Depois da reunião com o novo ministro das Infraestruturas, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias decidiu desconvocar a greve iniciada a 22 de dezembro e que abrangia as várias infraestruturas do continente, Madeira e Açores, confirmou o líder sindical, Serafim Gomes.
“Desconvocámos a greve. Decidimos dar um voto de confiança às intenções que o senhor ministro nos apresentou de valorizar os portos. Achámos que era uma atitude responsável, até porque [João Galamba] está há pouco no cargo. Pediu-nos tempo, até três meses, para avançar com as ideias que tem para os portos”, resumiu.
Após cinco dias em dezembro, estava prevista a paralisação todas as segundas e sextas-feiras até ao final do mês de janeiro, levando as fábricas portuguesas a temer atrasos nas encomendas e subidas nos custos de produção. Esta greve estava concentrada sobretudo nos trabalhadores marítimos, que movimentam as lanchas de pilotos e os rebocadores, mas bloqueava as restantes operações portuárias.
Na lista de reivindicações do SNTAP, que por “uma questão de independência não está, nunca esteve e nunca estará” filiado na CGTP ou na UGT, destacava-se, além da resolução de problemas distintos nos diversos portos, uma actualização da tabela salarial de 8% para os trabalhadores das administrações portuárias.
Questionado sobre se, na reunião da passada segunda-feira, Galamba deixou alguma promessa em termos de valorização salarial, Serafim Gomes respondeu que “o compromisso é que vai avançar com um processo mais geral de desenvolvimento dos portos e, nesse contexto, rever as matérias das condições dos trabalhadores”. “Se houver desenvolvimento dos portos, é melhor para os trabalhadores”, acrescentou.
