AINavais vê oportunidade para estaleiros nacionais

Como se costuma dizer no sector  sem navios não há transporte marítimo. A frase até pode parecer vazia de conteúdo mas assume especial relevância num país que parece apostado em regressar ao Mar mas que tem desvalorizado a importância da indústria naval nacional, com claro prejuízo para os estaleiros navais do país.

O Fórum do Mar, realizado na passada semana na Exponor, deu a devida importância a esta indústria, em colaboração com a Associação das Indústrias Navais (AIN) que promoveu mesmo um workshop sobre o Programa AuxNavalia Plus.

Mas mesmo antes desse workshop, realizado no segundo dia do evento, se falou da indústria naval. Frederico Spranger, presidente da AIN, interveio no terceiro painel do primeiro dia, subordinado ao tema “As fileiras da Economia do Mar e os desafios 2020”.

Na sua intervenção, Frederico Spranger abordou a complicada realidade actual da construção naval mundial, estrangulada por uma “oferta superior à procura”, apontando depois a agulha à realidade nacional, considerando que os nossos estaleiros terão a sua actividade “limitada aos navios de pequena e média dimensão”, devendo isto ser visto como uma “oportunidade” e algo a ser potenciado pelos estaleiros, através da “construção de navios especializados”.

“A crise que grande parte dos estaleiros atravessam é uma ameaça mas também pode ser uma oportunidade para o desígnio que é o regresso ao Mar”, acrescentou o também responsável da Lisnave, lembrando, porém, que “sem investidores não se pode fazer nada, porque há que recapitalizar as empresas existentes ou criar empresas novas”.

Sobre a manutenção e reparação naval, afirmou que a Associação prevê em Portugal “que os resultados nos próximos 3 a 5 anos sejam superiores aos actuais em cerca de 15%”.


Workshop AuxNavalia Plus

A moderar o workshop intitulado “Workshop AuxNavalia Plus: Instrumentos financeiros disponíveis para a indústria naval e auxiliar do naval e oportunidades de mercado na Namíbia” esteve Ventura de Sousa, secretário geral da AIN que também vincou a situação “difícil” da indústria da construção naval em Portugal, apesar da “quebra a nível europeu ser ainda maior”. 

Considerou ainda que a indústria naval precisa, entre outros, de “acesso a fundos comunitários no período 2014-2020, mais fácil acesso a capital estrangeiro ou incentivos co-financiados por fundos da União Europeia”

A fazer a apresentação do Programa AuxNavalia esteve um representante da Fundación Calidade. Entre os pontos essenciais do Programa destacou três: primeiro, uma análise do sector em Espanha, Portugal, França, Reino Unido e Irlanda, ou seja na área atlântica”; “perceber as oportunidades de negócio para a construção naval da área atlântica em todo o mundo”; “analisar as inovações e as novas tecnologias de informação deste sector em todo o mundo, de forma a ajudar a indústria desta região a ser mais competitiva”.

Presenças notadas neste workshop, também no papel de oradores, foram as de Douwe Cunningham (Secretário Geral da SeaEurope – CE), assim como de representantes da Namíbia como Eliud Shimuafeni (Namibia Port Authority), Rogério Tavares (Cônsul Honorário da Namíbia em Lisboa) ou Mohamed Saleh (Embaixada da Namíbia).

Fonte: Cargo

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