A Aquacultura sustentável e Amiga do Ambiente

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A diplomacia económica é um factor importante que os governos devem levar à prática para alavancar o volume de exportações.
Assunção Cristas, Ministra da Agricultura e do Mar, esteve na primeira semana de Junho na Noruega a tentar vender as potencialidades do mar português. Muito naturalmente, à refeição, foram fornecidas umas sandes de salmão- estes nórdicos não brincam em serviço.
Dado que a maioria dos assuntos tratados versou sobre a cultura e comercialização de peixe, hoje vamos falar da aquacultura.
A procura crescente de peixe, não apenas pelos agregados familiares, mas também pelos restaurantes e outras entidades ligadas ao setor alimentar, obriga a que cada vez mais seja necessário recorrer ao método alternativo para suprir a insuficiência deste produto proveniente da pesca, no rio ou no mar, dando assim satisfação às necessidades do mercado.
Face a esta realidade, surgiu então o método alternativo de produção de inúmeras espécies piscícolas que neste artigo pretendemos escalpelizar – A AQUACULTURA, ou AQUICULTURA.
A Aquacultura ou aquicultura, é a produção de organismos aquáticos, como a criação de peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios e o cultivo de plantas aquáticas.
Actualmente, a aquacultura é responsável pela produção da metade do peixe consumido pela população mundial. De acordo com estudos, a produção de peixes através de aquacultura triplicou entre 1995 e 2007.
Em Portugal a aquacultura é uma actividade primária e relativamente recente. O peso da aquacultura nacional no fornecimento de pescado ao mercado português é ainda muito baixo. Em 2011 a produção nacional atingiu as 9166 toneladas. Cerca de 8051 toneladas foram produzidas em águas marinhas ou salobras. Deste total foram produzidas 4056 toneladas de peixe e 3545 toneladas de moluscos. As águas interiores completam a restante produção com 1115 toneladas produzidas.
Em termos históricos, antes da nossa entrada na CEE/UE o sector caracterizava-se pela produção de truta, em regime intensivo nas águas interiores, dourada, robalo e bivalves, em regime extensivo nas zonas dos estuários dos rios . Na década de 60 surgiu a primeira piscicultura industrial nas margens do rio Coura. Com o advento da CEE/UE em 1986 dá-se início à instalação de novas unidades aquícolas, de pequena dimensão, em regime semi-intensivo de dourada e robalo, levando ao aumento da produção até às 7000 toneladas.
A elevada concorrência com outros países produtores, implicou uma redução da produção nacional de dourada e robalo no período 2007 – 2011.
Portugal assume-se como um país onde pontifica a diversidade. Assim, praticamente todos os sistemas de produção existentes estão representados em Portugal.
O sistema de produção extensivo é o que conta com o maior nº de estabelecimentos em Portugal, uma vez que existe um elevado nº de micro produtores de bivalves na Ria Formosa e Ria de Aveiro. A produção semi-intensiva é quase exclusiva para a produção de dourada e robalo, enquanto que a produção intensiva aplica-se, principalmente, na produção de peixes planos (linguado e pregado) e de truta arco íris ( em águas interiores).
Às produções mais significativas e tradicionais, a nível nacional, são-lhe conferidas as seguintes designações tipo:
Aquacultura em Esteiro- A produção em Esteiros resulta do aproveitamento de antigas salinas. É o sistema de produção mais tradicional e o mais praticado em Portugal para a produção de dourada e robalo. As principais zonas de produção são a Ria de Aveiro, Estuário do Mondego, Sado, Ria de Alvor, Ria Formosa e Foz do Guadiana.
Aquacultura Marinha Intensiva em Tanques- Em Portugal este sistema de produção é apenas usado na produção de peixes planos tais como a truta e o pregado e, mais recentemente, o linguado. Ao contrário dos sistema extensivo e semi-intensivo, na produção em regime intensivo apenas se utiliza ração para a alimentação dos peixes.
Aquacultura Offshore- Este tipo de produção tem um enorme potencial em Portugal, particularmente para produção de bivalves, pois a costa Portuguesa tem águas com condições ideais ao desenvolvimento dessas espécies (ostra, mexilhão e outras).
Aquacultura de Bivalves Inshore- A produção de bivalves em determinadas zonas (zonas sujeitas ao efeito das marés) é um dos métodos de produção mais tradicionais usados em Portugal. As principais zonas de produção são a Ria de Aveiro, Ria de Alvor e Ria Formosa.
Na verdade, a aquacultura tem sido em anos recentes um dos segmentos de crescimento mais rápido da produção alimentar global. Tem sido saudada como uma resposta para os problemas resultantes da diminuição das populações selvagens de pescado, devido à sobre pesca e a outras causas.
Com o objectivo de melhorar o sistema produtivo tradicional, a nível europeu, foi recentemente lançado “ O SEAFARE “; um projecto para facultar às empresas de pequeno a médio porte e às autoridades públicas, ferramentas que permitam um desenvolvimento da aquacultura que seja sustentável e amigo do ambiente.
Este projecto tem como objectivo principal, o fortalecimento das ligações entre investigadores e indústria, e pretende influenciar o desenvolvimento de políticas regionais e nacionais.

Fonte: DiárioAtual / Eng. Miguel Caetano

Governo está a definir áreas pré-licenciadas para Aquacultura

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O Governo está a “trabalhar no sentido de os investidores” interessados na aquacultura poderem concorrer a áreas pré-licenciadas, afirmou o director-geral da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), Miguel Sequeira.

“Estamos a trabalhar no sentido de os investidores poderem concorrer a áreas que já estão pré-licenciadas” e que contam com estudos de impacte ambiental e infraestruturas disponíveis, adiantou Miguel Sequeira na conferência Economia e Finanças do Mar, sublinhando que isto permitirá agilizar um “processo que era moroso.

estas áreas pré-definidas, será mais fácil concorrer porque “os investidores já sabem quais são as regras” e as espécies que poderão ser criadas, considerou o mesmo responsável.

Questionado sobre os riscos da exploração do mar ficar totalmente entregue a investidores estrangeiros, o diretor-geral da DGRM assinalou que existem fundos comunitários disponíveis e que, por isso, “há a possibilidade de os promotores não serem apenas estrangeiros” nas futuras concessões de exploração de recursos marinhos.

Miguel Sequeira acrescentou que está a ser ultimada legislação para ordenamento do espaço marítimo que permitirá conjugar várias utilizações na mesma área marítima, como, por exemplo, combinar aquacultura com energia “offshore”

“Tem de haver uma partilha inteligente do espaço”, sublinhou.

Fonte: Noticias ao Minuto

Teste prova origem do peixe de aquacultura

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Quando comemos peixe raramente sabemos qual a sua origem, ao contrário do que já acontece com as carnes e os vegetais cuja denominação de produtos criado através de métodos biológicos já está ao alcance do consumidor.

Para acabar com estas dúvidas em relação ao pescado a uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um teste inédito que, através de uma análise microbiológica ao muco do peixe garante determinar a sua proveniência.

De acordo com a equipa “o teste está pronto a ser usado por qualquer piscicultura de água salgada e serve três grandes objectivos”. Permite aos consumidores saberem exatamente que o peixe cresceu numa aquacultura que utiliza, ou não, métodos de criação amigos do ambiente e, consequentemente, aferirem a qualidade do pescado e respetivas implicações na saúde humana e possibilita aos produtores certificarem o próprio produto enquanto combate a fraude de quem vende ‘gato por lebre’. 

O teste desenvolvido no Departamento de Biologia (DBIO) e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA surge numa altura em que “algumas empresas de aquacultura estão a mobilizar-se no sentido de produzirem peixe biológico através de boas práticas ambientais” ligadas, por exemplo, à forma como a manutenção dos tanques de produção é feita ou ao tipo de ração utilizado que é fornecida aos animais, explica o coordenador do projeto, Ricardo Calado.

Se até agora “era muito difícil perceber a proveniência do peixe depois deste ser colocado em banca, e com isso obter informações sobre os métodos de crescimento utilizados pelo produtor em causa”, com o teste desenvolvido na UA os biólogos tornaram a tarefa simples, rápida e fiável.

O teste permite mesmo saber com exatidão, entre duas aquaculturas contíguas, qual delas produziu o peixe que tem na mesa. 
“A nossa técnica de biologia molecular analisa uma espécie de ‘código de barras’ natural que são os microrganismos que cobrem o muco do peixe”, desvenda Ricardo Calado.

O método de identificação da proveniência do peixe é simples e não afeta o aspeto com que o produto chega ao mercado. “Recolhemos uma amostra mínima de muco do peixe e analisamos o DNA do microrganismos presentes”, explica a bióloga Tânia Pimentel.

“Para além do teste de microbiologia molecular que utilizamos nos peixes, analisamos nos bivalves os elementos químicos constituintes da concha e delineamos o perfil dos ácidos gordos presentes no músculo adutor do bivalve”, explica o biólogo Fernando Ricardo. Com os resultados, os testes da UA garantem permitir verificar a proveniência dos moluscos. 
 

Fonte: Dinheiro Vivo