ONE com nova construção própria de metanol/amónia

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A ONE – Ocean Network Express anunciou a nomeação da nova construção o, descrevendo o evento como “um marco significativo” na sua história corporativa. O ONE Sparkle
foi construído na Hyundai Heavy Industries em Ulsan, Coreia do Sul, com capacidade de combustível pronto para metanol e amônia e a opção de ser convertido para esses combustíveis alternativos
no futuro.

O porta-contentores também apresenta um design de casco optimizado para maior eficiência energética, dispositivos de economia de energia, tecnologia inteligente para
desempenho ideal, bem como capacidades de conexão de energia em terra, destacou ONE.

Classificado pelo American Bureau of Shipping (ABS), o ONE Sparkle voará com bandeira de Singapura e será administrado pela OneSea Solutions, uma empresa de gestão de navios
de propriedade conjunta da ONE e da Seaspan Corporation.

Jeremy Nixon, CEO da ONE, afirmou: “A nomeação do ONE Sparkle representa outro marco importante para o ONE. Este navio é a nossa primeira construção nova
e também demonstra o nosso compromisso com o transporte marítimo sustentável com o seu design inovador e capacidades de combustível alternativo. À medida que expandimos a nossa frota própria,
estas embarcações avançadas desempenharão um papel crucial no cumprimento das nossas metas ambientais, ao mesmo tempo que melhoram a fiabilidade do nosso serviço.”

A mais recente adição à frota da ONE faz parte de uma série de 20 grandes navios prontos para amônia/metanol que serão construídos na Coreia
e no Japão, com entregas previstas para 2025 e 2026.

MOL investe em empresa e-fuel dos EUA.

Os e-fuels são combustíveis sintéticos produzidos a partir da combinação de gás de hidrogénio (H2) e dióxido de carbono (CO2). Criados
através de um processo químico, são produzidos sem petróleo, mas acabam por gerar um combustível que pode ter características semelhantes à gasolina ou ao gasóleo.

O principal armador japonès Mitsui O.S.K. A Lines (MOL) investiu na Twelve Benefit Corporation, com sede na Califórnia, uma empresa que desenvolve combustíveis sintéticos
(e-fuel) e produtos químicos, contribuindo para a expansão global de combustíveis limpos. 
Espera-se que os combustíveis eletrónicos sejam uma fonte de energia limpa que contribuirá para a descarbonização não só da  indústria
naval, mas também da aviação, da mobilidade e de outras indústrias.

 A Twelve desenvolveu uma tecnologia proprietária de transformação de carbono que transforma CO2 em combustíveis, produtos químicos e materiais por meio da
eletrólise de CO2. A primeira planta de demonstração comercial dos produtos E-Jet SAF e E-Naphtha da empresa deverá entrar em operação ainda este ano em Moses Lake, Washington, EUA. A empresa também possui acordos de compra com a Alaska Airlines, Microsoft e International Airlines Group para combustível de aviação, e uma parceria com a Virgin
Voyages para combustível marítimo.

Para relembrar, a MOL decidiu, em Setembro de 2024, investir noutro especialista em combustíveis electrónicos sediado nos EUA, a HIF Global, com o objectivo de reduzir as emissões
de carbono através da promoção do estabelecimento de uma cadeia de abastecimento “robusta” de combustíveis eléctricos e CO2.

MAR 2030 tem 4,3 milhões de euros para rejuvenescer a pesca

Há 4,3 milhões de euros do programa operacional MAR 2030 para atrair jovens pescadores para o sector da pesca em Portugal e apoiar a compra de embarcações. As candidaturas
já arrancaram e estão abertas, em contínuo, até 2027.

As candidaturas ao MAR 2030 destinadas aos jovens pescadores que pretendam adquirir a sua embarcação de pesca estão abertas desde 31 de outubro de 2023, mas, “para
já, só foi aprovada uma candidatura”.  A escassa adesão a estes apoios é a razão pela qual o Governo decidiu avançar para uma acção pública de divulgação
da medida, revelou o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes.

O governante explica que se “podem candidatar os jovens até 40 anos, inclusive, que pretendam iniciar actividade no sector das pescas”. O apoio pode ser utilizado para a primeira
aquisição de uma embarcação de pesca ou para aquisição do direito de controlo dessa embarcação através da sua propriedade parcial em, pelo menos, 33%.

O limite do apoio é de “40% do valor da embarcação, que, por sua vez, não apresenta valor limite”, realça José Manuel Fernandes, remetendo
mais detalhes para o aviso publicado pela entidade gestora do MAR 2030. Este programa operacional conta com uma dotação de 539,9 milhões de euros, entre o valor do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos,
das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA) e a contrapartida pública nacional.

A dotação global deste aviso é de 4,3 milhões de euros (2.980.000 euros do FEAMPA – Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e Aquicultura e
1.277.142 euros de dotação nacional), que estará aberto, “em contínuo”, até 2027.

Sobre o Centro de Cibersegurança do Porto de Sines.

O Governo espera que as sete administrações portuárias existentes no país, possam ir receber formação o novo Centro de Cibersegurança inaugurado no Porto de Sines. É um projecto apresentado como pioneiro no sector. 

Um investimento na ordem dos 5 milhões de euros que, a partir de agora, é um local que combina formação, treino especializado e simulações para reforçar a capacidade das empresas e das instituições no combate ao cibercrime.

O Ministro Miguel Pinto de Luz, considera importante que o maior porto nacional liderar esta agenda e que é importante defender dos ataques cibernéticos que têm existido, da mudança geopolítica e dos portos como infraestruturas essenciais das cadeias de abastecimento. O facto de ser um investimento aberto para o serviço de todas as administrações portuárias é fundamental. Considera que é um ambicioso programa integrado que foi entregue ao país e uma boa aplicação do PRR.

Trump: Proposta de Gaza "arrefece" regresso ao Mar Vermelho.

A recente partilha do Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sobre assumir a gestão de Gaza e transformar a região numa nova “Riviera”, abalou e muito a indústria do Shipping e o possível regresso a curto/médio prazo ao Mar Vermelho e ao Canal do Suez, após mais um ano de dificuldades.

Se o cessar-fogo deu essa esperança, o plano anunciado não irá acalmar o ímpeto dos rebeldes houthis do Iémen, que por certo estarão a reavaliar a situação e possivelmente um retomar dos ataques, sendo esta ideia uma hipótese real , afirmado pelo “Financial Times.

Esta situação, e as as ameaças do Presidente eleito sobre a imposição de tarifas a vários parceiros comerciais reavivaram os receios de uma guerra comercial e de uma crise económica global que poderia afectar os lucros dos armadores.

O momento de calma, desde que os rebeldes houthis do Iémen anunciaram em meados do mês passado de que iriam levantar as sanções a todos os navios não registados em Israel ou detidos integralmente por empresas israelitas, causou um ligeiro aumento dos navios que passaram ao largo do Iémen. 

Segundo o Lloyd’s List Intelligence, o número de trânsitos através do Estreito de Bab-el-Mandeb, que leva ao Mar Vermelho, passando pelo Iémen, aumentou 4%, para 223, na semana seguinte ao anúncio efectuado pelos rebeldes.

Tudo poderá estar em causa agora, principalmente se Trump continuar a fazer finca fé sobre a proposta, pese os avisos do Secretário de Estado Marco Rubio, de que o cenário poderia ser diferente de alguma forma.

Novo estudo avalia o impacto dos bloqueios do Canal de Suez

Um novo estudo revelou que o armador dinamarquês Maersk perdeu em 2021, cerca de 89 milhões de euros devido ao bloqueio do Canal do Suez pelo porta-contentores Ever Given, propriedade do armador oriundo de Taiwan, a Evergreen.

O estudo, conduzido por uma equipa de investigação europeia em colaboração com a Escola de Negócios, Economia e Direito da Universidade de Gotemburgo, destacou que cerca de quatro quintos do comércio internacional é transportado por via marítima e, num dia médio, cerca de 50 navios porta-contentores atravessam o Canal de Suez. 

Ao analisar os dados dos navios, a equipa de investigação desenvolveu um modelo para calcular as consequências económicas e ambientais das perturbações na logística marítima.

O bloqueio realçou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento globais e os enormes custos que podem resultar de uma perturbação. As conclusões sublinham a necessidade de planos de contingência robustos e rotas de transporte alternativas para minimizar riscos futuros,… afirmou o Prof. Kevin Cullinane (Escola de Negócios, Economia e Direito da Universidade de Gotemburgo). Rebeca Grynspan, Secretária-Geral da UNCTAD, explicou que uma característica fundamental do transporte marítimo é a sua dependência de pontos de estrangulamento, que são passagens marítimas estreitas e estratégicas como o Canal de Suez e o Canal do Panamá. Estas vias navegáveis ​​críticas oferecem atalhos em longas viagens marítimas intercontinentais, reduzindo tempo e custos. No entanto, ela observou que o papel essencial destes pontos de estrangulamento torna-os especialmente vulneráveis ​​a perturbações – sejam elas climáticas, económicas, geopolíticas ou operacionais – que podem resultar em consequências graves para o transporte marítimo global. 

Os resultados do estudo baseiam-se em dados da frota da Maersk, que representa um terço de todos os navios comerciais afetados pelo bloqueio. Um total de 69 navios da empresa sofreram impactado, seja por reencaminhamento através do Cabo da Boa Esperança ou por atrasos no Canal de Suez. A investigação mostra não só os riscos económicos significativos na logística internacional, mas também o impacto substancial que as perturbações têm nas operações quotidianas, … comentou o Prof. Hercules Haralambides (Universidade Marítima de Dalian, Universidade Erasmus de Roterdão, Centro de Economia da Sorbonne). 

Da perda total da Maersk de 89 milhões de dólares, o custo de manutenção de stocks de contentores foi a maior despesa, com 76 milhões de dólares. Os custos de envio e os custos ambientais representaram o restante.

“Reefs” em parceria com o Porto de Sines.

A UC – Universidade de Coimbra está a desenvolver vários projectos inovadores no âmbito das Agendas Mobilizadoras, iniciativas colaborativas entre instituições públicas e privadas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

A Universidade está a desenvolver o REEFS, um dispositivo submerso, inovador em Portugal, que é instalado no fundo do mar, próximo da costa o que facilita a sua instalação, manutenção e a transmissão da energia eléctrica para a costa através de um curto cabo submarino. É fundamental esta localização próxima dos consumidores pois a actividade sócio-economica desenvolve-se junto ao litoral. Além de gerar energia renovável de forma sustentável, esta tecnologia poderá contribuir também para a proteção costeira funcionando como um recife artificial que induz a rebentação precoce das ondas e reduz os efeitos da erosão e intempéries.

Inspirado nos parques eólicos, o projecto abre caminho para o desenvolvimento de parques de conversão de energia das ondas (wave farms) em Portugal, aproveitando um dos recursos naturais mais abundantes do país: a agitação marítima. O REEFS está a ser desenvolvido em parceria com a Administração dos Portos de Sines e Algarve, utilizando o Porto de Sines como plataforma de testes. O objectivo é validar a eficiência do dispositivo na produção de eletricidade, com aplicações que incluem carregamento de baterias e fontes luminosas.

Prevê-se a instalação e teste no mar, durante o verão deste ano. Evento será esta quinta-feira, 13 de fevereiro,

Comissão solicita contributos sobre o futuro Pacto Europeu dos Oceanos

A Comissão Europeia lançou um convite à apresentação de contributos com o objetivo de recolher pontos de vista para a elaboração
do Pacto Europeu dos Oceanos.

Anunciado pela presidente Ursula von der Leyen nas suas orientações políticas, o Pacto Europeu dos Oceanos visa:


– Salvaguardar oceanos saudáveis, resilientes
e produtivos;


– Promover uma economia azul sustentável e competitiva, incluindo as pescas e a aquicultura;


– Trabalhar para a concretização de uma agenda abrangente do conhecimento,
da investigação e da inovação no meio marinho, bem como para o investimento.

As observações recolhidas contribuirão para a elaboração do
Pacto Europeu dos Oceanos que a Comissão tenciona apresentar a tempo da terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, a realizar em junho de 2025.

 

Que se passa no fundo do Oceano Pacífico ?

Um estudo realizado por investigadores turcos e canadianos da Turquia alterou a percepção sobre as placas tectónicas do Oceano Pacífico. Ao contrário
do que a comunidade científica pensava anteriormente, não são tão rígidas, mas e
stão deformando-se muito antes de chegarem às zonas de subducção, momento em que uma placa mergulha debaixo de outra placa.

Publicada no “Advancing Earth and Space Sciences”, a pesquisa analisou quatro grandes planaltos submarinos (Ontong Java, Shatsky, Hess e Manihiki) e encontrou falhas e sinais de que essas zonas estavam “esticando” enquanto viajavam pelo oceano.

No entanto, os cientistas acreditavam que as placas eram rígidas enquanto “viajavam” pelo oceano e que esse tipo de deformação só aconteceria quando
ela estivesse bem perto de colidir ou mergulhar sobre a outra.

Os autores do artigo acreditam que essas áreas dos planaltos danificados são mais frágeis porque têm uma crosta com mais espessura. Mesmo estando a milhares de quilómetros
de distância, elas sentem o “puxão” das zonas de subducção.

Estes movimentos bruscos aumentam o risco de terramotos e tsunamis nas regiões costeiras. No entanto, muito menos intensos do que aqueles nas zonas de subducção,
que ocorrem no Japão, por exemplo.

Além disso, a possibilidade de um tsunami é muito baixa, apesar de possível, pois esses fenómenos ocorrem no meio do oceano, muito longe das regiões habitadas.

Tratado do Alto-Mar: Espanha é o 1º país da UE a ratificar.

O primeiro país da Uniáo Europeia a tomar a decisão de ratificar o Tratado do Alto Mar foi a nossa vizinha Espanha. O tratado, também conhecido como United Nations agreement on biodiversity beyond national jurisdiction ou acordo BBNJ tem como objectivo a conservação
e utilização sustentável da biodiversidade marinha das águas internacionais, que não estão sob a jurisdição de nenhum país.

Até ao momento 107 países assinaram o tratado, incluindo a Portugal. O processo de ratificação tem sido mais demorado. França e Bélgica também
avançaram no processo, mas foi Espanha que primeiro depositou os instrumentos de ratificação nas Nações Unidas, conforme anunciou o Ministério da Transição Ecológica
de Madrid.

A maioria dos países que ratificaram o tratado são Estados insulares, ou com forte ligação ao mar, segundo
a compilação feita pela coligação High Seas Alliance, que luta há cerca de uma década para ver concretizado este acordo para a protecção e exploração sustentável
do oceano: Bangladesh, Barbados, Belize, Chile, Cuba, Maldivas, Maurícia, Estados Federados da Micronésia, Mónaco, Palau, Panamá, Santa Lúcia, Seychelles, Singapura, Timor-Leste.

O alto-mar corresponde ao território marítimo para lá das 200 milhas de Zona Económica
Exclusiva controlada pelos Estados. Estas águas representam a maior parte do oceano, cerca de 64%. Ainda que existem algumas regras e organismos que as controlam e enquanto não estiver em vigor o Tratado do  Alto-Mar não há regras para proteger a biodiversidade nestas águas.