Sonho náutico leva velejadores espanhóis a viajarem pelo mundo por 4 anos.

“Se gosta de velejar e de viajar, fazer a volta ao mundo é o máximo que pode fazer. Como gente que gosta do mar, era um sonho que tínhamos há muitos anos”, contou em Maputo à agência Lusa Enrique Fenollosa, engenheiro de telecomunicações.
Em novembro de 2009, os dois velejadores soltaram as amarras da “jangada de pedra” que os tem levado à volta do mundo – um veleiro de 47 pés, reconvertido de um barco regata -, mas os preparativos da viagem começaram quatro anos antes.
“Não é uma coisa que se faça de um dia para o outro. Nós já tínhamos experiência como velejadores. Não é só a questão do financiamento, mas também as questões técnicas do barco, planificação (percursos, ventos, marés, ciclones) e tudo isso”, sublinha o músico Jose Carlos Corral.
“Representou muito trabalho. Tivemos de fazer mais de 60 reuniões para conseguir os oito patrocinadores que temos”, acrescenta Fenollosa, destacando as dificuldades de acesso a financiamento, aumentadas devido à crise económica espanhola.
Das águas mediterrânicas às do Caribe, cruzando o Cabo de Hornos, “o local mais difícil de navegar do planeta”, para depois escalar a costa leste da América do Sul e seguir viagem rumo ao exotismo de destinos como as Ilhas Fiji, Filipinas ou Indonésia, o percurso da “Aventura Oceânica” encontra-se, neste momento, ante a dobragem do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.
No entretanto, a certeza da passagem por 42 países, a impossibilidade de nomear um destino de eleição, por serem tão diversos, quanto interessantes, e, alguns sustos, como na Venezuela, onde enfrentaram piratas.
“Se temos que lutar contra o mar, é uma coisa inevitável, mas é mais duro quando se encontra conflitos com pessoas: sejam piratas ou autoridades de alguns lugares corruptos, que querem tirar proveito de nós. Isso é a parte mais negativa da viagem”, lamenta Corral.
Quase na reta final da aventura – tencionam chegar a Espanha em dezembro -,os dois espanhóis não querem, “até cruzar o estreito de Gibraltar”, pensar no regresso ao que se pode chamar de “as suas vidas antigas”.
Levam, no entanto, a certeza de que um sonho pode ser cumprido, desde que se tomem decisões nesse sentido, e de que “a bondade” do ser humano “é uma questão internacional”.
“O mais importante é que se tome uma decisão: toda a gente tem sonhos, mas não fazem nada para cumpri-lo. Para mim, o mais importante é que se façam coisas, que se trabalhe para o sonho. As decisões não são fáceis, mas se se quer fazer, tem que se tomá-las”, concluiu Fenollosa
Fontes: EMYP // PJA e Lusa/fim

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