Assunção Cristas vê Cabo Verde como possível porta de entrada marítima em África

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Assunção Cristas, ministra da Agricultura e do Mar, defendeu que Cabo Verde pode, tal como Portugal na Europa, ser “porta de entrada” no comércio marítimo global, após a conclusão das obras de alargamento do Canal do Panamá.

A ministra esteve numa visita de trabalho ao arquipélago e falava no final da inauguração da 2.ª fase do porto da Cidade da Praia, obra financiada em 72 milhões de euros através de uma linha de crédito portuguesa para a construção de infraestruturas em Cabo Verde.

“É muito grato a Portugal ver a forma como esta linha de crédito está a ser usada para uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento da Economia do Mar e do «cluster» do Mar de Cabo Verde, afirmou Assunção Cristas, ladeada pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, que presidiu à cerimónia.

Portugal, acrescentou, tem também projectado “investimentos relevantes” no domínio portuário, tendo em conta que se trata de uma área de desenvolvimento para o futuro do mundo, uma vez que o comércio global passa cada vez mais pelo mar.

“Está previsto o alargamento do Canal do Panamá, o que torna, por um lado, Portugal como porta de entrada para a Europa e, por outro, Cabo Verde como possível porta de entrada para o continente africano. São dois países estratégicos para aproveitar estas oportunidades de desenvolvimento da Economia do Mar”, sublinhou.

José Maria Neves, por seu lado, lembrou que a modernização e ampliação do porto da capital cabo-verdiana era uma reivindicação de há muito da comunidade portuária e dos empresários, para que Cabo Verde pudesse expandir o sector e dar dimensão aos transportes marítimos no arquipélago.

“Agora temos esta grande infraestrutura, que vai ter um grande impacto na melhoria dos transportes marítimos inter-ilhas e internacionais, turismo, particularmente no de cruzeiro, e no desenvolvimento global dos negócios em Cabo Verde”, disse.

“É uma infraestrutura fundamental e importantíssima para o crescimento da economia e para a construção de factores de competitividade. É um pilar importante no desenvolvimento do «Cluster» do Mar, que tem o epicentro em São Vicente”, frisou.

Segundo José Maria Neves, o porto da Cidade da Praia “já tem dimensão” para Cabo Verde se expandir sobretudo para o exterior, lembrando a decisão, já tomada, de criar uma linha regular com Dacar e, no quadro da visita que fará a 23 e 24 deste mês à Costa do Marfim, estendê-la até Abidjan.

“Mas queremos que este porto sirva também para ligar Cabo Verde ao mundo, para desenvolvermos muito mais negócios e turismo”, concluiu.

A obra, a cargo do consórcio português Somague/MSF/Etermar, abrangeu a reabilitação do cais existente, a construção do manto de pprotecçãode parque de contentores e de um quebra-mar de 234 metros de extensão, bem como o prolongamento do cais número um para cerca de 450 metros.

As obras englobaram também a dragagem da bacia de manobra para fundos, a instalação de um sistema de apoio à navegação e a construção do parque de contentores.

Pensado para um horizonte de 20 anos, com o projecto de modernização e expansão do porto da Praia pretende-se que a infraestrutura passe a ter, em 2030, um tráfego na ordem dos dois milhões de toneladas de mercadorias.

A expansão do porto da Cidade da Praia insere-se no  projecto de revitalização das restantes infraestruturas no arquipélago, que abrangem as de Palmeira (Sal), Porto Novo (Santo Antão), Sal Rei (Boavista) e Porto dos Cavaleiros (Fogo) e Mindelo (São Vicente), este último prevendo investimentos de 300 milhões de euros.

O porto da Praia contribui com 38 por cento do volume global de mercadorias, seguido pelo de São Vicente (34%), Palmeira (10% a 12%) e restantes (Brava, Fogo, Maio, Boavista, São Nicolau e Santo Antão) com 14% a 16%.

Fonte: Cargo