
O transporte marítimo de curta distância está a atravessar uma fase de abrandamento na União Europeia, com sinais de quebra da procura e ajustamento da oferta por parte das companhias marítimas.
O alerta foi deixado pela Associação Espanhola de Promoção do Transporte Marítimo de Curta Distância, a SPC Spain, após a apresentação do Observatório Estatístico do Transporte Marítimo de Curta Distância relativo a 2025.
Segundo a associação, os dados mostram uma inversão da tendência positiva registada durante vários anos. Entre 2013 e 2019, o short sea shipping crescia em Espanha a um ritmo médio anual de 7,8%, acima do transporte rodoviário, que avançava 4,6%. Desde 2021, a evolução passou a ser diferente: a estrada cresce cerca de 2,1% ao ano, enquanto o transporte marítimo de curta distância recua 2,3%.
A SPC Spain aponta o impacto das novas regras ambientais europeias, como o ETS marítimo e o FuelEU Maritime, como um dos factores que está a afectar a competitividade do sector. De acordo com a entidade, as transportadoras marítimas têm reduzido frequências e capacidade para se adaptarem à menor procura, sobretudo em tráfegos dentro da União Europeia.
Em 2025, o tráfego global de short sea shipping em Espanha, incluindo cabotagem e granéis, caiu 4,3%, para 258 milhões de toneladas. O tráfego exterior recuou 6,4%, ficando nos 193,6 milhões de toneladas, enquanto a cabotagem cresceu 2,9%.
Por tipo de carga, a mercadoria geral ro-ro foi uma das poucas áreas com crescimento, subindo 2,2%, para 55,8 milhões de toneladas. Já a carga contentorizada caiu cerca de 9%, para 65 milhões de toneladas, e os granéis sólidos registaram uma quebra de 14%, para 42,1 milhões de toneladas.
No short sea shipping internacional de carga rodada, excluindo veículos em regime de mercadoria, foram transportadas 25,1 milhões de toneladas, menos 0,8% do que em 2024. A fachada atlântica registou uma quebra de 8,7%, enquanto a mediterrânica se manteve praticamente estável, com uma subida de 0,6%.
A associação destaca ainda a redução da capacidade anual oferecida nos serviços de carga rodada. Na fachada atlântica, a capacidade caiu 16,6%, de 3 milhões para 2,5 milhões de metros lineares. Na fachada mediterrânica, a descida foi de 11%, de 6,4 milhões para 5,7 milhões de metros lineares.
Nas chamadas auto-estradas do mar, a fachada atlântica perdeu duas ligações, ficando com duas rotas, ambas com o Reino Unido. Já a fachada mediterrânica aumentou para oito auto-estradas do mar, mas ainda assim registou uma redução da capacidade oferecida.
A SPC Spain defende que a revisão da directiva ETS deve acompanhar de perto estes efeitos, sobretudo no impacto sobre a competitividade do transporte marítimo de curta distância face à estrada.