Opinião: “Terminal Vasco da Gama: Modernizar com critério.”

Por Vasco Sousa – Técnico de Operações Marítimas.

O debate em torno do futuro Terminal Vasco da Gama merece ser feito com ambição, mas também com sentido de responsabilidade. Sines tem dimensão, localização e relevância estratégica para pensar grande, e seria estranho que um novo terminal, concebido de raiz, não incorporasse níveis elevados de modernização, digitalização e eficiência operacional.

Isso não significa aceitar a automação como palavra mágica nem tratá-la como fim em si mesma. Significa, antes, perceber que o sector portuário mudou, que a concorrência internacional é cada vez mais exigente e que um projecto desta dimensão tem de nascer preparado para responder aos desafios de um mercado mais complexo, mais tecnológico e mais competitivo. É precisamente por isso que faz sentido que a administração portuária esteja a procurar conhecer melhor o mercado, ouvir operadores e ajustar o modelo do futuro terminal à realidade.

Depois de um concurso da anterior administração em 2019 que ficou sem propostas, seria irresponsável insistir na mesma fórmula sem aprender com o que falhou. Reavaliar, estudar e corrigir não é sinal de fraqueza. É sinal de seriedade. A questão, por isso, não deve ser saber se Sines quer parecer moderno. Deve ser saber como pode ser mais eficiente, mais atractivo e mais preparado para o futuro sem perder racionalidade. Um terminal mais automatizado pode fazer parte dessa resposta, desde que essa opção resulte de uma análise sólida e não apenas de um impulso de imagem.Sines precisa de continuar a crescer com visão estratégica. E isso exige precisamente o que agora parece estar a ser feito: menos pressa em anunciar, mais cuidado em estruturar.

Num projecto com esta escala, o mais importante não é correr para o futuro. É garantir que o futuro, quando chegar, assenta em bases firmes.

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