O especialista é um dos autores do livro “O Mar na História, na Estratégia e na Ciência”
O Ciência Hoje falou com um dos autores, Fernando Barriga, responsável pelo capítulo intitulado “Ciência e recursos naturais debaixo de um mar profundo”. O investigador do Creminer – Centro de Recursos Minerais, Minerologia e Cristalografia sublinha que “para a maioria das pessoas que tratam dos assuntos do mar é claro que o futuro de Portugal está do lado do mar porque o país tem uma enorme área de jurisdição económica do fundo do Atlântico Norte. São quase quatro milhões de quilómetros quadrados”.
Os resultados neste sector deverão aparecer mas para até lá é necessário “dedicar mais esforço às ciências e tecnologias do mar”. Para Fernando Barriga “não basta dizer que o mar é importante, é preciso fazer alguma coisa. E o que se está a fazer é escasso”.
O autor defende assim uma “maior prioridade” relativamente aos assuntos relacionados com o mar.
Um dos recursos que poderá ser explorado consiste nos elementos chamados de terras-raras, um grupo de elementos químicos de grande importância em indústrias de alta tecnologia. Actualmente, grande parte destes elementos chega da China, mas descobertas recentes indicam que os fundos marinhos são ricos em terras-raras. Elementos como manganês, cobalto, níquel, cobre, zinco, ouro e prata são também candidatos a extracção num futuro próximo.
O investigador avança que o Creminer, associado a outras instituições europeias, vai participar num projecto designado Blue Mining que vai procurar esclarecer questões e demonstrar a viabilidade económica de determinadas explorações minerais,“parte delas em mares sob jurisdição portuguesa”.
Além da estratégia científica, o livro “O Mar na História, na Estratégia e na Ciência”, lançado pela Fundação Luso-Americana (FLAD), e coordenado por Mário Mesquita e Paula Vicente, aborda ainda a história a estratégia turística.
“Em foco estão um conjunto de perspectivas complementares sobre a importância do mar para o crescimento económico português e para o reposicionamento do país face à sua imensa plataforma marítima, nomeadamente através da cooperação internacional”, esclarece a FLAD.
