CIIMAR propõe soluções para proteger tubarões e raias da pesca de arrasto

A proposta foi concretizada num guia prático desenvolvido no âmbito do projeto DELASMOP, no contexto do laboratório associado CIMAR-LA, uma parceria entre o Centro Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto.

O novo guia propõe medidas práticas para reduzir a captura acessória de tubarões e raias vítimas da pesca de arrasto dirigida a crustáceos no Algarve. A pesca de arrasto de crustáceos, embora importante para algumas comunidades costeiras, tem um impacto ambiental considerável e apresenta taxas de rejeição de 70%, o que afeta espécies sem interesse comercial ou sob proteção legal. Entre eles estão raias e tubarões que são frequentemente pescados acessoriamente durante este tipo de pesca. Os dados recolhidos pela equipa de investigadores do projeto revelam que 95% das raias e tubarões capturados acessoriamente nas redes de pesca de arrasto, chegam a bordo mortos ou a morrer.Para agravar o problema, a pressão sobre os recursos costeiros está a empurrar as frotas para zonas cada vez mais profundas, onde vivem espécies ainda pouco conhecidas e de grande importância ecológica.

O “Guia de manuseamento de tubarões e raias para embarcações de pesca de Arrasto” foi desenvolvido no âmbito do projeto DELASMOP, fruto da tese de doutoramento desenvolvida por Sofia Graça Aranha no CIIMAR e CCMAR. O foco da investigação centra-se no estudo dos elasmobrânquios de profundidade: tubarões e raias que habitam os ecossistemas marinhos mais inexplorados da costa algarvia. Ao longo do seu doutoramento, a investigadora dedicou-se a “compreender melhor estas espécies muitas vezes invisíveis aos olhos do público, mas altamente impactadas pela pesca de arrasto de crustáceos”. A sua investigação foca-se em formas de avaliação não letais, utilizando análises como os isótopos estáveis e os rácios RNA/DNA, para determinar o estado fisiológico e a taxa de sobrevivência dos animais capturados como bycatch.

Foto: Sofia Graça Aranha.

Universidade Portucalense debate o futuro dos Oceanos.

Esta quarta-feira, 14 de maio, pelas 14h30, a Universidade Portucalense acolhe, no auditório 201, a mesa-redonda “Sensibilizar para o Património dos Oceanos e dos Mares”, uma iniciativa inserida nas comemorações do Dia Europeu do Mar.

O encontro estará focado na sustentabilidade ambiental, na proteção da biodiversidade marinha, na economia azul e na preservação do património marítimo, natural e cultural.

Com o objetivo de estimular a consciência crítica e o conhecimento interdisciplinar sobre a importância estratégica dos oceanos e mares, o debate irá cruzar perspetivas do Direito, Ciências do Mar, Turismo, Cultura e Geografia.

Canal de Suez: 15% de desconto na taxa para porta-contentores de grandes dimensões.

A Autoridade do Canal de Suez (SCA), no Egipto, anunciou nesta semana uma redução de 15% nas taxas de trânsito para navios porta-contentores com arqueação líquida igual ou superior a 130 mil toneladas métricas. A medida, válida a partir de 15 de maio por um período de 90 dias, busca reverter a queda no tráfego marítimo e aliviar os custos dos armadores, pressionadas pelos prémios elevados de seguro.

O incentivo será aplicado a todas as embarcações elegíveis, estejam carregadas ou não, segundo informou a SCA. A decisão surge no meio a um cenário de instabilidade que afecta diretamente a receita do canal, considerada vital para a economia egípcia.

Nos últimos meses, os rendimentos do Canal de Suez despencaram. No quarto trimestre de 2024, a receita caiu para 790.79 milhões de euros, uma redução significativa em relação aos 2,15 bilhões de euros registrados no mesmo período do ano anterior.

A principal razão para o declínio é o aumento dos ataques de militantes houthis no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, o que obrigou diversas operadoras a redireccionar as suas rotas pelo Cabo da Boa Esperança — rota mais longa e onerosa.

Embora o grupo houthi, aliado do Irão, afirme que as suas acções têm como alvo navios com destino a Israel em apoio à causa palestina, os ataques têm provocado amplos efeitos colaterais, perturbando cadeias logísticas globais e reduzindo a confiança na travessia pelo canal egípcio.

Em resposta à crise, o presidente da SCA, Osama Rabie, reuniu-se recentemente com representantes das agências de navegação. Durante o encontro, os operadores solicitaram medidas emergenciais, como alívios temporários nas taxas, para compensar os custos adicionais decorrentes da actual classificação do Mar Vermelho como zona de alto risco para a navegação comercial.

EUA e China com pausa de 90 dias nas tarifas.

Esta segunda-feira, os Estados Unidos da América e a China anunciaram um acordo para reduzir em 115% as tarifas aplicadas mutuamente aos seus produtos. A medida, que representa uma suspensão temporária das tarifas, terá uma duração mínima de 90 dias.

Segundo o comunicado conjunto divulgado por ambos os países, a suspensão entrará em vigor a partir de quarta-feira, 14 de maio. O entendimento prevê ainda a criação de um mecanismo bilateral para dar continuidade às conversações sobre as relações económicas e comerciais. As futuras rondas negociais poderão realizar-se nos EUA, na China ou noutro país que venha a ser consensualmente escolhido.

Este anúncio surge na sequência das negociações em curso em Genebra, Suíça, num momento em que Washington e Pequim procuram encerrar a guerra comercial que tem vindo a abalar a economia global e a provocar instabilidade nos mercados financeiros.

De acordo com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, os EUA e a China chegaram a um acordo para uma pausa de 90 dias nas medidas e para uma redução de 115% nas tarifas recíprocas.

O Ministério do Comércio da China confirmou igualmente a suspensão de todas as tarifas retaliatórias aplicadas aos Estados Unidos desde 2 de abril, e manifestou satisfação com a medida, de acordo com a agência Reuters. A mesma entidade expressou o desejo de que os EUA mantenham o compromisso de cooperação comercial com a China, sublinhando que a redução das tarifas serve os interesses partilhados da comunidade internacional. Actualmente, os produtos chineses importados pelos EUA estão sujeitos a tarifas de 145%, enquanto as mercadorias norte-americanas enfrentam uma carga tributária de 125% na China. Com o novo entendimento, esses valores deverão cair para 30% e 10%, respetivamente.

Aumento repentino do gelo na Antártida surpreende cientistas.

A comunidade científica ficou surpreendida com a súbita reviravolta ocorrida na Antártida nos últimos anos.

Após mais de duas décadas de perda contínua de gelo, a camada de gelo antártica (AIS) surpreendeu os especialistas ao registar um ganho de cerca de 108 gigatoneladas por ano entre 2021 e 2023.

Este crescimento inesperado foi detectado através de medições por satélite de alta precisão, revelando um aumento significativo de gelo na região de Wilkes Land–Queen Mary Land, na Antártida Oriental. Esta inversão é verdadeiramente notável, tendo em conta o historial do continente marcado pelo degelo e recuo constantes.

O principal motor por detrás deste súbito aumento parece ser um acréscimo acentuado da precipitação, traduzido em intensas nevadas e novo acúmulo de gelo. Esta mudança, embora positiva, é igualmente intrigante, chegando mesmo a abrandar a subida do nível médio do mar em cerca de 0,3 milímetros por ano. Ainda assim, cientistas de renome alertam para a possibilidade de esta recuperação ser temporária, desaconselhando qualquer interpretação precipitada como sinal de uma mudança duradoura.

Foto: ©unsplash

Instabilidade global causa incerteza nos Portos.

Num mundo cada vez mais interligado, os portos nacionais têm desempenhado um papel crucial no fluxo de comércio internacional, sendo pontos estratégicos de entrada e saída de mercadorias.

O actual cenário global tem sido marcado por crescente instabilidade geopolítica, guerras comerciais e incertezas económicas, fatores que afectam directamente a dinâmica portuária e ameaçam a sustentabilidade momentânea não só de portos, mas como de vários projectos empresariais a eles ligados.

Não nos enganemos. O actual cenário é de uma pré-crise e pode levar a cenários devastadores a curto/médio prazo, senão existir inversão de muitas acções.

Conflitos armados, sanções económicas e tensões diplomáticas entre grandes potências, como EUA, China, Rússia e União Europeia, geram volatilidade nos mercados e impactam negativamente as cadeias de abastecimento globais. Essa instabilidade leva empresas a reverem rotas, reduzirem investimentos e evitarem compromissos logísticos de longo prazo — medidas que afectam diretamente o fluxo de mercadorias que chega ou sai pelos portos.

A guerra de tarifas, exemplificada pela disputa entre Estados Unidos e China principalmente nos últimos meses, leva à imposição de barreiras comerciais e tarifas punitivas sobre diversos produtos. Esse tipo de retaliação reduz a competitividade de exportações e encarece importações, resultando na diminuição do volume de carga transportado.

Portos nacionais, que possuem características de uma pequena economia como a nossa, idependentes do comércio exterior, acabam sofrendo com quedas bruscas na movimentação de contentores e granéis, impactando a sua receita e a gestão da sua operação.

A queda no volume de cargas movimentadas tem reflexos imediatos sobre o emprego. Todos os que estão ligados enfrentam risco em cenários prolongados de retração. Menos navios significa menos trabalho, menor procura por serviços e, em casos extremos, paralisações parciais operacionais. A instabilidade global também inibe investimentos em infraestrutura e modernização dos portos, comprometendo a sua competitividade futura.

Portugal está mais exposto às tarifas americanas do que a média da União Europeia. afirmou Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia. O Produto interno bruto (PIB) caiu 0,5% no primeiro trimestre deste ano face aos últimos três meses de 2024.

O futuro não se avizinha, perante este cenário, muito promissor. Mas só a calma depois da tempestade que se avizinha, poderá devolver alguma esperança. Todas as previsões apontam para um período de turbulência entre 2 a 3 anos. Mas só o desenrolar de todos os cenários e os dados providenciados pelo decorrer do ano, poderão ser mais elucidativos.

Feira Náutica regressa a Setúbal a 15 de Maio.

Exposições, actividades náuticas, venda de material e workshops estão integradas no programa da Feira Náutica de Setúbal, organizada pela Câmara Municipal, a decorrer entre 15 e 18 de Maio no cais 3 do porto da cidade.

O certame, cuja organização conta com a parceria da União das Freguesias de Setúbal e da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e o apoio da Caetano Drive, é um espaço de negócio e oferta de serviços, de empresas locais e nacionais, nas áreas da náutica de recreio, pesca desportiva, caça submarina, mergulho, desportos de ar livre e turismo náutico e de montanha.

Nesta edição, marcam presença mais de três dezenas de expositores no evento, o qual conta com a realização de um leque de actividades náuticas desportivas e passeios no Rio Sado.

Portos de Portugal participam na Breakbulk Europe 2025.

A APP – Associação dos Portos de Portugal marcará presença na Breakbulk Europe 2025, que se realiza de 13 a 15 de maio, no Rotterdam Ahoy, em Roterdão.

A participação conjunta da APP com os Portos de Viana do Castelo, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal e Sines visa reforçar a posição estratégica de Portugal como hub logístico global, promovendo a excelência portuária nacional e explorando novas oportunidades de negócio num ambiente internacional altamente competitivo. Esta presença permitirá ainda fortalecer cooperações atrair investimento e impulsionar a competitividade da economia nacional

Este ano, a APP conta com o apoio institucional da APAT – Associação dos Transitários de Portugal, da AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal e das Comunidades Portuárias dos sete portos envolvidos.A participação portuguesa conta também com o apoio das empresas parceiras: GRUPO ETE; IBEROLINHAS; PORTLINE OCEAN MANAGEMENT; NOGARPORT; YILPORT IBERIA S.A.; ZALDESA – Zona de Actividades Logísticas de Salamanca; FOZTRÁFEGO; OPERFOZ; PORTUGS e SANTOS E VALE.

No dia 14 de maio, pelas 12h00, terá lugar no stand Portos de Portugal (1J21-K20) o evento “Networking dos Portos de Portugal”, com a colaboração da AICEP Portugal Global – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Esta iniciativa proporcionará uma oportunidade única para estabelecer conexões estratégicas e explorar novas parcerias comerciais.

A Breakbulk Europe é um dos maiores eventos mundiais dedicados à logística, transporte de carga e comércio internacional, reunindo profissionais de mais de 120 países. A presença dos portos portugueses neste palco de excelência reforça o seu compromisso com a sustentabilidade, a eficiência e a inovação, criando sinergias e destacando o papel de Portugal no panorama logístico internacional.

Movimentação portuária nacional inicia 2025 com forte quebra.

Janeiro registou o pior desempenho em dez anos, com quedas acentuadas em Sines, Setúbal e Lisboa. Apenas Viana do Castelo apresentou crescimento.

O sistema portuário comercial do continente português arrancou o ano de 2025 com um desempenho negativo, ao movimentar apenas 5,7 milhões de toneladas de carga em janeiro. Este valor representa uma quebra de 22,2% face ao mesmo mês de 2024 e é o mais baixo não só dos últimos 12 meses, como também de todos os meses de janeiro da última década.

Entre os portos nacionais, apenas Viana do Castelo contrariou a tendência geral, registando um aumento de 12 mil toneladas, equivalente a +37,6%. Em contrapartida, os maiores decréscimos verificaram-se em Sines (-1,1 milhões de toneladas; -25,8%), seguido de Setúbal (-34,6%), Leixões (-15,7%), Lisboa (-17,2%) e Aveiro (-8,8%). Os portos de Faro e Figueira da Foz também apresentaram reduções, sendo que Faro não registou qualquer movimentação no período.

Também o segmento de contentores sofreu um forte revés: menos 20,4% em comparação com janeiro de 2024, totalizando 209 mil TEU. A quebra foi transversal a todos os portos, com destaque negativo para Sines (-25,3%), Lisboa (-13,8%), Leixões (-10,1%) e Figueira da Foz (-25,5%). Aveiro permanece praticamente sem movimento de contentores desde meados do ano passado.

O número de escalas de navios caiu também 12,4%, com um total de 678 escalas em janeiro. Ainda assim, portos como Viana do Castelo, Leixões e Portimão registaram ligeiras subidas.

Do lado positivo, salienta-se o aumento significativo da movimentação de produtos agrícolas em Aveiro, com um crescimento de 344,3%. Já no campo das quebras, destacam-se:

  • A redução da carga contentorizada, produtos petrolíferos e petróleo bruto em Sines;
  • A queda de produtos agrícolas e carga contentorizada em Lisboa;
  • E a redução de outros granéis sólidos em Leixões e Setúbal, bem como da carga fracionada em Aveiro.

Na perspetiva das operações, janeiro registou 3,3 milhões de toneladas desembarcadas (58,9% do total, -22,1% face a 2024) e 2,3 milhões de toneladas embarcadas (-22,3%).

Apesar do cenário negativo, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sublinha que os dados de um único mês não devem ser interpretados como tendência definitiva, dada a volatilidade dos mercados portuários e a influência de fatores macroeconómicos internacionais. A evolução da economia global, ajustamentos nos fluxos comerciais e avanços tecnológicos poderão alterar substancialmente o panorama ao longo do ano.

Faleceu Clyde Aikau, Lenda do Surf do Havaí

Clyde Aikau, ícone do surf havaiano, faleceu em sua residência em Waimanalo, na ilha de Oahu.

Natural de Maui, onde nasceu em 1949, Clyde era o irmão mais novo de Eddie Aikau, lendário big rider que desapareceu no mar em 1978 durante uma expedição a bordo da histórica canoa Hōkūleʻa. Unidos por um vínculo profundo com o mar e a cultura do Havaí, os irmãos Aikau tornaram-se figuras centrais no cenário do surf mundial e defensores da herança dos watermen.

Desde jovem, Clyde destacou-se no surf de ondas grandes. Aos 15 anos, já coleccionava vitórias em competições em Waikiki e, em 1973, entrou para a história ao se tornar o primeiro havaiano nativo a conquistar o título do Duke Kahanamoku Classic, disputado em Waimea Bay — o mesmo local onde, em 1986, venceria a edição inaugural do Quiksilver in Memory of Eddie Aikau, evento criado em tributo ao seu irmão.

Além de surfista, Clyde foi também salva-vidas no North Shore, velejador, educador e fundador de uma escola de surf, dedicada a transmitir os valores do oceano e da cultura havaiana às novas gerações. Permaneceu activo nas competições até os 50 anos, sendo uma inspiração para muitos atletas que passaram a encarar Waimea com coragem e espírito de Aloha.