Maersk e Hapag Lloyd voltaram a passar pelo Mar Vermelho no serviço IMX.

A Maersk e a Hapag Lloyd alteraram a rota de um dos serviços que operam em conjunto, retomando a travessia do Mar Vermelho e do Canal do Suez a partir de meados de Fevereiro.

A mudança aplicou-se ao serviço IMX, que liga a Índia e o Médio Oriente ao Mediterrâneo, e prevê que todas as passagens na zona sejam efectuadas com protecção naval, numa tentativa de reduzir tempos de trânsito sem abdicar de medidas de segurança reforçadas. A implementação arrancou com dois navios de referência: no sentido oeste, a primeira viagem que adoptou a nova rota foi o Albert Maersk (viagem 605W), associada ao percurso entre Jebel Ali e a Índia; no sentido leste, a alteração começou com o Astrid Maersk (viagem 605E).

A operação foi acompanhada de forma contínua, mantendo-se a possibilidade de ajustes caso a situação de segurança volte a deteriorar-se. Este regresso é apresentado como um passo prudente e limitado, focado num único serviço, num contexto em que muitas ligações internacionais continuaram a preferir a rota do Cabo da Boa Esperança para evitar riscos no Mar Vermelho.

Os dois armadores admitiram que novas decisões sobre outras rotas poderão ser ponderadas mais tarde, mas sublinham que qualquer evolução dependerá da estabilidade na região e da ausência de escaladas que coloquem em causa tripulações, navios e carga.

“Fantasma gigante” filmado a 250 metros de profundidade.

Uma expedição científica ao largo da costa da Argentina conseguiu captar imagens raras de uma água viva conhecida como “fantasma gigante”, uma espécie pouco observada devido à profundidade a que vive.

O avistamento ocorreu a cerca de 250 metros, com recurso a veículos operados remotamente, usados para explorar zonas do oceano onde a observação directa é praticamente impossível. O animal registado é a Stygiomedusa gigantea, uma água viva de grandes dimensões, com uma campânula que pode rondar um metro de diâmetro e quatro braços longos que, em alguns casos, chegam a vários metros. Durante a observação, foi vista na proximidade de peixes jovens do género Centrolophus, um detalhe que despertou interesse por poder indicar interacções pouco estudadas entre espécies das águas profundas.

A mesma missão identificou ainda dezenas de organismos que poderão vir a ser descritos como novas espécies, reforçando a ideia de que os fundos e a meia água continuam a esconder uma fatia enorme da biodiversidade marinha. Para os investigadores, cada registo deste tipo é um passo importante para compreender como estas comunidades se adaptam a condições extremas, com pouca luz, temperaturas baixas e pressões elevadas. Mas a expedição trouxe também um sinal menos positivo: foram detectados resíduos associados à actividade humana, incluindo plásticos e até uma fita VHS, num lembrete de que a poluição já alcança áreas remotas e profundas do oceano.

O contraste entre a descoberta de vida pouco conhecida e a presença de lixo reforça o apelo à protecção destes ecossistemas, onde o conhecimento científico ainda está a dar os primeiros passos.

Foto: ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute

Marinha moderniza comunicações da frota com 42,3 milhões.

A Marinha Portuguesa avançou com a aquisição de um Sistema Integrado de Controlo de Comunicações (SICC) para equipar mais de uma dezena de navios da Esquadra, num fornecimento adjudicado à EID no valor de 42,3 milhões de euros.

A solução pretende concentrar, num único “cérebro”, a gestão e o controlo das comunicações a bordo, tanto internas e externas, permitindo aos navios operar com meios mais actuais, eficientes e alinhados com as exigências das missões no mar, incluindo cenários de maior complexidade operacional.

O SICC foi desenhado para integrar os vários subsistemas de comunicações existentes em cada navio, reforçando a capacidade de recolher, distribuir e proteger informação crítica em tempo útil. A Marinha sublinha que o sistema aposta numa lógica de elevada automação e fiabilidade, com foco na rapidez de reacção a alterações do ambiente operacional, e assegura compatibilidade com requisitos e normas aplicáveis em contexto NATO e União Europeia, facilitando a interoperabilidade e a partilha segura de informação em operações conjuntas e multinacionais.

O contrato tem vigência entre 2026 e 2031 e prevê um valor global de 52,029 milhões de euros, somando ao fornecimento o IVA à taxa em vigor. O financiamento é enquadrado na Lei de Programação Militar. A instalação abrangerá, entre outros meios, fragatas da classe Vasco da Gama, os futuros Navios de Patrulha Oceânica da 3.ª série, os dois Navios Reabastecedores de Esquadra (NRE+) actualmente em construção, e ainda oito futuros Navios de Patrulha Costeira destinados a substituir classes mais antigas de fiscalização.

Além do salto tecnológico, a Marinha aponta ganhos práticos na sustentação da frota: ao uniformizar equipamentos e procedimentos, reduz-se a diversidade de sistemas, simplificam-se a manutenção e a gestão de sobressalentes, e torna-se mais fácil o treino de operadores e técnicos. A implementação ficará a cargo da EID, empresa com historial de colaboração em projectos de comunicações navais e cuja escolha é justificada pela experiência acumulada e pela adopção de soluções semelhantes por aliados e parceiros europeus.

Foto: Marinha Portuguesa.

UE pondera sancionar portos de países terceiros que recebam crude russo

A União Europeia está a ultimar o 20.º pacote de sanções dirigido à Rússia e admite, pela primeira vez, alargar o alvo das restrições a infraestruturas portuárias localizadas fora do território russo.

Em causa estão portos situados em países como a Geórgia e a Indonésia que, segundo uma proposta ainda preliminar, têm vindo a receber petróleo com origem na Rússia. Entre as instalações mencionadas constam Kulevi, na Geórgia, e Karimun, na Indonésia, que poderão passar a integrar a lista de entidades sancionadas. A concretizar-se, será um passo inédito na política europeia de sanções, por envolver directamente activos estratégicos em Estados terceiros.

O mecanismo previsto passa por proibir empresas e cidadãos da União Europeia de realizarem transacções com esses portos, limitando pagamentos, prestação de serviços e quaisquer operações comerciais abrangidas pela jurisdição europeia.

EUA alertam navios no Estreito de Ormuz para evitarem águas iranianas

A autoridade marítima dos Estados Unidos emitiu esta segunda-feira um aviso dirigido às embarcações norte-americanas que atravessem o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas comerciais do Médio Oriente e um dos principais corredores mundiais para o transporte de petróleo.

O alerta surge num quadro que é interpretado como novo sinal de agravamento da tensão entre Washington e Teerão. As autoridades recomendam que os navios com bandeira dos EUA se mantenham afastados das águas territoriais iranianas, procurando conciliar essa orientação com a necessidade de não colocar em causa a segurança da navegação.

No mesmo aviso, é deixada uma instrução operacional às tripulações: Caso forças iranianas tentem abordar ou apreender uma embarcação comercial norte-americana, a recomendação é a de não oferecer resistência. O objectivo, segundo o teor do comunicado, passa por reduzir o risco de escalada a bordo e proteger a integridade da tripulação numa zona onde incidentes marítimos têm ocorrido em períodos de maior fricção regional.

Rival dos portos nacionais cresce dois digitos.

A autoridade portuária de Valência fechou 2025 com um salto de cerca de 50% no lucro, para 43,7 milhões de euros, num ano em que a evolução do contentor voltou a ser decisiva.

A cifra de negócios subiu 9%, para 164,3 milhões, e as receitas com taxas e serviços portuários cresceram a dois dígitos, aproximando-se dos 140 milhões.Em termos de actividade, o total de mercadorias em toneladas recuou ligeiramente (-0,7%), mas o porto movimentou 5,6 milhões de TEU, mais 3,4% do que em 2024.

O transbordo abrandou, mas o import/export compensou: as importações ultrapassaram pela primeira vez 1 milhão de TEU (cerca de 1,05 milhões), com a China a pesar perto de metade e a crescer cerca de 20%. As exportações rondaram 920 mil TEU (+5,56%), com os EUA como principal destino (quase 15% e crescimento acima de 5%).

O cash flow atingiu 82,8 milhões de euros, com custos de exploração praticamente estáveis (+0,94%). Também o movimento de passageiros aumentou, tanto na linha regular como nos cruzeiros.

Hapag-Lloyd fecha 2025 com lucros em queda.

O armador alemão Hapag-Lloyd apresentou resultados de 2025 com recuo significativo dos ganhos, seguindo uma trajectória semelhante à da Maersk, sua parceira na Cooperação Gemini.

Terminou o ano com um EBIT na ordem dos 1.000 milhões de euros, abaixo dos 2.600 milhões registados em 2024, num exercício marcado por um mercado de fretes menos favorável e por custos adicionais associados à reorganização operacional. A empresa aponta como principal factor a descida do preço médio dos fretes ao longo de 2025, num ano em que as tarifas ficaram, em média, cerca de 8% abaixo das do exercício anterior. A par disso, a Hapag-Lloyd refere o impacto dos custos de arranque da Cooperação Gemini, que começou há aproximadamente um ano, e o aumento da factura de combustível provocado pelos desvios de rotas em torno do Cabo da Boa Esperança, na sequência da instabilidade no Mar Vermelho. Apesar do recuo nos resultados, a actividade comercial manteve-se robusta em volume.

A Hapag-Lloyd transportou 13,5 milhões de TEU, mais cerca de um milhão do que em 2024, mas essa subida não foi suficiente para compensar a pressão nas tarifas. A facturação também não acompanhou o crescimento dos volumes: a empresa fechou 2025 com cerca de 18.600 milhões de euros, uma descida de 2,6% face ao ano anterior.

O armador sublinhou que o EBIT ficou na parte alta das previsões que tinha divulgado para o ano, num cenário em que o abrandamento dos fretes já era esperado. Do lado da eficiência, identifica poupanças de custos resultantes da Cooperação Géminis, mas indica que esses efeitos só se começaram a notar na segunda metade de 2025 e que o seu impacto pleno deverá sentir-se ao longo de 2026.

Maersk encomenda 8 porta-contentores dual-fuel de 18.600 TEU para 2029-2030.

A Maersk formalizou uma encomenda de oito novos porta-contentores de grande dimensão, com capacidade de 18.600 TEU, a construir no estaleiro chinês New Times Shipbuilding.

Os navios deverão ser entregues a partir de 2029, integrando a estratégia de renovação da frota do armador dinamarquês e o reforço da sua competitividade no transporte marítimo de contentores. As novas unidades serão equipadas com motores de duplo combustível, aptos a operar tanto com búnquer convencional como com gás natural liquefeito (GNL), garantindo maior margem de manobra operacional num sector em transição energética.Em termos de dimensões, os navios terão 366 metros de comprimento e 58,6 metros de boca, um formato descrito como mais “compacto” do que a referência máxima actualmente comum nos maiores porta-contentores, que pode chegar aos 400 metros.

O armador dinamarquês sublinha que a flexibilidade de utilização na rede foi determinante para a decisão, defendendo que, apesar de serem navios de grande porte, permitem mais opções de colocação em serviço do que as classes ainda maiores que têm vindo a ser encomendadas no mercado. Com este contrato, a Maersk passa a contabilizar 33 navios encomendados, incluindo quatro com entrega prevista ainda durante o que resta de 2026.

Uma nova espécie profunda tem nome escolhido pelo público.

Uma nova espécie de quíton das grandes profundezas do oceano foi oficialmente baptizada com a ajuda do público, num processo invulgar que juntou investigadores e milhares de pessoas nas redes sociais.

A iniciativa, conduzida pela Senckenberg Ocean Species Alliance em colaboração com a Pensoft, ganhou dimensão depois de o comunicador de ciência Ze Frank apresentar o animal num episódio da série “True Facts” e lançar o desafio: propor um nome científico e justificá-lo.

Em apenas uma semana chegaram mais de oito mil sugestões, das quais a equipa científica acabou por escolher Ferreiraella populi, uma designação em que “populi” remete para “do povo”. A espécie foi encontrada em 2024 na Fossa de Izu-Ogasawara, no Pacífico, a cerca de 5.500 metros de profundidade, e pertence ao género Ferreiraella, um grupo raro e pouco estudado. Trata-se de um quíton, um tipo de molusco com oito placas sobrepostas, adaptado à vida no fundo do mar, e com uma rádula resistente usada para raspar alimento.

Os investigadores salientam ainda que este animal surge associado a ecossistemas muito específicos de “madeira afundada”, onde vive sobre troncos e detritos lenhosos que descem ao fundo do oceano, formando pequenas ilhas de biodiversidade em ambientes ainda largamente desconhecidos.

Contentores caem a bordo do “Bangkok Express” em Roterdão.

Vários contentores vazios caíram do convés do navio porta-contentores “Bangkok Express” durante a sua escala nos terminais APM Maasvlakte II, no porto de Roterdão.

Segundo a informação disponível, parte dos contentores acabou por atingir a barcaça “K Lotus”, que se encontrava a operar ao lado do porta-contentores no momento do incidente. Foram relatados danos materiais, mas não há indicação de feridos nem de qualquer derrame associado à ocorrência.

Após o episódio, o “Bangkok Express” prosseguiu viagem a 7 de Fevereiro, com destino a Salalah, em Omã. O navio, operado pela Hapag-Lloyd, é um porta-contentores de última geração, com capacidade para 23.660 TEU e sistema de propulsão a GNL (duplo).

O caso volta a sublinhar a importância das rotinas de segurança e manuseamento durante operações em cais, sobretudo em escalas de grande intensidade e com várias frentes de trabalho em simultâneo.