Marinha quer navios construídos em Viana do Castelo

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O chefe de Estado-Maior da Armada portuguesa (CEMA) manifestou hoje a necessidade de retomar o programa de reequipamento da Marinha, envolvendo a construção de navios-patrulha nos estaleiros de Viana do Castelo, o que espera que aconteça “em breve”.

Em causa está uma encomenda de oito Navios-Patrulha Oceânicos (NPO) e cinco Lanchas de Fiscalização Costeira (LFC) feita em 2004 pelo Ministério da Defesa aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), entretanto revogada pelo atual Governo devido ao processo de privatização (em 2012) daquela empresa pública. Em Luanda, onde participou nas comemorações do 38.º aniversário da Marinha de Guerra de Angola – que conhece o projeto português dos NPO -, o almirante Luís Manuel Fragoso assumiu à Lusa “confiança” que “em breve” haverá “condições para relançar o programa” de reequipamento da Marinha.

Diz que “com maior probabilidade” essas construções serão feitas em Viana do Castelo – os ENVC estão em fase de liquidação e foram subconcessionados à empresa West Sea, do grupo Martifer – mas também poderá envolver “outros estaleiros nacionais”, nomeadamente o Arsenal do Alfeite, sobretudo no caso das lanchas. “Há trabalhos desenvolvidos no sentido de retomarmos este programa, mas não mais do que isso”, disse o almirante Luís Manuel Fragoso, reconhecendo que o reinício dessas construções ainda não tem um calendário definido, apesar da urgência sentida pela Marinha.

A encomenda dos navios-patrulha aos ENVC visava, globalmente, a substituição de corvetas e patrulhas com 40 anos de serviço na Marinha e que continuam a ter de operar.

“É absolutamente fundamental para a Marinha que tão cedo quanto possível possamos retomar o programa, e o mais cedo possível ter outros navios. Porque as corvetas já estão para além do tempo útil de vida”, enfatizou.

Recordou que “as poucas corvetas que restam [cinco] têm estado a ter intervenções que são muito onerosas” para o Estado e que têm o “fardo” de representar um investimento em navios “que não terão grande futuro”.

Da encomenda inicial de oito navios-patrulha apenas o primeiro par – NRP (Navio da República Portuguesa) Viana do Castelo e NRP Figueira da Foz – foi entregue pelos ENVC à Marinha, entre 2011 e 2013, com vários anos de atraso face ao previsto.

Uma resolução do Conselho de Ministros de 13 de setembro de 2012 revogou a encomenda da construção dos restantes seis e das cinco LFC, contrato que deveria render cerca de 500 milhões de euros aos ENVC.

O projeto português destes NPO foi alvo de interesse por Marinhas de vários países, mas o atraso na entrega dos navios e o encerramento dos ENVC acabou por condicionar esse processo.

“Até à estabilização daquilo que há de ser a nova empresa [subconcessionária dos terrenos e infraestruturas dos ENVC] que vai operar em Viana do Castelo, naturalmente que isso cria aqui uma certa perturbação. E até esse assunto estar mais claro, julgo que não será muito fácil ter muitos candidatos ao programa [Marinhas interessadas nos NPO]”, admitiu almirante Luís Manuel Fragoso.

Fonte: DN

‘Atlântida’ vendido por 12,8 milhões a empresa grega

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Os estaleiros de Viana do Castelo venderam o navio Atlântida por 12,8 milhões de euros à empresa grega Thesarco Shipping.

O montante oferecido pelos gregos superou a proposta da concorrente portuguesa Douro Azul em quase cinco milhões de euros.

A decisão foi tomada por unanimidade pela administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), esta quinta-feira, colocando assim ponto final num processo que se arrastou durante anos.

Após notificada a empresa, o concurso estabelece um prazo de 15 dias para a assinatura do respetivo contrato, lembrou uma fonte da empresa, adiantando que o seu eventual incumprimento levaria à adjudicação do Atlântida ao segundo classificado.

Atlântida foi encomendado há uma década pela empresa pública açoriana Atlanticoline, para assegurar as viagens interilhas, tendo sido concluído em 2009.

Porém, os Açores recusaram o navio por não cumprir os limites de velocidade contratualmente estabelecidos, tendo os ENVC pago 40 milhões de euros de indemnização após decisão judicial – quando previam ganhar cerca de 50 milhões.

Falhadas todas as tentativas para a Atlânticoline receber o ferry, dada a diferença mínima de velocidade em causa e porque o navio tinha sofrido um aumento significativo de peso com as alterações de construção requeridas pelos Açores, o navio acabou vendido através de um concurso internacional e pela melhor oferta.

O relatório e contas de 2012 dos ENVC avaliou o Atlântida em 29 milhões de euros.

Fonte: Diário de Notícias

West Sea ainda só contratou 60 ex-trabalhadores dos ENVC

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Os salários oferecidos até são semelhantes aos que vigoravam nos ENVC, mas até ao momento a West Sea apenas contratou 60 ex-trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, quando havia prometido criar 400 postos de trabalho em seis meses.

 

A informação sobre as contratações foi adiantada à “Lusa” pelo coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo. “Nesta altura são cerca de 60 os ex-trabalhadores dos ENVC que já integram os quadros da West Sea com perspectivas de, a curto prazo, se concretizarem mais cerca de 60 contratações. Até final do ano o número total deverá ultrapassar a centena”, afirmou Branco Viana.

 

Quando assinou o contrato de subconcessão, em Janeiro, a West Sea prometeu criar 400 postos de trabalho, num prazo de seis meses, ou até ao final do ano, recrutando preferencialmente entre os ex-trabalhadores dos estaleiros.

 

À “Lusa”, o dirigente da União de Sindicatos admitiu que nesta fase de arranque da empresa subconcessionária dos terrenos e infra-estruturas dos ENVC a contratação dos antigos trabalhadores da empresa pública iria ser “muito reduzida” mas sublinhou que “os que já assinaram contrato estão com salários idênticos aos que tinham aquando da saída dos estaleiros”.

 

O processo de subconcessão dos ENVC implicou o despedimento dos cerca de 600 trabalhadores, com um custo de cerca de 30 milhões de euros.

 

Fonte: T e N e Lusa