Como mudou o paradigma dos armadores desde 2000?

Dos 50 armadores do mundo no ano 2000, apenas 24 ainda existem, de acordo com uma nova pesquisa da consultora dinamarquesa Sea-Intelligence.

A capacidade operada pelos armadores sobreviventes cresceu dramaticamente. No geral, elas aumentaram a sua capacidade colectiva de 2,5 milhões de TEU em 2000 para 26,7 milhões de TEU em 2025, um crescimento de capacidade de 983% em 25 anos, o que equivale a um crescimento de 10% em média, a cada ano por 25 anos.

A Sea-Intelligence também observou no seu último relatório semanal que, além das 24 sobreviventes, 26 armadores entraram no top 50, algumas como novas transportadoras e algumas que estavam fora do top 50 no ano 2000.

Essas 26 recém-chegadas no total operam 6% da frota global – contra os 84% ​​operados pelas sobreviventes, demonstraram os dados da Sea-Intelligence.

Este é um mercado que passou por uma consolidação extrema: “Claramente, este é um mercado que passou por uma consolidação extrema. Mas também foi uma caminhada de 25 anos, onde as empresas tradicionais foram claramente melhores em adaptar-se e crescer no mercado do que as recém-chegadas”, observou a Sea-Intelligence.

A frota global de navios provavelmente irá ultrapassar a marca dos 32M TEU, de acordo com dados da consultora Alphaliner. A frota contentorizada cresceu muito rápido neste século. O marco de 30M TEU foi atingido em junho do ano passado com um tsunami de encomendas naÁsia, que entregou um volume recorde de novas construções.

A indústria levou cerca de 50 anos para atingir a marca de 5M TEU em 2001. Em contraste, o salto de 20m teu para 30m teu foi alcançado em somente sete anos. Na foto, um porta-contentores da Hanjin Shipping, que em 2000 era um dos maiores armadores do mundo, tendo falido em 2017.

O que sucede com os navios porta-contentores desativados?

Comecemos do inicio: Quando é que os porta-contentores entram no activo? Os navios são comissionados para entrar ao serviço, após terem sido rigorosamente testados e inspecionados. Nesta fase, tanto se aplica a porta-contentores como outro tipo de navios. Este fase passa por testes que são conhecidos como testes de mar que são utilizados ​​para identificar deficiências ou irregularidades que necessitam ser corrigidas de antemão.

Após vários anos de serviço, por norma os navios são desativados após um longo período, porque o mar é impiedoso no desgaste, o que causa um alto impacto na estrutura. Isso geralmente é determinado quando eles chegam ao porto e são devidamente inspecionados. Como se fosse um “pit stop” durante uma corrida de Fórmula 1, eles verão quanto tempo leva para trazer o navio de volta à ordem de funcionamento e, eventualmente, se essas reparações tornarem-se muito caros, os navios de carga são considerados para posterior desativação.

Existem várias maneira para a desactivação:

Desmantelamento de navios – O resultado final do que acontece com navios de carga é chamado de desmantelamento de navios. Quando existem inúmeros navios sendo apelidados de “impróprios para águas” todos os anos, o que se está essencialmente fazendo é criar 20 bilhões de toneladas de chapas metálicas. Os navios são desmantelados de cima a baixo e raspados para peças que podem ser usadas em outros navios ou até empreendimentos residenciais, os metais por norma são vendidos com lucro. É a opção mais utilizada.

Como recifes: Tem-se tornado muito comum requisitar navios de carga mais antigos e afundá-los para que eles tornarem recifes artificiais onde a vida marinha possa habitar.

Cemitérios de navios – Quando as empresas não querem lidar com a conversão de navios em recifes, são enviados para cemitérios de navios para se desintegrarem ao longo do tempo. Existem várias frotas “fantasma” em diversos pontos do mundo.

Portos sobem 6% com 88M de toneladas de mercadorias em 2024.

Os portos do continente movimentaram 88 milhões de toneladas em 2024, um aumento de 6% face ano anterior, impulsionado pelo desempenho de Sines, anunciou o Governo.

“De acordo com os dados provisórios das administrações portuárias, o sistema portuário português do continente registou um crescimento global de 6% no volume total de mercadorias movimentadas em 2024, atingindo os 88 milhões de toneladas, face aos 82,8 milhões de toneladas em 2023”, indicou, em comunicado, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação.

No período em análise, a carga geral fracionada ascendeu 3%, ultrapassando os 5,7 milhões de toneladas, a carga geral contentorizada aumentou 11% para mais de 37 milhões de toneladas e a carga ‘roll-on roll-of’ aumentou 2%. Por sua vez, os granéis líquidos somaram 7% para quase 30 milhões de toneladas, enquanto os sólidos tiveram um decréscimo, que o Governo não precisou.

Para a evolução registada em 2024 contribuiu, sobretudo, o desempenho do Porto de Sines, que progrediu 11%, com um reforço do tráfego na rota do Cabo. Em 2024, Sines foi responsável por 54% (47,8 milhões de toneladas) da carga movimentada.

Neste período, o movimento de contentores avançou 11% para 3,3 milhões de TEU.

Reviravolta: China leva a suspensão de venda dos portos do Canal do Panamá aos EUA.

A pressão que têm sido feita de uma forma intensa e asfixiante por parte da China para tentar impedir a venda de portos do Canal do Panamá ao consórcio da BlackRock levou que o bilionário Li Ka-shing, o magnata mais famoso de Hong Kong, adiasse a assinatura, prevista para a próxima semana, do controverso acordo.

De acordo com o “South China Morning Post”, mesmo que a CK Hutchison Holdings, não assine o acordo programado para 2 de abril, isso não significa que a venda esteja cancelada.

Os portos que estão debaixo de mira da influência chinesa são os de Balboa e Cristobal, localizados em ambos os lados do Canal do Panamá, com 82 quilómetros de extensão, são uma parte fundamental do acordo, que inclui um total de 43 instalações da CK Hutchison.

O acordo tem um valor de 19 mil milhões de dólares se chegar a ser concluído.

“Há mais em jogo aqui do que apenas portos. O desafio que Hutchison enfrenta é um microcosmo da tensão entre finanças e segurança nacional que está prestes a se desenrolar ao redor do mundo”, mencionou Josh Lipsky, geoestrategista do think tank americano ‘Atlantic Council’.

Porto de Sines estreita relacionamento com Singapura.

O Porto de Sines esteve presente na 19ª Edição da Singapore Maritime Week, entre 24 e 28 de março, uma presença enquadrada na estratégia de promoção da Agenda NEXUS, naquele que é considerado o mais relevante evento internacional na área do shipping, onde se discutem as principais tendências e desafios no que diz respeito à digitalização e descarbonização do sector.

Em parceria com a ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, o principal objectivo desta participação foi o de reforçar os contactos já encetados em edições anteriores, primordialmente no que diz respeito à promoção internacional da Agenda NEXUS.

Para além da APS, estiveram ainda presentes em Singapura alguns dos parceiros do projecto, nomeadamente a Universidade de Aveiro, Universidade de Évora e a Seapower.

Trump diz que pode dar redução de tarifas à China para fechar acordo com TikTok.

O Presidente eleito dos EUA Donald Trump afirmou que estaria disposto a reduzir tarifas sobre a China para fechar um acordo com a empresa chinesa detentora do TikTok, a ByteDance, para vender o aplicativo de vídeos curtos usado por 170 milhões de americanos.

A ByteDance tem um prazo até 5 de abril para encontrar um comprador não chinês para o TikTok ou enfrentar uma proibição dos EUA por motivos de segurança nacional que deveria ter entrado em vigor em janeiro sob uma lei de 2024.

A lei é resultado da preocupação em Washington de que a propriedade do TikTok pela ByteDance torna a aplicação dependente do governo chinês e que Pequim poderia usar o aplicativo para conduzir operações de influência contra os Estados Unidos e recolher dados sobre cidadãos norte- americanos.

Trump disse que estava disposto a prolongar o prazo de abril se um acordo sobre o aplicativo de rede social não fosse alcançado. Ele reconheceu o papel que a China desempenhará para fechar qualquer acordo, incluindo dar a sua aprovação, dizendo “talvez dê a eles uma pequena redução nas tarifas ou algo para fazer isso”, afirmou Trump aos jornalistas.

O TikTok não comentou imediatamente. O Ministério do Comércio da China afirmou que a sua posição sobre a questão das tarifas é consistente e que Pequim está disposta a envolver-se com Washington com base no respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo, durante uma entrevista.

Mais um episodio nesta “guerra das tarifas”.

Submarino turístico afunda no Egipto causando 6 mortos.

Pelo menos seis pessoas morreu após um submarino turístico afundar no Mar Vermelho, na costa do Egipto, nesta quinta-feira . A embarcação transportava 40 pessoas que iam ver corais a 25 metros de profundidade.

A maioria dos passageiros foi resgatada e encaminhada para os seus hotéis e hospitais em Hurghada.

Segundo a comunicação social internacional, 29 pessoas foram salvas e nove ficaram feridas dos quais quatro encontram-se em estado crítico. O governador local Amr Hanafy também confirmou a morte dos seis turistas, acrescentando que os restantes que estavam a bordo do submarino Sindbad foram resgatados.

O submarino Sindbad, que pertence à Sindbad Submarines, afundou próximo à cidade de Hurghada.

No site da Sindbad Submarines, consta que a embarcação possui 44 assentos para passageiros, dois para os pilotos e uma grande janela redonda para cada passageiro. A razão do naufrágio ainda não foi esclarecida, mas objornal egípcio Al-Akhbar Al-Youm adiantou entretanto que o submarino envolveu-se num acidente que levou ao naufrágio, sendo que as autoridades locais ainda não anunciaram o que esteve na origem desse acidente, garantindo que está já a decorrer uma investigação.

Espanha: Os acidentes na estiva diminuem nos três grandes portos espanhóis.

Os portos de Algeciras, Barcelona e Valência conseguiram reduzir o número de acidentes de trabalho que afectam os seus trabalhadores portuários.

De acordo com os dados da associação de estivadores ANESCO, os valores cairam 36% desde 2021, ano em que esse indicador começou a ser medido. A associação atribuiu esse desenvolvimento às iniciativas realizadas pelos departamentos de prevenção de riscos dos três maiores portos em colaboração com a própria entidade de estiva.

Entre 2021 e 2025, “os acidentes que exigiram licença médica diminuíram 26,27%”, acrescenta a associação, enquanto aqueles que não exigiram licença médica diminuíram 47,77% no mesmo período. “Da mesma forma, as taxas de frequência, gravidade e duração dos acidentes foram substancialmente reduzidas”, observa a ANESCO. E a taxa de absentismo por acidentes de trabalho também diminuiu, registando uma diminuição de 50%, e a taxa de “dias anuais perdidos” pelo mesmo motivo, que caiu 67%.

A associação de estivadores qualificou os resultados como “bons” e elogiou o “empenho e esforço” dos organismos dedicados a esta área.

Ucrânia e Rússia garantem navegação segura no Mar Negro

A Casa Branca está a avançar que, em acordos separados, a Ucrânia e a Rússia comprometem-se em garantir a navegação segura no Mar Negro e a proibição de ataques contra instalações de energia nos dois países.

Washington compromete-se também a ajudar a restaurar o acesso da Rússia ao mercado mundial de exportações agrícolas e de fertilizantes e continuará a facilitar as conversações de ambos os lados numa tentativa de alcançar uma paz sustentável.

Entretanto, a Rússia exigiu já “garantias claras de segurança” à Ucrânia para retomar a implementação da Iniciativa do Mar Negro, que vigorou no primeiro ano do conflito, em 2022.

A Iniciativa do Mar Negro, uma trégua marítima assinada em junho de 2022 e em vigor durante um ano, com envolvimento das Nações Unidas e da Turquia, permitiu a exportação de milhões de toneladas de cereais e outros produtos alimentares dos portos ucranianos, bloqueados com o início da invasão russa.

Evergreen com preço recorde mundial com os últimos pedidos de megamax.

Um novo recorde mundial foi atingido para os preços de construção de novos porta-contentores. Para termos uma noção dos custos envolvidos, o preço actual de um porta-contentores de classe megamax é actualmente de 247,47 M€, o que significa que é mais 95,40 M€ a mais do que navios da mesma classe e capacidade que tenham sido encomendados em 2020.

A encomenda da Evergreen para onze navios de GNL dual-fuel de 24.000 TEUS, os pedidos divididos entre a Coreia do Sul e a China, com a Hanwha Ocean levando seis navios e a CSSC Guangzhou Shipyard International (GSI) o restante, o que revela também uma estratégia ambiciosa por parte do armador de Taiwan.

A Hanwha Ocean, construtor naval de classe mundial com experiência em navios comerciais e plantas offshore com a missão de descarbonizar a indústria naval, informou à Bolsa de Valores da Coreia que os seis navios estavam custando 247,55 milhões de euros cada, algo que os analistas da Alphaliner acreditam ser o preço mais alto já acordado para a construção de um navio porta-contentores. Numa base por teu, chega a 10,310€ por slot.

Os preços de novas construções dispararam desde do inicio da década, uma das décadas mais lucrativas para o shipping. Como exemplo, o último acordo da Evergreen chega a mais de 62,61 M€ a mais por navio em comparação com o preço de 151,88 M€ que a Hapag-Lloyd concordou em pagar por uma série de seis e mais tarde 12 megamax movidos a GNL construídos pela Hanwha contratados no final de 2020.