Sea Life lança petição contra caça à baleia

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O Sea Life do Porto aliou-se à “Whale and Dolphin Conservation” e lançou uma campanha mundial para recolher um milhão de assinaturas para impedir tráfico de carne e produtos derivados de baleia nos portos Europeus.

“Esta petição visa pressionar o Parlamento Europeu a ilegalizar a passagem de barcos de transporte e comercialização destes produtos de baleia nos portos da União Europeia”, refere o aquário do Porto em comunicado. Apesar de na UE já ser ilegal a utilização de carne de baleia, esta campanha põe em evidência as ameaças a que estes animais ainda estão sujeitos.

Atualmente várias espécies encontram-se em vias de extinção, como é o caso particular da baleia azul, que ainda é possível encontrar nas águas dos Açores. Apesar de o consumo humano de carne de baleia ter diminuído significativamente, países como o Japão, a Noruega e a Islândia continuam a ameaçar seriamente a sobrevivência destes animais.

Caçadores e traficantes de carne de baleia expandiram o seu mercado para a cosmética, entre outras áreas, aproveitando-se deste comércio não ser considerado ilegal na UE, refere o Sea Life. A campanha inclui uma acção nas redes sociais para que partilhem vídeos “selfies” com a reprodução do “choro das baleias”.

Fonte: DN

Açores: Presença de baleias aumentou 100 por cento

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Baleia-de-bossas ao largo do Pico © Nuno Sá/Wildlife Photography

 

Nos últimos cinco anos, a visita de baleias ao arquipélago dos Açores tem aumentado drasticamente. O fotógrafo Nuno Sá e os proprietários da empresa Pico Sport, que opera há mais de 20 anos, afirmam que a presença destes cetáceos terá aumentado cerca de 100 por cento.

Os Açores estão a tornar-se um destino cada vez mais procurado pelas baleias. Há cerca de uma semana, o fotógrafo de vida marinha Nuno Sá foi alertado para o número “anormalmente elevado de baleias ao largo da Ilha do Pico”, pelo que não hesitou em “meter-se num avião e deslocar-se ao local”.
“Está a ser um ano incrível. Cheguei há poucos dias e já vi quatro espécies: baleias-azuis, baleias-de-bossas, baleias comuns e cachalotes. No total, terei avistado mais de 20 baleias, além dos golfinhos que são presença assídua”, conta o fotógrafo.
 
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A baleia-azul registada pela lente de Nuno Sá com a montanha do Pico ao fundo 
 
 
Nuno Sá mostra-se particularmente satisfeito com a presença da baleia-azul, o maior animal do planeta. “A que avistámos (na foto acima) tinha seguramente 25 metros de comprimento”, salienta.
 
Outro avistamento surpreendente foi a baleia-de-bossas “que são raras e não costumam aparecer nos Açores”, explica, “são muito chamativas porque costumam saltar fora de água” atraindo a atenção das pessoas. 
O fotógrafo, que já conquistou vários galardões a nível nacional e internacional, acredita que este aumento do número de cetáceos nos Açores se deve ao facto de, nos últimos anos, as águas locais estarem “particularmente ricas em plâncton”, devido às correntes. 
Nuno Sá garante que os animais têm estado tão perto da costa do Pico que “tem sido possível observar e fotografar estes mamíferos sem entrar na água, que aliás se apresenta turva e com pouca visibilidade, devido ao plâncton, o que dificulta a observação”.
 
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Uma das baleias-de-bossas observadas esta semana ao largo do Pico
 
 
A ilha do Pico, de resto, é privilegiada para observar cetáceos e por isso mesmo “foi o berço de observação de baleias, conservando ainda muitas das vigias usadas na época em que era permitida a caça à baleia”, recorda o fotógrafo.
 
Um aumento de 100 por cento
 
Também o alemão Frank Wirth, proprietário da empresa de observação de cetáceos Pico Sport, a funcionar desde 1996, confirma este fenómeno: “Os cachalotes sempre estiveram muito presentes mas temos assistido a um aumento das baleias de barbas, posso afirmar que nos últimos cinco anos houve um aumento de pelo menos 100 por cento”.
Frank Wirth admite que o facto das águas dos Açores serem muito ricas em alimento tem atraído mais baleias, “já que estes animais conseguem comunicar através de longas distâncias”. “Uma baleia consegue informar outra baleia que esteja a 160 quilómetros de que há alimento em determinado local “, explica.

“Nós muitas vezes avistamos algumas baleias e percebemos que duas ou três semanas depois a sua presença aumenta bastante porque já avisaram as outras de que este ‘restaurante’ tem comida abundante e boa”, conta Frank.

Regulamentação da caça está a ter bons resultados
O responsável da Pico Sport considera que a regulamentação, a nível internacional, da caça à baleia, também tem contribuído de forma “muito positiva para o aumento da população”. Foi em 1987 – ano em que a prática passou a ser proibida no nosso país – que foi caçada, em Portugal, ao largo da vila das Lajes do Pico, a última baleia das águas portuguesas.
Frank traça ainda elogios às autoridades locais que têm sabido preservar estas espécies. “Graças às políticas locais, as companhias turísticas nos Açores têm um comportamento muito sustentável não permitindo, por exemplo, que demasiados barcos estejam ao mesmo tempo no mar e exigindo que preservem uma certa distância dos animais”. 
 
Por outro lado, as próprias empresas de observação esforçam-se por não incomodar as espécies, oferecendo ao mesmo tempo um serviço com mais qualidade aos clientes.
 
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“Noutros locais os barcos transportam cerca de 30 passageiros e as observações duram apenas uns breves minutos. Aqui é tudo feito com mais calma, os barcos transportam uma média de 12 passageiros e as observações são sempre acompanhadas pela explicação de um biólogo para que as pessoas aprendam um pouco mais sobre estas espécies”. 
 
O mar dos Açores é um “diamante”
“Este arquipélago é um diamante no que respeita à observação de cetáceos”, garante o responsável, salientando que já visitou locais de observação de baleias em vários pontos do mundo. “Por aqui passam pelo menos 28 espécies de cetáceos, o que é um recorde mundial”, sublinha, garantindo que entre Fevereiro e Maio será possível observar nos Açores pelo menos três espécies de baleias, entre elas a gigante baleia-azul.
 
Frank afirma que a maior parte dos turistas que procuram este tipo de atividades vêm de países da Europa central, da Europa do norte e também dos EUA. O responsável lamenta que não haja mais portugueses a procurar estes serviços e considera que isso acontece porque muitos desconhecem os “tesouros que têm no seu próprio país”.
Fonte: Boas Noticias.

Baleias e golfinhos apenas sentem o sabor salgado

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Ao sentirem o gosto dos alimentos, as papilas gustativas protegem-nos de ingerir substâncias tóxicas. Isso também acontece com os animais. No entanto, as baleias e os golfinhos não sentem os cinco gostos primários.

Num estudo publicado na revista Genome Biology and Evolution, revela-se que mutações genéticas num antepassado dos cetáceos levaram ao desaparecimento de quatro dos cinco gostos primários. Assim, os cetáceos são o primeiro grupo de animais que se sabe ter perdido a sensibilidade ao doce, ao amargo, ao azedo e ao umami. Os seus receptores nas papilas gustativas apenas detectam o salgado.

“As baleias representam o primeiro grupo de animais aos quais falta quatro dos cinco gostos primários, provavelmente devido a um ambiente marinho com concentrações elevadas de sódio, a um comportamento alimentar em que engolem as presas inteiras e à transição de uma dieta à base de plantas para uma dieta de carne no antepassado das baleias”, refere o artigo científico.

A equipa de investigadores, liderada pelo zoologista Huabin Zhao, da Universidade de Wuhan (China), descobriu esta alteração nos cetáceos ao analisar o genoma de 11 espécies de baleias e golfinhos, mais concretamente os genes responsáveis pela produção de receptores (proteínas) nas papilas gustativas.

A capacidade de detectar sabores é essencial à sobrevivência, permitindo compreender quando a comida é potencialmente perigosa e, no caso dos cetáceos, as conclusões são surpreendentes. “A perda do sabor amargo é uma surpresa completa, porque as toxinas naturais têm tipicamente um sabor amargo”, disse Huabin Zhao, citado numa notícia da revista Science.

Segundo o estudo, a perda dos quatro sabores ocorreu depois de o antepassado comum dos cetáceos se ter tornado completamente aquático há 53 milhões de anos (as baleias descendem de animais terrestres que foram para o mar) e antes de o grupo se ter divido em baleias com dentes e baleias com barba, há 36 milhões de anos. Mas o gosto salgado manteve-se, uma vez que desempenha uma função fundamental: ajuda a regular a pressão arterial e os níveis de sódio no organismo.

“Mostrámos que os genes que codificam os receptores de gosto do doce, doumami, do amargo e do azedo são pseudogenes [iguais a genes normais, mas que não originam o fabrico de proteínas], enquanto os genes para os receptores do salgado ficaram conservados ao longo da evolução em baleias com dentes e em baleias com barbas”, refere o artigo científico.

Texto editado por Teresa Firmino

Fonte: Público

Cientistas desvendam mistério dos «sons de pato» no fundo do mar

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O mistério do estranho som de um grasnar de pato que é emitido do fundo do oceano foi finalmente resolvido, segundo um artigo científico publicado esta segunda-feira.

O barulho – apelidado de «bio-pato» – surge sempre no Inverno e na Primavera no Oceano Antárctico. No entanto, a sua origem é um mistério para os investigadores desde a década de 1960.

Agora, gravadores acústicos revelaram que o som na verdade é uma espécie de «conversa» entre baleias-de-minke, um mamífero típico da região.

As descobertas foram publicadas na revista científica Biology Letters.

«Foi muito difícil encontrar a origem do sinal», disse Denise Risch, do instituto US National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA), que liderou o estudo.

«Ao longo dos anos, houve várias hipóteses, mas ninguém conseguia mostrar realmente que espécie era essa que estava a produzir o som.»

O som estranho foi detectado pela primeira vez por submarinos há 50 anos. Na época, as pessoas que o ouviram ficaram surpresas ao descobrir que era muito parecido com o grasnar de patos. Desde então, essa frequência baixa foi gravada muitas vezes em águas da Antárctida e do oeste da Austrália.

Várias explicações surgiram para o fenómeno – como a de que seriam emitidos por peixes ou embarcações.

Os cientistas dizem agora possuir «sinais conclusivos» de que o som é produzido pela baleia-de-minke.

Em 2013, gravadores de som foram colocados em duas baleias da espécie.

«Descobrimos que o som era produzido pelo próprio animal que estava a carregar o gravador ou por outro animal da mesma espécie que estava ali perto.»

Os pesquisadores ainda não sabem exactamente como as baleias-de-minke emitem esse som. O que eles sabem é que os sons gravados foram produzidos quando os animais estavam próximos à superfície – antes de fazerem mergulhos profundos.

O objectivo dos pesquisadores agora é estudar mais esses animais, que são pouco conhecidos pela ciência, a partir dos sons captados.

Fonte: Diário Digital