Mar: "Estamos a esgotar os Oceanos sem antes os conhecermos"

A 25 de maio chegou o alerta: “Se todos os países do mundo consumissem como Portugal, o cartão de crédito ambiental teria de ser accionado”. Ou seja, nesse sábado primaveril, Portugal já havia gasto todos os recursos disponíveis para o presente ano. Contas feitas, 21 dias mais cedo face a 2018.
Um alerta deixado pela Zero, associação ambientalista, que Luís Rodrigues, Director Regional das Pescas dos Açores, recordou na abertura do simpósio que decorre em Lisboa a 27 e 28 de maio, o “Sangue na Guelra”. Na sua intervenção, este responsável trouxe um olhar “sobre o maior território marítimo da Europa, os Açores” e ilustrou-o trazendo aos presentes no simpósio uma imagem com uma espécie destas águas atlânticas, “o Atum Rabilho. Uma das espécies mais emblemáticas da região. Constatámos que, a cada ano, se estava a pescar metade daquilo que se capturava no ano anterior. Acresce que 85% das embarcações de pesca açorianas são licenciadas para a pesca do atum. Menos pesca traz um enorme impacto nas famílias”, sublinhou Luis Rodrigues, recordando o efeito de escala: “Temos três fábricas que ocupam 900 pessoas”. Havia que descobrir as razões para esta quebra do recurso marinho. E, aqui, a narrativa entronca na questão da sobrepesca.
“Nos últimos anos entraram cerca de 500 operadores da pesca do cerco no Atlântico. Nos Açores, a pesca do atum faz-se com salto e vara”. Em suma, como sublinhou o Director Geral, “num só lance de pesca do cerco podem vir à rede 300 toneladas de atum, tanto quanto os Açores capturam num ano com o método tradicional. Tínhamos de dar o alerta. Há que recordar que falamos de uma espécie migratória, não é um recurso existente todo o ano nas águas nacionais”.
“Fizemos um memorando em diferentes línguas e no encontro anual da entidade que faz a gestão internacional do atum estive presente. São reuniões intensas, com mais de 50 países à volta de uma mesa, todos eles defendendo uma cota. Quando, finalmente, consegui chegar ao debate, descobri que a mesma pessoa que representava a pesca de lance nos Açores era a que representava o cerco. Fiz, então, lobby com organizações ambientais. Tivemos um encontro internacional de pesca de salto e vara [Conferência Internacional sobre Pesca de Atum de Salto e Vara, decorrido em 2017]”.
Um episódio que deu a Luís Rodrigues pretexto para trazer ao auditório reunido em Lisboa, um retrato sobre os “oceanos, o maior reservatório de água do planeta. Devemos pensar no ciclo da água. A que temos dentro da garrafa que seguramos na mão esteve no oceano. Este dá-nos oxigénio, o oceano purifica o ar. É, também, a fonte de proteína selvagem. Oitenta por cento das espécies do planeta vivem neste habitat. Conhecemos apenas 10% deste meio. Estamos a esgotar os oceanos sem antes os conhecermos”.
“A cada dez anos, a política para a pesca altera-se. Uma parte das regras chega-nos de Bruxelas. Porque alteramos a política a cada década? Porque há nova tecnologia, novos pescadores, novos barcos”, substancia Luís Rodrigues para, depois responsabilizar todos os cidadãos: “A cada década, todos nós somos convidados a participar na construção dessas regras. A ferramenta que agiliza o processo de discussão chama-se ´Livro Verde da Reforma da Política Comum das Pescas`. No último livro era referido que 90% dos recursos marinhos estão sobrexplorados. Repare-se, um quarto do que se pesca na Europa é para fazer farinha para alimentar animais domésticos. Um quinto do que se pesca no Velho Continente é acidental e rejeitado. Trinta porcento dos ecossistemas marinhos na Europa estão colapsados, não voltarão a ser o que eram”.
Para o orador, “temos, enquanto consumidores, de garantir a mudança. Variar as espécies de peixe consumidas. A maioria das pessoas consome as mesmas quatro ou cinco espécies marinhas”.
“Em 2001 discutia-se a política de pescas e corríamos o risco de perder uma parte do território marítimo português, passando para a gestão de Bruxelas. Eu não via essa discussão pública acontecer. Quisemos levar a questão à Assembleia da República. Tínhamos de reunir 75 mil assinaturas. As pessoas não compreendiam a real dimensão do que estava a acontecer. Na Universidade, pedi aos meus alunos que desenhassem Portugal. Desenhavam terra, mas esqueciam-se de toda a Zona Económica Exclusiva Nacional. Ou seja, nós não incorporámos o mar no nosso imaginário como um território que é nosso”.
Luís Rodrigues desmistificou o mar dos Açores: “Ao contrário do que se imagina, nós temos muito pouco peixe. Porquê? Porque a maior parte do peixe precisa de um fundo com luz. Nós, nos Açores, temos um mar abissal, com mais de três mil metros de profundidade. Pescamos na orla das ilhas e locais que já foram ilhas, erodiram-se, tornando-se bancos de pesca”.

Cientistas descobrem um gigante aterro de lixo no Mar Mediterrâneo

Bonecas, pedaços de sanitas, móveis, barcos, colchões, mesas, árvores de Natal, roupas, pneus, tijolos, tapetes e até um carro inteiro. E plástico, muito plástico. As imagens obtidas por um robot de exploração submarina revelaram um verdadeiro aterro subaquático onde se pode encontrar quase todo o tipo de lixo, em pleno Mar Mediterrâneo. E as consequências ambientais são imprevisíveis, porém garantidas.
“Parece uma sequência de um filme pós-apocalíptico, mas na realidade é o fundo do Mediterrâneo”, escreve o “El País” num artigo desta terça-feira, 21 de maio.
Numa extensa reportagem, o jornal espanhol cita um estudo do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR) e da Universidade de Roma La Sapienza, que foi disponibilizado nos “Scientific Reports” da plataforma “Nature” no final do mês de março.

De acordo com o “El País“, uma equipa de investigadores encontrou em Itália a maior concentração de lixo já registado em águas profundas em qualquer lugar no mundo. O depósito está no Estreito de Messina, que separa a ilha da Sicília da região da Calábria e a concentração de resíduos é “surpreendente”.
O robot submersível POLLUX III foi registando em imagens o que encontrava e percebeu-se que, quanto maior a profundidade, mais desperdício havia. E a situação é mais preocupante porque ele tinha um limite de descida até aos 600 metros, suspeitando os cientistas de que se tivesse ido mais fundo teria encontrado mais lixo.
Quanto aos resíduos encontrados, o maior foi o plástico, seguido de material de construção, vestuário e metal.

Os cientistas relatam que viram ouriços-do-mar e os peixes a usar o lixo como refúgio e alertam para um tipo de contaminação pouco estudada.
A equipa vai agora analisar o impacto que estes desperdícios podem ter sobre a vida selvagem. “O plástico pode durar até 500 anos no mar e é uma fonte de poluentes orgânicos persistentes que são tóxicos para a fauna marinha e que podem acumular-se nos seus tecidos”, explicam.
Quanto às causas, a má gestão de resíduos na Sicília e na Calábria pode explicar grande parte do problema, mas o Mediterrâneo é também conhecido como um mar predisposto a acumular resíduos, por criar uma bacia quase fechada. E por ter grandes cidades à volta e uma troca limitada de águas.
Em 2017, a Organização Não Governamental WWF já tinha publicado um relatório alarmante sobre o aumento da poluição no Mar Mediterrâneo devido ao turismo em massa e à exploração dos recursos marinhos. A WWF explicou então que as espécies marinhas viram as suas populações diminuírem, com 41 por cento menos mamíferos marinhos e 34 por cento menos peixes do que há 50 anos. Em termos de flora, as ervas marinhas sofreram 34 por cento de degradação no mesmo período de tempo e os corais estão ameaçados de extinção. 

Aumento do nível do mar pode ter "consequências graves"

Os estudos apontavam para que a subida do nível do mar fosse pouco menos de um metro até 2100. Mas um novo estudo prevê que o nível real poderá ser o dobro desse número. O que a acontecer levará à deslocação de centenas de milhões de pessoas.
A questão do aumento do nível do mar foi uma das questões mais controversas levantadas pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas, quando publicou o seu quinto relatório de avaliação em 2013. Esse organismo afirmou, na altura, que o aquecimento global, sem grandes reduções nas emissões, aumentaria o nível do mar para os 52 cm e 98 cm até 2100.
Para tentar hoje obter uma imagem mais clara do que irá acontecer, alguns dos principais investigadores da área realizaram um estudo estruturado, em que fazem previsões baseadas no seu conhecimento e compreensão sobre o que está a acontecer na Gronelândia, a Oeste e Leste da Antártida.
Na opinião destes investigadores, se as emissões se mantiverem na mesma trajetória, os oceanos provavelmente subirão 62 cm e 238 cm até 2100. Isto seria um cenário num mundo que terá aquecido em mais 5ªC, um dos piores cenários para o aquecimento global.
“Para 2100, a contribuição da camada de gelo é muito provável na faixa de 7-178 cm, mas uma vez se adiciona geleiras e calotas de gelo fora das camadas de gelo e expansão térmica dos mare”, disse o autor Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol.

“Para colocar isso em perspectiva, a crise de refugiados na Síria resultou em cerca de um milhão de refugiados que chegaram à Europa”, disse o professor Bamber. “Isso é cerca de 200 vezes menor do que o número de pessoas que seriam deslocadas com um aumento de 2 milhões no nível do mar”

O manto de gelo da Gronelândia continua a ser o maior contribuinte para a subida no nível do mar, mas à medida que as temperaturas vão subindo, as camadas de gelo da Antártida, muito maiores, começam a entrar em acção.“Os especialistas acreditam que há uma probabilidade pequena, mas estatisticamente significativa, de que a Antártida Ocidental faça a transição para um estado muito instável e partes da Antártida Oriental também contribuam”, disse o professor Bamber.
Segundo os especialistas, este cenário teria enormes implicações para o planeta. Calculam que o mundo perderia uma área de terra equivalente a 1,79 milhão de quilómetros quadrados, o equivalente ao tamanho da Líbia. Muitas perdas de terra estariam em importantes partes de cultivo de alimentos, como o Delta do Nilo. Mas também grandes áreas como o Bangladesh seriam afectadas e difíceis que ser habitáveis. Outras cidades como Londres, Nova Iorque e Xangai estariam sob ameaça.
“Para colocar isso em perspetiva, a crise de refugiados na Síria resultou em cerca de um milhão de refugiados que chegaram à Europa”, disse o professor Bamber. “Isso é cerca de 200 vezes menor do que o número de pessoas que seriam deslocadas com um aumento de 2 milhões no nível do mar.”

Uma fralda deitada hoje ao mar ainda lá estará daqui a 400 anos

De acordo com a organização Safety 4 Sea, citada pela Green Innovation em comunicado enviado à redação, os cotonetes que usa diariamente demoram, em média, cinco meses a serem decompostos. Já os cigarros e as palhinhas de plásticos demoram um pouco mais. Os cigarros carecem de um a 10 anos e as palhinhas entre 10 a 20 anos.
Se considera estes números preocupantes, então atente nos próximos indicadores. O alumínio precisa, em média, de 200 anospara ser decomposto e as fraldas descartáveis usadas pelas crianças carecem de 450 anos. Por fim, quanto ao óleo de cozinha não foi possível determinar o período temporal necessário.
De salientar que entre os dias 4 e 8 de junho, Lisboa irá acolher o evento ‘7 Seas Summit’ – o primeiro Summit dedicado à Economia Azul. Neste evento vai marcar presença 12 ‘startups’ com soluções focadas no mar.

Competição premia atletas por recolherem lixo espalhado pelo oceano

A limpeza das praias e dos oceanos deve ser uma acção colectiva, realizada por qualquer um que frequente os ambientes. Para estimular a recolha de resíduos no meio ambiente, uma competição tomará conta da praia Catalans et l’Escale Borely, em Marselha, na França. Chamada de Le Grand Défi (O Grande Desafio, em português), a disputa acontecerá no dia 30 de maio de 2019 e a grande tarefa dos participantes é recolher a maior quantidade de lixo acumulado na região.

A ideia veio de Emmanuel Laurin, atleta francês fundador da Sauvage, uma organização em prol do meio ambiente. Em 2017, ele cobriu 120 quilómetros da costa do país, de Marselha a Toulon, recolhendo o lixo espalhado pelo Mar Mediterrâneo.

Agora o activista desafia 20 equipas de nadadores e caiaquistas a percorrer os oito quilómetros da praia durante um ano. Por serem amadores, os participantes serão acompanhados por profissionais, como o jogador de basquetebol Pierre Pelos e as nadadoras Margaux Chrétien e Camille Lacourt.

Os prémios serão divididos em três categorias: o primeiro para quem encontrar mais lixo, o segundo para quem achar os resíduos mais incomuns e o terceiro para aqueles que encontrarem o “Grand Saphir”, um objecto feito de plástico reciclado escondido ao longo do percurso. Obrigatoriamente, os vencedores devem doar a quantia recebida para uma organização de protecção ambiental, escolhida pela equipa.

Apesar de ser realizada na França, a competição é um exemplo para o resto do mundo. De acordo com uma pesquisa comandada pela  Associação Internacional de Resíduos Sólidos (Iswa), 25 milhões de toneladas de lixo são despejadas nos oceanos anualmente. 

Os peixes do mar profundo podem distinguir cores na escuridão quase total

A visão da maioria dos vertebrados é determinada por dois tipos de células na retina: os cones e os bastonetes. Os cones distinguem cores, mas funcionam apenas quando há iluminação suficiente. Por outro lado, os bastonetes podem detetar a luz visivelmente escassa, mas fazem-nos em preto e branco, porque usam apenas um tipo da proteína opsina RH1.

Ao estudar 101 espécies da zona mesopelágica, que se estende entre 200 e mil metros abaixo da superfície do oceano, os biólogos descobriram que quatro delas têm genes que aumentam – até 5, 6, 18 e 38 – a quantidade de variantes da RH1 nos bastonetes. A presença de vários tipos dessa proteína possibilita a essas células ver cor.
“O número máximo, registado no Diretmus argenteus,é impressionante”, disse Megan Porter, uma bióloga evolutiva, à Science News. No entanto, não se pode confirmar que essas quatro espécies realmente possam ver cores, admite a principal autora do estudo publicado na revista Science, Zuzana Musilová.
Tendo em conta a diferença de pressão entre a superfície e a zona mesopelágica, os peixes provavelmente não sobrevivem se forem extraídos das profundidades, por isso não podem ser testados. “Mesmo trazê-los à superfície vivos não garante que se comportariam da mesma maneira do que nas profundezas”.
No geral, os autores são “cautelosos” em não alegar que os peixes de águas profundas conseguem ver cores, disse Almut Kelber, da Universidade de Lund, na Suécia, que estudou a visão de cores com pouca luz em rãs.
Os novos resultados de peixe não dizem se diferentes opsinas RHI se agrupam em células bastonetes individuais ou se estão dispersas, com diferentes células bastonetes a carregar diferentes opsinas. Para diferenciar as cores, as opsins da haste precisariam de estar em células diferentes. Mas se as proteínas se acumulam em cada haste, os peixes aumentam a sensibilidade à luz e podem escolher objectos mais fracos em tons de preto e branco.

Acelerador da Economia do Mar recebeu 87 inscrições de 29 países

O ‘Bluetech Accelerator Ports & Shipping 4.0’ recebeu um total de 87 inscrições, de 29 países diferentes. Este projecto tem como principal desígnio a criação de um ecossistema de inovação na Economia do Mar portuguesa.

“Pretende-se identificar, seleccionar e capacitar as ‘startups’ com modelos de negócios sustentáveis e com potencial de integração de pilotos junto dos grandes ‘players’ nacionais e internacionais da ‘Economia Azul’, numa iniciativa que está a ser liderada pela Direcção-Geral da Política do Mar (DGPM) e pela plataforma de inovação Beta-i”, explica um comunicado do Ministério do Mar.
Depois de encerradas as inscrições, para este acelerador, Portugal e os Estados Unidos são os países mais representados, com 13 ‘startups’ cada, seguidos pela Índia, com 10, e pela Alemanha e Reino Unido, com 5 e 4, respetivamente.
“Estes números dizem muito do alcance internacional desta iniciativa, ao mesmo tempo que ajudam a projectar Portugal como país inovador na área da Economia do Mar em vários mercados”, destaca o referido comunicado.
O mesmo documento acrescenta que, “se olharmos para o quadro de objectivos do ‘Bluetech’, reparamos que o espaço destinado à ‘Gestão de Desempenho de Carga e Frotas’ atraiu 38% das candidaturas, seguido do desafio ‘Sustentabilidade Ambiental’, com 33%”.
Por seu turno, o desafio ‘Optimização de Processos em Terra’ mereceu 31% das candidaturas, o mesmo que o outro tema, centrado na ‘Conectividade de Navegação do Futuro’.
A fase de candidaturas arrancou a 4 de março e estendeu-se até ao dia 19 de abril.
“A fase de selecção, que envolve todos os parceiros, decorre agora, até ao dia 17 de maio, havendo lugar a um evento com o ‘pitch’ das 40 melhores candidaturas inserido no ‘European Maritime Day’, em Lisboa, acrescenta o comunicado do Ministério do Mar.
Mais tarde, decorrerá um ‘bootcamp’ de cinco dias, que terá início dia 24 de Junho, com as ‘startups’ selecionadas para entrar na fase de pilotagem a serem conhecidas dia 28 de junho.
O fim do programa ocorrerá em outubro, que culmina com o ‘Demo Day’, onde as soluções encontradas e os resultados conhecidos serão apresentadas publicamente.
Esta iniciativa tem como promotor o Ministério do Mar, através da Direção Geral de Política do Mar (DGPM), e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), contando com a parceria dos portos de Leixões e de Sines, Grupo ETE, Grupo Portline, Inmarsat e Tekever, sendo o programa implementado pela Beta-i.
“Estes parceiros participarão no processo de seleção e financiamento do conjunto de ‘startups’ vencedoras, que se conhecerão no último trimestre de 2019. O programa terá a bordo cruciais ‘players’ do sector marítimo-portuário, provando que a ‘aceleração azul’ da Economia do Mar é uma aposta capaz de mobilizar o interesse e a motivação das empresas que encabeçam o sector”, destaca o comunicado do ministério liderado por Ana Paula Vitorino.
Temas como a ‘Big Data’, Internet das Coisas (IoT), Automatização e Robotização dos Portos, Sistemas Autónomos, ‘Smart Shipping’ ou Vigilância Marítima “são algumas tendências com potencial de disrupção no setor marítimo-portuário nacional, e são algumas das áreas onde este programa se vai foca”r.
A iniciativa ‘Bluetech Accelerator’ faz parte do ‘Programa Ocean Portugal’, desenvolvido em conjunto pelo Ministério do Mar e pela FLAD, que visa desenvolver a inovação azul e empreendedorismo.
“Vem ainda responder a uma das diretrizes estratégicas do Governo, que visa aumentar o peso da Economia do Mar Sustentável no PIB nacional e que passa pela implementação de políticas e iniciativas que estimulem o aumento da intensidade tecnológica, da sustentabilidade e da sofisticação dos modelos de negócio da economia azul”, conclui o referido comunicado.

Economia do mar emprega quase 181 mil pessoas em Portugal

O turismo costeiro – que contribuiu com 74% para o total de empregos nas actividades ligadas ao mar e por 66% dos lucros em 2017 –, e os recursos vivos são os principais motores das atividades económicas nacionais ligadas aos mares e oceanos, segundo um estudo da Comissão Europeia divulgado na passada quinta-feira.

A economia do mar emprega cerca de 180.900 pessoas em Portugal e gera quase 4,1 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), de acordo com o relatório “Blue Economy 2019”, elaborado pela Comissão Europeia e apresentado por ocasião do Dia Marítimo Europeu, que decorre em Lisboa. O turismo costeiro, que, em 2017, contribuiu com 74% para o total de empregos e para 66% dos lucros na economia azul, bem como os recursos vivos são os principais motores das actividades económicas nacionais associadas aos mares e oceanos.
Apesar de o VAB da economia azul portuguesa ter diminuído entre os anos de 2009 e 2012, acabou por, entretanto, aumentar de forma acentuada e atingir o seu nível mais elevado em 2017. Só a quota deste valor no Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 30% durante esse mesmo período.

Em 2016, os números eram significativamente inferiores. Segundo um estudo das consultoras EY e Augusto Mateus & Associados, promovido pelo BCP, as fileiras-chave da economia azul (pesca, aquicultura e indústria do pescado; transportes marítimos, portos e logística; construção, manutenção e reparação naval; turismo e lazer ligado ao mar) davam trabalho a 99,4 mil pessoas no país e geravam um volume de negócios de 7,5 mil milhões de euros. “O salário médio dos empregos do setor da economia azul em 2016 foi de 12.700 euros, um decréscimo de 3% face aos valores de 2009”, aponta, por sua vez, a análise de Bruxelas, divulgada esta manhã.
O Dia Marítimo Europeu, estabelecido em 2008, representa um ponto de encontro anual para profissionais, empresários e líderes políticos ligados aos mares e oceanos. A capital portuguesa recebeu ao longo de dois dias, mais de 1.400 participantes de 53 países, mais de uma centena de oradores, 28 workshops e 21 pitchs. Bruxelas escolheu Portugal para receber a edição de 2019 deste evento, este ano focado essencialmente em impulsionar a economia marítima sustentável através do empreendedorismo, do investimento, da investigação e da inovação.

Nestas salinas portuguesas pode boiar como no Mar Morto

Portugal tem destinos incríveis e multifacetados, que podem dar bons programas de fim de semana, sobretudo nos meses do verão. Segundo a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos há cinco salgados (conjuntos de salinas) no País. E em dois deles estão piscinas salgadas, abertas ao público.
As salinas de Aveiro situam-se na Ria de Aveiro. Têm uma junção de água doce dos rios Vouga e Antuã e de água salgada oceânica. Ali, o sal é extraído através de um método milenar ainda hoje utilizado nas marinhas de sal activas.
Na Marinha Grã-Caravela, entre 15 de julho e 15 de setembro, as salinas de Aveiro abrem as portas para os “Banhos Salgados”. A actividade decorre numa piscina feita com as lamas que constroem a marinha.
A água é extremamente salina, o que permite boiar numa experiência descrita por muitos como similar à do Mar Morto. Além disso, os nutrientes e minerais presentes na água e na lama são benéficos para a circulação sanguínea e hidratação da pele.
“Estamos abertos todo o ano, mas a piscina funciona apenas no verão por causa das condições meteorológicas, uma vez que quando chove a salinidade da água baixa e a experiência fica comprometida”, explica Filipe Magalhães, gestor de projetos das Salinas de Aveiro.
Está aberta das 10 às 19 horas, dependendo do clima. O acesso aos banhos salgados custa 4€ por pessoa para um dia inteiro (pode sair e regressar no mesmo dia). Já a salina em si está aberta todos os dias de março a outubro. No inverno encerra à segunda-feira.
Uma vez que o espaço tem capacidade limitada e muita afluência (ultrapassaram as dez mil visitas em 2018), aconselha-se a reserva antecipada por telefone, 234 056 149, ou email, visitas@salinasaveiro.com. Até porque há muito para fazer neste complexo.
Pode conhecer as salinas numa visita guiada individual ou em grupo. Cada uma dura uma hora e ficará a saber toda a história e segredos das marinhas, bem como o processo de extração do sal. Há passeios diários às 11 e às 15 horas. Os miúdos pagam 2€ e os adultos 5€ numa visita individual ou 3€ em grupo.
Há ainda a possibilidade de se ser marnoto (trabalhador das salinas) por um dia. Durante a manhã os participantes fazem a recolha do sal, podendo depois levá-lo para casa. A meio do dia há uma visita guiada. E, ao final do dia, é a altura para a apanha da flor de sal. A actividade, para toda a família, custa 25€ por pessoa mais 10€ para o almoço.

Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico

De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.
“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objetiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.
De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.
“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.
Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.