Fenómeno inédito: corais em Cascais e Sines estão a 'absorver' plásticos

Há corais em Cascais e Sines que estão a incorporar redes e fios de pesca no esqueleto. Algo que nunca foi descrito a nível mundial até agora. Os investigadores estão a estudar as consequências deste fenómeno.

São laranjas e brancos. Habitam as águas frias da costa portuguesa e podem chegar a um metro de comprimento. Chamam-se Dendrophyllia Ramea e os pescadores garantem que cheiram a anis. Os mergulhadores começam a encontrá-los a partir dos 30 metros de profundidade.

Há dois anos, pescadores de Cascais entregaram aos investigadores do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente corais com redes incorporadas no próprio esqueleto. A professora Sónia Seixas estudou e descobriu que este fenómeno não está descrito em lado algum do mundo.

A investigação no mar junto a Cascais e Sines mostrou que seis por cento desta espécie de corais apresentam, então, fios e redes de pesca dentro da própria estrutura.

Ainda se desconhecem as consequências desta descoberta que foi agora publicada na revista cientifica Marine Pollution Bulletin pelos investigadores Sónia Seixas, João Parrinha, Pedro Gomes e Filipa Bessa.

Cruzeiros superam pré-pandemia com 31M de passageiros em 2023

A CLIA –  Cruise Lines
International Association (CLIA), o líder da global comunidade de cruzeiros, emitiu o seu Relatório Anual
sobre o Estado da Indústria de Cruzeiros .

O relatório divulgou que o volume de passageiros do ano
passado, atingiu 31,7 milhões – superando o último ano “normal” – 2019 em 7%. O
relatório demonstrou que ainda existe uma procura contínua por cruzeiros de
férias, com uma intenção declarada de efectuar cruzeiros em 82%.

A previsão para a capacidade de cruzeiros mostra um aumento
de 10% de 2024 a 2028, à medida que as companhias fazem progressos contínuos e
concretos na busca por emissões líquidas zero até 2050.

Kelly Craighead, presidente e CEO da CLIA. Afirmou que: “Os
cruzeiros continuam a ser um dos setores do turismo de crescimento mais rápido
e mais resilientes – recuperando mais rapidamente do que as chegadas de
turistas internacionais – e um forte contribuidor para as economias locais e
nacionais. Em 2022, o turismo de cruzeiros gerou 90% do impacto económico em
comparação com 2019, apesar do volume de passageiros naquele ano ter sido de
70% dos níveis de 2019. Nos últimos 50 anos, o turismo de cruzeiros demonstrou
a sua liderança no turismo e é uma indústria que tem muito espaço para um
crescimento responsável contínuo, uma vez que as viagens de cruzeiro
representam apenas 2% do total das viagens de turismo“,.

Acrescentou que: “A indústria também continua a liderar em
termos de sustentabilidade ambiental e gestão de destinos, com as companhias de
cruzeiros a fazerem avanços em tecnologia, infra-estruturas e operações, e na
formação de competências verdes para a tripulação”.

APDL recebe visita do porto islandês de Reiquiavique

 

A APDL recebeu hoje, 26 de abril, no Porto de Leixões a
visita institucional de uma comitiva de cerca de 50 representantes da
Faxaflóahafnir / Faxaports, associação que representa os portos da Islândia,
visando promover e defender os seus interesses, sendo o principal o porto de
Reiquiavique.

Esta visita teve início com uma recepção no Centro de
Formação da APDL, com uma apresentação da FAXAPORTS e da APDL, seguindo-se uma
visita ao Full Bridge Simulator e ao Centro de Coordenação de Navios, onde
puderam conhecer a avançada tecnologia do Núcleo de Simulação da APDL, bem como
os processos utilizados na gestão e coordenação de navios no Porto de Leixões.

À semelhança do habitual, os participantes tiveram a
oportunidade de conhecer a área portuária, Terminais e área logística,
proporcionando-lhes uma visão abrangente das operações portuárias, visita que
culminou no Terminal de Cruzeiros e instalações do CIIMAR.

A APDL espera que a troca de conhecimentos e experiências
durante esta visita, seja enriquecedora e produtiva para ambas as partes,
fortalecendo os laços de cooperação e as relações institucionais, entre os
portos islandeses e o Porto de Leixões. 

Xeneta: Desvios no Mar Vermelho aumentam emissões.

Devido às emissões de carbono provenientes principalmente, dos porta-contentores, os níveis dessas mesmas emissões andam a atingir níveis recorde, à medida que o tempo passa e os navios tem de continuar a desviar do Mar Vermelho para a rota do Cabo.

De acordo com os dados da Xeneta, ( Empresa líder em benchmarking de taxas de frete marítimo e análise de mercado), é destacado os impactos adversos nos esforços da indústria do shipping para reduzir as emissões devido ao conflito no Médio Oriente. 

A Xeneta calcula que as emissões do transporte de contemtores atingiram 107,5 pontos no primeiro trimestre deste ano no seu índice. O CEI baseia-se nas emissões médias de CO2 por tonelada de carga transportada, com a linha de base definida no primeiro trimestre de 2018. 

Qualquer leitura abaixo de 100 indica uma melhoria na eficiência do carbono. Além de ser a primeira vez que o CEI médio ficou acima de 100 em nível global, Xeneta relata que marca um aumento de 15,2% em relação ao último trimestre de 2023. Calcularam que apenas cinco das 13 principais rotas comerciais emitiram menos CO2 por tonelada de carga neste trimestre, o que representa três rotas a menos do que no quarto trimestre de 2023. É também o mais baixo em qualquer trimestre desde o segundo trimestre de 2018. 

O aumento mais dramático ocorre nos contentores transportados do Extremo Oriente para o Mediterrâneo. Xeneta relata que as emissões de carbono aumentaram 63% durante o período em comparação com o mesmo período do ano passado. Do Extremo Oriente ao Norte da Europa, as emissões de carbono aumentaram 23%. A principal causa do aumento significativo das emissões é o conflito do Mar Vermelho, que obriga os navios a percorrer rotas mais longas em torno do Cabo da Boa Esperança. O desvio resultou no aumento da distância média que um contentor é transportado através do oceano a nível global em 11 por cento em comparação com o início de 2023. 

A plataforma de análise de mercado destaca que os navios que navegam do Extremo Oriente para o Mediterrâneo percorreram em média 9.400 milhas náuticas no último trimestre de 2023. Devido à escalada do conflito, os navios estão agora a navegar mais 5.800 milhas náuticas devido aos desvios ao redor do Cabo. da Boa Esperança, um aumento de 60,7 por cento com a consequência inevitável de queimar mais combustível. Em termos reais, isto significa que um contentor marítimo neste comércio está agora a ser transportado em média cerca de 15.200 milhas náuticas.

Segundo Emily Stausbøll, analista de mercado da Xeneta, afirmou que: “Os navios também navegam a velocidades mais elevadas numa tentativa de ganhar tempo devido às distâncias mais longas, o que mais uma vez resulta na queima de mais carbono”.

 Durante o trimestre, a velocidade média de navegação aumentou 9,8% em comparação com o trimestre anterior. A velocidade média de navegação atingiu 15,4 nós em Janeiro de 2024 para navios porta-contentores entre 12.000 e 17.000 TEU, a velocidade mais elevada desde Junho de 2022, quando a Covid-19 também estava a causar grandes perturbações. 

Xeneta destaca que embora as velocidades tenham caído ligeiramente desde janeiro, a média global ainda estava acima de 15 nós em meados de abril. Espera-se que isto tenha um impacto negativo no desempenho das emissões de carbono.

China: Ponte quebra-se ao meio em acidente mortal com navio de carga

Pelo menos cinco pessoas morreram e um membro da tripulação
ficou ferido ontem, quando um navio de carga colidiu com uma ponte no sul da
China, cortando a estrutura ao meio, informou a comunicação social estatal chinesa.

O centro de busca e resgate marítimo de Guangzhou disse que
dois veículos caíram na água e outros três caíram na embarcação depois de ter colidido com a ponte Lixinsha, na parte sul da cidade, no Delta do Rio das
Pérolas, de acordo com o relato oficial do Weibo de Guangzhou no Distrito de
Nansha.

Fotografias dramáticas do rescaldo mostraram a ponte
dividida em duas, com o grande navio atingido parado sob a estrutura. Navios da
polícia também foram vistos no local.

Duas pessoas foram retiradas para um local seguro após a
colisão, informou o meio de comunicação estatal Diário do Povo. Uma operação de
resgate entrou logo em andamento.

A Ponte Lixinsha está localizada no distrito de Nansha, em
Guangzhou, um importante centro de transporte marítimo internacional na
megacidade.

Os trabalhos de reforço na ponte devido a preocupações
estruturais foram repetidamente adiados nos últimos anos, informou a emissora
estatal CCTV.

Submarino português atinge feito histórico ao chegar à Gronelândia.

O NRP Arpão atracou em Nuuk, capital da Gronelândia, após 22 dias de patrulha ao serviço da Nato na operação “Brilliant Shield”, tornando-se assim no primeiro submarino da Marinha Portuguesa a navegar tão a Norte e praticar um porto na Gronelândia.

Durante a primeira patrulha, o NRP Arpão contribuiu discretamente para a vigilância e segurança dos espaços marítimos de interesse da aliança.

Na chegada, o submarino português foi recebido por algumas dezenas de pessoas em Nuuk.

O próximo desafio do NRP Arpão será o de navegar por baixo do gelo Ártico.

O NRP Arpão, submarino da Classe Tridente, foi entregue em 22 de dezembro de 2010 e chegou pela primeira vez a Base Naval de Lisboa em 30 de abril de 2011. Está integrado numa forca naval permanente da NATO desde 2012. 

Porto de Sines integra exercício de Cibersegurança em Singapura.

Sines foi um dos portos convidados pelo MPA – Maritimeand Port Authority of Singapore a participar num exercícioque congregou ainda os portos de Hamburgo, TangerMed, Los Angeles e Seattle.

Enquadrado na promoção internacional da Agenda NEXUS, o Porto de Sines participou, pela segunda vez, na Singapore Maritime Week, o mais importante certame na área da inovação tecnológica focado no shipping, queteve lugar entre os dias 15 e 19 de abril, em Singapura.

A participação deste ano veio consolidar os contactos encetados na edição de 2023 com o MPA, que culminaram com a participação do Porto de Sines num Cybersecurity Table-Top Exercise (CyTx), cujo principal objectivo é o de, através da simulação de um cenário real, promover o awareness das autoridades portuárias para asameaças do cibercrime, debatendo e encontrando asmedidas mitigadoras eficazes, promovendo a partilha deinformação entre os portos no âmbito da PACC-Net – Port Authorities CIO Cybersecurity Network.

Tendo em conta as crescentes ameaças ao ecossistemamarítimo global, esta iniciativa reforça a necessidade deuma resposta coletiva, fomentando a estreita colaboração entre as autoridades portuárias, quer ao nível do intelligence e análise de cenários, promovendo acções preditivas e a cyber-resiliência, quer no que respeita apartilha de informação e know-how na resposta a ataques,no sentido de evitar disrupções nas cadeias logísticas internacionais.

De realçar que o Porto de Sines integra a PACC-Net, a par dos portos de Roterdão, Singapura, Antuerpia, LongBeach, Seattle, Tanger Med, entre outros.

SG da IMO apela à libertação imediata do MSC Aries

O Secretário-Geral da IMO apela à libertação imediata do porta-contentores MSC Aries.

O Secretário-Geral da International Maritime Organization, Arsenio Dominguez, apelou no arranque de mais uma sessão do Comité Legal desta agência das Nações Unidas, à libertação imediata do navio MSC Aries e da sua tripulação, capturado no passado dia 13 de abril em águas internacionais.

Portugal apresentou também uma declaração condenando a captura do navio e exigindo a sua libertação e da respectiva tripulação. Esta declaração teve o apoio de um largo número de Estados presentes no Comité.

De forma mais global, Arsenio Rodriguez abordou as preocupações prementes que continuam a afectar a comunidade marítima. A segurança e o bem-estar dos marítimos continuam a ser alvo de particular destaque, especialmente tendo em conta os desafios actuais evidenciados pelos recentes acontecimentos angustiantes num contexto geopolítico particularmente preocupante.

O Secretário-Geral da IMO aproveitou a oportunidade para reiterar também o apelo à libertação imediata de todos os marítimos que tenham sido sequestrados ou apreendidos, em especial a tripulação do navio Galaxy Leader, que continua sequestrada desde novembro de 2023.

World Shipping Council nomeia novo CEO

O WSC – World Shipping Council nomeou o seu novo presidente e CEO, indicando Joe Kramek para suceder a John Butler após a sua aposentadoria no final de julho. 

Kramek actuou anteriormente como Director de Relações Governamentais dos EUA da WSC e passou 28 anos como oficial comissionado da Guarda Costeira dos EUA, onde passou algum tempo no mar e como Chefe de Direito Marítimo, Internacional e Ambiental.

Notavelmente, Kramek liderou a delegação dos EUA ao Comité Jurídico da Organização Marítima Internacional durante o seu mandato na Guarda Costeira. 

Na sua nova função como Presidente e CEO, a WSC afirma que Kramek está preparado para liderar a organização na sua próxima fase de desenvolvimento, trabalhando para o avanço contínuo de um comércio marítimo global socialmente responsável, ambientalmente sustentável, seguro e protegido. 

Butler aposentou-se depois de navegar na WSC por desafios sem precedentes na cadeia de suprimentos, ao mesmo tempo em que transformou a WSC numa associação comercial global, afirmou o grupo. 

“Foi um privilégio liderar o World Shipping Council durante um período de crescimento e complexidade significativos no sector marítimo”, afirmou Butler num comunicado. “Estou confiante de que, com a vasta experiência e liderança comprometida de Joe, a WSC continuará a florescer e a se desenvolver ainda mais, e desejo a ele e a toda a equipa, sucesso contínuo nos próximos anos.”

Carta aberta da Indústria do Shipping a pedir ajuda à ONU.

Sua Excelência, Secretário-Geral Guterres.

A indústria marítima, representada pelas organizações por trás desta carta, está grata pelo reconhecimento que o Conselho de Segurança da ONU e o Secretário-Geral pessoalmente atribuíram à indústria naval e à importância da livre circulação, tal como estabelecido no direito internacional. 

Também agradecemos e aplaudimos o Secretário Geral da IMO, Arsenio Dominguez, por todo o trabalho árduo para elevar o perfil do transporte marítimo e dos nossos marítimos. No entanto, o incidente de quando o navio MSC Aries foi apreendido pelas forças iranianas às 06h37 UTC – 50 milhas náuticas a nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, no sábado, 13 de Abril, veio mais uma vez realçar a situação intolerável em que o transporte marítimo se tornou um problema. alvo. Isso é inaceitável. Temos visto um aumento preocupante nos ataques ao transporte marítimo. 

O transporte marítimo não é um alvo sem vítimas. Marinheiros inocentes foram mortos, marinheiros estão sendo mantidos como reféns. Isto seria inaceitável em terra e é inaceitável no mar. O mundo ficaria indignado se quatro aviões fossem apreendidos e mantidos como reféns com almas inocentes a bordo. Lamentavelmente, não parece haver a mesma resposta ou preocupação relativamente aos quatro navios comerciais e às suas tripulações mantidos como reféns. Os marítimos mantiveram o mundo alimentado e aquecido durante a pandemia com medicamentos, alimentos e combustível vitais entregues, independentemente da política. Os marítimos e o sector marítimo são neutros e não devem ser politizados. 

É dever moral proteger os marítimos. O transporte marítimo é uma indústria resiliente e, ao longo da história, proporcionou comércio face às ameaças e circunstâncias mais esmagadoras. Dado o perfil de ameaça grave e em constante evolução na área, apelamos a uma presença militar, missões e patrulhas coordenadas e reforçadas na região, para proteger os nossos marítimos contra qualquer possível agressão adicional. As associações industriais solicitam que todos os Estados-membros sejam formalmente lembrados das suas responsabilidades perante o direito internacional. E pedimos que sejam envidados todos os esforços possíveis para libertar os marítimos e proteger o trânsito seguro dos navios.