Verba de 9M€ para reduzir a captura acidental de megafauna marinha

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra um projecto internacional que tem como principal objectivo reduzir a captura acidental de megafauna marinha. O “REDUCE – Reducing bycatch of threatened megafauna in the east central Atlantic” acaba de ser financiado pelo programa Horizonte Europa com aproximadamente 9 milhões de euros.

O consórcio do projeto é liderado pela Universidade de Barcelona e o pacote de trabalhos relacionado com a temática “Bycatch monitoring” é coordenado por Catarina Silva, investigadora do Departamento de Ciências da Vida (DCV). Fazem ainda parte da equipa da FCTUC Zara Teixeira e Filipe Martinho, também investigadores do DCV.

A captura acidental pode representar até 40% do total das capturas de pesca, atingindo globalmente até 38 milhões de toneladas descartadas por ano, perturbando a cadeia alimentar oceânica e podendo representar uma ameaça à sobrevivência de espécies já sob pressão de várias outras actividades humanas. Actualmente, já são vários os regulamentos nacionais, europeus e internacionais que partilham um objectivo, que também consta da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia (UE): tornar a pesca compatível com medidas de protecção ambiental para conservar espécies marinhas ameaçadas.

«O REDUCE vai apostar no desenvolvimento e teste de novas tecnologias e estratégias de gestão para uma melhor avaliação, monitorização e redução das capturas acessórias de aves, tartarugas, cetáceos, tubarões e raias na frota europeia de pesca de longa distância composta por arrastões, cercadores e palangreiros que operam nas águas do Oceano Atlântico, desde as costas da Península Ibérica até à Macaronésia e Golfo da Guiné».

Assim, este projecto «pretende melhorar os programas de monitorização das pescas, incorporando a monitorização eletrónica, promover a compreensão das capturas acessórias e dos seus impactos nas dimensões científica, económica e social, e avaliar potenciais medidas de mitigação. O “Bycatch monitoring” irá melhorar os programas tradicionais de observação e monitorização de capturas acessórias a bordo e combiná-los com a implementação de novos sistemas modernos de monitorização electrónica (EMS – “Electronic monitoring systems”) a bordo, permitindo um teste rigoroso da sua função e eficácia», revela a investigadora do DCV.

Os EMS são cada vez mais utilizados para aumentar a cobertura dos observadores, potencialmente até 100%, mas continuam a ser limitados à pesca de palangre e arrasto da UE que atuam na região ECAO. Uma barreira para uma maior utilização dos EMS são os recursos e o esforço significativos para recolher dados.

«Este pacote de trabalhos promoverá a instalação e o teste de EMS na frota de palangre e de arrasto e o desenvolvimento de modelos inteligentes de identificação automática de espécies através de imagens (modelos de Machine Learning) que aumentarão drasticamente a eficiência da recuperação de dados de EMS baseados em câmaras», termina.

O consórcio do projeto é composto por 13 parceiros de países como Espanha, França, Portugal, Reino Unido e Senegal.

Estudo com dados relevantes para o futuro da conservação do atum rabilho do Atlântico

Os esforços de conservação para o atum rabilho, um recurso de alto valor no mercado, apontam para um futuro mais optimista e promissor para a espécie. No entanto, conhecimentos adicionais sobre a biologia desta espécie icónica são essenciais para estabelecer planos de gestão eficientes e sustentáveis que antecipem possíveis alterações na abundância e/ou distribuição.

Neste contexto, o Centro Tecnológico AZTI, especializado em pesquisa marinha e alimentar, liderou um estudo genético com mais de 500 indivíduos provenientes dos principais locais de desova do atum rabilho do Atlântico. O objectivo do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na prestigiosa revista Molecular Ecology, era determinar o número de populações geneticamente distinguíveis de atum rabilho e a sua conectividade, incluindo, pela primeira vez, um terceiro local de desova descoberto em 2016 no nordeste dos Estados Unidos.

“Durante todos esses anos, assumimos que o atum rabilho, apesar da sua capacidade de realizar grandes migrações no Oceano Atlântico, permanece fiel à desova na mesma área onde nasceu. No entanto, actividade de desova foi recentemente detectada numa área ao largo da costa nordeste dos Estados Unidos que não tinha sido incluída em estudos genéticos anteriores e cuja origem era desconhecida”, afirma Natalia Díaz-Arce, investigadora de genética de pesca no AZTI.

Esta foi, portanto, a primeira análise genética do atum rabilho do Atlântico a incluir todos os locais de desova conhecidos, com o desafio de determinar a origem dos indivíduos que desovam no nordeste dos Estados Unidos e actualizar as informações sobre as populações de peixes.

Homogeneização genética do atum rabilho do Atlântico O estudo mostrou que a área de desova ao largo da costa nordeste dos Estados Unidos é utilizada por atuns provenientes do Mediterrâneo e do Golfo do México. Além disso, pela primeira vez, adultos de origem mediterrânea foram observados desovando no Golfo do México. A pesquisa também identificou vestígios do genoma do atum albacora no genoma do atum rabilho do Mediterrâneo, sugerindo uma hibridização antiga entre as duas espécies.

“Assim como os humanos têm uma pequena percentagem de DNA Neandertal, o atum rabilho do Mediterrâneo também carrega no seu genoma uma marca genética de uma espécie intimamente relacionada, o atum albacora”, explica Díaz-Arce. Os indivíduos da terceira área de desova analisada pela equipe da AZTI mostram características genéticas intermediárias e também carregam esses vestígios do atum albacora.

“Essas descobertas mostram que o que se pensava serem duas populações reprodutivamente isoladas (aquelas que desovam no Mediterrâneo e no Golfo do México, respectivamente), embora tendam a retornar à área onde nasceram, não estão apenas conectadas demograficamente, mas também se misturam no local de desova no nordeste dos Estados Unidos”, enfatiza ela.

Esses resultados fornecem informações essenciais sobre a conectividade das populações de atum rabilho, que podem ser usadas para desenvolver estratégias de gestão que garantam a exploração e conservação da espécie. Além disso, a descoberta da conectividade do Mediterrâneo com as outras duas áreas de desova pode ter futuras implicações, como a homogeneização genética de todo o atum rabilho em todo o mundo e um impacto na resistência do atum rabilho a mudanças ambientais.

O projecto, que será concluído em 2023, recebeu financiamento do Governo Basco por meio do projeto GENGES e apoio para a formação de pessoal de pesquisa e tecnologia, bem como da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT), responsável pela gestão do atum rabilho do Atlântico, por meio do seu “Programa de Pesquisa Abrangente para Atum Rabilho em Todo o Atlântico” (GBYP).

Filme sobre o Oceano premeia estudantes do Politécnico de Leiria

Três alunas do curso de licenciatura em Biologia Marinha e Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar /ESTM), do Politécnico de Leiria, receberam o prémio Mário Ruivo 2023.

Catarina Rebelo, Daniela Barros e Mariana Viegas venceram este prémio com o vídeo ‘O Nosso Destino’, na vertente melhor filme-mensagem sobre o papel do oceano para a Humanidade, a sustentabilidade e o equilíbrio global.

Citadas numa nota de imprensa do Politécnico de Leiria, as vencedoras afirmaram, emocionadas: “O nosso principal objectivo foi demonstrar que temos mesmo de agir, porque o destino mais sombrio, ilustrado no vídeo, não está assim tão distante”. 

Com o prémio conquistado, no valor de 2 mil euros, as estudantes irão apoiar a Ocean Patrol, uma associação de defesa e conservação dos oceanos, permitindo a construção de uma estação de reciclagem, para o lixo recolhido nas limpezas de praia.

Segundo esclarece o Politécnico de Leiria, o prémio, que é uma homenagem ao professor Mário Rui, tem como objetivo mostrar a importância dos oceanos, a sua ligação com o clima e as suas relações económico-sociais, culturais, de lazer e até emocionais.

Foto: IPL

Oceanos ganham destaque na COP 28 com iniciativas de preservação

Os oceanos desempenham um papel crucial na regulação climática global. No entanto, eles vivem com a crescente ameaça devido à poluição, derramamentos de petróleo, vazamentos de óleo e outros impactos ambientais negativos. Na COP 28, a atenção para a saúde dos oceanos não ganhou destaque como deveria, mas esteve presente, com especialistas e líderes destacando a necessidade urgente de acções para preservar esse ecossistema vital do planeta.

O Grupo de Amigos do Ocean-Climate, uma rede de países com interesses semelhantes na integração do oceano nos processos da UNFCCC – (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima) , anunciou uma expansão significativa durante a COP 28. Cinco novos países – Gana, México, Palau, Panamá, República da Coreia – e a União Europeia uniram-se ao grupo, fortalecendo a voz colectiva em prol da protecção dos oceanos.

Virginijus Sinkevičius, Comissário Europeu para Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, declara: “O oceano deve ser incluído na Decisão do Global Stocktake da COP 28, com o objectivo de alcançar as metas de longo prazo do Acordo de Paris. A acção ambiciosa em direcção à neutralidade climática é crucial para preservar a função natural do oceano como carbono azul. A União Europeia está juntando-se aos Amigos do Ocean-Climate para avançar nas discussões internacionais sobre o oceano e o clima”.

O grupo tem sido eficaz em influenciar as discussões da UNFCCC, defendendo a criação do Diálogo sobre Oceanos e Mudanças Climáticas e apoiando as negociações relacionadas à inclusão do oceano no Global Stocktake.

Luis Estévez-Salmerón, da Ocean Conservancy, que actua como Secretário Interino do Grupo de Amigos do Ocean-Climate desde 2019, enfatiza: “O oceano pode proporcionar uma quantidade significativa das reduções de emissões necessárias para manter a meta de 1,5°C do Acordo de Paris ao nosso alcance. Os Amigos do Ocean-Climate estão impulsionando a inclusão do oceano em estratégias climáticas nacionais, incluindo NDCs e Planos Nacionais de Adaptação (NAPs)”.

No entanto, desafios persistem, como evidenciado pelo baixo número de países costeiros que mencionam energia renovável oceânica nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Apenas 14% incluíram tal menção até o verão de 2023, segundo a Ocean Conservancy.

O potencial da energia renovável oceânica, como a eólica offshore, é vasto, podendo fornecer 18 vezes a procura mundial de eletricidade de forma sustentável.

A COP 28 destaca a importância vital dos oceanos para a saúde do planeta e destaca a necessidade urgente de acções globais. As alianças e iniciativas emergentes, como as da Aliança para os recifes de coral e Aliança para os manguezais, oferecem esperança para a protecção e preservação desses ecossistemas críticos. O desafio agora é traduzir os compromissos e discussões em acções tangíveis, assegurando um futuro sustentável para os nossos oceanos.

Oceano é oportunidade para Portugal ser "pertinente no século XXI"

O presidente executivo da Fundação Oceano Azul (FOA) entende que o oceano é a grande oportunidade para Portugal ser pertinente, a nível internacional, no contexto do combate às alterações climáticas e no desígnio da descarbonização.

“Se quisermos ser pertinentes no século XXI, temos de perceber para onde é que vai o século e este é o século da descarbonização”, disse Tiago Pitta e Cunha, em entrevista à Lusa no âmbito da 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28).

A porta para o contributo de Portugal, acrescentou, abre-se através do oceano e do investimento necessário em investigação científica nessa área, uma das principais necessidades quando se refere ao desafio de colocar o tema no centro da discussão sobre alterações climáticas.

“Portugal tem um grande desenvolvimento em ciências de investigação do mar e devíamos procurar ter um programa nacional de investigação de interligação entre o oceano e o clima”, defendeu, explicando que do ponto de vista da ciência, a maior lacuna diz respeito às soluções para as alterações climáticas com base no oceano.

De acordo com Tiago Pitta e Cunha, os impactos das alterações climáticas são claros e existe muita informação que aponta para a saúde em declínio do oceano, em função do aquecimento da temperatura, da acidificação e da desoxigenação, com impactos significativos nos ecossistemas marinhos, responsáveis pela captação e armazenamento de dióxido de carbono.

“É preciso termos o mesmo tipo de ciência para as soluções que o oceano produz para os problemas do clima”, referiu o especialista, exemplificando que no caso do carbono azul existem dados sobre o papel dos mangais, sapais e pradarias marinhas, mas pouco sobre a biomassa.

Além da aposta na ciência, Tiago Pitta e Cunha recorda o projeto de extensão da plataforma continental portuguesa, com que Portugal poderá passar a ter uma Zona Económica Exclusiva com cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados, o correspondente a quase 90% do mar da União Europeia.

“Esses fundos marinhos são verdadeiros repositórios de carbono e Portugal pode estar a fazer um serviço ecossistémico para o planeta”, afirmou, insistindo que “a grande obsessão do século XXI” será a descarbonização e Portugal pode liderar através de soluções baseadas no oceano.

Esse caminho começa a ser traçado e o presidente executivo da FOA reconhece que Portugal é um dos países que mais contribui para levar o oceano à discussão na COP28, mas entende que é preciso muito mais.

Um dos problemas, aponta, é a falta de recursos humanos organizativos do Estado, que diz não refletir a importância aparentemente atribuída ao tema.

Referindo-se, como exemplo, à antecipação para 2026 da meta de criação de 30% de áreas marinhas protegidas, inicialmente fixada para 2030, Tiago Pitta e Cunha considera que é um compromisso muito importante, mas tem dúvidas quanto à sua concretização “principalmente porque não existem recursos”.

“Acho que devia haver em Portugal uma verdadeira política nacional do mar que fosse transversal às tutelas ministeriais que têm impacto sobre essa área”, apontando, entre outros, a indústria, os transportes, a ciência, o turismo, os negócios estrangeiros, o ambiente e a energia.

“Todas estas zonas azuis têm de ser potenciadas, porque se Portugal tiver uma visão de conjunto para todas elas podemo-nos tornar um país pertinente no século XXI.

Foto: © Global Imagens

ITIC alerta sobre o "impacto multibilionário" da EU ETS no transporte marítimo

O Clube Internacional de Intermediários de Transporte (na sua sigla em inglês, ITIC) espera um impacto financeiro substancial, potencialmente atingindo milhares de milhões, na indústria do transporte contentorizado devido ao futuro Esquema de Comércio de Emissões (EU ETS) da União Europeia. 

Programado para entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2024, o EU ETS alargado irá impor um limite absoluto anual nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) para navios com arqueação bruta (tb) igual ou superior a 5.000 quando fizerem escala em portos da União Europeia. 

No entanto, a sua implementação está a desencadear tensões entre armadores e afretadores, particularmente relacionadas com a linguagem dos acordos de fretamento que visam garantir uma distribuição equitativa dos custos e gerir os riscos jurídicos. No meio a estes desafios, Robert Hodge, Director Geral do ITIC, enfatizou a necessidade crucial dos gestores de navios realizarem uma devida diligência completa, garantindo a mitigação eficaz destes riscos. 

A mensagem de advertência do ITIC segue a recente reunião do comitê documental da BIMCO, um fórum que inclui o ITIC e outras importantes partes interessadas no transporte marítimo. Notavelmente, durante esta reunião, a BIMCO deu um passo inovador ao adoptar uma cláusula de licenças ETS no seu acordo de gestão de navios, SHIPMAN. Além disso, foram introduzidas três cláusulas ETS personalizadas concebidas para contratos de frete de viagens. 

Estas cláusulas são estrategicamente elaboradas para facilitar o cumprimento das regulamentações em evolução, proporcionando uma abordagem voltada para o futuro para abordar o cenário dinâmico das emissões de carbono na indústria marítima.

A Flutuação do Transporte Marítimo Contentorizado.

 

Como já sabemos, o transporte marítimo contentorizado
desempenha um papel crucial na cadeia logística global, conectando mercados
distantes e facilitando o comércio internacional, é um dos sectores mais
importantes, responsável pelas mexidas nas economias.

No entanto, ao longo dos anos, este sector tem experimentado
flutuações significativas, enfrentando desafios que vão desde picos de demanda
até desacelerações económicas. É um mundo de dinâmicas de flutuações com altos
e baixos, bem como dificuldades por enfrentar.

A indústria do shipping não está imune ás recessões económicas. Este facto ficou conhecido desde a crise financeira e económica
global de 2008, que teve um forte impacto no mercado marítimo. O transporte
marítimo é o fiel servidor do comércio global e um fulcro do crescimento
económico, facilitando cerca de 90% do volume do comércio global.

O transporte marítimo contentorizado muitas vezes testemunha
picos de demanda, impulsionados por fatores como sazonalidade, eventos
especiais (como a tão americana Black Friday), e obviamente, o crescimento económico. Durante esses períodos,
os armadores muitas vezes lutam para atender à crescente procura,
resultando em congestionamentos nos portos e pressão sobre os recursos
logísticos.

Por outro lado, períodos de desaceleração económica podem
resultar numa diminuição abrupta na demanda por transporte de mercadorias. Vivemos actualmente num desses momentos. As taxas de juro alta, taxas euribor altíssimas para empresas e famílias, inflação muito acima do que é habitual, tudo isso afecta a actividade portuária.

A
redução nas atividades comerciais impacta negativamente as empresas de
transporte marítimo, levando a excesso de capacidade e redução nas taxas de
frete. Isso cria um desafio adicional para as operadoras, que muitas vezes
precisam equilibrar suas operações durante esses períodos difíceis.

A flutuação da procura pode levar a congestionamentos nos
portos, afectando a eficiência das operações. Isso ocorre especialmente durante
picos de procura, quando o número de contentores movimentados nos portos
aumenta significativamente. A infraestrutura portuária muitas vezes enfrenta
desafios para lidar com esse aumento repentino, resultando em atrasos e custos
adicionais. Infelizmente não estamos num caso destes, esperando todos nós, que a economia regresse a bom porto.

As flutuações na oferta e procura influenciam directamente as
taxas de frete. Durante períodos de alta procura, as taxas de frete podem
disparar, enquanto em tempos de baixa procura, como actualmente ocorre, exerce uma pressão descendente
nas tarifas. Isso torna difícil para os armadores preverem e
gerirem as suas receitas de maneira consistente.

Apesar dos desafios, o transporte marítimo contentorizado
continua sendo uma espinha dorsal do comércio global. Avanços tecnológicos,
como a automação portuária e o rastreamento avançado de contentores, (muitas vezes contra a vontade dos trabalhadores, que temem pelos seus empregos), estão
sendo adoptados para melhorar a eficiência operacional e enfrentar algumas das
dificuldades mencionadas. Além disso, a busca por soluções sustentáveis e a
adaptação às mudanças nas cadeias de suprimentos globais também moldarão o
futuro desse sector. 

O transporte marítimo contentorizado é um sector dinâmico
sujeito a altos e baixos decorrentes de flutuações na procura e desafios
diversos. Enquanto as dificuldades persistem, a indústria está se adaptando,
aproveitando avanços tecnológicos e estratégias inovadoras para enfrentar os
desafios actuais e preparar-se para um futuro logístico global em constante
evolução.

No caso português, a baixa de movimentação de mercadorias tem sido recorrente, afectando sobre tudo portos mais dependentes do transhipment como Sines, apesar da desaceleração económica também afectar portos perto dos tecidos empresariais. como Lisboa e Leixões. 

Líderes do transporte marítimo com planos para cumprir as metas de emissões da IMO

 

Sessenta organizações marítimas e parceiros governamentais
concordaram num caminho para cumprir as metas líquidas zero da IMO – Organização
Marítima Internacional até ou por volta de 2050 no “Shaping the Future of
Shipping”, um evento organizado pela Câmara Internacional de Navegação e pelo
governo dos Emirados Árabes Unidos à margem da COP28 em Dubai.

Mais de 300 líderes, incluindo mais de 30 nacionalidades de
todo o mundo, de toda a cadeia de valor energético/marítima, reuniram-se para
trabalhar em conjunto para alcançar um resultado regulamentar robusto nas
negociações da IMO em março de 2024 no MEPC81. A cimeira baseou-se nas
discussões que tiveram lugar durante a COP28, para determinar soluções
ambiciosas para promover a infra-estrutura, a disponibilidade de combustível e
o financiamento.

“A descarbonização é maior do que qualquer indústria ou
governo, mas o que está claro é que, para ter sucesso no cumprimento das nossas
metas climáticas, o mundo precisará do transporte marítimo. Sabemos que sempre
há anúncios e ruídos aqui nas reuniões da COP, mas além do ruído, há
negociações e conversações detalhadas. Foi disso que se tratou ”, afirmou Emanuele Grimaldi, Presidente da Câmara Internacional de Navegação.

Melina Travlos, presidente do Sindicato dos Armadores Gregos
e Presidente da Neptune Shipping Lines, disse no discurso de abertura: “Nesta cimeira, somos chamados a enfrentar de forma significativa os desafios
que temos pela frente e a procurar aproveitar a oportunidade. E é uma
oportunidade única, não só para moldar um futuro sustentável para o transporte
marítimo, mas também para desempenhar um papel decisivo no sentido de ajudar
toda a economia global a acelerar rumo ao zero. A colaboração, a
determinação e o compromisso de todos nós são fundamentais para trazer com
sucesso a descarbonização eficaz ao nosso alcance.”

Arsenio Dominguez, secretário-geral eleito da Organização
Marítima Internacional, disse: “Sim, temos a estratégia da IMO, foi uma grande
conquista em julho passado. Mas é o que vem a seguir, o que vamos começar a
fazer para tornar isso realidade? Na IMO não paramos. Já estamos a realizar a
avaliação de impacto na frota e nos estados, a fim de fornecer a informação
necessária para as reuniões do comité de protecção do ambiente marinho que
terão lugar no próximo ano e que nos levarão às medidas que serão adoptadas até
2025, implementadas em 2027 e que tornará realidade estes objectivos da
estratégia, tanto as medidas técnicas como económicas.”

Anders Hammer Strømman, autor principal do 6° Relatório
de Avaliação dos Transportes do Painel Intergovernamental sobre Alterações
Climáticas, fez uma apresentação que sublinhou a urgência da questão da
descarbonização.

Concluiu: “Há esperança. As opções estão disponíveis e a
hora de agir é agora. Ao mesmo tempo, o nosso relatório de síntese da maior
parte deste ano constituiu um alerta. O ritmo actual e a escala da acção
climática são insuficientes para enfrentar as alterações climáticas. E ao
moldar o futuro do transporte marítimo, lembre-se de que as nossas escolhas
repercutirão por centenas, até milhares de anos.”

A cimeira fez parte do programa da presidência da COP28 e
foi organizada sob o patrocínio do Ministério da Energia e Infraestruturas dos
EAU. O evento foi organizado por uma coligação de órgãos líderes da indústria
marítima e coordenado pela Câmara Internacional de Navegação (ICS), em parceria
com a Emirates Shipping Association.

A frota de navios antigos da MSC em destaque.

 

A MSC – Mediterranean Shipping Company, a maior empresa de
transporte de contentores do mundo, tem muitos recordes em seu nome, incluindo
a maior carteira de encomendas, mas também, paradoxalmente, por possuir a frota mais antiga
entre os 15 principais armadores. 

De acordo com dados da Linerlytica, a
linha liderada por Soren Toft tem uma frota com idade média de 16,8 anos,
enquanto a Maersk tem a frota mais antiga em termos ponderados por TEU, com
12,8 anos. 

A MSC está numa onda histórica de navios de segunda mão desde
agosto de 2020, acumulando uma quantidade sem precedentes de tonelagem vintage
– somando mais de 330 navios em pouco mais de três anos. Isto, apesar das novas aquisições serem ambientalmente melhores e mais económicos.

No lado oposto, os restantes armadores andam a apostar cada vez mais nas soluções mais fortes na descarbonização, nomeadamente em navios com opções metanol e amónia.

Centro de Formação da APDL promoveu Curso de Operação de Rebocadores.

O Centro de Formação da APDL promoveu, no passado mês de novembro, mais uma edição do curso de Operação de Rebocadores Portuários, no Núcleo de Simulação da APDL.

Os participantes são mestres, profissionais do sector que individualmente se inscreveram para consolidar conhecimentos e usufruir deste formato de formação caraterizado por uma experiência mais imersiva.

A APDL, dispõe de um Centro de Formação vocacionado para a prestação de serviços de formação profissional e de consultoria. Inaugurado em junho de 2001, o edifício dispõe de vários espaços preparados para o desenvolvimento da actividade formativa, seminários e outros eventos, sendo vários os objectivos a que se propõe.

A APDL, através do Centro de Formação é uma entidade acreditada pelo órgão competente, para ministrar o curso de ISPS – Port Facility Security Officer. 

É também entidade certificada pela DGERT – Direção Geral do Emprego e das Relações do Trabalho nas áreas de: Gestão, Línguas e Literaturas Estrangeiras, Higiene e Segurança no Trabalho e Informática.