
A Yilport, concessionária do terminal de contentores do Porto de Leixões, criticou o projecto do novo Terminal de Contentores Norte, considerando que a solução proposta apresenta fragilidades estruturais e poderá tornar-se desajustada face à evolução do transporte marítimo internacional.
Segundo o Jornal de Negócios, a posição da concessionária consta do relatório da consulta pública do projecto, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente, depois de o Estudo de Impacte Ambiental ter recebido parecer favorável condicionado. A empresa entende que o modelo operacional previsto para o novo terminal é “insustentável a médio e longo prazo”, defendendo que a infra-estrutura poderá ficar obsoleta antes de permitir recuperar o investimento realizado.
Em causa estão, segundo a Yilport, opções de concepção que não acompanham suficientemente as tendências de automação, digitalização e crescimento da frota mundial de porta-contentores. Uma das principais críticas incide sobre o desenho do terminal, nomeadamente o layout triangular previsto para a infraestrutura. Para a concessionária, esta solução é menos eficiente do que os modelos rectangulares habitualmente adoptados em terminais de raiz, por dificultar a operação, a automatização e a capacidade futura de expansão. A Yilport questiona também o dimensionamento do projecto, definido para receber navios até cerca de 300 metros e aproximadamente 5.000 TEU. A empresa recorda que o mercado mundial de contentores tem evoluído para navios de maior dimensão, com unidades acima dos 10.000, 12.500 e 20.000 TEU a ganhar peso nas principais rotas internacionais.
A posição da concessionária coloca pressão adicional sobre um projecto considerado estratégico para a competitividade de Leixões, mas que tem sido acompanhado por reservas quanto ao seu impacto, concepção e adequação ao futuro da actividade portuária. Para a Yilport, outras alternativas anteriormente estudadas, incluindo soluções de melhoria do terminal existente ou diferentes localizações dentro da área portuária, poderiam apresentar melhor equilíbrio entre custos, riscos, capacidade operacional, impacto ambiental e resposta às necessidades futuras das cadeias logísticas.
O debate em torno do novo terminal Norte de Leixões surge num momento em que os portos portugueses procuram reforçar capacidade, eficiência e ligação às cadeias logísticas internacionais.