Metaneiro russo sancionado arde no Mediterrâneo após explosões. Suspeita de ataque com drone.

O metaneiro Arctic Metagaz, navio de transporte de GNL associado ao ecossistema logístico que tem sido descrito como parte da “frota na sombra” russa, esteve envolvido num incidente grave no Mediterrâneo, ao largo de Malta, depois de um incêndio a bordo na sequência do que é apontado como um possível ataque com drone naval.

A origem do sinistro continua por esclarecer de forma independente, mas surgiram referências a uma acção atribuída à Ucrânia, o que, a confirmar-se, representaria um alargamento do alcance deste tipo de operações para lá das áreas onde estes sistemas têm sido mais frequentemente utilizados. Apesar da gravidade, os tripulantes foram resgatados em segurança.

Do ponto de vista do shipping e da energia, o caso reforça a percepção de risco sobre navios ligados a cadeias de transporte sob sanções e tende a traduzir-se em maior pressão sobre prémios de seguro, custos de conformidade, exigências de segurança e escrutínio operacional, incluindo sobre práticas como desligamentos de AIS e rotas menos previsíveis. Sendo um navio de GNL, a sensibilidade é ainda maior: qualquer incidente neste segmento tem impacto imediato na leitura de risco do mercado e na forma como armadores e carregadores planeiam escalas e itinerários no Mediterrâneo.

Independentemente da autoria, o episódio sublinha a crescente dimensão marítima dos conflitos e o efeito directo que isso pode ter nas rotas internacionais, num contexto em que o transporte de energia continua a ser um dos alvos mais expostos a acções assimétricas.

MSC e Maersk sobem custos no Médio Oriente com sobretaxas e aumentos de frete.

A instabilidade no Médio Oriente já está a reflectir-se de forma directa no shipping contentorizado, com duas das maiores companhias do mundo a avançarem com medidas extraordinárias que encarecem o transporte e aumentam a incerteza nas cadeias logísticas.

A MSC decidiu aplicar uma sobretaxa de 800 dólares por contentor em cargas com destino ao Médio Oriente, enquadrando a medida numa resposta operacional ao risco crescente. Na prática, a companhia admite descarregar a carga no porto seguro mais próximo quando as condições o exigirem, ficando os custos e a gestão subsequente da entrega do lado do dono da mercadoria.

Em paralelo, a Maersk introduziu uma Emergency Freight Increase associada à disrupção no Estreito de Ormuz, abrangendo tráfegos de e para vários mercados do Golfo. O aumento é apresentado como um ajuste de emergência para compensar alterações de rota, constrangimentos operacionais e custos acrescidos num corredor marítimo crítico.

O resultado é imediato: fretes mais caros, maior pressão sobre seguros e planeamento, e um novo teste à fiabilidade dos schedules, numa região onde qualquer escalada pode repercutir-se rapidamente nas rotas globais.

Houthis perante decisão que pode voltar a abalar o shipping global.

O movimento Houthi, que controla grande parte do norte do Iémen, enfrenta um momento decisivo que pode ter impacto directo no transporte marítimo internacional. Perante o agravamento das tensões entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, o grupo aliado de Teerão terá de decidir se se envolve activamente no conflito ou se opta por preservar a sua posição interna no Iémen.

A importância desta decisão vai muito além da dimensão regional do movimento. Os Houthis operam numa zona estratégica junto ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem obrigatória entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. Este corredor marítimo é uma das principais artérias do comércio mundial, ligando a Ásia à Europa através do Canal do Suez. Nos últimos anos, ataques com drones e mísseis contra navios comerciais demonstraram a capacidade do grupo para perturbar o tráfego marítimo nesta rota. Sempre que a ameaça aumenta, muitas companhias de shipping optam por desviar os seus navios pelo Cabo da Boa Esperança, prolongando viagens, elevando custos operacionais e pressionando as cadeias logísticas globais.

Caso os Houthis decidam alinhar-se mais directamente com o Irão na actual escalada regional, o risco para a navegação no Mar Vermelho poderá aumentar significativamente. Isso poderá voltar a colocar pressão sobre armadores, seguradoras e operadores logísticos, num momento em que o sector marítimo já enfrenta múltiplas fontes de instabilidade geopolítica.

Assim, mais do que um actor local da guerra no Iémen, os Houthis tornaram-se um elemento com potencial para influenciar o equilíbrio do shipping internacional e a segurança de uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.

Gás natural sob pressão: O que pode mudar em Portugal.

A instabilidade no Médio Oriente está a empurrar os preços da energia para cima e o gás natural não foge à regra. Em Portugal, é pouco provável que haja uma falha imediata de abastecimento, mas o risco de encarecimento aumenta, sobretudo se a tensão se prolongar e continuar a pressionar o transporte e os seguros.

A Península Ibérica parte de uma posição relativamente mais estável por ter uma fatia relevante de fornecimento a partir do Norte de África, em especial da Argélia, incluindo por gasoduto. Ainda assim, num mercado europeu interligado, a subida do preço do gás pode chegar “por tabela”, mesmo sem interrupções físicas.

O impacto tende a sentir-se mais no preço do que na disponibilidade, com reflexos na indústria e, em determinados momentos, também na electricidade, já que o gás continua a influenciar o custo de produção quando a procura aperta ou as renováveis não chegam.

EUA admitem escolta naval no Estreito de Ormuz “se necessário”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, “se necessário”, a Marinha norte-americana poderá começar a escoltar navios que atravessem o Estreito de Ormuz, numa tentativa de garantir a segurança da navegação e a continuidade do abastecimento energético num dos pontos mais sensíveis do comércio marítimo mundial.

Numa mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump declarou que “aconteça o que acontecer, os EUA garantirão o livre fluxo de energia para o mundo”, acrescentando que o poder económico e militar norte-americano é “o maior do mundo” e que “mais acções” poderão ser anunciadas.

O Estreito de Ormuz, sob forte influência e capacidade de controlo do Irão, liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, no Oceano Índico. É uma passagem crítica para o transporte de crude e gás natural liquefeito, sendo frequentemente apontado como corredor de saída de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e GNL.

Qualquer escalada de tensão naquela zona tende a aumentar o risco para a navegação, pressionar os custos de seguro e transporte e gerar efeitos imediatos nos mercados de energia.

Crise energética pode agravar-se se Estreito de Ormuz permanecer bloqueado.

A escalada do conflito no Médio Oriente está a reacender o risco de uma nova crise energética global, com o preço do petróleo Brent já acima dos 80 dólares por barril.

Analistas admitem que os valores possam ultrapassar os 100 dólares caso o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado, afectando uma das principais rotas de exportação de crude e gás natural do mundo.Pelo Estreito de Ormuz transita uma parte significativa do petróleo produzido pelos países do Golfo, tornando-o um ponto crítico para o abastecimento energético global. Qualquer interrupção prolongada gera imediata pressão nos mercados e aumenta a volatilidade financeira.

O cenário é comparado por alguns especialistas à crise de 1979, desencadeada pela Revolução Iraniana. Na altura, a quebra na produção e exportação de petróleo provocou uma forte subida dos preços do crude, inflação elevada e impactos económicos à escala mundial.Se a actual instabilidade evoluir para um bloqueio efectivo e duradouro da via marítima, os efeitos poderão fazer-se sentir não apenas no sector energético, mas também na economia global, num contexto já marcado por elevada incerteza geopolítica.

Marinha dos EUA destitui comandante do USS Truxtun após colisão durante reabastecimento no Caribe.

A Marinha dos Estados Unidos anunciou a destituição do comandante do contratorpedeiro USS Truxtun (DDG-103) na sequência de uma colisão com o navio logístico USNS Supply, ocorrida durante uma manobra de reabastecimento no mar, na área de responsabilidade do Comando Sul norte-americano (SOUTHCOM), nas Caraíbas.

O incidente, registado a 11 de Fevereiro, resultou em dois militares com ferimentos ligeiros, tendo ambos sido assistidos e considerados em condição estável. De acordo com o comunicado oficial, a decisão foi fundamentada na “perda de confiança na capacidade de exercer o comando”, princípio que integra a cultura operacional da Marinha dos EUA e que implica responsabilização imediata da cadeia de comando sempre que ocorre um incidente relevante em contexto de navegação ou manobra.

O oficial afastado assumira funções no início de 2025. O comando do navio será agora assegurado por outro oficial superior destacado para o efeito.O USS Truxtun, um contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, encontrava-se destacado para operações na região, integrando esforços relacionados com missões de segurança marítima e apoio a operações conduzidas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Antes da colisão, o navio tinha regressado temporariamente à Base Naval de Norfolk para resolver questões técnicas não especificadas, retomando posteriormente o desdobramento. A colisão ocorreu durante uma manobra de reabastecimento em alto-mar, operação considerada de elevada complexidade técnica e que exige coordenação rigorosa entre as unidades envolvidas, controlo fino de velocidade e rumo, bem como condições meteorológicas favoráveis. Apesar de ambas as embarcações terem conseguido manter capacidade de navegação, foi aberta uma investigação formal para apurar responsabilidades, procedimentos adoptados e eventuais falhas operacionais.

As conclusões do inquérito poderão determinar medidas adicionais, quer ao nível disciplinar, quer na revisão de procedimentos operacionais, num momento em que a Marinha norte-americana mantém presença reforçada em diversas áreas estratégicas.

Trânsito no Estreito de Ormuz colapsa mais de 80%.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu mais de 80% nas últimas horas, num sinal claro de paragem operacional numa das rotas mais críticas do planeta.

Com a escalada militar no Médio Oriente, dezenas de navios ficaram fundeados nas imediações, à espera de condições de segurança para avançar. A quebra é particularmente relevante por afectar o corredor por onde passam volumes gigantescos de petróleo e gás natural liquefeito. Apesar de não existir um anúncio formal de encerramento, o aumento do risco, os avisos militares e a incerteza no mercado de seguros estão a levar armadores e operadores a suspender travessias ou a adiar decisões.

O efeito é imediato: Tensão nos mercados de energia, pressão sobre a disponibilidade de navios e probabilidade crescente de subida de fretes, sobretudo nos segmentos ligados ao transporte energético.

Ligação Seixal–Cais do Sodré passa a operar com três navios eléctricos.

A travessia fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré vai passar a contar com três embarcações eléctricas, numa fase inicial em que a operação continuará a ser acompanhada por testes e ajustamentos.

Durante este período, a Transtejo/Soflusa manterá também um navio a diesel como reserva, para garantir resposta caso surjam constrangimentos técnicos ou operacionais. A entrada destas embarcações pretende reforçar a regularidade do serviço numa ligação que tem sido alvo de queixas devido a supressões e falta de fiabilidade.

A empresa espera que o aumento de meios contribua para estabilizar horários e reduzir interrupções, devolvendo previsibilidade a quem utiliza diariamente esta travessia. O arranque do serviço com os navios eléctricos sofreu adiamentos, associados à complexidade do processo de integração das novas unidades e às necessidades de infraestrutura, incluindo os sistemas de carregamento.

Ainda assim, a operação é apresentada como um passo importante na modernização do transporte fluvial no Tejo e na redução de emissões, num caminho de transição energética que deverá estender-se a outras ligações.

APS teve apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias.”

O auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve acolheu, no passado dia 24 de Fevereiro, a apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias”, da autoria de Sandra Aires e Carlos Serpa Carvalho.

A iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa de Pilotos de Barra e Portos, em parceria com a Riscos Editora, reuniu profissionais e representantes de várias entidades ligadas ao sector marítimo-portuário. A sessão serviu de ponto de encontro para debate e reflexão sobre o enquadramento da pilotagem, um serviço determinante para a segurança da navegação e para a eficiência das manobras de entrada, saída e movimentação de navios em áreas portuárias.

A obra centra-se nas responsabilidades das autoridades portuárias neste domínio, abordando aspectos jurídicos e operacionais associados à organização, supervisão e articulação do serviço.