As ostras do Sado: um património a preservar

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As ostras constituem um património natural no estuário do Sado desde há vários anos e que deve ser preservado dada a ligação entre a população de Setúbal e as ostras do Sado. As ostras de Setúbal sempre tiveram grande prestígio quer a nível nacional quer a nível internacional sendo a atividade de exportação de ostras, uma das atividades mais importantes até aos anos 70 em que cerca de 2000 pessoas se dedicavam a esta atividade.

 

 

Foi em finais do século XIX que se deu início à aquacultura de ostras em Portugal, tendo mais incidência no estuário do Tejo e Sado, com maior produção da conhecida ostra portuguesa, a Crassostrea angulata. A forte pressão industrial na zona do estuário do Sado assim como algumas atividades humanas da região levaram ao declínio das populações de ostras. A melhoria recente da qualidade da água causada pelas medidas impostas pela legislação ambiental está novamente a levar ao incremento das populações de ostras no habitat natural e a fomentar o interesse por parte de produtores de ostra em aquacultura.

 

Os estuários portugueses são o melhor exemplo desse potencial, devido às suas características ambientais e condições climáticas favoráveis, sendo habitados por uma grande diversidade de espécies, das quais o homem pode tirar proveito para seu próprio consumo. Devido à sobre-exploração das espécies e aumento da concorrência houve necessidade de encontrar novas formas de explorar este negócio sem prejudicar o equilíbrio natural do meio e provocar a escassez de recursos naturais, surgindo assim o cultivo das ostras em aquacultura.

 

Com a evolução industrial e aumento dos núcleos urbanos deu-se uma diminuição da qualidade nos estuários que outrora eram os de maior produção, o que acabou por levar à disseminação de doenças que quase extinguiram a espécie e ditando o fim deste tipo de aquacultura em Portugal, excetuando pequenos núcleos no estuário do rio Mira (Alentejo), e na ria Formosa (Algarve). A partir dos anos 90 o ecossistema no estuário do Sado foi-se regenerando e as ostras voltaram a ser produzidas em regime de aquacultura e começou a assistir-se à regeneração e recuperação dos ecossistemas e nomeadamente dos bancos de ostras. No entanto, a falta de controlo por parte das autoridades competentes e da implementação de medidas de proteção dos habitats dos bancos de ostras leva a que estas zonas estejam vulneráveis a vandalismos e à exploração não controlada. Neste sentido é urgente tomar medidas de controlo e de preservação do património natural das ostras existentes no estuário do Sado e incentivar a sua produção em aquacultura.

 

Atualmente as espécies mais produzidas em aquacultura são a C. angulata e a C.gigas, através da importação de sementes provenientes de França e Espanha. Em 2011, foram produzidos cerca de 846 toneladas de ostra (angulata e gigas), sendo expectável que a produção venha a aumentar com o desenvolvimento da produção Offshore apesar de ainda não existir qualquer maternidade em Portugal.

 

Sendo as ostras consideradas ótimas biofiltradoras, estas acabam por estar sujeitas à ingestão de microrganismos, metais pesados, entre outros produtos químicos que podem ser agentes de contaminação para elas e para o ambiente que as rodeia. Estas podem, assim, ser denominadas de bioindicadoras ambientais, fornecendo-nos informações sobre a qualidade do meio e avisando-nos das possíveis fontes poluidoras. Torna-se então indispensável que seja realizado uma monitorização do ecossistema e um controlo analítico da qualidade das ostras, fundamental para o desenvolvimento de ostras saudáveis. Dos resultados das análises efetuadas a ostras produzidas em aquacultura e provenientes do meio natural demonstram que as ostras apresentam elevados índices de qualidade, comprovando as excelentes condições ambientais do estuário do Sado para a sua produção. È importante criar medidas que regulem e protejam estes ecossistemas por forma a assegurar a continuidade desta atividade económica importante para a população local. Para além disso, trata-se de um produto com elevada procura internacional e que terá fortes possibilidades de internacionalização de muitas empresas que vivem desta atividade. Será importante começar por medidas simples como a sensibilização das pessoas para a importância da preservação dos ecossistemas estuarinos e ajudar a preservar este património natural existente no estuário do Sado e garantir a sustentabilidade deste recurso para as gerações futuras.

Fonte: Setúbal na Rede com Ricardo Salgado