EUA admitem escolta naval no Estreito de Ormuz “se necessário”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, “se necessário”, a Marinha norte-americana poderá começar a escoltar navios que atravessem o Estreito de Ormuz, numa tentativa de garantir a segurança da navegação e a continuidade do abastecimento energético num dos pontos mais sensíveis do comércio marítimo mundial.

Numa mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump declarou que “aconteça o que acontecer, os EUA garantirão o livre fluxo de energia para o mundo”, acrescentando que o poder económico e militar norte-americano é “o maior do mundo” e que “mais acções” poderão ser anunciadas.

O Estreito de Ormuz, sob forte influência e capacidade de controlo do Irão, liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, no Oceano Índico. É uma passagem crítica para o transporte de crude e gás natural liquefeito, sendo frequentemente apontado como corredor de saída de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e GNL.

Qualquer escalada de tensão naquela zona tende a aumentar o risco para a navegação, pressionar os custos de seguro e transporte e gerar efeitos imediatos nos mercados de energia.

Crise energética pode agravar-se se Estreito de Ormuz permanecer bloqueado.

A escalada do conflito no Médio Oriente está a reacender o risco de uma nova crise energética global, com o preço do petróleo Brent já acima dos 80 dólares por barril.

Analistas admitem que os valores possam ultrapassar os 100 dólares caso o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado, afectando uma das principais rotas de exportação de crude e gás natural do mundo.Pelo Estreito de Ormuz transita uma parte significativa do petróleo produzido pelos países do Golfo, tornando-o um ponto crítico para o abastecimento energético global. Qualquer interrupção prolongada gera imediata pressão nos mercados e aumenta a volatilidade financeira.

O cenário é comparado por alguns especialistas à crise de 1979, desencadeada pela Revolução Iraniana. Na altura, a quebra na produção e exportação de petróleo provocou uma forte subida dos preços do crude, inflação elevada e impactos económicos à escala mundial.Se a actual instabilidade evoluir para um bloqueio efectivo e duradouro da via marítima, os efeitos poderão fazer-se sentir não apenas no sector energético, mas também na economia global, num contexto já marcado por elevada incerteza geopolítica.

Marinha dos EUA destitui comandante do USS Truxtun após colisão durante reabastecimento no Caribe.

A Marinha dos Estados Unidos anunciou a destituição do comandante do contratorpedeiro USS Truxtun (DDG-103) na sequência de uma colisão com o navio logístico USNS Supply, ocorrida durante uma manobra de reabastecimento no mar, na área de responsabilidade do Comando Sul norte-americano (SOUTHCOM), nas Caraíbas.

O incidente, registado a 11 de Fevereiro, resultou em dois militares com ferimentos ligeiros, tendo ambos sido assistidos e considerados em condição estável. De acordo com o comunicado oficial, a decisão foi fundamentada na “perda de confiança na capacidade de exercer o comando”, princípio que integra a cultura operacional da Marinha dos EUA e que implica responsabilização imediata da cadeia de comando sempre que ocorre um incidente relevante em contexto de navegação ou manobra.

O oficial afastado assumira funções no início de 2025. O comando do navio será agora assegurado por outro oficial superior destacado para o efeito.O USS Truxtun, um contratorpedeiro de mísseis guiados da classe Arleigh Burke, encontrava-se destacado para operações na região, integrando esforços relacionados com missões de segurança marítima e apoio a operações conduzidas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Antes da colisão, o navio tinha regressado temporariamente à Base Naval de Norfolk para resolver questões técnicas não especificadas, retomando posteriormente o desdobramento. A colisão ocorreu durante uma manobra de reabastecimento em alto-mar, operação considerada de elevada complexidade técnica e que exige coordenação rigorosa entre as unidades envolvidas, controlo fino de velocidade e rumo, bem como condições meteorológicas favoráveis. Apesar de ambas as embarcações terem conseguido manter capacidade de navegação, foi aberta uma investigação formal para apurar responsabilidades, procedimentos adoptados e eventuais falhas operacionais.

As conclusões do inquérito poderão determinar medidas adicionais, quer ao nível disciplinar, quer na revisão de procedimentos operacionais, num momento em que a Marinha norte-americana mantém presença reforçada em diversas áreas estratégicas.

Trânsito no Estreito de Ormuz colapsa mais de 80%.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu mais de 80% nas últimas horas, num sinal claro de paragem operacional numa das rotas mais críticas do planeta.

Com a escalada militar no Médio Oriente, dezenas de navios ficaram fundeados nas imediações, à espera de condições de segurança para avançar. A quebra é particularmente relevante por afectar o corredor por onde passam volumes gigantescos de petróleo e gás natural liquefeito. Apesar de não existir um anúncio formal de encerramento, o aumento do risco, os avisos militares e a incerteza no mercado de seguros estão a levar armadores e operadores a suspender travessias ou a adiar decisões.

O efeito é imediato: Tensão nos mercados de energia, pressão sobre a disponibilidade de navios e probabilidade crescente de subida de fretes, sobretudo nos segmentos ligados ao transporte energético.

Ligação Seixal–Cais do Sodré passa a operar com três navios eléctricos.

A travessia fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré vai passar a contar com três embarcações eléctricas, numa fase inicial em que a operação continuará a ser acompanhada por testes e ajustamentos.

Durante este período, a Transtejo/Soflusa manterá também um navio a diesel como reserva, para garantir resposta caso surjam constrangimentos técnicos ou operacionais. A entrada destas embarcações pretende reforçar a regularidade do serviço numa ligação que tem sido alvo de queixas devido a supressões e falta de fiabilidade.

A empresa espera que o aumento de meios contribua para estabilizar horários e reduzir interrupções, devolvendo previsibilidade a quem utiliza diariamente esta travessia. O arranque do serviço com os navios eléctricos sofreu adiamentos, associados à complexidade do processo de integração das novas unidades e às necessidades de infraestrutura, incluindo os sistemas de carregamento.

Ainda assim, a operação é apresentada como um passo importante na modernização do transporte fluvial no Tejo e na redução de emissões, num caminho de transição energética que deverá estender-se a outras ligações.

APS teve apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias.”

O auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve acolheu, no passado dia 24 de Fevereiro, a apresentação do livro “Pilotagem: As responsabilidades das autoridades portuárias”, da autoria de Sandra Aires e Carlos Serpa Carvalho.

A iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa de Pilotos de Barra e Portos, em parceria com a Riscos Editora, reuniu profissionais e representantes de várias entidades ligadas ao sector marítimo-portuário. A sessão serviu de ponto de encontro para debate e reflexão sobre o enquadramento da pilotagem, um serviço determinante para a segurança da navegação e para a eficiência das manobras de entrada, saída e movimentação de navios em áreas portuárias.

A obra centra-se nas responsabilidades das autoridades portuárias neste domínio, abordando aspectos jurídicos e operacionais associados à organização, supervisão e articulação do serviço.

Guerra no Irão: impactos rápidos no contentorizado e no petróleo.

Um conflito envolvendo o Irão tende a provocar um choque imediato na logística marítima, sobretudo pela incerteza operacional e pelo aumento do risco em rotas e áreas de passagem sensíveis.

No sector contentorizado, o efeito surge mais pela desorganização da rede do que por uma paragem global: ajustes de itinerários, eventuais omissões de escalas e desvios para evitar zonas de maior risco tornam os horários menos fiáveis, alongam tempos de trânsito e reduzem a capacidade efectiva da frota. Com viagens mais longas e menos previsibilidade, aumentam os custos, surgem sobretaxas associadas a risco e cresce a volatilidade dos fretes, além de se agravarem desequilíbrios de contentores vazios e atrasos em cadeias de abastecimento.

No petróleo, produtos refinados e gás, a reacção costuma ser mais brusca. A percepção de risco faz disparar prémios de seguro de guerra, encarece a operação e pode levar navios a aguardar instruções ou a evitar a área, reduzindo a disponibilidade de transporte. Isso pressiona os fretes de petroleiros, aumenta demurrage e puxa os preços do crude por via do “prémio de risco”, mesmo antes de existir uma quebra comprovada de produção. Em paralelo, o aumento do crude tende a encarecer o bunker, repercutindo-se também no transporte de contentores através de ajustamentos de combustível.

No fundo, a guerra não precisa de “fechar” o comércio para o tornar mais caro e mais lento: basta introduzir risco, atrasos e custos adicionais, que se propagam do mar para os portos e, depois, para a economia.

MSC trava novas reservas para o Médio Oriente por motivos de segurança.

A Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciou a suspensão imediata da aceitação de novas reservas de carga com destino ao Médio Oriente, numa decisão de âmbito global que se mantém em vigor até novo aviso.

O armador n°1 global explica que a medida resulta do agravamento da situação de segurança na região e foi tomada como precaução.No aviso dirigido aos clientes, a MSC sublinha que a prioridade é a segurança das tripulações e dos navios, referindo que acompanha a evolução do contexto operacional e que reavaliará a retoma das reservas quando existirem condições que permitam retomar a actividade com segurança.

A suspensão afecta fluxos comerciais relevantes numa área estratégica das rotas marítimas internacionais, podendo ter impactos no planeamento logístico, na disponibilidade de capacidade e nos tempos de trânsito, caso a situação se prolongue.

Mercados em alerta após ataques dos EUA e Israel ao Irão.

Os mercados estão em alerta perante o risco de um choque no petróleo, depois de ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel contra alvos no Irão.

A tensão volta a pôr sob pressão o Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas do mundo para o transporte de crude, e qualquer perturbação nessa rota pode traduzir-se rapidamente em subida de preços.A reacção já se sente nas cotações, alimentada pelo receio de interrupções no fornecimento, ataques a infra-estruturas energéticas ou restrições à navegação.

Se a escalada se prolongar, analistas admitem cenários de petróleo significativamente mais caro, com impacto directo no custo dos combustíveis e, por arrasto, na inflação. O desfecho depende da evolução no terreno, mas o risco central é claro: Energia, transporte e preços podem voltar a entrar numa fase de forte volatilidade.

Qingdao estreia transporte autónomo de contentores sem tripulação.

No porto chinês de Qingdao foi concluída uma operação inédita de transporte e manuseamento de contentores sem qualquer intervenção humana a bordo, com o navio eléctrico Zhi Fei a cumprir, do princípio ao fim, todas as etapas críticas do processo: navegação, aproximação ao cais, atracação e movimentação de carga num terminal automatizado.

A operação, realizada a 21 de Fevereiro de 2026, é apontada como a primeira demonstração “de ciclo completo” em que um porta-contentores executa o percurso e as manobras portuárias em modo autónomo. O Zhi Fei aproximou-se do cais guiado por sistemas de navegação inteligentes e, já em fase de acostagem, recorreu a um sistema de amarração automática por vácuo, com “ventosas” de alta potência a fixarem o casco em cerca de 30 segundos, dispensando cabos e equipas de terra para a amarração tradicional.

Logo de seguida, o terminal assumiu o resto da cadeia: sistemas automáticos coordenaram gruas de cais, equipamentos de parque e veículos guiados para descarregar e transferir contentores de forma sincronizada, mostrando que a automação já não se limita ao parque, e passa a integrar também o navio, a atracação e a ligação directa ao ecossistema do porto.

Além do impacto tecnológico, o caso de Qingdao aponta para uma mudança prática na operação portuária: Menos dependência de mão-de-obra em momentos críticos, redução de tempos de manobra, maior previsibilidade e um caminho mais claro para operações eléctricas e de menor pegada ambiental. Ao mesmo tempo, fica evidente que estes sistemas continuam a exigir supervisão e regras claras de segurança, porque a autonomia total só faz sentido se vier acompanhada de controlo, redundância e resposta rápida a incidentes.