UE e EUA próximos de firmar acordo sobre tarifas aduaneiras.

À medida que se aproxima o final do prazo para as negociações comerciais com os Estados Unidos, a União Europeia e os EUA parecem encaminhar-se para um acordo de base, deixando para mais tarde a resolução das disputas mais pormenorizadas relacionadas com sectores específicos.

Segundo vários diplomatas e um responsável da UE, as duas partes estão a avançar no sentido de alcançar um “entendimento político” com vista a resolver o seu diferendo em matéria de direitos aduaneiros antes da data-limite de 9 de julho, em vez de fecharem um acordo abrangente. Esta possibilidade foi debatida numa reunião à porta fechada em Bruxelas, realizada na segunda-feira, na qual funcionários da Comissão Europeia informaram os embaixadores dos Estados-Membros sobre o estado atual das negociações com Washington. Nessa mesma ocasião, os embaixadores foram informados de uma nova contraproposta dos EUA, que, segundo um dos diplomatas presentes, “não continha nada de muito concreto”.

Com o prazo de 9 de julho a aproximar-se rapidamente, a pressão aumenta sobre ambas as partes, sobretudo devido à ameaça do então presidente norte-americano, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre as importações europeias caso as negociações fracassem. Desde meados de março, os EUA têm vindo a aplicar uma nova política comercial que coloca em risco as suas relações com parceiros em todo o mundo. Actualmente, estão em vigor tarifas de 50% sobre o aço e o alumínio provenientes da UE, 25% sobre automóveis e 10% sobre todas as restantes importações europeias.

Após várias semanas de negociações infrutíferas, as conversações entre a Comissão Europeia — que detém o mandato para negociar em nome dos 27 Estados-Membros — e a administração Trump tiveram início em meados de junho, mas o desfecho permanece incerto. A proposta inicial da Comissão passava por um acordo de tarifa zero para produtos industriais, juntamente com uma oferta de compra de bens estratégicos, como o gás natural liquefeito dos EUA. No entanto, parece estar a ganhar forma um compromisso que manteria uma tarifa de base de 10% sobre as importações europeias, com a possibilidade de negociar tarifas mais baixas em sectores estratégicos, como o da aviação, cuja produção transatlântica é fortemente interdependente.

Contudo, os Estados-Membros continuam divididos quanto à aceitação de um eventual acordo que inclua uma tarifa base de 10%. Alemanha e Itália parecem apoiar esta solução, enquanto países como a Irlanda e a França mantêm uma posição mais cautelosa. A 26 de junho, após uma cimeira da UE, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “se os EUA mantiverem os direitos aduaneiros de 10%, terá de haver uma compensação sobre os bens e produtos importados dos EUA”, acrescentando: “A taxa deve ser a mesma: 10% por 10%, ou o equivalente a 10%”.

Um segundo diplomata europeu disse à Euronews que o acordo poderá ser deliberadamente limitado, permitindo que as duas partes estabeleçam entendimentos mais detalhados por sector no futuro. Um funcionário da UE confirmou esta abordagem, referindo que “não está excluído que alguns sectores sejam abrangidos e outros não”.

Durante a reunião com os representantes dos Estados-Membros, os funcionários da Comissão pediram ainda que fossem considerados vários cenários possíveis: desde um “acordo assimétrico”, em que a UE concederia mais do que os EUA, até à hipótese de não haver acordo e à eventual necessidade de acionar medidas de retaliação.

A Comissão informou também que uma segunda lista de contramedidas, proposta a 8 de maio, continua em desenvolvimento, segundo revelou um terceiro diplomata da UE. Esta lista tem sido alvo de análises e comentários da indústria ao longo das últimas semanas e ainda precisa de ser formalmente aprovada pelos Estados-Membros.

A nova lista abrange produtos norte-americanos num valor estimado de 95 mil milhões de euros, e deverá juntar-se a uma primeira lista de retaliações, no valor de 21 mil milhões de euros, cuja aplicação foi suspensa até 14 de julho, na sequência de uma trégua de 90 dias anunciada por Donald Trump no contexto do litígio comercial.

Novas informações sobre a “mancha fria” no Atlântico Norte

“As nossas descobertas ajudam a compreender de que forma as futuras alterações nas correntes oceânicas podem influenciar o sistema climático global.” Esta é a principal conclusão de um estudo recente publicado na revista Science Advances, segundo divulgou a agência Europa Press na terça-feira.

O trabalho foca-se numa região do Atlântico Norte, situada a sul da Gronelândia, onde se observa um arrefecimento persistente — em contraste com o aquecimento registado na maioria do planeta. A origem desta zona fria, muitas vezes chamada de “mancha fria”, tem sido relacionada com o enfraquecimento da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), um dos principais sistemas de correntes oceânicas responsáveis pela regulação do clima global.

“Enquanto grande parte do planeta aqueceu no último século, o Atlântico norte subpolar apresentou um arrefecimento constante”, explicou Pengfei Zhang, professor assistente de investigação no Departamento de Meteorologia e Ciências Atmosféricas da Universidade Estadual da Pensilvânia, coautor do estudo.

“Os nossos resultados contribuem para explicar a persistência desta ‘mancha fria’ e mostram como a evolução futura das correntes oceânicas poderá influenciar o clima”, acrescentou. Investigações anteriores centraram-se sobretudo no papel das correntes oceânicas na deslocação de águas quentes em direção ao Atlântico Norte. Contudo, os autores deste novo estudo salientam que o arrefecimento do oceano também provoca uma atmosfera mais fria e seca, o que pode intensificar ainda mais a anomalia térmica.

“Utilizámos modelos climáticos avançados para investigar de que forma a AMOC contribui para a formação da mancha fria”, afirmou Yifei Fan, estudante de pós-graduação na Penn State e autor principal do artigo.

“E verificámos que a influência da atmosfera é tão significativa quanto a do próprio oceano, algo que nunca tinha sido identificado”, sublinhou.

A AMOC transporta águas quentes e salgadas desde os trópicos até ao Atlântico Norte, onde essas águas arrefecem, tornam-se mais densas e mergulham em profundidade. Este processo cria uma espécie de correia transportadora: águas frias e profundas seguem para sul, enquanto águas superficiais e quentes se dirigem para norte.

Contudo, o degelo da Gronelândia tem libertado grandes volumes de água doce, que diluem a salinidade da água oceânica, reduzindo a sua densidade e dificultando o afundamento — o que compromete o funcionamento desta corrente. “De acordo com a visão tradicional, o enfraquecimento desta circulação levaria a uma diminuição do transporte de calor, causando arrefecimento nas altas latitudes do hemisfério norte”, explicou Fan.

“Mas os nossos dados mostram que essa não é a única via de influência da AMOC. Também há um impacto indireto, em que a bolha fria altera o comportamento da atmosfera, através do acoplamento entre o oceano e a atmosfera”, acrescentou.

As temperaturas mais baixas da superfície oceânica reduzem a evaporação e a quantidade de vapor de água na atmosfera. Isto é relevante porque o vapor de água atua como um gás com efeito de estufa, ajudando a reter o calor irradiado pela superfície da Terra.

10 milhões de euros para habitação: Porto de Sines aposta nos seus trabalhadores.

Segundo avança o Negócios, a APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) pretende avançar com um investimento de cerca de 10 milhões de euros na construção de habitação a custos acessíveis destinada aos trabalhadores da comunidade portuária e logística do concelho de Sines.

O projecto, que poderá arrancar no final de 2025, prevê a edificação de entre 50 e 70 fogos num terreno com 6.467 metros quadrados, atualmente classificado para usos de comércio e serviços. Para viabilizar o plano, a administração portuária solicitou à Câmara Municipal de Sines uma alteração ao plano de pormenor em vigor, de forma a permitir a mudança de uso do solo para fins habitacionais.

Segundo explicou ao Jornal de Negócios o presidente da APS, Pedro do Ó Ramos, esta iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla para atrair e fixar profissionais qualificados numa região com forte crescimento industrial e logístico, mas onde a escassez de habitação acessível se tornou um entrave ao desenvolvimento.

A construção destas habitações visa dar resposta às necessidades dos trabalhadores diretamente ligados às operações portuárias, bem como aos profissionais de empresas que integram o ecossistema logístico e industrial instalado na zona de influência do Porto de Sines — o maior porto comercial do país e um dos mais importantes da Península Ibérica.

Desvios de rotas aumentaram perda de contentores no Mar

Apesar de a tendência geral mostrar melhorias na redução de contentores perdidos no mar, o ano de 2024 registou um aumento significativo desses incidentes, em grande parte devido ao desvio de rotas para evitar a zona do Mar Vermelho. O contorno do Cabo da Boa Esperança, frequentemente fustigado por condições meteorológicas severas no Inverno, revelou-se particularmente desafiante para os navios porta-contentores.

Estima-se que, em 2024, cerca de 576 contentores tenham sido perdidos no mar, num universo de aproximadamente 250 milhões transportados. Este número representa um aumento de 221 contentores em relação ao ano anterior. A maioria das perdas está associada a acidentes ocorridos ao largo da África do Sul, quando os navios procuraram evitar áreas de conflito.

Três incidentes de maior gravidade foram registados entre Julho e Setembro: o CMA CGM Benjamin Franklin perdeu 44 contentores, o CMA CGM Belem perdeu 99 e o MSC Antonia perdeu 46. Em Outubro, o MSC Taranto também perdeu cinco contentores vazios na mesma região. Segundo a Autoridade Marítima Sul-Africana, estas perdas ocorreram em condições meteorológicas adversas.

A região do Cabo da Boa Esperança é reconhecida pelas suas condições marítimas perigosas. Em 2024, o tráfego de navios nesta rota aumentou 191% em comparação com o ano anterior. Estima-se que 35% das perdas globais de contentores no mar tenham tido origem neste desvio.

Ao longo dos últimos 17 anos, registaram-se três picos notáveis de perdas, incluindo o naufrágio do MOL Comfort em 2013, que transportava mais de 7.000 TEU. Entre 2020 e 2021, navios como o ONE Apus, ONE Aquila, APL England, Maersk Eindhoven e Maersk Essen sofreram perdas devido ao fenómeno conhecido como “rolling paramétrico”, que provoca movimentos violentos e descontrolados dos navios.

Estão em curso várias iniciativas para reforçar a segurança no transporte marítimo de contentores. A Organização Marítima Internacional (IMO) prevê tornar obrigatória, a partir de 2026, a comunicação de contentores perdidos no mar. Paralelamente, estão a ser melhorados os métodos de inspecção de carga e aprofundadas as investigações científicas sobre prevenção de perdas. Em colaboração com o instituto MARIN, será apresentado à IMO um relatório com avanços relevantes nesta área.

O ano de 2024 foi particularmente desafiante para o sector. Em Março, o SM Portland perdeu 115 contentores durante uma tempestade no Pacífico. A questão dos incêndios a bordo tem também ganho destaque, com incidentes fatais registados no Maersk Frankfurt e no Wan Hai 503, este último em chamas há várias semanas. Em Junho, o MSC Elsa 3 foi dado como perdido ao largo da Índia, enquanto o MSC Baltic III encalhou no Canadá durante uma tempestade de Inverno.

A segurança no transporte marítimo continua a ser uma responsabilidade partilhada. Estão a ser implementadas novas medidas para controlar mercadorias perigosas mal ou não declaradas, incluindo o primeiro sistema de triagem de toda a indústria.

Armador Sul-Coreano HMM com plano de expansão para Algeciras.

O armador sul-coreana HMM apresentou uma carta de intenções para expandir o seu terminal em Algeciras, Espanha. O projecto, submetido à Autoridade Portuária de Algeciras, contempla um investimento de 150 milhões de euros (cerca de 177 milhões de dólares). A HMM contribuirá com 35 milhões de euros, enquanto o restante será financiado pela CMA CGM — segundo maior accionista do terminal — juntamente com financiamento externo.

O terminal TTIA, uma instalação semi-automatizada, foi adquirido na totalidade pela HMM em 2017. Actualmente, ocupa uma área de 300.000 m² e tem uma capacidade anual de movimentação de 1,6 milhões de TEU. A Fase 1 da expansão prevê o aumento da área para 460.000 m² e a elevação da capacidade para 2,1 milhões de TEU até 2028.

Está também planeada uma Fase 2, que permitirá aumentar ainda mais a capacidade para 2,8 milhões de TEU. Para apoiar esta visão a longo prazo, a HMM irá prolongar os seus direitos de operação do terminal de 2043 até 2065, o que representa uma extensão do contrato por mais 22 anos. O terminal serve actualmente navios de grande porte da HMM, com capacidade para 24.000 TEU.

Situado num ponto estratégico entre o Mediterrâneo e o Atlântico, Algeciras é um dos principais centros de transbordo do sul da Europa, desempenhando um papel fundamental nas ligações entre a Ásia e a Europa. Esta expansão insere-se numa estratégia mais ampla da HMM de reforçar a sua presença global no sector de terminais.

MSC encomenda navios a GNL na China por 1,1 mil milhões€

A MSC celebrou recentemente um contrato com o estaleiro CMHI Haimen, pertencente ao grupo China Merchants Industry (CMI), para a construção de três navios porta-contentores de 22.000 TEU com propulsão a gás natural liquefeito (GNL) e opção para mais três unidades semelhantes, segundo revelou o corretor marítimo grego Intermodal.

O custo estimado por navio situa-se entre os 206 e os 210 milhões de dólares, elevando o valor total do acordo para mais de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,1 mil milhões de euros), caso todas as opções sejam exercidas. As entregas estão previstas para 2027.

Este novo contrato insere-se na estratégia contínua da MSC de expandir a sua frota com navios tecnologicamente avançados e ambientalmente mais eficientes, muitos dos quais encomendados a estaleiros chineses. No início deste ano, a companhia suíça já havia fechado acordo com o estaleiro Zhoushan Changhong International para a construção de até oito unidades de 22.000 TEU a GNL. Em Dezembro de 2024, foram encomendados outros dez navios de 24.000 TEU ao estaleiro Hengli Heavy Industries, em Dalian, com entregas previstas entre 2028 e 2030.

Entretanto, continuam a ser integradas novas unidades à frota GNL da MSC, com destaque recente para o MSC Germany, um porta-contentores de 16.000 TEU. Com a crescente pressão regulatória, preocupações com a disponibilidade de combustíveis e os compromissos de descarbonização a longo prazo, o GNL mantém-se como a principal solução alternativa para propulsionar navios. De acordo com a plataforma Alternative Fuels Insight (AFI) da DNV, encontram-se actualmente registadas 87 novas encomendas de navios movidos a GNL, sendo 81 no segmento de contentores.

Dessalinização: Solução inovadora para a sustentabilidade hídrica na Economia Azul

A dessalinização tem vindo a afirmar-se como uma tecnologia-chave no contexto da economia azul, sendo considerada uma resposta estratégica para enfrentar a escassez de água potável em muitas regiões do mundo. Este processo consiste na remoção de sais e outras impurezas da água do mar, de água salobra ou até de águas residuais tratadas, tornando-a adequada para consumo humano, uso agrícola ou industrial.

Actualmente, os métodos mais utilizados incluem a osmose inversa, que utiliza membranas semipermeáveis para filtrar os sais, e a destilação térmica, que evapora a água e a condensa, separando-a do sal. A osmose inversa representa mais de 80% das instalações modernas, graças à sua eficiência energética comparada com processos térmicos tradicionais.

No âmbito da economia azul, a dessalinização surge ao lado de sectores como a biotecnologia marinha, a aquacultura sustentável e as energias renováveis oceânicas, contribuindo para o crescimento económico sustentável com base na utilização responsável dos recursos marinhos.

Contudo, apesar do seu potencial, a dessalinização ainda enfrenta vários desafios. O elevado consumo de energia, os custos de operação e manutenção, a emissão de gases com efeito de estufa (quando alimentada por fontes não renováveis) e a gestão dos rejeitos salinos – o chamado salmoura – são obstáculos técnicos e ambientais que requerem atenção. A libertação inadequada desta salmoura no meio marinho pode afetar a biodiversidade local, alterar a salinidade da água e comprometer ecossistemas costeiros.

Para mitigar estes impactos, a investigação tem-se centrado em soluções como o aproveitamento da energia solar e eólica para alimentar as unidades de dessalinização, o desenvolvimento de membranas mais eficientes e duráveis, e a valorização da salmoura para a extração de minerais úteis, como o lítio ou o magnésio.

A integração da dessalinização em estratégias de gestão hídrica e climática revela-se, portanto, essencial, sobretudo em regiões áridas, ilhas e países com escassos recursos de água doce. Com o apoio de políticas públicas, financiamento sustentável e inovação tecnológica, esta atividade poderá desempenhar um papel decisivo na transição para uma economia mais resiliente e sustentável.

Cruzeiros na Europa emitem mais poluição do que mil milhões de carros, revela estudo

Um relatório da organização não-governamental Transport & Environment (T&E) revelou que a poluição atmosférica gerada pelos navios de cruzeiro na Europa ultrapassou, em 2022, os níveis registados antes da pandemia, atingindo proporções alarmantes. Segundo os dados do estudo, as emissões de dióxidos de enxofre (SOx) dos 218 cruzeiros a operar nas águas europeias foram equivalentes às de mil milhões de automóveis, num continente onde circulam cerca de 291 milhões de veículos ligeiros de passageiros.

O crescimento da actividade deste sector turístico, tanto em número de navios como no tempo que permanecem nos portos e no combustível consumido, levou a um aumento de cerca de 23% a 24% nestes indicadores entre 2019 e 2022. Esse crescimento traduziu-se num acréscimo de 9% nas emissões de SOx, 18% em óxidos de azoto (NOx) e 25% em partículas finas (PM2,5), todos elementos prejudiciais à saúde humana e ao ambiente.

Portugal surge com destaque negativo no estudo, com Lisboa e Funchal entre as cidades europeias mais afetadas pela poluição dos cruzeiros. A capital portuguesa registou um agravamento da situação: em 2019 ocupava a oitava posição europeia em emissões de SOx com 10 340 quilos, passando em 2022 para o quinto lugar com 11 132 quilos, resultantes da escala de 108 navios. Já o Funchal entrou pela primeira vez no top 10 em 2022, com 96 escalas responsáveis pela emissão de 9 041 quilos deste poluente.

Barcelona, em Espanha, lidera a lista de cidades mais expostas, tendo acolhido 106 navios que emitiram aproximadamente três vezes mais dióxidos de enxofre do que os mais de 500 mil automóveis em circulação na cidade. Por contraste, o estudo assinala uma redução significativa da poluição em Veneza, Itália. A cidade italiana, que em 2019 liderava o ranking europeu, caiu para a 41.ª posição após proibir a entrada de grandes cruzeiros no seu porto, o que resultou numa diminuição de 80% nas emissões. Apesar disso, Itália ultrapassou a Espanha como o país com maior volume de poluição causada por cruzeiros. Portugal ocupa actualmente o sexto lugar.

Face à pressão ambiental, algumas companhias começaram a substituir o tradicional combustível marítimo pesado por gás natural liquefeito (GNL). A mudança reduz certas emissões nocivas para o ar, mas levanta preocupações ambientais, já que os motores movidos a GNL têm fugas de metano, um gás com um potencial de aquecimento global 82,5 vezes superior ao do dióxido de carbono num período de 20 anos.

O estudo da T&E recomenda medidas concretas para reduzir o impacto ambiental do setor, incluindo a extensão das zonas de controlo de emissões (SECA) a todas as águas da União Europeia e Reino Unido, a obrigação de ligação dos navios à rede elétrica enquanto estão atracados e o abandono progressivo do GNL em favor de tecnologias alternativas como hidrogénio, baterias e energia eólica.

Portugal e a Convenção de Hong Kong: Uma oportunidade estratégica.

A entrada em vigor da Convenção de Hong Kong da Organização Marítima Internacional (IMO), representa um ponto de viragem na forma como o sector marítimo lida com o fim de vida dos navios. Após anos de negociações, este tratado internacional estabelece regras rigorosas para a reciclagem segura e ambientalmente responsável de embarcações, com o objetivo de acabar com as práticas degradantes que persistem em estaleiros não regulados, especialmente em certas regiões da Ásia, onde os impactos ambientais e humanos são profundamente negativos.

Portugal, enquanto país com uma forte tradição marítima, uma costa atlântica estratégica e portos com capacidade técnica relevante, tem aqui uma oportunidade rara de assumir um papel pioneiro na Europa. A reciclagem de navios, se feita de forma regulada e eficiente, pode ser um motor de desenvolvimento económico, ambiental e industrial. Trata-se de uma actividade que, além de contribuir para a circularidade de materiais como o aço, cobre e alumínio, gera empregos qualificados e promove cadeias de valor que incluem engenharia naval, gestão ambiental, logística portuária e tecnologias de descontaminação.

A proximidade de Portugal a importantes rotas marítimas e a sua inserção no mercado europeu colocam o país numa posição vantajosa para acolher estaleiros certificados ao abrigo da Convenção de Hong Kong. Com a União Europeia a impor já restrições rigorosas à reciclagem de navios de bandeira europeia, limitando-a a instalações listadas e auditadas, é de esperar que a procura por alternativas dentro do espaço europeu cresça de forma significativa. Neste contexto, países com capacidade para se adaptarem rapidamente aos requisitos técnicos e ambientais estabelecidos pela convenção poderão captar uma fatia importante desse mercado emergente.

Portugal poderia, por exemplo, adaptar estaleiros existentes ou desenvolver novas unidades em áreas como Setúbal, Aveiro ou mesmo Sines, que já possuem alguma infraestrutura industrial e logística. Com incentivos públicos, parcerias com empresas do setor naval e apoio à formação profissional, seria possível criar uma base sólida para esta nova actividade. Além disso, ao alinhar este esforço com as estratégias nacionais para a economia azul e a transição energética, o país reforçaria o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, beneficiando também da captação de fundos europeus orientados para a inovação e a transição verde.

A nível logístico, a entrada de Portugal neste sector permitiria diversificar e sofisticar a oferta de serviços portuários, transformando o país não apenas num ponto de passagem ou transbordo, mas num centro industrial ligado à fase final do ciclo de vida dos navios. Os portos possuem potencial para acolher unidades especializadas de desmantelamento e reciclagem, ampliando a sua função além da carga e descarga de mercadorias. Ao integrar actividades de maior valor acrescentado, como a reciclagem naval, os portos podem diversificar receitas, atrair investimento internacional e fortalecer a sua posição como plataforma logística de futuro.

Autor: António Sousa

MSC com “luz verde” do Porto de Barcelona para entrar no terminal BEST.

O maior armador mundial, a MSC, avançou com a aquisição de metade da participação na Terminal Catalunya (Tercat), operadora do terminal de contentores BEST, em Barcelona. Esta infraestrutura, responsável por cerca de 70% da movimentação de contentores no porto catalão, passa agora a ter gestão partilhada entre a MSC – através da sua subsidiária Terminal Investment Limited (TiL) – e a Hutchison Ports, que detinha o controlo exclusivo desde 2006.

O acordo entre as duas empresas foi formalizado em julho de 2024, e recebeu agora o aval da Autoridade Portuária de Barcelona, após meses de negociações relacionadas com garantias operacionais e de governação. Falta apenas a aprovação por parte das autoridades europeias para que o negócio seja oficialmente concluído.

Para assegurar a neutralidade e a abertura do terminal a outros operadores, foram definidas várias condições que visam evitar conflitos na gestão e assegurar o acesso equitativo ao terminal. A entrada da MSC inclui também compromissos operacionais e mínimos de tráfego, o que reforçará a actividade da instalação nos próximos anos.

Este movimento insere-se numa estratégia mais ampla da MSC para aumentar a sua autonomia logística e capacidade portuária, num contexto em que se intensifica a competição global entre alianças de transporte marítimo. A crescente presença da MSC em terminais estratégicos como os de Roterdão, Alexandria e agora Barcelona reflecte a ambição da empresa em assegurar maior controlo sobre a sua rede de operações, especialmente após o fim da aliança 2M com a Maersk.

Para Portugal, nomeadamente para o seu maio porto, em Sines, este desenvolvimento pode representar um desafio adicional. A crescente consolidação da MSC em portos mediterrânicos como Barcelona pode redirecionar fluxos logísticos e reforçar a atratividade do eixo do sul de Espanha para serviços de transbordo e ligação intercontinental. Sines, que tem apostado na captação de tráfego global e na expansão do terminal Vasco da Gama, poderá ver-se pressionado a acelerar investimentos e reforçar parcerias para manter a sua competitividade no cenário ibérico.