Professor do Técnico eleito Presidente da WEGEMT

WEGEMT (Associação Europeia das Universidades de
Tecnologia Marítima), entidade que reúne 40 universidades de 17 países europeus
na promoção das engenharias marinhas, será presidida por Carlos Guedes Soares,
professor do Instituto Superior Técnico, durante o triénio 2024-2026.

Tratando-se da associação de todas a universidades europeias
que oferecem formação completa no domínio da Tecnologia e Engenharia Naval e
Oceânica – desde a licenciatura ao doutoramento –, Carlos Guedes Soares
descreve a WEGEMT como “uma associação muito importante a nível académico” que
“pode ter uma importância muito grande na uniformização de procedimentos, na interligação e colaboração entre universidades e na promoção da
importância do sector”.

O docente do Técnico assume ter “objectivos ambiciosos” para
o seu mandato. No seu entender, “o sector universitário na Europa está a
atravessar momentos difíceis” que culminaram numa “retração de financiamento
para o ensino universitário e para a investigação científica”. Nesse sentido,
procurará “aumentar as sinergias entre universidades e entre estas e a
indústria, [o] que pode contribuir para a promoção da investigação científica”
nessas instituições. A par disso, espera “poder vir a sensibilizar os programas
europeus de financiamento da investigação para a necessidade de uma maior
promoção da colaboração das universidades na investigação que está a ser
financiada, cada vez mais virada para o sector industrial”.

Segundo o site da associação, o WEGEMT ,  “procura actualizar e expandir as competências
e conhecimentos de engenheiros no activo e estudantes a trabalhar em
tecnologias marinhas a um nível avançado”, agindo como ponte entre as
diferentes universidades para facilitar a comunicação e colaborações entre
estas.

O Técnico é membro desta associação há mais de 30 anos, com
“uma posição de destaque no conjunto das universidades europeias”, segundo
Carlos Guedes Soares, que relembra a primeira posição obtida pela Escola na
área da Engenharia Naval e Oceânica na mais recente edição do Ranking de
Xangai.

Hapag-Lloyd recebe nova construção movida a GNL

O Singapore Express tem capacidade para 24.000 TEUs e pode operar GNL, que é armazenado em tanques de combustível Tipo B da IMO feitos de aço com alto teor de manganês. 

O material foi seleccionado para os tanques devido ao seu menor custo, menor necessidade de processamento e maior resistência em comparação ao aço tradicionalmente utilizado nos tanques de combustível de GNL.

A nova construção tem 399 metros de comprimento, boca de 61 metros, arqueação bruta de 229.376, tonelagem de porte bruto de 229.348 e motor bicombustível com potência total instalada de 58.270 kW. O convés de carga também possui 1.500 plugues frigoríficos. O navio será transportado para casa em Hamburgo.

O Singapore Express pertence a uma nova série de navios que foram concebidos desde o início para operação bicombustível, que engloba também as máquinas auxiliares e as caldeiras, além dos motores principais.

Sudão: Rússia dá armas em troca de base naval no Mar Vermelho

O Vice-Comandante do exército, Yasser Atta, numa entrevista
à estação de televisão privada saudita Al Hadath, afirmou que: “Rússia
ofereceu-nos cooperação, apoio militar e o fornecimento de armas ao
exército” em troca de “um ponto de abastecimento no Mar
Vermelho”.

Atta, que é também um membro proeminente do Conselho Soberano, o mais alto órgão governamental controlado pelas Forças Armadas do Sudão (SAF, na sigla em inglês), ainda afirmou que: “Dissemos-lhes que poderíamos alargar esta cooperação
militar a uma cooperação económica no domínio da agricultura, indústria,
mineração e exploração de ouro, ou em portos”.

Yasser Atta disse ainda que uma delegação militar sudanesa
partirá dentro de alguns dias para Moscovo para assinar “um acordo”,
em relação ao qual não deu pormenores. Posteriormente, uma equipa ministerial deslocar-se-á também à
Rússia para preparar a visita do presidente do Conselho Soberano do Sudão e
chefe de Estado-Maior das SAF, general Abdel Fattah al-Burhan.

Cartum e Moscovo assinaram em dezembro de 2020 um acordo
para a criação de uma base naval na costa sudanesa, no Mar Vermelho, a primeira
da Rússia no continente africano.

O projecto não avançou ainda, primeiro devido a problemas
internos resultantes do golpe de Estado de 2021, e depois por causa da guerra
iniciada em 15 de abril de 2023 entre as SAF e as Forças de Apoio Rápido (RSF,
igualmente na sigla inglesa) paramilitares, lideradas por outro general,
Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como “Hemedti”.

A base, cujo acordo tem uma vigência de 25 anos, permitirá à
Rússia estacionar navios de propulsão atómica na costa do país africano; não
poderá acolher mais de quatro navios de guerra em simultâneo; e terá uma
capacidade máxima de 300 militares e operadores civis, segundo o documento do
acordo.

“Pessoalmente, não me importo de dar uma base militar à
Rússia, aos Estados Unidos, à Arábia Saudita ou ao Egito. Não há qualquer
problema com isso, pelo contrário, os benefícios são trocados entre os povos
(…). A costa do Mar Vermelho é ampla para acolher a Rússia, os Estados
Unidos, o Egipto ou a China, não sei qual é o problema”, afirmou Yasser
Atta.

Vários institutos de análise e organizações
não-governamentais tornaram público o fornecimento de vários tipos de armas
pela Rússia – principalmente drones – ao exército sudanês desde o início da
guerra há um ano, mas também o apoio das RSF pelo grupo paramilitar russo
Wagner, renomeado entretanto Africa Corps.

Porto de Sines na Breakbulk Europe 2024.

O Porto de Sines e o Grupo ETE – Portsines marcaram presença
na Breakbulk Europe 2024, um dos maiores eventos no setor da logística,
transporte de carga e comércio internacional, realizado de 21 a 23 de maio no
Rotterdam Ahoy, em Roterdão.

 Esta participação conjunta no stand APP – Portos de Portugal
destaca a importância estratégica de Portugal como ponto de entrada e saída de
carga, consolidando a sua posição como hub logístico global. 

De realçar o
evento de “Networking dos portos portugueses”, realizado a 22 de maio com o
apoio da AICEP Portugal Global – Agência para o investimento e Comércio Externo
de Portugal – que permitiu explorar novas oportunidades de negócio para o Porto
de Sines, destacando as mais valias do Terminal Multiusos de Sines em
colaboração com o concessionário do terminal, o Grupo ETE – Portsines.

Presidente do BEI visita o Porto de Leixões.

A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do
Castelo, S.A., recebeu ontem a Presidente do BEI – Banco Europeu de
Investimentos, Nadia Calviño, em visita a Portugal.

A APDL tem um contrato de empréstimo de 60 milhões de euros
com o BEI – Banco Europeu de Investimento. Este financiamento destina-se a
apoiar a melhoria das acessibilidades marítimas ao Porto de Leixões, através do
aprofundamento do canal de acesso e da bacia de manobras, bem como da ampliação
do quebra-mar existente em 300 metros, obra que iniciou em 2021 e que visa
aumentar a capacidade de receção de navios de maior calado, melhorar a
segurança das operações portuárias e promover a competitividade do porto a
nível internacional.

Na visita ao Porto de Leixões, a Presidente Nadia Calviño
foi recebida pelo Presidente do Conselho de Administração, João Pedro Neves,
tendo tido a oportunidade, de observar “in loco” os trabalhos em curso do
prolongamento quebra-mar exterior que, após a paragem do período de inverno,
foram retomados em abril de 2024.

A componente de aprofundamento de fundos ficou integralmente
concluída no ano de 2022. Atualmente, estes trabalhos consistem na deposição de
enrocamentos de diferentes gamas, por via marítima e terrestre,prevendo-se no
próximo mês retomar a colocação dos blocos de revestimento da estrutura em
betão denso.

João Pedro Neves, Presidente da APDL expressa a sua
“satisfação pela visita da Senhora Nadia Calviño ao Porto de Leixões,
destacando a importância do financiamento destinado a apoiar a melhoria das
acessibilidades marítimas ao porto, cruciais para aumentar a capacidade e
eficiência do Porto de Leixões, fortalecendo a sua posição e promovendo o
crescimento económico e competitividade.

Sectores tradicionais em baixa e perdendo 873M€ nas exportações

As exportações portuguesas tiveram, em março, a maior queda dos últimos 12 meses, com menos 13,6% em termos homólogos. No acumulado do trimestre, a quebra é de apenas 4,2%, com janeiro e fevereiro a compensarem a má performance de março. Só as indústrias tradicionais perderam 872,9 milhões de euros comparativamente a 2023.

Dos 19 688 milhões de euros de bens transacionáveis vendidos ao exterior até março, 11 903 milhões foram assegurados por cinco sectores industriais: metalurgia e metalomecânica, fileira dos componentes para automóvel, têxtil e vestuário, madeiras e mobiliário e o calçado. Todos a sofrer efeitos do mesmo problema: A retração do consumo e os efeitos ainda existentes da crise inflacionista.

No metal, a campeã das exportações nacionais, a perda acumulada foi de 5,8% no trimestre. Foram menos 372 milhões de euros. Ainda assim, a fileira da metalurgia e metalomecânica exportou bens no valor de 6080 milhões e lembra que janeiro e fevereiro foram meses “bastante bons” e que março, apesar de cair, compara com um mês homólogo “extraordinário”. 

No sector dos componentes para a indústria automóvel os tempos são de apreensão, já que a queda, em março, foi de 16%. No acumulado do trimestre ficou-se pelos 4,4%. O sector vendeu ao exterior bens no valor de 3213 milhões de euros, menos 149 milhões do que há um ano, fruto da contração do consumo na Europa que levou a uma menor produção de veículos. 

No têxtil e vestuário o panorama é igualmente difícil, com a fileira a cair 11% nos primeiros três meses do ano, para 1416 milhões de euros. São menos quase 181 milhões. 

Na madeira e mobiliário caíram 9,3% nos primeiros três meses do ano, ficando-se pelos 763,3 milhões de euros. São menos 79 milhões, mas com realidades diferentes: as exportações da madeira e suas obras estão a cair 15%; no mobiliário, colchoaria e iluminação a perda fica-se pelos 7%.

Com uma quebra de 6% em quantidade e de quase 18% em valor, a indústria portuguesa de calçado fechou o primeiro trimestre a vender 19,4 milhões de pares de sapatos ao exterior no valor global de 431 milhões de euros. Foram menos 92,5 milhões do que no ano passado, com quebras a dois dígitos nos seus dez principais mercados. 

Apesar dos dados da UE não estarem ainda disponíveis para março, os existentes revelam que, em 2023, e em janeiro de 2024, a quebra das exportações de Portugal para a União Europeia é inferior à verificada na importação da UE.

O submarino Alvin consegue agora alcançar 99% do fundo do oceano

O icónico submarino submersível de investigação
norte-americano Alvin consegue agora alcançar 99% do fundo do oceano, o que
pode revolucionar a investigação oceânica.

No norte do Oceano Pacífico, as encostas submarinas que
conduzem à Fossa das Aleutas estão repletas de vermes, amêijoas, anémonas e
inúmeros micróbios que prosperam com o metano que borbulha dos sedimentos.

Até agora, o Alvin, o famoso submersível de investigação dos
EUA, não conseguia mergulhar suficientemente fundo para explorar estes
ecossistemas.

Graças a uma atualização de 50 milhões de dólares, o Alvin
pode agora mergulhar até 6.500 metros, significativamente mais fundo do que o
seu limite anterior de 4.500 metros.

Este melhoramento permitirá aos cientistas explorar até 99%
do fundo do oceano, em comparação com os 68% que podia alcançar anteriormente.

Esta melhoria equivale a aumentar a área explorada para os
tamanhos combinados da Ásia, África, Europa, Austrália e América do Norte,
detalha a Science.

A missão tem como objectivo investigar as infiltrações de
metano ao largo da costa do Alasca e marca a primeira expedição de investigação
tripulada dos EUA abaixo do anterior limite de profundidade do Alvin.

Shana Goffredi, uma bióloga marinha do Occidental College,
também faz parte desta expedição inovadora, e está ansiosa por ver se as
condições mais extremas a profundidades de cerca de 5.000 metros perto da Fossa
das Aleutas conduzem a diferentes adaptações biológicas. “Essa é uma das coisas
mais excitantes desta expedição”, afirma.

A maior profundidade do Alvin também permitirá a exploração
das planícies abissais, que se encontram a 6.000 metros de profundidade. Estes
vastos fundos oceânicos, cobertos de sedimentos, estão repletos de rochas ricas
em minerais e são de grande interesse para as empresas mineiras.

“Há muita coisa a acontecer debaixo da superfície e queremos
investigar mais”, diz Jeffrey Marlow, um microbiologista ambiental da
Universidade de Boston.

A recente actualização, que surge 60 anos depois de o Alvin
ter revolucionado a investigação oceânica, inclui um casco de titânio mais
espesso, vedantes mais resistentes, um interior mais espaçoso, câmaras
atualizadas e um cesto de amostras maior.

Apesar destes avanços, o Alvin não está sozinho nas
profundezas. Os EUA estão a instalar veículos autónomos chamados Orpheus e
Eurydice, capazes de atingir os pontos mais baixos do oceano. Estes veículos
irão mapear a área e identificar os melhores locais para o Alvin visitar.

Esta actualização pode representar a última grande melhoria
para o Alvin, uma vez que o futuro da exploração das profundezas do mar está a
mudar para veículos robóticos. Estas máquinas avançadas oferecem melhores
capacidades de câmara e vídeo, reduzindo a necessidade de presença humana a
tais profundidades.

Houthis anunciam ataques a 3 navios no Mar Vermelho e Mediterrâneo

As forças rebeldes houthis, do Iémen, anunciaram ataques a três navios no Mar Vermelho e no Mar Mediterrâneo nas últimas horas, que estão ainda por confirmar de forma independente.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Sarea, reivindicou especificamente a responsabilidade pelos ataques a dois navios israelitas e a um terceiro pertencente a uma companhia grega, no âmbito da campanha contra navios de carga internacionais com destino a Israel, num gesto de apoio aos palestinianos na guerra de Gaza.

A primeira operação foi dirigida contra o navio israelita “Alexandria”, contra o qual os houthis lançaram “vários mísseis balísticos”, referiu o movimento extremista sem dar mais pormenores.

Uma segunda operação terá visado o navio grego “Yannis” com um “drone” (aeronave não tripulada) e vários mísseis quando este navegava no Mar Vermelho. O navio foi atingido por estes projécteis, segundo o porta-voz.

O navio pertencia, segundo os insurgentes, à companhia Eastern Mediterranean Maritime, que os houthis denunciam como responsável por atracar os seus cargueiros em “portos dos territórios palestinianos ocupados”.

O porta-voz dos houthis anunciou finalmente uma terceira operação contra um navio israelita, o “Essex”, no Mar Mediterrâneo, quando este se dirigia também para “portos ocupados” por Israel.

A empresa de segurança marítima Ambrey, especializada no seguimento de navios que navegam em rotas de alto risco, só confirmou nas últimas horas um ataque dos houthis a um navio israelita, com pavilhão liberiano e que navegava no Mediterrâneo.

A Ambrey explicou, no entanto, que este navio “não tinha feito escala em nenhum porto israelita nas últimas semanas” e que, segundo a sua informação, o ataque dos Houthis não atingiu o cargueiro.

Drewry: Custo dos contentores continua a aumentar.

O preço do transporte marítimo de contentores nas principais rotas marítimas globais voltou a registar um novo aumento de dois dígitos na última semana. 

De acordo com o último índice de Drewry, este tem sido o caso dos serviços da Ásia para o norte da Europa, o Mediterrâneo e as costas oeste e oeste dos Estados Unidos. A evolução destas rotas colocou o índice composto de preços spot em 3.756 euros para um contentor de 40 pés, valor 16% superior ao registado na semana passada, 142% mais que na mesma semana do ano anterior e 182 % do frete spot médio antes da pandemia (Ano de 2019).

Neste contexto, o analista e CEO da Vespucci Maritime, Lars Jensen, explica que os preços do transporte spot de contentores mostram que “estamos a entrar num território de nível pandémico”. Neste sentido, Lars Jensen especifica que as taxas de frete entre a Ásia e o norte da Europa têm sido ligeiramente mais elevadas do que no início da crise do Mar Vermelho e estão num nível “não visto desde setembro de 2022”. Da Ásia ao Mediterrâneo ainda está abaixo do pico de janeiro de 2024, mas Lars Jensen alerta que continuam a subir, tal como nas linhas transpacíficas. “Eles são mais altos do que no pico do início de 2024”, acrescenta.

No entanto, Drewry espera que “as taxas de frete diminuam nos próximos meses”. Portanto, poderá ocorrer uma mudança de tendência, já que no final de abril e início de maio chegou ao fim uma dinâmica de baixa que começou no final de janeiro.

Em relação aos preços spot desta semana, as rotas de Xangai (China) a Roterdão (Holanda) lideram o aumento percentual, segundo análise da Drewry. Especificamente, aumentaram 762 euros de uma semana para a outra, ou seja, 20% a mais. Portanto, o frete para esses serviços foi fixado em 4.611 euros por contentor de 40 pés. 

As ligações entre a China, número 1 do mundo em tráfego de contentores, e Génova (Itália) ficaram 15% mais caras de uma semana para outra. Eles já estão em 5.068 euros. Por sua vez, os preços spot de Xangai a Nova York (EUA) ultrapassaram os 5.962 euros. Quanto às taxas de frete do mesmo porto chinês com a costa leste dos EUA (Los Angeles), esta semana ultrapassaram os 3.690 euros, 18% a mais que na semana anterior.

Ataques Houthi deixam armadores entre a Ásia e a Europa sem frota

Os armadores das três principais alianças do negócio contentorizado, a 2M, Ocean Alliance e THE Alliance, “precisam de mais 36 navios para garantir as saídas semanais dos 26 serviços”. que fornecem nesta principal rota de comércio internacional, segundo a Alphaliner. 


Apesar de “terem recebido este ano 1,14 milhões de TEUs de nova capacidade”, as alianças necessitam de espaço porque grande parte das linhas entre os dois continentes foram obrigadas a desviar os seus navios em torno do Cabo da Boa Esperança para evitar ataques. pelos Houthis enquanto eles passam pelo Mar da Índia e pelo Estreito de Bab-el-Mandeb em direcção ao Canal de Suez.

O grupo rebelde apoiado pelo Irão lançou mais de 70 ataques a navios comerciais no Mar Vermelho desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro. 

O armador ítalo-suíço Mediterranean Shipping Company (MSC) e a dinamarquesa AP Möller-Maersk, membros do 2M, foram alvo de ofensivas xiitas iemenitas em diversas ocasiões. Os rebeldes ameaçaram expandir o raio de ação dos seus ataques a navios no Mediterrâneo oriental em apoio aos jihadistas do Hamas.

Em apenas seis meses, o segmento de contentores passou do medo do palco para o excesso de capacidade, o que gerou uma guerra de preços oculta e uma queda vertiginosa nas taxas de frete que continuou até pouco depois do ataque do Hamas, para a falta de tonelagem devido à crise do Mar Vermelho e para uma aumento das tarifas entre a Ásia e a Europa.

“Tendo em conta que a dimensão média dos navios nesta rota é actualmente de 14.150 Teus, os armadores ainda necessitam de cerca de 509.400 slots adicionais. Este valor representa 9,6% da capacidade total exigida para garantir as travessias semanais de todas as ligações das alianças”, afirma Alphaliner. 

“Os navios porta-contentores adicionais são necessários porque 24 (das 26) ligações continuam a circunavegar o Cabo da Boa Esperança devido à crise do Mar Vermelho”, sublinham os analistas da consultora.

O armador francês CMA CGM e a chinesa COSCO são as únicas companhias de transporte marítimo regular que continuam transitando pela zona quente do Mar Vermelho e cruzando o Canal de Suez, apesar dos ataques Houthi. Especificamente, o serviço entre a Ásia, o Mediterrâneo Oriental e o Adriático, operado por ambas as empresas da Ocean Alliance, é um dos quatro circuitos entre a Ásia e o Mare Nostrum do grupo que transita pelo Golfo de Aden após a sua restauração no início de maio. . Este serviço utiliza 11 navios entre 9.400 e 11.400 Teus fornecidos pela CMA CGM. A taiwanesa Evergreen e a chinesa Orient Overseas Container Line (OOCL) também participam da Ocean Alliance.

Por outro lado, indica Alphaliner, o recente encerramento do terceiro circuito entre a Ásia e o Norte da Europa da Ocean Alliance, que abrangia o conjunto Cosco e a sua subsidiária OOCL, “libertou doze navios para redistribuição”. Além disso, em novembro de 2023, a THE Alliance suspendeu o circuito entre o Sudeste Asiático e o Norte da Europa, “libertando mais dez” navios porta-contentores. 

Em maio de 2023, as alianças cobriram a rota entre a Ásia e a Europa através do Canal de Suez com uma frota de 321 navios, 55 porta-contentores a menos dos 376 de que necessitam hoje.