Os portos do continente movimentaram 88 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 6% face ano anterior, impulsionado pelo desempenho de Sines, anunciou o Governo.
“De acordo com os dados provisórios das administrações portuárias, o sistema portuário português do continente registou um crescimento global de 6% no volume total de mercadorias movimentadas em 2024, atingindo os 88 milhões de toneladas, face aos 82,8 milhões de toneladas em 2023”, indicou, em comunicado, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação.
No período em análise, a carga geral fracionada ascendeu 3%, ultrapassando os 5,7 milhões de toneladas, a carga geral contentorizada aumentou 11% para mais de 37 milhões de toneladas e a carga ‘roll-on roll-of’ aumentou 2%. Por sua vez, os granéis líquidos somaram 7% para quase 30 milhões de toneladas, enquanto os sólidos tiveram um decréscimo, que o Governo não precisou.
Para a evolução registada em 2024 contribuiu, sobretudo, o desempenho do Porto de Sines, que progrediu 11%, com um reforço do tráfego na rota do Cabo. Em 2024, Sines foi responsável por 54% (47,8 milhões de toneladas) da carga movimentada.
Neste período, o movimento de contentores avançou 11% para 3,3 milhões de TEU.
A pressão que têm sido feita de uma forma intensa e asfixiante por parte da China para tentar impedir a venda de portos do Canal do Panamá ao consórcio da BlackRock levou que o bilionário Li Ka-shing, o magnata mais famoso de Hong Kong, adiasse a assinatura, prevista para a próxima semana, do controverso acordo.
De acordo com o “South China Morning Post”, mesmo que a CK Hutchison Holdings, não assine o acordo programado para 2 de abril, isso não significa que a venda esteja cancelada.
Os portos que estão debaixo de mira da influência chinesa são os de Balboa e Cristobal, localizados em ambos os lados do Canal do Panamá, com 82 quilómetros de extensão, são uma parte fundamental do acordo, que inclui um total de 43 instalações da CK Hutchison.
O acordo tem um valor de 19 mil milhões de dólares se chegar a ser concluído.
“Há mais em jogo aqui do que apenas portos. O desafio que Hutchison enfrenta é um microcosmo da tensão entre finanças e segurança nacional que está prestes a se desenrolar ao redor do mundo”, mencionou Josh Lipsky, geoestrategista do think tank americano ‘Atlantic Council’.
O Porto de Sines esteve presente na 19ª Edição da Singapore Maritime Week, entre 24 e 28 de março, uma presença enquadrada na estratégia de promoção da Agenda NEXUS, naquele que é considerado o mais relevante evento internacional na área do shipping, onde se discutem as principais tendências e desafios no que diz respeito à digitalização e descarbonização do sector.
Em parceria com a ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, o principal objectivo desta participação foi o de reforçar os contactos já encetados em edições anteriores, primordialmente no que diz respeito à promoção internacional da Agenda NEXUS.
Para além da APS, estiveram ainda presentes em Singapura alguns dos parceiros do projecto, nomeadamente a Universidade de Aveiro, Universidade de Évora e a Seapower.
O Presidente eleito dos EUA Donald Trump afirmou que estaria disposto a reduzir tarifas sobre a China para fechar um acordo com a empresa chinesa detentora do TikTok, a ByteDance, para vender o aplicativo de vídeos curtos usado por 170 milhões de americanos.
A ByteDance tem um prazo até 5 de abril para encontrar um comprador não chinês para o TikTok ou enfrentar uma proibição dos EUA por motivos de segurança nacional que deveria ter entrado em vigor em janeiro sob uma lei de 2024.
A lei é resultado da preocupação em Washington de que a propriedade do TikTok pela ByteDance torna a aplicação dependente do governo chinês e que Pequim poderia usar o aplicativo para conduzir operações de influência contra os Estados Unidos e recolher dados sobre cidadãos norte- americanos.
Trump disse que estava disposto a prolongar o prazo de abril se um acordo sobre o aplicativo de rede social não fosse alcançado. Ele reconheceu o papel que a China desempenhará para fechar qualquer acordo, incluindo dar a sua aprovação, dizendo “talvez dê a eles uma pequena redução nas tarifas ou algo para fazer isso”, afirmou Trump aos jornalistas.
O TikTok não comentou imediatamente. O Ministério do Comércio da China afirmou que a sua posição sobre a questão das tarifas é consistente e que Pequim está disposta a envolver-se com Washington com base no respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo, durante uma entrevista.
Pelo menos seis pessoas morreu após um submarino turístico afundar no Mar Vermelho, na costa do Egipto, nesta quinta-feira . A embarcação transportava 40 pessoas que iam ver corais a 25 metros de profundidade.
A maioria dos passageiros foi resgatada e encaminhada para os seus hotéis e hospitais em Hurghada.
Segundo a comunicação social internacional, 29 pessoas foram salvas e nove ficaram feridas dos quais quatro encontram-se em estado crítico. O governador local Amr Hanafy também confirmou a morte dos seis turistas, acrescentando que os restantes que estavam a bordo do submarino Sindbad foram resgatados.
O submarino Sindbad, que pertence à Sindbad Submarines, afundou próximo à cidade de Hurghada.
No site da Sindbad Submarines, consta que a embarcação possui 44 assentos para passageiros, dois para os pilotos e uma grande janela redonda para cada passageiro. A razão do naufrágio ainda não foi esclarecida, mas objornal egípcio Al-Akhbar Al-Youm adiantou entretanto que o submarino envolveu-se num acidente que levou ao naufrágio, sendo que as autoridades locais ainda não anunciaram o que esteve na origem desse acidente, garantindo que está já a decorrer uma investigação.
Os portos de Algeciras, Barcelona e Valência conseguiram reduzir o número de acidentes de trabalho que afectam os seus trabalhadores portuários.
De acordo com os dados da associação de estivadores ANESCO, os valores cairam 36% desde 2021, ano em que esse indicador começou a ser medido. A associação atribuiu esse desenvolvimento às iniciativas realizadas pelos departamentos de prevenção de riscos dos três maiores portos em colaboração com a própria entidade de estiva.
Entre 2021 e 2025, “os acidentes que exigiram licença médica diminuíram 26,27%”, acrescenta a associação, enquanto aqueles que não exigiram licença médica diminuíram 47,77% no mesmo período. “Da mesma forma, as taxas de frequência, gravidade e duração dos acidentes foram substancialmente reduzidas”, observa a ANESCO. E a taxa de absentismo por acidentes de trabalho também diminuiu, registando uma diminuição de 50%, e a taxa de “dias anuais perdidos” pelo mesmo motivo, que caiu 67%.
A associação de estivadores qualificou os resultados como “bons” e elogiou o “empenho e esforço” dos organismos dedicados a esta área.
A Casa Branca está a avançar que, em acordos separados, a Ucrânia e a Rússia comprometem-se em garantir a navegação segura no Mar Negro e a proibição de ataques contra instalações de energia nos dois países.
Washington compromete-se também a ajudar a restaurar o acesso da Rússia ao mercado mundial de exportações agrícolas e de fertilizantes e continuará a facilitar as conversações de ambos os lados numa tentativa de alcançar uma paz sustentável.
Entretanto, a Rússia exigiu já “garantias claras de segurança” à Ucrânia para retomar a implementação da Iniciativa do Mar Negro, que vigorou no primeiro ano do conflito, em 2022.
A Iniciativa do Mar Negro, uma trégua marítima assinada em junho de 2022 e em vigor durante um ano, com envolvimento das Nações Unidas e da Turquia, permitiu a exportação de milhões de toneladas de cereais e outros produtos alimentares dos portos ucranianos, bloqueados com o início da invasão russa.
Um novo recorde mundial foi atingido para os preços de construção de novos porta-contentores. Para termos uma noção dos custos envolvidos, o preço actual de um porta-contentores de classe megamax é actualmente de 247,47 M€, o que significa que é mais 95,40 M€ a mais do que navios da mesma classe e capacidade que tenham sido encomendados em 2020.
A encomenda da Evergreen para onze navios de GNL dual-fuel de 24.000 TEUS, os pedidos divididos entre a Coreia do Sul e a China, com a Hanwha Ocean levando seis navios e a CSSC Guangzhou Shipyard International (GSI) o restante, o que revela também uma estratégia ambiciosa por parte do armador de Taiwan.
A Hanwha Ocean, construtor naval de classe mundial com experiência em navios comerciais e plantas offshore com a missão de descarbonizar a indústria naval, informou à Bolsa de Valores da Coreia que os seis navios estavam custando 247,55 milhões de euros cada, algo que os analistas da Alphaliner acreditam ser o preço mais alto já acordado para a construção de um navio porta-contentores. Numa base por teu, chega a 10,310€ por slot.
Os preços de novas construções dispararam desde do inicio da década, uma das décadas mais lucrativas para o shipping. Como exemplo, o último acordo da Evergreen chega a mais de 62,61 M€ a mais por navio em comparação com o preço de 151,88 M€ que a Hapag-Lloyd concordou em pagar por uma série de seis e mais tarde 12 megamax movidos a GNL construídos pela Hanwha contratados no final de 2020.
O transporte marítimo de mercadorias é um dos pilares do comércio internacional, movimentando bilhões de euros em bens a cada ano. Nesse contexto, a carga contentorizada representa uma parte significativa das exportações e importações globais.
No entanto, esse modo de transporte está exposto a diversos riscos, como avarias, roubos, acidentes e desastres naturais. Perante isso, a contratação de seguros para a carga contentorizada é essencial para minimizar prejuízos e garantir a continuidade das operações comerciais.
Principais Riscos no Transporte de Carga Contentorizada
Embora o transporte marítimo seja considerado um dos mais seguros, diversos factores podem comprometer a integridade das mercadorias. Entre os principais riscos estão:
. Acidentes marítimos: Colisões, naufrágios e incêndios podem resultar na perda total ou parcial da carga.
. Condições climáticas adversas: Tempestades, furacões e ondas gigantes podem danificar os contentores ou fazer com que caiam ao mar ( Como aconteceu ao largo da nossa costa há uns dias ).
Roubo e pirataria: Algumas rotas marítimas são mais propensas a ataques de piratas ou furtos em portos e terminais. ( Como está a acontecer novamente ao largo da Somália).
Falhas operacionais: Erros no manuseamento da carga, falhas estruturais nos contentores e problemas na estiva podem causar avarias.
Abandono da carga: Em casos de falência da empresa importadora ou exportadora, a carga pode ser abandonada, gerando custos extras para armadores e operadores logísticos.
Tipos de Seguros para Carga Contentorizada
Para mitigar esses riscos, existem diferentes tipos de seguros que podem ser contratados por exportadores, importadores e operadores logísticos:
Seguro de Transporte Internacional: Cobre perdas e danos à mercadoria durante o transporte marítimo, aéreo ou terrestre. Pode incluir cláusulas específicas para riscos de guerra, greves e pirataria.
Seguro “General Average”: Garante que o dono da carga não tenha que arcar sozinho com os custos de resgate em caso de sacrifício de parte da mercadoria para salvar o navio e a tripulação.
Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador (P&I – Protection and Indemnity Insurance): Protege armadores e operadores de navios contra reivindicações de terceiros, incluindo danos à carga, acidentes ambientais e lesões a tripulantes.
Seguro Contra Riscos Aduaneiros: Cobre despesas inesperadas relacionadas a fiscalizações, apreensões ou atrasos na liberação da carga.
Benefícios da Contratação do Seguro.
A contratação de um seguro adequado para a carga contentorizada traz inúmeras vantagens:
Protecção financeira: Minimiza as perdas económicas em caso de sinistros.
Tranquilidade para exportadores e importadores: Reduz a incerteza no comércio internacional.
Cumprimento de exigências contratuais: Muitos contratos exigem cobertura de seguro para embarques internacionais.
Facilidade na recuperação de perdas: As seguradoras agilizam indemnizações para que os negócios não sejam interrompidos.
Redução de custos legais e operacionais: Em caso de disputas ou sinistros, o seguro evita processos judiciais demorados e onerosos.
Conclusão
O seguro da carga contentorizada é uma ferramenta essencial para garantir segurança e estabilidade no transporte marítimo. Diante dos inúmeros riscos que envolvem a navegação internacional, contar com uma apólice adequada pode ser a diferença entre um prejuízo irreparável e a continuidade saudável das operações comerciais.
Empresas que investem na proteção de suas mercadorias demonstram responsabilidade e visão estratégica, garantindo a sustentabilidade de suas actividades no comércio global.
Os mercados do shipping serão directamente impactados pela geopolítica durante 2025. O Mar Vermelho viu um período relativamente calmo após o cessar-fogo em Gaza, que pareceu acalmar as hostilidades e interromper os ataques Houthis.
No entanto, a recusa de Israel em implementar a segunda fase do cessar-fogo e o bloqueio contínuo de ajuda humanitária a Gaza levaram os Houthis a anunciar em março, a sua intenção de retomar as operações navais visando embarcações ligadas a Israel. O cessar-fogo provou ser frágil, já que ontem Israel conduziu extensos ataques aéreos em Gaza, no aumento mais significativo de hostilidades desde o início do cessar-fogo em janeiro. Este desenvolvimento reacendeu sérias preocupações dentro da comunidade de transporte em relação à segurança da navegação no Mar Vermelho. O mercado permanece cauteloso — e potencialmente ainda mais após a última escalada — sem confiança para o reinício do comércio na área.
Os recentes ataques militares dos EUA contra os rebeldes Houthis visam deter a influência do Irão (que apoia os Houthis), proteger os fluxos comerciais evitando novas interrupções no Mar Vermelho e mitigar os riscos para embarcações comerciais que navegam no Canal de Suez. No médio prazo, um resultado positivo dessa intervenção pode levar a um aumento da confiança entre os armadores que têm hesitado em navegar no Mar Vermelho, já que a ameaça persistente representada pelos ataques Houthis levou a interrupções significativas, forçando os navios a desviarem pelo Cabo da Boa Esperança devido a riscos de segurança, resultando em aumento nos tempos de viagem, maiores emissões e custos operacionais elevados. Uma possível estabilização da segurança e retomada dos fluxos comerciais normais no Mar Vermelho implicaria vários efeitos para o transporte marítimo global, como:
Diminuição de toneladas-milhas: Com os navios retornando ao Mar Vermelho, as distâncias de viagem em rotas importantes (como Ásia-Europa) seriam encurtadas, resultando em redução da demanda por toneladas-milhas.
Aumento na disponibilidade da frota activa: tempos de viagem mais curtos implicam que mais embarcações estariam disponíveis novamente mais rapidamente, aumentando efectivamente a capacidade da frota ativa, aumentando a oferta de tonelagem”.
A pressão potencial para baixo nas taxas de frete: a redução em toneladas-milhas e o aumento na disponibilidade da frota podem exercer pressão para baixo nas taxas de frete, particularmente em setores que já estão lutando com uma grande oferta de tonelagem e carteira de pedidos, como navios porta-contentores. O Mar Vermelho continua sendo um factor crítico para o sector dos porta-contentores, com o redireccionamento adicionando aproximadamente 11% na demanda geral.
Embora os ataques militares dos EUA contra os Houthis do Iémen possam resultar em maior confiança no comércio do Mar Vermelho, os participantes do mercado estão avaliando cuidadosamente a situação de segurança em evolução e os riscos operacionais associados. Se as acções dos EUA tiverem sucesso em obrigar os Houthis a interromper os ataques a embarcações, um período de estabilidade pode se seguir, potencialmente levando a um retorno gradual às rotas comerciais normais.