel que ocupa menos espaço e não polui.

A Noruega, cuja economia e o elevado nível de vida dos seus cidadãos dependem fortemente das exportações de petróleo, foi o país europeu que mais cedo aderiu à mobilidade eléctrica nas quatro rodas. Agora que se sabe que o esforço que a indústria automóvel teve e tem de fazer para abdicar dos combustíveis fósseis deverá ser alargado a outros meios de transporte, os noruegueses vão apostar numa fábrica de células de combustível a hidrogénio, com uma tecnologia especificamente desenvolvida para embarcações eléctricas de grandes dimensões.

O anúncio foi feito pela empresa Teco 2030, segundo a qual Narvik, no norte do país, vai converter-se no centro da produção em massa de fuel cells na Noruega, quando colocar em funcionamento uma antiga fábrica de células fotovoltaicas, que vai ser alvo de obras a fim de ser readaptada ao novo negócio.

A companhia promete a criação de até 500 postos de trabalho, quando a fábrica estiver completamente operacional, e uma capacidade de produção de 1,2 GWh de energia em células a combustível de hidrogénio “verde”, com recurso a módulos de 400 kW, que depois serão agrupados em packs de três, fornecendo com isso 1,2 MW (cerca de 1.632 cv), o equivalente a um motor a gasóleo já de dimensões respeitáveis, mas ocupando muito menos espaço e sem poluir. O que ainda é mais relevante por, conforme foi comunicado, essas células de combustível a hidrogénio se destinarem a embarcações de grande porte, inclusivamente cargueiros, podendo associar-se entre si para atingir os 50.000 cv necessários para deslocar um superpetroleiro.

“O transporte marítimo é conhecido por ser uma fonte significativa de gases de efeito estufa e emissões de partículas”, refere a Teco, sublinhando que a indústria marítima “precisa de reduzir drasticamente as emissões”. Recorde-se que a Organização Marítima Internacional fixou como meta reduzir as emissões registadas em 2008 em 40% até 2030 e em 70% até 2050, pelo que a Teco considera que a rota da descarbonização no transporte marítimo terá de passar necessariamente pelo hidrogénio. “A célula a combustível de hidrogénio é hoje a forma mais eficiente de produzir energia eléctrica a bordo”, argumenta a companhia, realçando depois as vantagens do seu sistema modular de fuel cells.

Atlantis: projecto pioneiro transforma o oceano em sala de aula

 

Os oceanos ocupam a maior parte da superfície do Planeta e são essenciais para a nossa vida e bem-estar. Além de serem reguladores do clima e fundamentais para o combate das alterações climáticas, são grandes aliados para o desenvolvimento de um futuro sustentável – a nível económico, energético e alimentar.

Face às várias ameaças provocadas pelo Homem, que têm posto em risco a sua saúde, é cada vez mais importante consciencializar as comunidades para a preservação deste meio.

É neste contexto que surge o Programa Atlantis, um projecto pioneiro português de educação ecológica subaquática que transforma o oceano em sala de aula. O Atlantis promove a Literacia do Oceano, a partir da combinação do mergulho livre com a educação ecológica e o desenvolvimento humano.

A primeira edição do projecto teve início este mês, na vila de Sesimbra, e conta com um grupo de 20 alunos do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho. Com duração prevista até junho, as aulas subaquáticas vão dar a conhecer aos mais novos os ambientes marinhos e as suas espécies, e ensinar como devem agir em defesa dos mesmos.

O Atlantis baseia-se assim em três pilares:

No jogo Oásis -“Um jogo social de mobilização de um grupo de alunos que, através dos seus talentos e de forma colaborativa, desenvolvem um projecto para implementar na própria comunidade”;

No freediving: “Iniciação ao mundo aquático através da prática de mergulho em apneia. Desenvolve várias capacidades físicas, mentais, emocionais, e permite aos alunos conhecerem melhor a biodiversidade marinha e o seu habitat, de uma forma vivencial e impactante”;

Na ecologia profunda: “Um conceito que está presente em todas as actividades e ao longo do programa. Traz a visão da interdependência de todos os seres e a noção de que não existe separação entre Natureza e seres humanos. É uma visão integrativa, que activa acções com consciência”.

Além desta vertente educativa, o programa é composto ainda por várias acções e eventos abertos à comunidade, como workshops, exposições e palestras.

“Este programa evolui da expedição Açores-Atlantis e da pesquisa da Oceans and Flow nos últimos cinco anos de actividade. Trouxemos estas pesquisas aquáticas para a sala de aula, com uma linguagem acessível e empática para os jovens, apostando nesta geração, que pode fazer a diferença no futuro. Esta é uma primeira edição que irá ter continuidade, não só em termos de capacitação de mais alunos, mas também na formação de uma rede de educadores subaquáticos, com quem queremos partilhar esta metodologia!”, explica Violeta Lapa, fundadora da Oceans and Flow e uma das educadoras subaquáticas responsáveis pela idealização do Programa.


Foto: ATLANTIS 2021 © Janna Nadjejda Guichet 4 LR