ONU: Aquacultura ultrapassa pesca e torna-se a principal fonte mundial de peixe.

Pela primeira vez, a produção aquática em viveiros
ultrapassou as capturas através de pesca tradicional, afirmou a FAO – Agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura,
indicando a esperança de que a aquacultura possa satisfazer a crescente
procura mundial de produtos do mar.

No seu último relatório bienal sobre o estado da pesca
mundial, a FAO, sediada em Roma, afirmou que a produção mundial de pesca e
aquacultura em 2022 atingiu um recorde de 223,2 milhões de toneladas.

A FAO afirmou que a produção em aquacultura atingiu um valor
sem precedentes de 130,9 milhões de toneladas em 2022, das quais 94,4 milhões
de toneladas eram animais aquáticos – o que corresponde a 51% da produção total
de animais aquáticos. O restante corresponde a plantas aquáticas e algas.

“Estes números demonstram o potencial da aquacultura para
alimentar a crescente população mundial”, afirmou o director-geral adjunto da
FAO, Manuel Barange. 

“Tem sido o sistema de produção alimentar
que mais cresce (no mundo) nas últimas cinco décadas”, acrescentou.

Emanuele Grimaldi com outro mandato na Câmara Internacional de Navegação

Emanuele Grimaldi foi reeleito por unanimidade por dois outro mandato de 2 anos como Presidente da Câmara Internacional de Navegação (ICS), o grupo de lobby global dos armadores.

“Fizemos um bom trabalho com as nossas propostas para ajudar a cumprir as metas líquidas zero da IMO – Organização Marítima Internacional até ou por volta de 2050 e continuar a trabalhar com os órgãos da ONU nas maiores questões que afectam o setor marítimo”, afirmou o Presidente reeleito Grimaldi.

Durante o seu primeiro mandato como presidente do ICS, Grimaldi teve um forte foco na caminhada de descarbonização da indústria, visivelmente na formação da iniciativa Clean Energy Marine Hubs (CEM Hubs). Também concentrou a sua atenção nos maiores desafios da indústria, incluindo o aumento do proteccionismo, a digitalização, o recrutamento e retenção de marítimos e a segurança dos marítimos durante os conflitos geopolíticos globais, incluindo o conflito na Ucrânia e a atual crise do Mar Vermelho.

“Estamos a navegar por tempos geopolíticos muito controversos, que viram o transporte marítimo e os nossos trabalhadores inocentes apanhados na mira dos conflitos no Médio Oriente. Isto vem juntar-se ao conflito na Ucrânia e aos ataques à navegação mercante nos Mares Vermelho e Negro que puseram em risco a segurança dos nossos marítimos e perturbaram o comércio. Isto é inaceitável e continuaremos a iluminar o coração da nossa indústria – os nossos marítimos”, afirmou. 

Metin Duzgit, da Câmara Turca de Navegação, foi eleito novo vice-presidente do ICS, e Martin Kröger, CEO da Associação Alemã de Armadores, foi eleito presidente do ICS do comité marítimo.

Canal do Panamá aumenta calado e tráfego diário.

O Canal do Panamá anunciou que aumentará o número de
trânsitos diários de 32 para 33, a partir de 11 de julho. Ao que tudo indica, as condições meteorológicas estão a ajudar a melhorar os níveis de acessibilidade do Canal do Panamá.

Este número aumentará ainda mais para 34 a partir de 22 de
julho, em resposta aos níveis de água actuais e projectados do Lago Gatún nas
próximas semanas e ao início da estação chuvosa na Bacia Hidrográfica do Canal
do Panamá.

Com estes aumentos graduais, até 22 de julho o Canal irá dois trânsitos ao cronograma actual: um para as eclusas do Panamá
(elevando os trânsitos diários para 25) e um para as eclusas do Neopanamax
(aumentando os trânsitos diários para 9). Como resultado, também foi anunciado um aumento
no calado de 45 para 46 pés, a partir de 15 de junho.

A Autoridade do Canal do Panamá indicou que irá continuar a monitorizar diariamente as condições climáticas para implementar as acções operacionais necessárias em caso de aumento de chuvas na sua bacia hidrográfica.

Frota global passa os 30M TEU pela 1ª vez.

Os dados indicados pela consultora Alphaliner,  ( reconhecida internacionalmente na área do shipping), indica que a frota global dos porta-contentores atingiu 30 milhões de TEU pela primeira vez na história, tendo os estaleiros localizados na Ásia dado um contributo de enorme impacto com o volume recorde das novas construções.

A cadência do crescimento da frota contentorizada tem sido impressionante. Para termos noção, em matéria de números, levou-se cerca de 50 anos para atingir a marca dos 5 milhões de TEU em 2001. Nos tempos presentes, o salto de 20 milhões de TEU para 30 milhões de TEU foi alcançado em apenas sete anos. 

Os dados da BIMCO ( A maior organização mundial de associação directa para armadores, afretadores, correctores de navios e agentes), indicam que 478 navios porta-contentores com capacidade de 3,1 milhões de TEU estão programados para entrega este ano, batendo o recorde de 2023 em 41%. 

A capacidade da frota de contentores deverá crescer 10% em 2024. Espera-se que a subida dos slots de 30 para 35 milhões seja muito rápida, à medida que os pedidos de navios continuam a chegar aos estaleiros asiáticos.

Investigador do MARE lança livro sobre a biologia do polvo

O investigador do MARE Rui Rosa é o editor principal, do recentemente lançado livro “Octopus Biology and Ecology” (Academic Press, Elsevier). Este livro contém 23 capítulos e conta com a participação de 92 colaboradores nacionais e internacionais pertencentes a 18 países diferentes.

Em 478 páginas, o livro descreve aspectos importantes da vida destes moluscos, abordando diversos aspectos como a sua origem, biogeografia, história de vida, distribuição, comportamento, padrões migratórios, dieta, predadores, parasitas, entre outros tópicos. 

O livro foca-se principalmente em espécies que vivem nas zonas costeiras incluindo uma discussão sobre as potenciais ameaças e os benefícios inesperados das alterações climáticas e dos oceanos. São ainda fornecidos relatos detalhados, com imagens a cores, para cada uma das 21 espécies seleccionadas.

O capítulo final fornece uma análise pormenorizada da investigação sobre polvos e as áreas temáticas em que este campo poderá expandir-se no futuro, reconhecendo em particular a importância crescente da investigação sobre os efeitos das alterações globais. Para além das alterações climáticas, as principais áreas abrangidas incluem o comportamento e a cognição, a iEcologia e a ciência cidadã, a bio-robótica, a investigação em águas profundas e a cultura e bem-estar. 

O livro é uma leitura essencial também para cientistas ligados à biologia pesqueira e aquacultura, conservacionistas e gestores.

NRP Arpão regressa após feito histórico e mais 70 dias em missão

O NRP Arpão chegou hoje, 19 de junho, à Base Naval do Alfeite, após ter estado mais de dois meses em missão no Atlântico Norte, no âmbito da participação na Operação Brilliant Shield da NATO e Operação Ártico 2024.

A cerimónia foi presidida pelo Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e contou com a presença do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Henrique Gouveia e Melo, do Comandante Operacional das Forças Armadas, Vice-Almirante Nobre de Sousa, entre outras entidades.

Na cerimónia decorreu ainda a entrega de condecorações aos elementos da guarnição do NRP Arpão, assim como a entidades estrangeiras que apoiaram à realização da missão, nomeadamente, militares e civis dos Estados Unidos da América, Canadá e Dinamarca.

Numa primeira fase, o submarino participou na Operação Brilliant Shield, uma operação militar da NATO que decorre na zona norte do Oceano Atlântico, no Mar do Norte, com o objectivo principal de promover vigilância e garantir a segurança da área de responsabilidade Aliança, com especial enfoque no seguimento de plataformas militares não NATO, de superfície e submarinas, que habitualmente operam nesta área.

Na última fase, dia 28 de abril, o submarino realizou a Operação ÁRTICO 2024 que foi um marco na história, por ter sido o primeiro submarino convencional a navegar e operar por baixo do gelo Ártico, representando um feito para a Marinha Portuguesa, com o apoio das Marinhas congéneres do Canadá, Dinamarca e Estados Unidos.

Navio atacado por Huthis do Iémen afunda-se no mar Vermelho

Um navio graneleiro “Tutor” foi atingido pelos rebeldes Houthis há uns dias atrás e afundou no Mar Vermelho, de acordo com a UKMTO –  Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

O graneleiro “Tutor”, de propriedade grega, foi atingido duas vezes no dia 12 de junho, aproximadamente a 66 milhas náuticas a sudoeste da cidade portuária iemenita de Hodeidah, de acordo com a Guarda Costeira do governo iemenita logo após os ataques. 

O porta-voz militar Houthi, Yahya Sarea, afirmou que o grupo atacou o navio com “um barco não tripulado, vários drones e mísseis balísticos”, causando graves danos e colocando o navio “em risco de afundar”. 

Sarea justificou o ataque acusando o proprietário do navio de carga de violar a proibição Houthi de entrar nos portos israelenses. Autoridades da Guarda Costeira disseram que um barco não tripulado detonou na popa, causando um grande vazamento no casco da embarcação. Um oficial acrescentou que a embarcação fez um pedido de socorro logo após o primeiro ataque. 

Apesar dos esforços de procura, um membro desaparecido entre os 21 tripulantes multinacionais não foi localizado, disseram as autoridades, presumindo que tenha sido morto no ataque.

Após o incidente, o UKMTO informou numa actualização de 15 de junho que a tripulação do navio foi evacuada pelas autoridades militares e que o navio foi abandonado, à deriva na água.

PJ deteve traficante que "controlava" os portos portugueses.

Segundo avança o JN, a PJ – Polícia Judiciária deteve “Antoniozinho”, descrito como um dos principais traficantes portugueses e responsável pela introdução de várias toneladas de cocaína em Portugal. Aos 45 anos, o luso-cabo-verdiano foi surpreendido na sua própria casa

Tendo passado pelas cadeias em França, e tendo cuumprido pena na cadeia, o indivíduo regressou a Portugal, radicou-se na zona de Lisboa e especializou-se principalmente no controlo de portos, entre outras infraesteuturas. 

Através do pagamento de avultadas quantias, o traficante recrutou para a sua organização diversos estivadores dos portos de Sines, Setúbal, Lisboa e Leixões.

Foram estes trabalhadores que conseguiram, ao longo dos últimos anos, aceder aos contentores marítimos e porões dos aviões oriundos de diferentes países da América do Sul e retirar a cocaína que aí estava escondida para a entregar ao grupo liderado pelo indivíduo em questão.

A capacidade para recolher o “produto” era tanta que o indivíduo passou a vender este serviço a traficantes portugueses e estrangeiros. Aliás, nos últimos anos, especializou-se nesta atividade e foi responsável pela entrada de toneladas de cocaína em território nacional que, em seguida, era vendida por outras organizações em Portugal ou seguia para cartéis estrangeiros.

“Com esta operação, a PJ acredita ter interrompido um dos mais relevantes circuitos de introdução de grandes quantidades de droga em território nacional e no espaço europeu”, garante o mesmo comunicado. “Foi uma grande machada no tráfico de droga em Portugal”, complementou ao JN, uma fonte policial.

Porto da Figueira: Planos relacionados com marina e navios de cruzeiro.

O Porto da Figueira da Foz apresentou na passada 6ª feira, dia 14 de junho, os objectivos do “Estudo para o Desenvolvimento e Valorização da Marina Atlântica no Porto da Figueira Foz”, a bordo do navio Santa Maria Manuela, que esteve atracado no Porto da Figueira da Foz.

O Estudo para o Desenvolvimento e Valorização da Marina Atlântica da Figueira da Foz iniciou-se em janeiro e permitirá habilitar o conselho de administração da APFF, em articulação com a Câmara Municipal da Figueira da Foz, no processo de tomada de decisão sobre a viabilidade da concessão da marina existente, a sua eventual ampliação e construção de um espaço de recepção aos navios de cruzeiro, enquanto estratégia e reforço da posição competitiva do Porto da Figueira da Foz no negócio da náutica de recreio e de cruzeiros costeiros.

A apresentação, a cargo da TISPT – Consultores em Transportes, Inovação e Sistemas, S.A., contou com a presença do vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Manuel Domingues, do presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, João Campolargo, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Jorge Franco, do vereador da Câmara Municipal de Cantanhede, Adérito Machado, do presidente da Comunidade Portuária da Figueira da Foz, Gonçalo Vieira, tendo estado ainda presentes o presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz, os presidentes das Juntas de Freguesia de Buarcos e São Julião, São Pedro, Lavos, Vila Verde e Gafanha da Nazaré, o capitão do Porto da Figueira da Foz, o representante da Alfândega, agentes de navegação, representante da Atlantic Eagle, representantes dos clubes náuticos, entre outros convidados.

Presidente da APRAM em visita à Noruega

Esta participação da Madeira surge na sequência do convite endereçado pelo Governo português, através da Direcção Geral de Política do Mar (DGPM) que, em conjunto com a UNG National Focal Point EEA Grants Portugal, embaixada da Noruega em Lisboa e Innovation Norway, organiza esta missão de alto nível dedicada à modernização dos portos.

“Os portos noruegueses estão a explorar e a desenvolver soluções importantes em termos de sustentabilidade ambiental, e esta viagem constitui uma oportunidade para nos inteirarmos do que está a ser feito, e ao mesmo tempo estreitar relações com o cluster marítimo da Noruega”, destaca Paula Cabaço. A responsável pela Administração dos Portos da Região, vai aproveitar as visitas aos portos de Olso e de Bergen e os contatos com empresas norueguesas, para abordar questões relacionadas com a transição energética, digitalização, sustentabilidade ambiental e descarbonização dos portos. “Estamos interessados em conhecer o que está a ser feito ao nível do abastecimento de energia elétrica aos navios, num momento em que estamos a dar os nossos primeiros passos na investigação e desenvolvimento de soluções de infraestruturas de OPS (Onshore Power Supply)”, explica Paula Cabaço, referindo-se ao projecto Green Ports Madeira. Um investimento de 700 mil euros, que está a estudar a viabilidade e o impacto da implantação de infraestruturas OPS no Porto do Funchal, que permitam que os navios atracados desliguem os seus motores, ligando-se à rede elétrica em terra. “Será um importante passo ao nível da descarbonização dos portos e da sustentabilidade ambiental, com o qual estamos comprometidos.”

“A indústria dos cruzeiros está empenhada na transição energética, e a APRAM quer está na linha da frente na procura de soluções ambientais”, sublinhou Paula Cabaço, apontando como exemplo o envolvimento dos Portos da Madeira no projecto internacional SHIFT2DC, que recebeu um financiamento comunitário de 11 milhões de euros. O objectivo é estudar alternativas energéticas económicas e sustentáveis, e os Portos da Madeira são a única infraestrutura portuária europeia a participar neste consórcio, que reúne 30 entidades parceiras de 12 países.