Redireccionamento de rotas beneficia ( até ver ) Sines.

O contínuo conflito no Mar Vermelho, envolvendo os rebeldes houthis do Iémen, que atacam qualquer navio cruzando em direção ao Canal do Suez, causou perturbações na cadeia de abastecimento. Após isso, houve uma readaptação “natural” da cadeia para lidar com mais constrangimentos.

A importância do Canal do Suez é incontestável. Com 193 quilómetros de extensão, 24 metros de profundidade e 365 metros de largura, e uma capacidade atual de transporte de cargas de 240 mil toneladas, o canal liga as cidades litorâneas de Suez e Porto Saíde, nos mares Vermelho e Mediterrâneo, sendo responsável por 20% do comércio global. O seu bloqueio prejudica empresas e o funcionamento normal da economia.

O redirecionamento pelo Cabo da Boa Esperança beneficiou Sines, capturando o Dragon Service da MSC devido às alterações nas rotas. O Terminal XXI, um “Transhipment Hub,” tem funcionado assim, especialmente devido à falta de empresas exportadoras na região, apesar dos investimentos anunciados. As dificuldades rodoviárias e ferroviárias podem ser parcialmente resolvidas com a linha de alta velocidade Sines – Caia.

Por outro lado, a seca extrema e severa no Canal do Panamá resultou na perda de parte da movimentação, levando a Maersk a criar uma “ponte” terrestre para contornar esse constrangimento.

Sines ainda tem um longo caminho para se afirmar plenamente em relação a Tânger-Med, Valência ou Barcelona. A estratégia contínua e em sintonia entre a ‘tríade’ (concessionária PSA, armador MSC e Administração Portuária APS), além do papel crucial do futuro governo, são essenciais para dar o salto para o Top 10 no longo prazo.

Não basta apenas captar linhas durante crises pontuais. É necessário um planeamento a longo prazo, juntamente com medidas legislativas para desburocratização, eliminação de taxas e impostos que penalizam. O Terminal XXI, agora em expansão, terá uma frente de cais de 1.950 metros, 60 hectares de terraplenos e 19 pórticos de cais super post-panamax, visando uma capacidade total de 4,1 milhões de TEU/ano.

Preparar o caminho antes da conclusão da expansão é crucial para servir o país, a economia e o comércio de maneira robusta e resiliente. Venham mais “Dragon Service”. 

Nuno Caldeira, Analista Portuário.

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