Cenários dos portos mediterrânicos face às tensões no Médio Oriente

O recente escalar do conflito entre Israel e o Irão está a gerar um novo clima de instabilidade no Médio Oriente, com consequências directas para o comércio marítimo global. A crescente tensão militar, incluindo ataques aéreos e ameaças ao tráfego naval, está a afetar gravemente a segurança na região do Mar Vermelho e, sobretudo, no Canal do Suez — um dos principais corredores de ligação entre a Ásia e a Europa.

Perante este cenário, muitas companhias marítimas optam por evitar o Canal do Suez, redireccionando as suas rotas em torno do Cabo da Boa Esperança. Esta mudança tem provocado uma reorganização dos fluxos logísticos, reforçando o papel estratégico dos portos mediterrânicos, como Tanger Med, Algeciras, Valência, Malta, Pireu, Porto Saíd e Barcelona. Estes portos estão a tornar-se pontos-chave de entrada, transbordo e redistribuição de mercadorias com destino à Europa.

A incerteza regional, agravada pela possibilidade de alastramento do conflito Israel-Irão a outros países vizinhos, pode tornar esta nova configuração mais permanente. Neste contexto, os portos do Mediterrâneo ganham relevância geopolítica e económica, mas enfrentam também riscos associados à volatilidade da região e ao aumento das tensões globais.

Apoiando o Irão, Houthis avisam que podem atacar navios dos EUA.

O movimento rebelde Houthi do Iémen manifestou “pleno apoio” ao Irão, condenado o ataque dos Estados Unidos a três instalações nucleares iranianas e ameaçando atacar os navios norte-americanos no Mar Vermelho.

Em comunicado citado pelas agências internacionais, reafirmou o compromisso das Forças Armadas de estarem prontas para atacar barcos e navios de guerra norte-americanos no mar Vermelho.

“O movimento (Houthi) do Iémen condena energicamente a flagrante e bárbara agressão norte-americana contra o Irão”. “Não é uma simples violação da soberania, mas uma flagrante declaração de guerra contra o povo irmão do Irão”.

Na nota, referiram que estes ataques confirmam que os EUA são “o patrocinador oficial do terrorismo da entidade sionista (Israel)”. “Em colaboração, prosseguem os esforços para violar a nossa região, controlar os nossos destinos e manter a nossa nação num estado de debilidade”, alegaram no documento.

Assim, declararam “pleno apoio ao povo irmão iraniano” e confiança na capacidade do Irão, dos seus líderes e do povo para fazerem frente “à agressão norte-americana e israelita” e resistirem aos desafios.

O Governo Houthi reafirmou o “compromisso do Iémen com a declaração das Forças Armadas de estaram prontas para atacar barcos e navios de guerra norte-americanos no mar Vermelho”. Afirmou que o fará “em defesa da nação e para proteger a segurança nacional”, e acrescentou que continua a apoiar a Palestina.

Formações de salvamento para surfistas marcam o regresso do Surf & Rescue.

De acordo com a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores, mais de 100 pessoas perdem a vida anualmente em ambientes aquáticos em Portugal.

Com o objetivo de contrariar estes números, a Associação de Escolas de Surf de Portugal (AESP) e o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) promovem, entre maio e novembro, ações de formação em salvamento.

Estas formações, de participação gratuita, visam prestar um apoio mais alargado a todos os que frequentam o mar, seja por lazer ou por razões profissionais. Ao mesmo tempo, pretendem valorizar o papel informal, mas fundamental, que muitas escolas de surf assumem em situações de emergência.

As inscrições estão abertas a praticantes de surf com conhecimentos básicos e a nadadores-salvadores com certificação do ISN.Cada sessão integra uma componente teórico-prática e um conjunto de exercícios no terreno, incluindo técnicas de salvamento sem apoio, com prancha, e a execução completa de um resgate com suporte básico de vida, com certificação do INEM.

Os participantes aprendem não só a socorrer vítimas de afogamento, como também a reagir corretamente caso a sua própria segurança seja posta em causa.A próxima formação está agendada para o dia 25 de junho, na Praia Grande, em Sintra.

Ocean Race Europe faz escala pela primeira vez em Matosinhos

A The Ocean Race Europe vai passar este verão, pela primeira vez, no norte do país. Considerada por muitos como “o maior desafio em equipa do desporto mundial”, a prova internacional de vela inicia-se a 10 de agosto e tem paragem marcada para dia 20 do mesmo mês, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, passando posteriormente por várias outras cidades europeias.

A prova mundial já teve escalas em Lisboa em 2012, 2015 e 2017 e a edição inaugural da The Ocean Race Europe fez escala em Cascais, em 2021, mas o norte do país estreia-se este ano como um dos anfitriões da prova.

Descrita como “uma regata com propósito”, a The Ocean Race Europe vai além do conceito de prova desportiva, sendo “uma plataforma global de ação pela saúde dos oceanos”, com o objetivo de sensibilizar o público para questões ambientais.

O evento vai contar com várias equipas, que vão competir nos barcos IMOCA com quatro velejadores e um repórter a bordo. Nos iates à vela seguem também equipamentos especializados para fornecer dados de amostragem de água a cientistas internacionais, de modo a aliar a ciência ao mar.

A última viagem oficial da Aliança “2M”.

A última viagem do navio MSC Isabella, com capacidade para 23.656 TEUs, assinalou oficialmente o fim da aliança 2M, encerrando a histórica parceria entre a Maersk e a MSC, que durou precisamente 10 anos. De acordo com a consultora especializada Alphaliner, este momento representa o término do antigo modelo de alianças que durante anos dominou as rotas comerciais Leste-Oeste, constituídas pela 2M, THE Alliance e OCEAN Alliance.

A separação resultou de uma decisão estratégica por parte das duas companhias, que optaram por seguir caminhos distintos, originando uma nova configuração nas parcerias globais. A Maersk aliou-se à Hapag-Lloyd, dando origem à Gemini Cooperation, o que levou à saída da Hapag-Lloyd da THE Alliance. Os restantes membros desta aliança reorganizaram-se sob a nova designação Premier Alliance, enquanto a OCEAN Alliance manteve a sua estrutura inalterada.

As novas alianças apresentam diferenças consideráveis em termos de dimensão: a OCEAN Alliance continua a ser a maior, com uma capacidade de frota de 4,37 milhões de TEUs, seguindo-se a Gemini Cooperation com 3,69 milhões, a Premier Alliance com 2,42 milhões e, por fim, a MSC, agora a operar de forma independente, com 3,27 milhões de TEUs nas rotas Leste-Oeste (excluindo o Canadá e a Índia). No entanto, comparar estas capacidades tornou-se mais difícil, uma vez que o sector deixou de seguir estruturas uniformes.

Em 2025, várias operadoras adoptaram abordagens distintas: algumas implementaram o modelo hub-and-spoke, com ligações regionais operadas sob acordos de aliança; outras mantiveram estruturas tradicionais ou optaram por redes autónomas, sustentadas por acordos de partilha de espaço.

Apesar das transformações, cerca de 80% da capacidade nas rotas Leste-Oeste continua a ser gerida por frotas integradas em alianças, o que sublinha a importância contínua da cooperação entre companhias marítimas.

“Tubarão” faz 50 anos: O clássico que mudou Hollywood.

Em junho de 1975, um jovem cineasta de apenas 27 anos chamado Steven Spielberg lançou um filme que não apenas aterrorizou banhistas ao redor do mundo, mas também reinventou a indústria cinematográfica.

Tubarão (Jaws), completa 50 anos, é mais do que um thriller sobre um predador letal — é o nascimento do blockbuster moderno, o filme que mudou para sempre a forma como o cinema é feito, lançado e lembrado. Baseado no livro homónimo de Peter Benchley, Tubarão conta a história do chefe de polícia Martin Brody, interpretado por Roy Scheider, que tenta proteger a fictícia cidade litorânea de Amity Island de um gigantesco tubarão-branco assassino. Para enfrentar a ameaça, une-se ao biólogo marinho Matt Hooper (Richard Dreyfuss) e ao caçador de tubarões Quint (Robert Shaw), partindo para o mar aberto numa caçada tensa e cada vez mais desesperada. A trama simples é elevada por actuações marcantes, direção precisa e um suspense crescente que prende do início ao fim.

O filme teve uma produção notoriamente complicada. As filmagens, originalmente planeadas para durar 55 dias, duraram por mais de 150, em parte devido aos constantes problemas técnicos com o tubarão mecânico apelidado de “Bruce”. As falhas da criatura forçaram Spielberg a inovar: ao invés de mostrar o monstro em detalhes, ele decidiu insinuar a sua presença por meio de movimentos de câmara, reações dos personagens e, sobretudo, da banda sonora magistral de John Williams. Composta a partir de apenas duas notas graves repetidas, a música tornou-se um ícone do cinema e um símbolo universal de tensão iminente.

O que era limitação virou virtude: o medo do invisível foi mais poderoso do que qualquer efeito visual. O impacto de Tubarão foi avassalador. Foi o primeiro filme a ser lançado com uma campanha publicitária massiva para televisão e em centenas de salas simultaneamente, criando o conceito moderno de “blockbuster de verão”. Em pouco tempo, tornou-se o filme de maior bilheteira da história até então, arrecadando mais de 470 milhões de dólares no mundo todo — o equivalente a cerca de 2 bilhões actualmente, ajustado pela inflação.

O sucesso estrondoso consolidou Spielberg como um dos grandes nomes do cinema e abriu caminho para a era dos grandes lançamentos que dominam a indústria até hoje. Mas o impacto de Tubarão foi além da bilheteira. Ele afectou o comportamento do público, criando um medo real e duradouro de tubarões. Em algumas regiões, o turismo em praias chegou a cair. Frases do filme, como o célebre “You’re gonna need a bigger boat”, entraram para o vocabulário popular.

O seu legado cinematográfico é vasto: influenciou directores como James Cameron, Ridley Scott e Jordan Peele, além de inspirar incontáveis filmes sobre predadores — do mar, da terra e até do espaço. O filme rendeu três continuações, nenhuma dirigida por Spielberg, além de livros, documentários, paródias e homenagens. Em 2001, foi selecionado para preservação pelo National Film Registry dos Estados Unidos como uma obra “cultural, histórica e esteticamente significativa”. Os seus efeitos práticos continuam impressionando, e sua construção de tensão é estudada até hoje como uma aula de direção. Hoje, aos 50 anos, Tubarão permanece assustador, relevante e poderoso. É um daqueles filmes que não envelhecem, pois tocam em medos primitivos e usam a linguagem do cinema com precisão e elegância. É impossível ouvir as duas notas da trilha de John Williams sem sentir um arrepio, mesmo após meio século. Tubarão não é apenas um marco na história do cinema; é um fenómeno cultural que nos lembra que, sob a superfície calma, sempre pode haver algo à espreita.

Costa Nova – 7º Festival da Sardinha.

De 10 a 13 de julho, a Costa Nova será palco do 7.º Festival da Sardinha, evento promovido pela Associação de Pesca Artesanal da Região de Aveiro (APARA), com o apoio da Câmara Municipal de Ílhavo e da Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação.

O festival decorrerá numa grande tenda montada no relvado da Costa Nova.Com sede no Porto de Pesca Costeira, na Gafanha da Nazaré, a APARA representa mais de 550 empresas, entre coletivas e individuais, ligadas à pesca artesanal. É uma das maiores associações do setor a nível nacional e uma das mais representativas da região.

Durante quatro dias, a sardinha será a protagonista desta festa, onde a comunidade piscatória local assume o papel de anfitriã, partilhando o seu saber e tradição na confeção deste peixe tão emblemático.Estima-se que, ao longo do festival, sejam servidas cerca de 5 mil refeições e consumida aproximadamente uma tonelada de sardinhas.Mais do que uma celebração gastronómica, o Festival da Sardinha é um momento de encontro da comunidade piscatória, que partilha não só a excelência da sardinha grelhada, mas também histórias de vida e de mar.

A iniciativa dá visibilidade ao trabalho diário de muitos associados da APARA, para quem a pesca da sardinha continua a ser fundamental para o sustento familiar.

O festival funcionará diariamente em dois períodos: das 12h00 às 15h00 para o almoço, e das 19h00 às 23h00 para o jantar

Dois campeonatos do mundo de Pesca Desportiva em Água Doce no Sorraia.

Entre hoje e amanhã, Coruche volta a afirmar-se como palco privilegiado da pesca desportiva internacional com a realização do 26.º Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva em Água Doce – Deficientes e do 7.º Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva em Água Doce – Masters.

As competições decorrem na consagrada pista do rio Sorraia, uma das mais reputadas a nível mundial, situada junto à frente ribeirinha da Vila, e contam com a presença de 14 seleções nacionais europeias.

Ao todo, 12 países competem na categoria Masters — Alemanha, Chéquia, Eslovénia, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Suíça, Irlanda, Portugal e Hungria — e sete seleções integram a categoria de Deficientes: Bélgica, Croácia, Eslovénia, França, Inglaterra, Itália e Hungria.

Conferência “Os desafios da Biologia Marinha para o Séc. XXI”

No próximo dia 23 de junho de 2025, segunda-feira, pelas 15h00, a Sociedade de Geografia de Lisboa, em parceria com o MARE-ULisboa, promove uma mesa-redonda integrada no Seminário do Mar, com o tema “Os desafios da Biologia Marinha para o Século XXI”. O evento realiza-se em formato híbrido, permitindo a participação presencial na sede da SGL (Rua das Portas de Santo Antão, 100, em Lisboa), ou remotamente.

O programa inicia-se com as boas-vindas pelo Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Professor Catedrático Luís Aires-Barros, seguidas de uma intervenção do Contra-Almirante José Bastos Saldanha, Presidente da Secção de Geografia dos Oceanos, que abordará o enquadramento do actual ciclo de conferências do Seminário do Mar, centrado nos pilares da estratégia, ciência e sustentabilidade.

A mesa-redonda tem início às 15h15, reunindo três especialistas de renome na área da biologia marinha: o Doutor João Silva (investigador auxiliar no CCMar–Universidade do Algarve), a Doutora Paula Chaínho (professora auxiliar no MARE–Universidade de Lisboa) e o Doutor Bernardo Quintella (investigador auxiliar também no MARE–ULisboa). A moderação estará a cargo do Professor Doutor Ricardo Perdiz de Melo, igualmente ligado ao MARE–ULisboa.

Seguir-se-á um espaço de debate, com início previsto para as 16h00, permitindo a troca de ideias entre os participantes e o público. O encerramento do seminário está agendado para as 16h35.

SailGP: o que é e como funciona esta competição de vela de alta velocidade

A SailGP é uma competição internacional de vela entre nações que teve início em 2019 e que, desde então, tem vindo a reunir alguns dos melhores velejadores do mundo em várias localizações que acolhem o evento ao longo do ano.

As provas são disputadas em catamarãs de 50 pés, concebidos especificamente para proporcionar um espectáculo emocionante, com velocidades que podem atingir os 100 km/h. Criada com o intuito de tornar o desporto mais atractivo para o público em geral, a SailGP aposta num formato mais dinâmico e acessível, aproximando-se do estilo de uma corrida, em contraste com as tradicionais regatas que costumam marcar o calendário da vela.

Cada etapa da competição decorre ao longo de dois dias e é composta por seis a sete corridas curtas, normalmente com cerca de 15 minutos de duração, em que todas as equipas participam. No final dessas corridas, os três melhores classificados disputam uma regata decisiva que define o vencedor da etapa. Esta abordagem, mais intensa e compacta, pretende transformar a vela num espectáculo mais emocionante, visual e competitivo, rompendo com o modelo clássico de provas mais demoradas e espaçadas.

No seu site oficial, a organização não esconde a ambição de ser “a corrida mais emocionante sobre a água”, destacando a adrenalina envolvida, a velocidade dos catamarãs F50 e o caráter vibrante da competição.

Além da vertente desportiva, a SailGP aposta fortemente na sustentabilidade e responsabilidade social. Foi nesse contexto que nasceu a Impact League, uma classificação paralela que avalia e premeia as equipas que mais se empenham em práticas sustentáveis e inclusivas. Esta liga valoriza aspetos como a redução da pegada de carbono, a promoção da igualdade de género e o envolvimento de gerações mais jovens em temas ambientais, incentivando uma abordagem mais consciente e transformadora dentro e fora de água.