Sobre o Centro de Cibersegurança do Porto de Sines.

O Governo espera que as sete administrações portuárias existentes no país, possam ir receber formação o novo Centro de Cibersegurança inaugurado no Porto de Sines. É um projecto apresentado como pioneiro no sector. 

Um investimento na ordem dos 5 milhões de euros que, a partir de agora, é um local que combina formação, treino especializado e simulações para reforçar a capacidade das empresas e das instituições no combate ao cibercrime.

O Ministro Miguel Pinto de Luz, considera importante que o maior porto nacional liderar esta agenda e que é importante defender dos ataques cibernéticos que têm existido, da mudança geopolítica e dos portos como infraestruturas essenciais das cadeias de abastecimento. O facto de ser um investimento aberto para o serviço de todas as administrações portuárias é fundamental. Considera que é um ambicioso programa integrado que foi entregue ao país e uma boa aplicação do PRR.

Trump: Proposta de Gaza "arrefece" regresso ao Mar Vermelho.

A recente partilha do Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sobre assumir a gestão de Gaza e transformar a região numa nova “Riviera”, abalou e muito a indústria do Shipping e o possível regresso a curto/médio prazo ao Mar Vermelho e ao Canal do Suez, após mais um ano de dificuldades.

Se o cessar-fogo deu essa esperança, o plano anunciado não irá acalmar o ímpeto dos rebeldes houthis do Iémen, que por certo estarão a reavaliar a situação e possivelmente um retomar dos ataques, sendo esta ideia uma hipótese real , afirmado pelo “Financial Times.

Esta situação, e as as ameaças do Presidente eleito sobre a imposição de tarifas a vários parceiros comerciais reavivaram os receios de uma guerra comercial e de uma crise económica global que poderia afectar os lucros dos armadores.

O momento de calma, desde que os rebeldes houthis do Iémen anunciaram em meados do mês passado de que iriam levantar as sanções a todos os navios não registados em Israel ou detidos integralmente por empresas israelitas, causou um ligeiro aumento dos navios que passaram ao largo do Iémen. 

Segundo o Lloyd’s List Intelligence, o número de trânsitos através do Estreito de Bab-el-Mandeb, que leva ao Mar Vermelho, passando pelo Iémen, aumentou 4%, para 223, na semana seguinte ao anúncio efectuado pelos rebeldes.

Tudo poderá estar em causa agora, principalmente se Trump continuar a fazer finca fé sobre a proposta, pese os avisos do Secretário de Estado Marco Rubio, de que o cenário poderia ser diferente de alguma forma.

Novo estudo avalia o impacto dos bloqueios do Canal de Suez

Um novo estudo revelou que o armador dinamarquês Maersk perdeu em 2021, cerca de 89 milhões de euros devido ao bloqueio do Canal do Suez pelo porta-contentores Ever Given, propriedade do armador oriundo de Taiwan, a Evergreen.

O estudo, conduzido por uma equipa de investigação europeia em colaboração com a Escola de Negócios, Economia e Direito da Universidade de Gotemburgo, destacou que cerca de quatro quintos do comércio internacional é transportado por via marítima e, num dia médio, cerca de 50 navios porta-contentores atravessam o Canal de Suez. 

Ao analisar os dados dos navios, a equipa de investigação desenvolveu um modelo para calcular as consequências económicas e ambientais das perturbações na logística marítima.

O bloqueio realçou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento globais e os enormes custos que podem resultar de uma perturbação. As conclusões sublinham a necessidade de planos de contingência robustos e rotas de transporte alternativas para minimizar riscos futuros,… afirmou o Prof. Kevin Cullinane (Escola de Negócios, Economia e Direito da Universidade de Gotemburgo). Rebeca Grynspan, Secretária-Geral da UNCTAD, explicou que uma característica fundamental do transporte marítimo é a sua dependência de pontos de estrangulamento, que são passagens marítimas estreitas e estratégicas como o Canal de Suez e o Canal do Panamá. Estas vias navegáveis ​​críticas oferecem atalhos em longas viagens marítimas intercontinentais, reduzindo tempo e custos. No entanto, ela observou que o papel essencial destes pontos de estrangulamento torna-os especialmente vulneráveis ​​a perturbações – sejam elas climáticas, económicas, geopolíticas ou operacionais – que podem resultar em consequências graves para o transporte marítimo global. 

Os resultados do estudo baseiam-se em dados da frota da Maersk, que representa um terço de todos os navios comerciais afetados pelo bloqueio. Um total de 69 navios da empresa sofreram impactado, seja por reencaminhamento através do Cabo da Boa Esperança ou por atrasos no Canal de Suez. A investigação mostra não só os riscos económicos significativos na logística internacional, mas também o impacto substancial que as perturbações têm nas operações quotidianas, … comentou o Prof. Hercules Haralambides (Universidade Marítima de Dalian, Universidade Erasmus de Roterdão, Centro de Economia da Sorbonne). 

Da perda total da Maersk de 89 milhões de dólares, o custo de manutenção de stocks de contentores foi a maior despesa, com 76 milhões de dólares. Os custos de envio e os custos ambientais representaram o restante.

“Reefs” em parceria com o Porto de Sines.

A UC – Universidade de Coimbra está a desenvolver vários projectos inovadores no âmbito das Agendas Mobilizadoras, iniciativas colaborativas entre instituições públicas e privadas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A Universidade está a desenvolver o REEFS, um dispositivo submerso, inovador em Portugal, que é instalado no fundo do mar, próximo da costa o que facilita a sua instalação, manutenção e a transmissão da energia eléctrica para a costa através de um curto cabo submarino. É fundamental esta localização próxima dos consumidores pois a actividade sócio-economica desenvolve-se junto ao litoral. Além de gerar energia renovável de forma sustentável, esta tecnologia poderá contribuir também para a proteção costeira funcionando como um recife artificial que induz a rebentação precoce das ondas e reduz os efeitos da erosão e intempéries.

Inspirado nos parques eólicos, o projecto abre caminho para o desenvolvimento de parques de conversão de energia das ondas (wave farms) em Portugal, aproveitando um dos recursos naturais mais abundantes do país: a agitação marítima. O REEFS está a ser desenvolvido em parceria com a Administração dos Portos de Sines e Algarve, utilizando o Porto de Sines como plataforma de testes. O objectivo é validar a eficiência do dispositivo na produção de eletricidade, com aplicações que incluem carregamento de baterias e fontes luminosas.

Prevê-se a instalação e teste no mar, durante o verão deste ano. Evento será esta quinta-feira, 13 de fevereiro,

Comissão solicita contributos sobre o futuro Pacto Europeu dos Oceanos

A Comissão Europeia lançou um convite à apresentação de contributos com o objetivo de recolher pontos de vista para a elaboração
do Pacto Europeu dos Oceanos.

Anunciado pela presidente Ursula von der Leyen nas suas orientações políticas, o Pacto Europeu dos Oceanos visa:


– Salvaguardar oceanos saudáveis, resilientes
e produtivos;


– Promover uma economia azul sustentável e competitiva, incluindo as pescas e a aquicultura;


– Trabalhar para a concretização de uma agenda abrangente do conhecimento,
da investigação e da inovação no meio marinho, bem como para o investimento.

As observações recolhidas contribuirão para a elaboração do
Pacto Europeu dos Oceanos que a Comissão tenciona apresentar a tempo da terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, a realizar em junho de 2025.

 

Que se passa no fundo do Oceano Pacífico ?

Um estudo realizado por investigadores turcos e canadianos da Turquia alterou a percepção sobre as placas tectónicas do Oceano Pacífico. Ao contrário
do que a comunidade científica pensava anteriormente, não são tão rígidas, mas e
stão deformando-se muito antes de chegarem às zonas de subducção, momento em que uma placa mergulha debaixo de outra placa.

Publicada no “Advancing Earth and Space Sciences”, a pesquisa analisou quatro grandes planaltos submarinos (Ontong Java, Shatsky, Hess e Manihiki) e encontrou falhas e sinais de que essas zonas estavam “esticando” enquanto viajavam pelo oceano.

No entanto, os cientistas acreditavam que as placas eram rígidas enquanto “viajavam” pelo oceano e que esse tipo de deformação só aconteceria quando
ela estivesse bem perto de colidir ou mergulhar sobre a outra.

Os autores do artigo acreditam que essas áreas dos planaltos danificados são mais frágeis porque têm uma crosta com mais espessura. Mesmo estando a milhares de quilómetros
de distância, elas sentem o “puxão” das zonas de subducção.

Estes movimentos bruscos aumentam o risco de terramotos e tsunamis nas regiões costeiras. No entanto, muito menos intensos do que aqueles nas zonas de subducção,
que ocorrem no Japão, por exemplo.

Além disso, a possibilidade de um tsunami é muito baixa, apesar de possível, pois esses fenómenos ocorrem no meio do oceano, muito longe das regiões habitadas.

Tratado do Alto-Mar: Espanha é o 1º país da UE a ratificar.

O primeiro país da Uniáo Europeia a tomar a decisão de ratificar o Tratado do Alto Mar foi a nossa vizinha Espanha. O tratado, também conhecido como United Nations agreement on biodiversity beyond national jurisdiction ou acordo BBNJ tem como objectivo a conservação
e utilização sustentável da biodiversidade marinha das águas internacionais, que não estão sob a jurisdição de nenhum país.

Até ao momento 107 países assinaram o tratado, incluindo a Portugal. O processo de ratificação tem sido mais demorado. França e Bélgica também
avançaram no processo, mas foi Espanha que primeiro depositou os instrumentos de ratificação nas Nações Unidas, conforme anunciou o Ministério da Transição Ecológica
de Madrid.

A maioria dos países que ratificaram o tratado são Estados insulares, ou com forte ligação ao mar, segundo
a compilação feita pela coligação High Seas Alliance, que luta há cerca de uma década para ver concretizado este acordo para a protecção e exploração sustentável
do oceano: Bangladesh, Barbados, Belize, Chile, Cuba, Maldivas, Maurícia, Estados Federados da Micronésia, Mónaco, Palau, Panamá, Santa Lúcia, Seychelles, Singapura, Timor-Leste.

O alto-mar corresponde ao território marítimo para lá das 200 milhas de Zona Económica
Exclusiva controlada pelos Estados. Estas águas representam a maior parte do oceano, cerca de 64%. Ainda que existem algumas regras e organismos que as controlam e enquanto não estiver em vigor o Tratado do  Alto-Mar não há regras para proteger a biodiversidade nestas águas.

Museu Marítimo de Ílhavo promove formação sobre o Oceano

O Museu Marítimo de Ílhavo inicia um ciclo de sessões de formação para a comunidade docente e outros interessados em torno da importância do Oceano.
A primeira sessão vai acontecer no dia 23 de março, sábado, das 14h00 às 17h30.

A primeira sessão tem como temática a Literacia do Oceano para todos e tem como objetivo capacitar os professores e a comunidade com mais ferramentas, pensamento crítico
e compreensão acerca da importância que o Oceano tem no dia a dia, e como os nossos comportamentos têm implicação na sua sustentabilidade. Propõem-se que as aprendizagens dos formandos
sejam transferidas e adaptadas aos contextos educativos formais, em sala de aula, ou não formais, de modo que as temáticas possam ser trabalhadas nas escolas, contribuindo assim para a missão do Museu
para a Educação do Oceano.

A ação é dinamizada por Patrícia Conceição, geóloga marinha na Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC).
Fez parte da Coordenação Nacional do Programa Escola Azul entre 2018 e 2023. Trabalha em literacia do oceano desde maio de 2018 e foi responsável pelas oficinas de formação para professores
do programa Escola Azul. 

As duas sessões seguintes serão no dia 27 de abril – Alterações Climáticas e 25 de maio – Energias Renováveis.

Esta formação de curta duração é certificada pelo Centro de Formação de Associação de Escolas dos Concelhos de Ílhavo,
Vagos e Oliveira do Bairro, e a inscrição pode ser feita através do site 
https://cfaecivob.pt/wp/ até dia 18 de março, com limite para 30 participantes.

Novo recorde do Guiness: Alemão viveu 120 dias debaixo de água

Todas as manhãs, nos últimos quatro meses, o alemão Rudiger Koch acordou diante de uma vista incomum: cercado por peixes e crustáceos que vagavam entre suas janelas subaquáticas, a 11 metros de profundidade. Após 120 dias, Koch se tornou a pessoa que conseguiu passar mais tempo vivendo embaixo d’água, superando o recorde anterior de 100 dias, estabelecido em 2023 pelo americano Joseph Dituri.

O objetivo deste engenheiro aeroespacial, de 59 anos, não era apenas bater o recorde de permanência embaixo d’água, mas provar que “viver no oceano é possível”, e pode ser uma alternativa real para a humanidade. Koch realizou sua façanha perto de Puerto Lindo, na costa caribenha do Panamá, dentro de um módulo submerso que ele mesmo projetou e que, segundo ele, já se tornou o lar de uma vida marinha diversificada.

Na mesa de cabeceira, durante a estadia, Koch tinha um exemplar da obra de Júlio Verne “20 mil léguas submarinas” para manter a inspiração.

A equipa em terra observava Koch a partir de quatro câmaras, para garantir a sua saúde, documentar o quotidiano e monitorizar a saúde mental. As câmaras foram também usadas pela organização do Guinness para garantir que Koch nunca foi à superfície durante este período, com a representante da organização a garantir que este recorde é, sem dúvida, um dos mais extravagantes e que requer muita observação.  

Navio Samoylovich com a 1ª descarga de gás russo em Sines.

Ano novo, vida velha, dirão alguns. No ano em que se irá assinalar 3 anos da invasão russa sobre a Ucrânia e várias centenas de sanções impostas, no que concerne ao gás, tudo normal, o negócio flui normalmente à vista de tudo e de todos.

O navio Rudolf Samoylovich, irá atracar em Sines esta semana, com a 1ª carga de gás russo do ano, a 2ª em dois meses, após um 2024 onde continuou a existir descarga de gás oriundo da Federação Russa.

O Navio com quase 300 metros de comprimento, é mais um de uma extensa frota de metaneiros que regularmente são carregados de GNL – gás natural liquefeito na península de Yamal, na Rússia, para entregas em vários pontos da Europa. 

Esta quinta-feira o Rudolf Samoylovich, navegando sob outra bandeira que não a do seu país, ( neste caso a bandeira das Bahamas), deverá atracar em Sines, para uma nova descarga de gás russo.

O gás russo representou 6% das importações portuguesas em 2024, e a venda do mesmo é sem dúvida, uma forma de financiamento da Federação Russa.

Foto: Vessel Finder.