A Dignidade no Trabalho Portuário

O trabalho portuário, invisível para a maioria dos portugueses, é indiscutivelmente crucial para a economia, o desenvolvimento do país e o fluxo contínuo de mercadorias. 

Este setor enfrenta desafios singulares: rotatividade de turnos, condições meteorológicas adversas e a pressão para executar tarefas rapidamente, muitas vezes sem as condições ideais para o efeito.

Apesar do desgaste físico e emocional, os trabalhadores portuários dedicam-se diariamente, mesmo diante da desmotivação e da fadiga. Muitos destes trabalhadores já possuem restrições médicas que de certa forma, já condicionam a vida profissional e familiar.

O conhecimento geral da profissão, não abrange as dificuldades silenciosas enfrentadas por estes profissionais, frequentemente tratados como peças descartáveis. A experiência acumulada ao longo dos anos deveria ser valorizada, não apenas através de melhores salários e condições de trabalho, mas também pelo reconhecimento do papel essencial que desempenham. A realidade do desgaste físico é exacerbada pela pressão das empresas para investir em automação, muitas vezes ineficaz, enquanto negligenciam a saúde mental dos trabalhadores, resultando em altos níveis de burnout e fuga de talentos para outros sectores e até para fora do país.

Valorização é crucial para a preservação do conhecimento adquirido e para garantir um futuro sustentável para o sector. A evolução global dos portos deve reflectir essa necessidade. O estereótipo do trabalhador portuário do passado não se aplica ao contexto actual, de forma alguma.

Ignorar esses factores pode levar a soluções inadequadas e impulsivas para problemas estruturais. A mão-de-obra deve ser cada vez mais qualificada, e uma eventual expansão de incorporação de trabalhadores para fora do espaço comunitário ou da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa,  ( Sendo que estes já existem nos portos e estão devidamente integrados), pode ser vista como uma ameaça à dignidade do trabalho portuário. 

Este movimento não é sobre racismo ou xenofobia, mas sobre evitar a precarização do trabalho, onde migrantes são utilizados para comprimir salários e direitos, muitas deles possivelmente a viver em condições sub-humanas. Tal abordagem pode desencadear problemas sociais graves, pois agravam não só a parte da habitação, por exemplo, que já existe no nosso país, como poderão ser utilizados como peões em virtude da fragilidade da sua situação no nosso país.

A globalização tem os seus custos, mas se estes resultarem em degradação das condições de trabalho em troca de economia de custos, o retorno será miserável. O trabalho portuário em Portugal precisa de melhores condições e um futuro sustentável, fundamentado na melhoria das condições actuais e não na busca incessante por lucros a todo o custo.

O futuro está nas mãos dos trabalhadores do sector, pois só eles podem responder a possíveis ameaças à sua classe profissional. A dignidade no trabalho portuário é essencial para um desenvolvimento justo, dentro do contexto humano, laboral e de direitos.

Estudo revela dados positivas sobre a Amónia.

Um novo estudo sugere que reduções de GEE – Gases de efeito estufa até 61% com o uso de amónia como combustível marítimo, dependendo da tecnologia marítima empregada para o efeito. 

Este valor é comparado com as emissões dos actuais combustíveis navais à base de petróleo, medidas a partir do ponto de origem. O estudo foi realizado pela Sphera, fornecedora de software de gerenciamento de risco e desempenho ambiental, social e de governança (ESG), dados e serviços de consultoria, para a SGMF – Society for Gas as a Marine Fuel conduzido de acordo com a ISO – Organização Internacional de Padronização. 

Também foi revisto por um painel de especialistas académicos independentes de instituições da França, Alemanha e EUA.

O relatório de 134 páginas utiliza os dados primários mais recentes para avaliar todos os principais tipos de motores marítimos e fontes globais de fornecimento com dados de qualidade fornecidos por fabricantes de equipamentos originais, incluindo Wärtsilä, Winterthur Gas & Diesel & MAN Energy Solutions, mas também Yara Clean Ammonia, e BASF do lado da oferta. 

As emissões de GEE provenientes das cadeias de abastecimento, bem como as emissões libertadas durante o processo de combustão a bordo, foram incluídas na análise.

Houthis: Alegados ataques em três navios

Os rebeldes Houthis do Iémen continuam a aumentar os ataques a navios no Mar Vermelho e reivindicaram ataques a três navios, incluindo um porta-contentores da Maersk, o Maersk Seletar. 


O porta-voz Houthi, Yahya Saree, afirmou que o grupo rebelde disparou mísseis balísticos antinavio contra o graneleiro Handysize Vantage Dream e um navio chamado Roza no Mar Vermelho. 

O porta-voz afirmou que o Maersk Seletar de 6.478 TEU, com bandeira dos EUA, foi atingido no Mar da Arábia, embora o armador dinamarquês tenha afirmado que o navio não deu sinal de qualquer ataque. 

As Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido disseram que um navio não identificado escapou de um míssil Houthi, com o comandante do navio relatando uma explosão a bombordo do navio, cerca de 50 milhas náuticas a sudoeste de Al Shuqaiq, na Arábia Saudita.

O Comando Central dos EUA afirmou que as suas forças destruíram um drone Houthi e assistiram a dois outros drones caírem no Mar Vermelho. Naquela noite, dois ASBMs foram disparados contra o navio de guerra dos EUA USS Gravely e foram destruídos pelas forças dos EUA.

MSC Cruzeiros: Mais de 150 itinerários à volta do Mundo para a Temporada de Inverno .

A MSC Cruzeiros terá mais de 150 itinerários à volta do
mundo na temporada de Inverno 2024/2025 com a possibilidade de ter tudo
incluído na sua reserva. 

Oferecendo uma variedade de itinerários incríveis em
direção a vários destinos, a Companhia continua a proporcionar experiências
imperdíveis para todo o tipo de viajantes. Desde mini-cruzeiros a cruzeiros
longos, as opções abrangem todos os hemisférios, garantindo que há algo para
todos os gostos.

O grande destaque deste Inverno serão os 19 cruzeiros, a
bordo do MSC Opera, com embarque e desembarque no Funchal, pela primeira vez no
Inverno. 

Serão 11 cruzeiros de 7 noites, 4 cruzeiros com a duração de 6 noites,
3 cruzeiros com a duração de 8 noites e 1 cruzeiro de 9 noites. 

Para além dos
19 cruzeiros, haverá ainda 4 mini-cruzeiros, dois quais 2 deles terão a duração
de 3 noites, 1 cruzeiro com a duração de 7 noites e ainda 1 cruzeiro de 4
noites.

Bilionário deseja levar novo submarino ao Titanic.

Um ano após o desastre com o submarino Titan, operado pela OceanGate, o bilionário e empresário do sector imobiliário Larry Connor revelou, em entrevista ao Wall Street Journal (WSJ), que deseja realizar uma nova expedição ao local do naufrágio do Titanic e provar que a indústria “está mais segura”.

“Quero mostrar às pessoas em todo o mundo que, embora o oceano seja extremamente poderoso, ele pode ser maravilhoso e agradável e realmente mudar vidas se efectuar isso da maneira certa”, contou Connor ao WSJ.

Connor contou, ainda, que ele e o cofundador e CEO da Triton Submarines, Patrick Lahey, pretendem que o submarino seja capaz de descer, pelos menos, 3.800 metros na região do Oceano Atlântico Norte, onde estão localizados os destroços do Titanic. Diferente do Titan, o novo submersível só irá ter lugar para dois tripulantes.

Apesar do empresário não ter confirmado a data, o New York Post revelou que já foram investido cerca de 20 milhões de dólares para a criação do Triton 4000/2 Abyssal Explorer, nome dado ao novo submarino.

CPPI: Porto de Lisboa e Sines mais bem posicionados.

Os Portos de Lisboa e de Sines, são os portos nacionais mais bem posicionados no CPPI.

O CPPI, ( Container Port Performance Index), é um ranking elaborado pela S&P Global Market Intelligence e o Banco Mundial.

O objectivo do Índice de Desempenho Portuário de Contentores é identificar áreas a melhorar que possam, em última análise, beneficiar todas as partes envolvidas, desde dos armadores marítimos, governos nacionais e consumidores.

A movimentação portuária pode ser estimada com medidas que incluem uma série de variáveis, incluindo tonelagem de carga, contentores (TEU) e escalas de navios. Capacidade Portuária – Medida da movimentação máxima que um porto e os seus terminais podem movimentar durante um determinado período, que pode ser medida em toneladas, TEU ou outras unidades.

O Porto de Lisboa, teve uma evolução relevante e significativa, passando da 216° posição em 2022, para o 134.º posto nesta edição de 2023.

O Porto de Sines, é o segundo porto português encontrado no ranking, ocupando um modesto 135° lugar ( tendo em conta o seu potencial portuário). 

O Porto de Leixões, foi o que teve a maior descida, passando da 175° posição em 2022, para a 290° posição do ranking.

O Porto de Setúbal faz a sua estreia na edição de 2023 do CPPI, aparecendo na 351°  no ranking geral.

O melhor Porto Europeu é Algeciras.

Greve das Administrações Portuárias previstas para junho suspensa após negociações

Na nota, divulgada pelo Ministério das Infraestruturas e
Habitação, lê-se que “na sequência das conversações que decorrem”
entre a tutela, “as administrações portuárias e o Sindicato Nacional dos
Trabalhadores das Administrações Portuárias, foi possível chegar a um
entendimento sobre o Acordo Coletivo de Trabalho e sobre matérias salariais
definidas em portaria conjunta do Ministério das Finanças e do Ministério das
Infraestruturas e Habitação”.

“Como resultado”, indicou, “o SNTAP comunicou
formalmente a suspensão do pré-aviso de greve emitido em 17 de maio de 2024,
que abrangia dez dias alternados do mês de junho e que teria forte impacto
negativo na economia nacional”.

O SNTAP tinha convocado 10 dias de greve, em junho, nos
portos do continente e das ilhas, por aumentos salariais este ano.

De acordo com o pré-aviso de greve, a convocatória abrangia
os trabalhadores dos portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Aveiro,
Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal, Sines e Algarve, Açores, Madeira e da CLT
(incluindo quer os trabalhadores da Administração dos Portos de Sines e do
Algarve que ali desempenham funções, quer os trabalhadores do quadro da
empresa).

 

Maersk melhora perspectivas económicas graças as disrupções na cadeia.

O armador dinamarquês Maersk, numa dos seus
“outlooks”, lançou a previsão de que poderá existir um cenário em que
os ganhos são melhorados na sequência das interrupções que afectam a cadeia
global marítima.

O armador melhorou as expectativas para o actual exercício
deste ano, em relação ao anterior prognóstico de há um mês, durante a
apresentação de resultados. Nessa apresentação foi anunciado um EBITDA (Lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização), entre os 3.681 e os 5.521
milhões de euros, e um EBIT (  lucro
operacional, obtido nas demonstrações de resultados das empresas), que, no
melhor dos casos, evitaria perdas.

Nesta reviravolta de resultados, neste momento, a Maersk
aspira a alcançar os 8.282 milhões de euros no EBITDA e o EBIT cair entre os
920 e os 2.760 milhões de euros. O fluxo de caixa da multinacional também
passou de estimado em -1.840 milhões de euros a menos de 920 milhões de euros
positivos.

O armador atribuiu as consequências à crise do Mar Vermelho,
que “persiste”, uma “alta procura no mercado contentorizado” e agora também
“aos congestionamentos nos portos da Ásia e Oriente Médio”, uma situação que
contribui para aumentar o preço da frota marítima junto com as demais
interrupções no mercado marítimo.

“Este desenvolvimento está ganhando peso gradualmente e
espera-se que contribua para um desempenho financeiro mais vigoroso na segunda
metade de 2024”, manifesta aquele que é actualmente o segundo maior armador
global.

O CEO, Vincent Clerc afirma que “as condições do comércio
continuam ligadas a uma volatilidade mais alta do que o habitual, dada a
imprevisibilidade da situação no Mar Vermelho e a falta de clareza sobre o
abastecimento e a procura futura”.

Funcionários da Maersk criam sistema de distribuição de água gerada em navios.

A escassez de água doce é um problema crescente enfrentado
por regiões de todo o mundo. Quatro mil milhões de pessoas — quase dois terços
da população mundial — enfrentam uma grave escassez de água durante pelo menos
um mês por ano, e metade da população mundial poderá viver em áreas que
enfrentam escassez de água já em 2025. 

Com este histórico, uma equipa de três
funcionários da AP Moller – Maersk (Maersk), ex-marinheiros, decidiu empreender
um projecto inovador que pudesse armazenar e entregar água doce directo dos
navios aos portos.

Os navios de carga que realizam comércio global estão
equipados com sistemas geradores de água doce que produzem água potável através
da destilação da água do mar utilizando a energia térmica dos seus motores. 

Tradicionalmente, esse sistema tem sido utilizado para gerar água para consumo
apenas a bordo das embarcações. No entanto, o excesso de água produzida foi
negligenciado. 

Através deste projecto inovador, este recurso inexplorado foi
capitalizado através da optimização do processo e do armazenamento de água em
contentores-cisterna.

APS com concurso público para concessão do Porto de Recreio.

A APS procedeu ao lançamento de concurso público para a concessão do Porto de Recreio de Sines, por um período de 20 anos, com possibilidade de renovação por dois períodos adicionais de 5 anos.

Para além de explorar o estacionamento de embarcações nos lugares de amarração e no fundeadouro que integra a área da concessão, a concessionária terá a possibilidade de desenvolver a actividade de estacionamento e de prestação de serviços a embarcações em terra, uma vez que o Porto de Recreio de Sines conta desde 2022 com uma nova área de doca seca e de serviços devidamente infraestruturada para a realização dessas actividades.

Mais recentemente o Porto de Recreio de Sines foi objecto de uma intervenção de requalificação e renovação de parte do seu equipamento flutuante, que resolveu os problemas mais prementes, ficando a concessionária com a obrigação de concluir essa beneficiação, mas de forma faseada, ao longo dos primeiros 10 anos de concessão.

Toda a tramitação do processo será efetuada na plataforma de contratação pública VORTAL.

O prazo para apresentação das propostas decorre até 22-06-2024.