Trabalhadores italianos ameaçam bloquear portos contra obrigatoriedade do passe Covid

Trabalhadores portuários manifestaram-se esta quarta-feira em várias cidades italianas contra a obrigatoriedade de passe sanitário para todos a partir de 15 de outubro, ameaçando bloquear “todas as operações” portuárias no dia da entrada em vigor da medida.

“Todas as operações serão bloqueadas no porto de Trieste” (nordeste de Itália), declarou na televisão pública italiana o porta-voz do sindicato de trabalhadores daquela estrutura, Stefano Puzzer, exigindo para cada pessoa “a possibilidade de decidir”.

Os trabalhadores portuários italianos, que protestaram também noutras cidades, como Ancona (leste), ameaçaram bloquear “quase todos os portos” do país, contra o decreto assinado na terça-feira pelo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, com as diretrizes sobre a obrigatoriedade de todos os empregados apresentarem a partir da próxima sexta-feira, 15 de outubro, um passe sanitário para poderem trabalhar.

“O bloqueio de sexta-feira está confirmado, mas não param só os portos de Trieste e Génova: quase todos os portos vão parar”, anunciou Puzzer, quando há também protestos convocados em cidades como Roma.

Ministério do Mar renova ideia de Ana Paula Vitorino para a criação de uma rede de Port Tech Clusters

Segundo avança o “Agricultura e Mar”, o Governo, “dando resposta às áreas de intervenção prioritária” da Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 (ENM 2021-2030), avança com várias medidas na sua Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2022. Uma delas, em destaque, é “desenvolver a rede de Port Tech Clusters nos portos comerciais e de pesca como plataformas de aceleração tecnológica das novas indústrias marítimas”. Uma medida que vem dos tempos da ex-ministra do Mar Ana Paula Vitorino.

“O sistema portuário nacional deve afirmar-se como a linha da frente da concretização da economia azul assente na inovação operacional, energética e ambiental das indústrias marítimas, promovendo o surgimento de novas empresas que concretizem efectivamente a economia circular azul”, dizia a então ministra do Mar a 30 de Janeiro de 2019, na sessão de apresentação dos parceiros pioneiros do Bluetech Accelerator. E realçava que “esta concretização será possível através da criação de uma rede de Port Tech Clusters, plataformas de aceleração da inovação tecnológica e empresarial de negócios azuis sustentáveis baseados nos portos.

Conheça Solovino, o cão que ajuda tartarugas bebé a chegar ao mar

 

Animal protagoniza uma conta no Instagram onde é mostrado o seu dia-a-dia, assim como o ‘trabalho’ que leva a cabo na ajuda às pequeninas tartarugas.

Solovino é um cão mexicano que tem um ‘trabalho’ tão digno que já o tornou uma pequena estrela local. Isto porque o animal desenvolveu uma forte ligação com as tartarugas que vão nascendo na praia de Miramar, em Tamatulipas, e ajuda as bebés a chegar ao mar. 

Solovino faz questão de acompanhar as mães que depositam os ovos no areal – garantindo ele mesmo que o fazem em segurança – e, quando as crias nascem, é o primeiro a ir perceber se estas se encontram bem. Depois, quando chega a hora, acompanha as pequenas em direção à sua vida futura, na água. 

A amizade que se desenvolveu entre estas duas espécies já levou a que Solovino ‘ganhasse’ uma página na rede social Instagram – solovino_dog – onde é o protagonista e onde é partilhado o seu dia-a-dia. 

A rotina de fazer companhia – primeiro às mães, depois às crias – já fez com que o cão se tornasse viral nas redes sociais, tendo mesmo a praia de Miramar agradecido no Facebook a Solovino pela sua ação que “preserva o ciclo vital das tartarugas lora”, que se encontram em vias de extinção, contam os meios locais.

Além de ser o melhor amigo do homem, Solovino mostra que os cães podem também ser… os melhores amigos das tartarugas.

Cimeira de cientistas vai refletir sobre mar, biodiversidade e espaço

A reunião internacional Global Exploration Summit (Glex) vai reunir em 9 de julho em Ponta Delgada, nomes como a oceanógrafa Sylvia Earle e o físico Brian Cox, para refletir sobre mar, biodiversidade e espaço, anunciou hoje a organização.

Um dos pontos altos, segundo adiantou Manuel Vaz, um dos organizadores do evento, será o “anúncio de Sylvia Earle em considerar o mar dos Açores como um território de esperança para a conservação do planeta, que tem como objectivo também sensibilizar a área política e a área económica”.

“Temos de perceber que estamos num patamar diferente da vida e da espécie humana. Já não há muito tempo para se começar a tomar iniciativas sérias”, prosseguiu o responsável, que falava hoje, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na sessão de apresentação da cimeira.

A segunda edição da Glex é este ano repartida entre Lisboa e os Açores. Pelo evento passam nomes como os ex-astronautas norte-americanos Alan Stern e Rusty Shweickart, o ilusionista norte-americano David Blaine e a poeta Amanda Gorman, conhecida por ter lido um poema na tomada de posse do Presidente norte-americano, Joe Biden.

Para além da reconhecida oceanógrafa Sylvia Earle, nos Açores estarão também o físico e divulgador científico britânico Brian Cox e o presidente da Agência Espacial Europeia, Ricardo Conde.

A iniciativa integra as comemorações do quinto centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, que se assinalou em 2019.

José Manuel Marques, presidente da estrutura de missão das celebrações, destacou que juntar estes dois eventos convida a uma “reflexão sobre este legado do passado e à reflexão sobre o mundo que herdamos e que estamos a construir”.

Também Manuel Vaz frisou que esta é uma oportunidade de, celebrando um feito de há 500 anos, “olhar para os próximos 500 anos”.

O organizador lembrou que a Glex não ‘aterra’ por acaso nos Açores.

A organização já cá tinha estado, “há dois anos, com uma missão secreta, que deixou de ser secreta, da NASA”, a expedição “Mars on Earth”, no vulcão dos Capelinhos, no Faial.

Também o astronauta Richard Garriot, fundador do Explorers Club e co-organizador desta cimeira, afirmou que a iniciativa permite celebrar a “exploração global”, destacando os projetos portugueses que estão a “ajudar a construir a rede global de radares”.

A Glex Summit acontece em 6 e 7 de julho em Lisboa e 9 e 10 de julho em São Miguel.

Comércio global caótico: "Faltam contentores, navios, chips, falta tudo", diz Mário de Sousa





Numa análise feita ao semanário, “Expresso”, Mário Sousa, CEO da empresa portuguesa Portocargo, relatou o panorama actual do comércio global, que, segundo o gestor, vive momentos caóticos onde «faltam contentores, navios, chips»: no fundo, «falta tudo».

O contexto comercial e logístico mundial transformou-se por completo na sequência do surgimento da pandemia de COVID-19, e, entre 2020 e 2021, poucos foram os progressos feitos em termos de estabilização dos tráfegos e harmonização dos preços dos fretes, principalmente nos contentores.

Se os armadores aguentaram o baque, protegendo-se (cortando escalas e aumentando preços) e voltando aos lucros no arranque de 2021, a verdade é que, para carregadores e transitários, o cenário tarda em estabilizar. A assimetria global da distribuição de contentores vazios, os desfasamentos entre fluxos comerciais e os preços galopantes do frete, colocaram as indústrias e as transacções numa situação apertada.

«Parecem tempos de guerra. Faltam contentores, navios, chips, falta tudo», analisou, ao ‘Expresso’, Mário de Sousa, presidente da Portocargo. «As dúvidas sobre a forma como a China começou a fazer stocks para dar o nó à Europa e ao Mundo já levou os EUA a anunciarem uma investigação, mas a Europa continua passiva», observou, frisando que os preços continuam a subir em flecha, para níveis incomportáveis.

Durante o mês de Maio, o trajecto de ida e volta de um navio entre o Sul da China e Hamburgo, na Alemanha, passou de 80 para 100 dias e o preço de um contentor quintuplicou, até aos 10 mil dólares. Em natural contexto de interligação e interdependência, também é cada vez mais complicado escoar as exportações. Sectores como o do papel já conhecem esse lado do problema, adiantou Mário de Sousa ao semanário.

Fonte: Expresso

Como foram divididos e definidos os nomes dos oceanos?

Os oceanos da Terra, com os seus 140 milhões de quilómetros quadrados, estão todos ligados — o que fica ainda mais fácil de visualizar se pensar no mundo como um único oceano intercalado pelos continentes. Tecnicamente, o planeta possui apenas um oceano, gigante e com um nome bem óbvio: o oceano mundial. Mas como é preciso localizar diferentes partes desse mesmo oceano em diferentes lugares do mundo, é necessário definir um limite entre essas partes. Mas como se “divide” esse tanto de água? E de onde surgiram os nomes dos oceanos?

Actualmente, existem cinco grandes oceanos que são definidos de acordo com a proximidade dos continentes e várias características oceanográficas; são eles: Oceano Atlântico, Oceano Ártico, Oceano Índico, Oceano Pacífico e Oceano Antártico, definidos pela Organização Hidrográfica Internacional (IHO). Entretanto, o Antártico é uma adição muito recente, pois, ao longo dos últimos anos, as suas águas foram identificadas como um ecossistema distinto e de grande impacto no clima global, com o seu imenso volume de água fria.

  • Atlântico: com origem na mitologia grega, este oceano foi baptizado com o nome de Atlas, filho de Neptuno, o deus dos mares e pai das Atlântidas, como eram conhecidas as Plêiades — um aglomerado de estrelas com sete delas em destaque, na constelação de Touro.

  • Pacífico: inicialmente nomeado Oceano do Sul pelo navegador espanhol Vasco Nuñez de Balboa, os primeiros registros do nome deste oceano nos remete a 1520, ano em que Fernão de Magalhães — o nosso campatriota conhecido por encabeçar a primeira grande expedição pelos oceanos —, percorreu o litoral sul do continente americano a oeste da Cordilheira dos Andes, e a tranquilidade daquelas águas o deixaram impressionado.

  • Índico: este nome foi definido de acordo com referências geográficas, como o nome das regiões localizadas nas costas banhadas por essas águas, como a Índia e Indonésia.

  • Ártico: localizado no polo Norte, sob a constelação da Ursa Menor, o nome deste oceano tem origem com a palavra grega “arctos”, que significa urso — um dos animais que simbolizam esta região.

  • Antártico: o nome deste oceano é bem simples. Se no polo Norte está o Ártico, por oposição, no polo Sul está o Antártico.

Séculos atrás, as rotas marítimas ocidentais ocupam uma mesma região do globo, ali entre a Europa e a América do Norte, a África Ocidental e a América do Sul e, por isso, pensamos que esses dois nichos fossem dois oceanos distintos. Esse, aliás, é um belo exemplo para o perigo de estabelecer parâmetros de divisão baseados na nossa visão de mundo — a qual muda com o tempo. Com o passar do tempo, foram estabelecidos quatro grandes oceanos, delimitados principalmente por terra (continentes e algumas ilhas).

Hoje em dia, quem é responsável por definir os limites entre as águas do oceano global é a Organização Hidrográfica Internacional (IHO), voltada para a hidrografia internacional. Actualmente, 77 Estados fazem parte da IHO. 

Para definir o limite entre os oceanos, especialistas consideram uma série de características relacionadas aos relevos marinhos destes oceanos, aos tipos de correntes marítimas, às temperaturas dessas águas e até mesmo aos ecossistemas estabelecidos nestes ambientes.

Esqueleto gigante encontrado nas profundezas do oceano intriga investigadores

Um esqueleto gigante encontrado por um veículo operado remotamente (ROV) nas profundezas do oceano intriga investigadores desde da sua descoberta em 2017. O robot subaquático estava a 830 metros de profundidade quando captou um grande conjunto de ossos, incluindo uma coluna espinhal aparentemente intacta medindo 30 metros de comprimento.

“As dimensões do esqueleto no vídeo não se ajustam ao tamanho usual para qualquer vida marinha na área. Verifiquei mamíferos marinhos vivos e cheguei a menos de 30 metros. Dei uma olhada nos suspeitos de sempre: baleias, peixes-remos e cobras marinhas”, disse a investigadora Deborah Hatswell ao tabloide britânico Daily Star.

“Uma baleia tem três lâminas nos seus ossos espinhais, cada uma com uma distância de 120 graus uma da outra e essa criatura parece ter apenas duas”, acrescentou.

“O osso osso pode ser muito antigo. Vi muitas ânforas de argila saindo da lama e elas estão lá potencialmente há mil anos”, afirmou o mergulhador que operou o ROV.

Uma possibilidade levantada por adores seria de um esqueleto de um Regalecidae, animal da família de peixes da ordem dos Lampriformes. Um ‘dragão marinho’ desconhecido ou até um Tilossauro – réptil marinho mosassaurídeo da ordem dos escamados que viveu durante o período Cretáceo superior – são outras hipóteses.

Há dezenas de anos que os pescadores não viam tanta sardinha no mar

Os pescadores portugueses voltam esta segunda-feira a poder apanhar sardinha nas e as previsões são muito boas. O presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOPCERCO) afirmou à TSF que esperam uma abundância muito grande na costa portuguesa e na costa espanhola.

Depois de vários anos de “fortes restrições” nas toneladas que podem pescar, Humberto Jorge conta que os sinais que recebem de quem anda no mar são de que “o recurso está recuperado e já no ano passado, quando se encerrou a pesca da sardinha, verificámos que ficou imensa sardinha no mar”.

ANOPCERCO espera que exista autorização para pescar muito mais do que nos últimos cinco anos pois “é fundamental que as possibilidades de pesca sejam condizentes com a dimensão do recurso”.

Foto: © Pedro Granadeiro / Global Imagens

Liga Mundial de Surf confirma provas em Santa Cruz e Caparica

As provas do circuito de qualificação mundial de surf regressam a Portugal em maio, em Santa Cruz e na Costa de Caparica, após um ano sem competições oficiais da Liga Mundial de Surf (WSL), devido à pandemia de Covid-19.

«É com grande alegria que vemos os eventos da World Surf League regressar a Portugal. Depois de todos termos vivido tempos desafiantes, conseguimos, juntamente com os nossos parceiros, voltar a fazer aquilo que mais gostamos», destacou, em comunicado, Francisco Spínola, representante da WSL na Europa, Médio Oriente e África (EMEA), sublinhando que «a expectativa de todos os envolvidos, e particularmente dos atletas, é enorme uma vez que estes últimos estiveram praticamente um ano sem competir.»

 

O Estrela Galicia Pro Santa Cruz, prova de qualificação masculina de 3.000 pontos, vai decorrer entre 11 e 16 de maio, e o Estrela Galicia Caparica Surf Fest, que conta com uma prova de qualificação masculina de 3.000 pontos e uma prova de qualificação feminina de 1.000 pontos, terá lugar de 18 a 23 de do próximo mês.

“A Sabedoria do Polvo”: o documentário genial da Netflix que venceu o Óscar

 

“Muita gente diz que um polvo é como um extraterrestre. Mas o mais estranho é que quando nos aproximamos deles, percebemos que são, em muitos aspetos, parecidos connosco.” Craig Foster arranca desta forma o documentário improvável que conta uma história de amizade entre um homem e um polvo.

Poderia até passar despercebido, não fosse o facto de ter conquistado o Óscar de Melhor Documentário na edição deste ano. “A Sabedoria do Polvo”, uma produção original da Netflix lançada em 2020, é um trabalho a quatro mãos entre Pippa Ehrlich e James Reed, com o documentarista e naturalista sul-africano no papel principal.

Foster, fundador da organização ambientalista Sea Change Project — que tenta alertar para a necessidade de proteger a vida marinha e as gigantescas florestas de algas da África do Sul —, não sabia bem ao que ia. Aliás, a ideia para o documentário surgiu por acaso.

No meio de uma crise de burnout, refugiou-se no mar, onde se recolhia em longas sessões diárias de mergulho. Entre as algas, encontrou um curioso polvo. Da mera recolha de imagens, a ligação entre Foster e o polvo fortaleceu-se. Os mergulhos diários passaram a ser focados na observação do animal. E o animal fez o mesmo.

“Foi então que percebi: este animal confia em mim, já não me vê como uma ameaça. E o medo transformou-se em curiosidade. Foi aí que chegou a excitação: ‘Meu Deus, estão a deixar-me entrar no mundo secreto deste animal selvagem’ — e é aí que te sentes em chamas”, revela Foster.

A confiança deu-lhe uma ideia: e se regressasse ao local todos os dias? Criaria uma relação com o animal? Durante um ano fez precisamente isso, mergulhou na sua companhia, sem oxigénio ou fato de mergulho, mesmo com a temperatura da água a baixar para valores a rondar uns gélidos 7ºC.

Decidiu nunca lhe dar um nome, por forma a “respeitar a sua natureza selvagem”. Durante o documentário, a sua amizade e aprendizagem com o polvo interliga-se com a sua própria vida e a relação com o filho.

Terminada a experiência, foram necessários mais três anos para completar o documentário, em jornadas que por vezes chegavam às 18 horas por dia.

Descrito pelos críticos de cinema como um “filme belo e espantosamente comovente”, apesar da sinopse aparentemente inócua, conquistou um precioso lugar nos nomeados para os Óscares. Uma honra em que nem os criadores acreditavam.

“É extraordinário e ao mesmo tempo difícil de escrever”, confessou Pippa Ehrlich, a realizadora que nunca tinha dirigido uma longa-metragem e que se demitiu do emprego para se dedicar ao documentário. “Não esperávamos nada disto.”

A verdade é que um pouco por todo o lado — e sobretudo nas redes sociais dos famosos —, quem viu o filme deixa uma garantia: pode esperar lágrimas. E talvez acabe por chegar à mesma conclusão que Justin Theroux: “Adeus, calamares.”

Texto: Daniel Vidal – NiT