Na Piscina das Marés, o Verão é monumental

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A Piscina das Marés, Monumento Nacional em Leça da Palmeira, voltou para mais uma temporada. Até ao fim do Verão, está aberta a mergulhos esta obra com dedo de Siza Vieira.

São duas piscinas (uma exclusiva para crianças) de água salgada e constituem uma das atracções maiores do concelho de Matosinhos. O complexo Piscina das Marés, localizado na praia de Leça da Palmeira, foi construído em 1966, tendo sido projectado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira. A naturalidade com que o desenho de parte da obra se conjuga com a rocha e a Natureza contribuiu para que fosse declarada Monumento Nacional em 2006.

No início de cada Verão, a Matosinhos Sport, que gere o espaço, reabre a Piscina das Marés ao lazer e ao mergulho. Este ano, a abertura ocorreu a 19 de Junho e o local deverá estar acessível até meados de Setembro. A funcionar das 9h às 19h, tem preços diferenciados, conforme dias ou idades. Durante a semana, meio-dia custa 4 euros para adultos e um dia custa 6 (ao fim-de-semana, os preços sobem para 5 e 8 euros) – as crianças pagam menos entre 1,5 e 4 euros, conforme os períodos). Há ainda descontos para quem tiver o cartão Matosinhos Sport ou para cartões de 10 entradas.

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Dentro e fora de água, há diversas actividades e o programa de Verão inclui diversas propostas de lazer. Além das duas piscinas, vestiários e balneários, está também disponível um bar/lounge (que funciona das 9h às 24h durante a semana e das 9h às 2h ao fim-de-semana).

Além de outras obras de Siza Vieira – como, até, outra piscina com o seu dedo, a da Quinta da Conceição, recuperada após alguns anos sem utilização -, refira-se ainda que a vizinha Casa de Chá da Boa Nova, após uma quase ruína, foi recuperada e prepara-se para acolher um restaurante chefiado por Rui Paula.

Outras informações e tarifários na página oficial da piscina.

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Fonte: Público

Salvar os Mares: Estamos a acabar com eles

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Os ecossistemas marinhos são um enorme manancial de riquezas para a humanidade, mas o tratamento que recebem põe em risco sua sobrevivência.

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Os mares tropicais são premiados com o surgimento de grandes bancos de coral. Essas áreas constituem o hábito de milhares de espécies, muitas delas endémicas, cuja sobrevivência depende da manutenção em condições excelentes dos corais.

Os ecossistemas marinhos fornecem pelo menos 20,9 triliões de dólares em bens e serviços em cada ano. No entanto, tratamos o mar como um esgoto. As respostas ecológicas dizem tudo: perda de mais de 90% dos principais predadores, colapso da pesca e uma mudança de águas ricas em vertebrados para mares dominados por águas-vivas, com um crescente número de zonas mortas. Segundo estudo publicado na revista Science, quase todo quilómetro quadrado dos oceanos está sob ameaça.

É preciso fazer mais para proteger o reino marinho. Mas por onde começar? Qual contribuição a biogeografia marinha pode dar? Quatro das abordagens mais comuns para o planeamento sistemático de conservação – hotspots, representação, eco-regiões e áreas-chave – foram apresentadas numa recente conferência da Unesco. Cada uma dessas abordagens reflecte um conceito biogeográfico e dados específicos.

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Um tubarão-baleia no meio de um cardume de sardinhas

 

Hotspots – A simples abordagem conceptual é dar prioridade aos hotspots, as áreas ricas em espécies. Com cerca de 100 mil km2 de recifes de coral (34% do total mundial) e mais de 2 mil espécies de peixes de recife, o Sudeste da Ásia é um desses “pontos quentes”. Estima-se que a área relativamente pequena entre Indonésia, Filipinas e Papua-Nova Guiné (o “Triângulo de Coral”) abriga 83% das espécies de coral do mundo e 58% dos peixes de recifes. No entanto, essa riqueza é atribuída principalmente a uma concentração de distribuições sobrepostas de espécies abrangentes, como o peixe Abudefduf bengalensis, em vez de uma abundância de espécies de áreas restritas (endemias), como o Discordipinna griessingeri, um tipo de caboz.

 

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Esta é uma baleia-de-Bryde, de enorme boca, devorando um cardume de sardinhas. À esquerda, um mergulhador.

 

Em termos ecológicos, porém, pode ser que as regiões pobres em espécies, ou coldspots, sejam mais vulneráveis. Por um lado, a baixa diversidade implica uma probabilidade maior de que a extinção de uma ou mais espécies signifique a perda de um ecossistema fundamental. Coldspots também contêm um número desproporcionalmente grande de espécies endémicas. Já em 2002, cientistas tinham mapeado a distribuição de 3.235 espécies de peixes, corais, lagostas e moluscos e mostrado que, como na terra, as espécies de distribuição restrita no mar estavam concentradas em centros de endemismo.

Embora a abordagem de hotspots seja relativamente simples, atractiva politicamente e transparente em termos de análise, há um risco de que ela possa prejudicar as comunidades de “áreas não hotspot”, que também precisam estar envolvidas no esforço de conservação.

 

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Tratar os oceanos como um aterro implica prejudicar profundamente os ecossistemas marinhos

 

Representação – A segunda abordagem propõe assegurar uma representação adequada e abrangente de cada tipo de habitat ou zona biogeográfica. Mas elaborar classificações apropriadas do meio ambiente marinho, a fim de avaliar a representação de uma gama de escalas espaciais, não é uma tarefa fácil.

Classificações marinhas são baseadas em vários dados, como a direcção, a velocidade e a persistência das correntes; a temperatura e a cobertura de gelo; a geomorfologia; imagens de satélite; sondagens de sonar; registos de fauna, associações bióticas e percentagem de endemismo.

 

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Recife de coral nas Ilhas Maldivas, um exemplo de hotspot, e praia de nidificação de tartarugas

 

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É extraordinária a fauna marinha que habita as áreas dos recifes de coral

 

Ecorregiões – Recentemente, tem havido uma mudança para uma “abordagem ecossistemica” na conservação marinha, com os cientistas indo além de padrões e números para considerar o funcionamento ecológico das áreas. Dessa forma, os ecossistemas associados, tais como recifes de corais, mangues e leitos de algas marinhas, são considerados em conjunto num plano de gestão eco-regional.

 

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Fêmea de leão-Marinha com o pescoço quase cortado e estrangulado por uma linha de rede de pesca

 

Áreas-chave – A abordagem de “áreas-chave” não depende de uma etapa de classificação prévia; ela concentram-se em locais específicos onde importantes processos ecológicos acontecem. Por exemplo, áreas-chave incluem locais de reprodução das baleias, praias de nidificação para as tartarugas, corredores de migração ou locais onde há espécies ameaçadas em particular.

 

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Sítio protegido para desova de tartarugas marinhas.

 

Nidificação para tartarugas

Malabarismos com abordagens diferentes: Na prática, as ONGs internacionais usam uma combinação de abordagens para ajudar a determinar suas prioridades de conservação. O programa marinho da Conservação Internacional (CI) foi inicialmente conduzido por uma abordagem de hotspots, combinando hotspots de endemismo com outros ameaçados. Actualmente, a CI concentra-se em três “paisagens marinhas”, usando outros critérios biológicos e socioeconómicos.

Em 1995, há quase dez anos, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) avaliou o grau em que as áreas de protecção marinha existentes contribuíram para um sistema representativo, mas a falta de um acordo-quadro sobre a estrutura biogeográfica global prejudicou essa avaliação. Comentários recentes usando a classificação de ecor-regiões marinhas do mundo mostram que apenas 16 delas têm mais de 1% de sua área designada como reservas marinhas, ou no take zones (zonas sem captura). Essa classificação, já em uso no planeamento de conservação global e regional pelo World Wildlife Fund (WWF), The Nature Conservancy e outras ONGs internacionais, está sendo adoptada como ferramenta de apoio pela Convenção sobre Diversidade Biológica. Em escala menor, o princípio da representação tem sido utilizado com sucesso, por exemplo, no estabelecimento de prioridades básicas e de zonas para a Grande Barreira de Corais da Austrália.

 

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Infelizmente, na maior parte do mundo, os sítios de desova de tartarugas marinhas, os predadores são pessoas.

 

Em 2002, o WWF utilizou uma abordagem de ecorregiões na sua análise Global 200. No reino marinho, eco-regiões foram definidas, mapeadas e avaliadas por critérios diferentes de biodiversidade, como riqueza de espécies, endemismo, maior singularidade taxonómica, fenómenos ecológicos ou evolutivos incomuns e raridade global do tipo de habitat.

As ecor-regiões foram, então, classificadas como globalmente notáveis, regional ou bio-regionalmente notáveis, ou localmente importantes. Por último, foram avaliadas pelo nível de ameaça, a fim de se chegar a uma lista final de 43 eco-regiões marinhas prioritárias. O WWF trabalha actualmente em 20 delas.

 

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Várias espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção. A pesca, simplesmente para se aproveitar as barbatanas do animal, é uma das causas principais.

 

A abordagem de áreas-chave tem sido menos usada no mar do que em terra. Contudo, os grandes ecossistemas marinhos, 16 dos quais recebem actualmente financiamento do Global Environment Facility, concentram-se em áreas chave de produtividade. Em escala menor, a abordagem das áreas-chave foi incorporada ao planeamento eco-regional do WWF.

 

Área de Protecção Marinha

 Áreas definidas como prioritárias por diferentes ONGs, como recifes de coral, normalmente se sobrepõem.

 Parques de papel: O pressuposto implícito da definição global de prioridades é que a conservação baseada em sítios locais dentro de áreas de alta prioridade mundial aloca adequadamente os recursos. Financiamentos e recursos para a conservação com base local são, portanto, filtrados pelo enquadramento global e podem não necessariamente levar em conta as realidades sociais que governam o sucesso das Áreas de Protecção Marinha (APMs) designadas. Áreas definidas como prioritárias por diferentes organizações comummente se sobrepõem. Por outro lado, áreas significativas do oceano não atraem a atenção prioritária nem o financiamento associado a ela.

 

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A pesca excessiva, com o uso de redes gigantescas, está dizimando os cardumes em todos os oceanos do planeta

 

Na verdade, as APMs designadas ocorrem tanto em áreas prioritárias como em outros lugares. Existem hoje em torno de 5.045 APMs no mundo, que abrangem por volta de 4% da área da plataforma continental, ou 0,7% da superfície do oceano. O conjunto das reservas marinhas, por seu lado, representa menos de 0,1% da superfície dos oceanos, e nenhuma delas está em alto-mar. Pior ainda, estimativas sugerem que a maioria das APMs não passa de “parques de papel”. A partir de 2006, por exemplo, menos de 0,01% dos recifes de coral do mundo estavam dentro das APMs definidas como reservas marinhas.

 

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Técnicas de pesca como a que se vê na foto, tirada no Chile, são responsáveis pelo empobrecimento dos stocks de peixes nos oceanos

 

Pesca industrial – Os subsídios concedidos à pesca industrial por todo o mundo estão entre os factores geopolíticos que devem ser considerados nos esforços de conservação marinha.

 

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Tartarugas marinhas fisgadas por anzois preparados para peixes

 

Adaptar os regimes para os oceanos

 Em geral, a conservação marinha ainda parece presa à ideia de designar áreas de protecção baseadas em locais, pois a maior parte da teoria do planeamento conservacionista deriva do trabalho terrestre. Mas a própria natureza do mar significa que certas abordagens desenvolvidas na terra podem não ser eficazes num cenário marinho, pois o mar tem dimensões físicas, biológicas e sócio-políticas diferentes das da terra.

 

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As paisagens em cada ângulo dos recifes de coral são de tirar o fôlego.

 

Por exemplo, a elevada densidade da água permite aos organismos flutuar num mar totalmente tridimensional sem gastar muita energia. Ao contrário das árvores e da grama enraizadas na terra, a maioria das plantas marinhas, os microscópicos fitoplâncton, está à mercê dos movimentos da água gerados por variações de temperatura, salinidade e química do oceano e é, portanto, muito dinâmica e difícil de mapear. A fluidez e a relativa falta de barreiras físicas significam que muito do mar está interligado física, ecológica e geneticamente. O seu tamanho também permite que os indivíduos se movam por enormes distâncias e que as espécies tenham amplitudes potencialmente vastas.

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Mais um exemplo de paisagem em área de recife de coral

 

Essas características do mar têm importantes implicações para a biogeografia, a forma como as ameaças à biodiversidade podem se espalhar e a eficácia das abordagens de conservação. Por exemplo, as regiões biogeográficas do mar são tridimensionais e têm fronteiras difíceis de mapear. Já na terra, as plantas enraizadas crescem em regiões bidimensionais, onde as transições são em geral mais abruptas e comparativamente estáveis ao longo do tempo e do espaço. Os factores socio-políticos incluem a procura de recursos marinhos, o livre acesso à natureza de grande parte do mar, subsídios perversos na pesca industrial, alterações climáticas induzidas pelo homem, pobreza na governação do oceano e na resolução de conflitos, combinados com um conhecimento geralmente escasso das questões marinhas. Uma abordagem eficaz para a conservação marinha deve considerar as relações dentro e entre os ecossistemas, mais do que simplesmente um grupo de áreas protegidas isoladas.

 

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O fundo submarino nas áreas de corais são verdadeiros paraísos da vida natural

 

A biogeografia pode contribuir significativamente para isso, fornecendo dados sobre a distribuição das espécies e respondendo à pergunta “por que as coisas estão onde estão?” A ciência biogeográfica tem o potencial para aprofundar a compreensão dos processos ecológicos e evolutivos, reforçar a voz da conservação no discurso político e educar e inspirar o público a cuidar da biodiversidade marinha e da necessidade de uma ética de conservação.

 

Info: http://www.wdpa.org

(*) Sara A. Lourie é biogeógrafa marinha do Redpath

Museum, McGill University, Quebec, Canadá.

 

 

 

 

 

 

Lixo nos Mares

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Levados para os oceanos pelo vento, os resíduos sólidos gerados pelas actividades humanas já são um grave problema social e ambiental. Conservação marinha e boa gestão podem auxiliar a reduzir esse impacto.

O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado ‘giro’ do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as correntes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes ‘lixões’ oceânicos.

Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estudo do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mundo, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos unidos na luta pela diminuição desse problema social e ambiental.

Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas só em 1975 foi definido o termo ‘lixo marinho’, hoje consagrado. Essa definição, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho, todo o material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, esgotos e descargas domésticas e industriais.

Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são classificadas como ‘marinhas’ (descartadas por embarcações e plataformas de petróleo e gás) e ‘terrestres’ (depósitos e descartes incorrectos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo).

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O número de publicações, científicas e não científicas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980, segundo Christine Ribic, bióloga norte-americana e uma das principais investigadoras da área.

Ribic atribui esse aumento a três processos: 1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a acumular; 2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarte no ambiente e 3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho.

Compromissos e Atitudes.

Os estudos sobre o volume de resíduos no mar e os impactos à fauna levaram à realização, nos Estados Unidos, de Conferências Internacionais de Lixo Marinho, organizadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês). As conferências ajudaram a consolidar a ideia de que o problema do lixo marinho deve ser reconhecido e enfrentado pelo poder público e por indústrias, pescadores, marinha mercante, militares e a sociedade em geral, e ainda agilizaram trocas de informação entre os investigadores e os poderes governamentais.

O número de participantes – inclusive de países – vem aumentando, como mostrou a última Conferência Internacional de Lixo Marinho, realizada no Havaí, que teve o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Esse encontro gerou dois documentos importantes: o Compromisso de Honolulu e a Estratégia de Honolulu.

O primeiro é uma lista com 12 atitudes/acções que objectivam reduzir a geração de lixo marinho. Ao assinar esse documento, a nação, empresa ou indivíduo assume publicamente o compromisso de combate ao problema. Já a Estratégia de Honolulu consiste numa panóplia de medidas elaborado para orientar a sociedade civil, o poder público e o sector privado a planear e executar suas acções nesse campo, incluindo a troca de informações e o aprendizado mútuo. Inclui três eixos de acção: reduzir o lixo marinho gerado em terra, reduzir o lixo marinho gerado no mar e remover o lixo acumulado no ambiente marinho.

Protecção do Mar na ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada, em 1945, com o objectivo de promover a paz e o desenvolvimento dos países, mas nas décadas seguintes expandiu sua área de acção. Em 1972, criou uma comissão sobre meio ambiente e desenvolvimento, a qual, em 1987, publicou o relatório ‘Nosso futuro comum’ – chamado de Relatório Brundtland. O nome homenageia a então primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, que presidiu a comissão.

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O relatório criticou o sistema de produção mundial e o próprio conceito de desenvolvimento, sugerindo uma mudança na forma como as nações procuravam o seu crescimento económico. Para a comissão, os governos deveriam adoptar um modelo de desenvolvimento capaz de “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as próprias necessidades” – ou seja, um desenvolvimento sustentável.

Em 1992, como desdobramento do Relatório Brundtland, foi promovida a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92, ou Rio-92, por ter ocorrido no Rio de Janeiro. O encontro mundial gerou um documento, a Agenda 21, contendo compromissos que os países deveriam adoptar para proteger o meio ambiente. Entre eles estavam mudanças nos padrões de consumo, manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e protecção dos oceanos, mares e zonas costeiras, temas que se relacionam com a diminuição da geração de lixo marinho.

Dando sequência às iniciativas da ONU contra a degradação do ambiente marinho, o PNUMA criou, em 1995, o Programa Global de Acção para a Protecção do Ambiente Marinho de Actividades Situadas em Terra (GPA, na sigla em inglês). Esse programa inovou ao apontar a ligação entre os ambientes marinho e terrestre e procurou orientar as nações no sentido de reduzir as fontes de degradação dos oceanos oriundas de actividades humanas realizadas em terra.

Fonte: Ciência Hoje