Instabilidade global causa incerteza nos Portos.

Num mundo cada vez mais interligado, os portos nacionais têm desempenhado um papel crucial no fluxo de comércio internacional, sendo pontos estratégicos de entrada e saída de mercadorias.

O actual cenário global tem sido marcado por crescente instabilidade geopolítica, guerras comerciais e incertezas económicas, fatores que afectam directamente a dinâmica portuária e ameaçam a sustentabilidade momentânea não só de portos, mas como de vários projectos empresariais a eles ligados.

Não nos enganemos. O actual cenário é de uma pré-crise e pode levar a cenários devastadores a curto/médio prazo, senão existir inversão de muitas acções.

Conflitos armados, sanções económicas e tensões diplomáticas entre grandes potências, como EUA, China, Rússia e União Europeia, geram volatilidade nos mercados e impactam negativamente as cadeias de abastecimento globais. Essa instabilidade leva empresas a reverem rotas, reduzirem investimentos e evitarem compromissos logísticos de longo prazo — medidas que afectam diretamente o fluxo de mercadorias que chega ou sai pelos portos.

A guerra de tarifas, exemplificada pela disputa entre Estados Unidos e China principalmente nos últimos meses, leva à imposição de barreiras comerciais e tarifas punitivas sobre diversos produtos. Esse tipo de retaliação reduz a competitividade de exportações e encarece importações, resultando na diminuição do volume de carga transportado.

Portos nacionais, que possuem características de uma pequena economia como a nossa, idependentes do comércio exterior, acabam sofrendo com quedas bruscas na movimentação de contentores e granéis, impactando a sua receita e a gestão da sua operação.

A queda no volume de cargas movimentadas tem reflexos imediatos sobre o emprego. Todos os que estão ligados enfrentam risco em cenários prolongados de retração. Menos navios significa menos trabalho, menor procura por serviços e, em casos extremos, paralisações parciais operacionais. A instabilidade global também inibe investimentos em infraestrutura e modernização dos portos, comprometendo a sua competitividade futura.

Portugal está mais exposto às tarifas americanas do que a média da União Europeia. afirmou Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia. O Produto interno bruto (PIB) caiu 0,5% no primeiro trimestre deste ano face aos últimos três meses de 2024.

O futuro não se avizinha, perante este cenário, muito promissor. Mas só a calma depois da tempestade que se avizinha, poderá devolver alguma esperança. Todas as previsões apontam para um período de turbulência entre 2 a 3 anos. Mas só o desenrolar de todos os cenários e os dados providenciados pelo decorrer do ano, poderão ser mais elucidativos.

Feira Náutica regressa a Setúbal a 15 de Maio.

Exposições, actividades náuticas, venda de material e workshops estão integradas no programa da Feira Náutica de Setúbal, organizada pela Câmara Municipal, a decorrer entre 15 e 18 de Maio no cais 3 do porto da cidade.

O certame, cuja organização conta com a parceria da União das Freguesias de Setúbal e da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e o apoio da Caetano Drive, é um espaço de negócio e oferta de serviços, de empresas locais e nacionais, nas áreas da náutica de recreio, pesca desportiva, caça submarina, mergulho, desportos de ar livre e turismo náutico e de montanha.

Nesta edição, marcam presença mais de três dezenas de expositores no evento, o qual conta com a realização de um leque de actividades náuticas desportivas e passeios no Rio Sado.

Portos de Portugal participam na Breakbulk Europe 2025.

A APP – Associação dos Portos de Portugal marcará presença na Breakbulk Europe 2025, que se realiza de 13 a 15 de maio, no Rotterdam Ahoy, em Roterdão.

A participação conjunta da APP com os Portos de Viana do Castelo, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa, Setúbal e Sines visa reforçar a posição estratégica de Portugal como hub logístico global, promovendo a excelência portuária nacional e explorando novas oportunidades de negócio num ambiente internacional altamente competitivo. Esta presença permitirá ainda fortalecer cooperações atrair investimento e impulsionar a competitividade da economia nacional

Este ano, a APP conta com o apoio institucional da APAT – Associação dos Transitários de Portugal, da AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal e das Comunidades Portuárias dos sete portos envolvidos.A participação portuguesa conta também com o apoio das empresas parceiras: GRUPO ETE; IBEROLINHAS; PORTLINE OCEAN MANAGEMENT; NOGARPORT; YILPORT IBERIA S.A.; ZALDESA – Zona de Actividades Logísticas de Salamanca; FOZTRÁFEGO; OPERFOZ; PORTUGS e SANTOS E VALE.

No dia 14 de maio, pelas 12h00, terá lugar no stand Portos de Portugal (1J21-K20) o evento “Networking dos Portos de Portugal”, com a colaboração da AICEP Portugal Global – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Esta iniciativa proporcionará uma oportunidade única para estabelecer conexões estratégicas e explorar novas parcerias comerciais.

A Breakbulk Europe é um dos maiores eventos mundiais dedicados à logística, transporte de carga e comércio internacional, reunindo profissionais de mais de 120 países. A presença dos portos portugueses neste palco de excelência reforça o seu compromisso com a sustentabilidade, a eficiência e a inovação, criando sinergias e destacando o papel de Portugal no panorama logístico internacional.

Movimentação portuária nacional inicia 2025 com forte quebra.

Janeiro registou o pior desempenho em dez anos, com quedas acentuadas em Sines, Setúbal e Lisboa. Apenas Viana do Castelo apresentou crescimento.

O sistema portuário comercial do continente português arrancou o ano de 2025 com um desempenho negativo, ao movimentar apenas 5,7 milhões de toneladas de carga em janeiro. Este valor representa uma quebra de 22,2% face ao mesmo mês de 2024 e é o mais baixo não só dos últimos 12 meses, como também de todos os meses de janeiro da última década.

Entre os portos nacionais, apenas Viana do Castelo contrariou a tendência geral, registando um aumento de 12 mil toneladas, equivalente a +37,6%. Em contrapartida, os maiores decréscimos verificaram-se em Sines (-1,1 milhões de toneladas; -25,8%), seguido de Setúbal (-34,6%), Leixões (-15,7%), Lisboa (-17,2%) e Aveiro (-8,8%). Os portos de Faro e Figueira da Foz também apresentaram reduções, sendo que Faro não registou qualquer movimentação no período.

Também o segmento de contentores sofreu um forte revés: menos 20,4% em comparação com janeiro de 2024, totalizando 209 mil TEU. A quebra foi transversal a todos os portos, com destaque negativo para Sines (-25,3%), Lisboa (-13,8%), Leixões (-10,1%) e Figueira da Foz (-25,5%). Aveiro permanece praticamente sem movimento de contentores desde meados do ano passado.

O número de escalas de navios caiu também 12,4%, com um total de 678 escalas em janeiro. Ainda assim, portos como Viana do Castelo, Leixões e Portimão registaram ligeiras subidas.

Do lado positivo, salienta-se o aumento significativo da movimentação de produtos agrícolas em Aveiro, com um crescimento de 344,3%. Já no campo das quebras, destacam-se:

  • A redução da carga contentorizada, produtos petrolíferos e petróleo bruto em Sines;
  • A queda de produtos agrícolas e carga contentorizada em Lisboa;
  • E a redução de outros granéis sólidos em Leixões e Setúbal, bem como da carga fracionada em Aveiro.

Na perspetiva das operações, janeiro registou 3,3 milhões de toneladas desembarcadas (58,9% do total, -22,1% face a 2024) e 2,3 milhões de toneladas embarcadas (-22,3%).

Apesar do cenário negativo, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sublinha que os dados de um único mês não devem ser interpretados como tendência definitiva, dada a volatilidade dos mercados portuários e a influência de fatores macroeconómicos internacionais. A evolução da economia global, ajustamentos nos fluxos comerciais e avanços tecnológicos poderão alterar substancialmente o panorama ao longo do ano.

Faleceu Clyde Aikau, Lenda do Surf do Havaí

Clyde Aikau, ícone do surf havaiano, faleceu em sua residência em Waimanalo, na ilha de Oahu.

Natural de Maui, onde nasceu em 1949, Clyde era o irmão mais novo de Eddie Aikau, lendário big rider que desapareceu no mar em 1978 durante uma expedição a bordo da histórica canoa Hōkūleʻa. Unidos por um vínculo profundo com o mar e a cultura do Havaí, os irmãos Aikau tornaram-se figuras centrais no cenário do surf mundial e defensores da herança dos watermen.

Desde jovem, Clyde destacou-se no surf de ondas grandes. Aos 15 anos, já coleccionava vitórias em competições em Waikiki e, em 1973, entrou para a história ao se tornar o primeiro havaiano nativo a conquistar o título do Duke Kahanamoku Classic, disputado em Waimea Bay — o mesmo local onde, em 1986, venceria a edição inaugural do Quiksilver in Memory of Eddie Aikau, evento criado em tributo ao seu irmão.

Além de surfista, Clyde foi também salva-vidas no North Shore, velejador, educador e fundador de uma escola de surf, dedicada a transmitir os valores do oceano e da cultura havaiana às novas gerações. Permaneceu activo nas competições até os 50 anos, sendo uma inspiração para muitos atletas que passaram a encarar Waimea com coragem e espírito de Aloha.

Estudo revela que somente 0,001% do Oceano profundo foi observado.

Uma nova pesquisa publicada no periódico Science Advances revela o quão pouco já vimos do solo oceânico profundo: apenas 3.823 km2, ou 0,001% do total.

A área é pouco mais de um décimo do tamanho da Bélgica. Usando um outro método de análise, os investigadores chegaram a uma estimativa ainda mais baixa: cerca de 2.130 km2.

O estudo foi conduzido por investigadores da Ocean Discovery League, uma ONG que procura expandir o conhecimento sobre o oceano profundo – ou seja, regiões com mais de 200 metros de profundidade. Para chegar ao resultado, eles reuniram dados de aproximadamente 44 mil mergulhos realizados desde 1958.

A pesquisa refere-se apenas a explorações em que obtiveram dados visuais do solo oceânico. Ou seja, em que os investigadores viram o que está por lá. Existem outras maneiras de conhecer o mar profundo, como os satélites que mapeiam a topografia do fundo oceânico. O que o estudo mostra é que as observações directas são poucas.

Quase 30% das observações documentadas foram feitas antes dos anos 1980. A maioria das imagens são fotos em baixa resolução e em preto e branco, o que limita a compreensão do que existe lá embaixo.

A pesquisa também revelou que 65% das observações foram feitas a menos de 200 milhas náuticas (370 km) da costa dos Estados Unidos, Japão e Nova Zelândia. Esse não é um valor aleatório: ele representa o limite das zonas econômicas exclusivas (ZEEs) dos países costeiros. É a região onde eles detém soberania nacional, tendo prioridade na utilização de recursos e gestão ambiental. No total, apenas 19% das expedições são feitas em águas internacionais.

Celebração dos 40 Anos da FLAD arranca com Conferência sobre os Oceanos.

A FLAD celebra no dia 20 de maio o seu 40º aniversário. Para assinalar a data que marca um percurso ao serviço do desenvolvimento de Portugal através da cooperação com os EUA, a Fundação preparou um programa que inicia em maio em Lisboa, com conteúdo americano, e termina em outubro, em Nova Iorque, com conteúdo português.

A conferência “Breathing with the Ocean” marca o arranque desta programação. Com lugar no Auditório do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, a partir das 16h, este evento dedicado aos oceanos pretende incentivar a discussão e destacar a importância dos oceanos nas suas mais diversas dimensões, reafirmando a necessidade de os colocar no centro do debate público.

O oceano é, geografica e politicamente, a fronteira comum entre os Estados Unidos e Portugal. O oceano é também o grande desafio que a comunidade internacional enfrenta quando procura encontrar respostas para os desafios da sustentabilidade e da gestão de recursos marinhos como o principal meio de tornar viável, no futuro, a vida no planeta Terra. Como nações oceânicas, tanto Portugal como os Estados Unidos têm no Atlântico um futuro de oportunidades nas áreas do conhecimento, da ciência e da biotecnologia, da cooperação e da economia. Um território líquido em que o capital natural pode representar para os dois países, e para os continentes a que pertencem, a visão de futuro que todos procuramos.

O encontro vai contar com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com um um painel de oradores de reconhecido percurso nas áreas da sustentabilidade e dos oceanos, nomeadamente Peter Heffernan, Mark J. Spalding e Tiago Pitta e Cunha.

PSA pondera vender a sua participação de 20% na Hutchison Ports.

O grupo PSA International, detentora da concessão do Terminal XXi em Sines e um dos maiores operadores de terminais de contentores do mundo, está considerando lucrar com a sua participação de 20% nos negócios portuários da CK Hutchison, juntando-se à controversa venda do conglomerado chinês, relata a Reuters.

Em março, a holding CK Hutchison, de propriedade do magnata de Hong Kong Li Ka-shing, anunciou que venderia a sua participação de 80% na Hutchison Ports para um consórcio formado pela TIL – Terminal Investment Limited, a subsidiária portuária da MSC e a gestora de activos norte-americana BlackRock e o fundo de investimento GIP – Global Infrastructure Partners.

O negócio da transação limita-se aos negócios da Hutchison Ports fora da China, ou seja, 43 terminais de contentores em 23 países, incluindo os dois portos operados por sua subsidiária PPC – Panama Ports Company, onde detém 90% de participação, no Canal do Panamá: Balboa, no Pacífico, e Cristobal, no Atlântico.

A decisão da PSA, de propriedade do fundo soberano de Singapura Temasek, de considerar a venda da sua participação na Hutchison Ports ocorre num momento em que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping intensificaram a sua batalha pelo controlo do ponto de passagem estratégico da América Central.

Armadores incentivados a registrar navios na Europa após aprovação do esquema italiano pela CE

A Comissão Europeia aprovou a reintrodução do regime de “Registro Internacional” da Itália, que visa incentivar as companhias de navegação a registrar os seus navios na Europa. O principal órgão executivo da UE aprovou o esquema original em 1998 e novamente em 2004. Em junho de 2020, a comissão aprovou uma prorrogação do esquema até o final de 2023.

A Itália notificou a Comissão Europeia sobre a reintrodução do regime até ao final de 2033. Ao abrigo do regime, as companhias de navegação elegíveis que registarem os seus navios no Registo Internacional beneficiam de uma redução do imposto sobre as sociedades e de outros benefícios, como a isenção do pagamento de contribuições para a segurança social e a assistência social para os marítimos, uma redução do imposto sobre contratos de seguro de embarcações ou uma redução do imposto sobre o registo de contratos de trabalho para os marítimos.

O regime tem um orçamento global de 5,4 mil milhões de euros e estará em vigor até dezembro de 2033. “A Comissão avaliou o regime reintroduzido à luz das regras da UE em matéria de auxílios estatais, em particular das suas Orientações relativas aos auxílios estatais ao transporte marítimo. A Comissão considerou que o regime é necessário e adequado para atingir os objetivos perseguidos, nomeadamente, impulsionar a competitividade dos armadores e operadores, apoiar o desenvolvimento do setor marítimo e incentivar o registo de embarcações nos registos de navios da UE/EEE”, afirmou a Comissão Europeia num comunicado.

Além disso, a Comissão considerou que o regime é proporcional, visto que se limita ao mínimo necessário e tem um impacto limitado na concorrência e no comércio entre os Estados-Membros. Com base nisso, o braço executivo da UE afirmou ter aprovado a reintrodução do regime italiano, de acordo com as regras da UE em matéria de auxílios estatais. O transporte marítimo europeu representa um activo geopolítico para a Europa, facilitando a exportação e a importação de bens, alimentos e energia. 76% do comércio externo europeu é viabilizado pelo shipping, de acordo com um estudo recente da Deloitte.

Trump interrompe ataques contra Houthis para garantir navegação no Mar Vermelho.

Numa acção com implicações significativas para o comércio global, o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão dos ataques aéreos americanos contra as forças houthis do Iémen, após um suposto acordo de cessar-fogo mediado por Omã.

Os houthis, alinhados ao Irão, cujos ataques a navios comerciais interromperam gravemente a navegação pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab al-Mandab — teriam concordado em parar de atacar rotas comerciais marítimas críticas.

“Eles disseram: por favor, não nos bombardeiem mais e não vamos atacar seus navios”, declarou o presidente Trump durante uma reunião no Salão Oval com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney. “E eu aceitarei a palavra deles — vamos interromper o bombardeio contra os houthis imediatamente.”

O acordo, confirmado em comunicado por Omã, estipula que nem os EUA nem os houthis terão como alvo os activos um do outro, incluindo embarcações navais e comerciais americanas que operam na região. No entanto, o cessar-fogo não parece incluir um compromisso dos houthis de interromper os seus ataques com mísseis contra Israel.