Ministra do Mar quer “multas à séria” para quem deixa lixo na praia

A vontade de penalizar quem polui as praias portuguesas foi assumida pela ministra do Mar em conversa com jornalistas, à margem da Conferência “Our Ocean 2017”, em Malta. Ana Paula Vitorino defende a aplicação de “multas à séria e na hora” a quem deita beatas ou outros resíduos no areal.
Só assim se podem evitar comportamentos como aquele a que assistiu este verão, conta, quando “uma senhora ameaçou fazer queixa do nadador-salvador quando este lhe chamou a atenção para pôr no caixote o lixo deixado pelo grupo junto às espreguiçadeiras”. Estas situações só serão alteradas “se os concessionários de praia puderem actuar, em vez de ser só a Polícia Marítima”. Porém, para isso, “é necessário fazer alterações legislativas”.
Penalizar o lixo deixado no areal é uma forma de reduzir a proliferação de plástico nos mares. Mas , também “irá surgir”, nova legislação para reduzir a produção excessiva de plástico, adianta a ministra, sem especificar. A hipótese de Portugal seguir os passos da França e proibir a comercialização de pratos e talheres descartáveis, não é para já equacionada. Para a ministra do Mar seria “preciso saber qual será a implicação social e económica de uma medida dessas na vida das pessoas”. Para já, argumenta “é melhor apostar na investigação de alternativas, como os bioplásticos, dirigidas à indústria”.

“PRESERVAR O OCEANO TEM DE ESTAR NA MODA”

A governante portuguesa representou Portugal na quarta conferência internacional dedicada aos Oceanos, organizada pela União Europeia, em Malta. “Preservar o oceano tem de estar na moda e para isso é preciso dar visibilidade aos efeitos negativos e positivos do que se faz nos mares”, afirma Ana Paula Vitorino.
A ministra vai apresentou três compromissos nacionais em defesa dos oceanos. “Duplicar as áreas marinhas protegidas de 7% para 14% até 2020” é um desses compromissos, garante Ana Paula Vitorino, argumentando que “é fácil” cumprir os objetivos ambicionados pela União Europeia, que pretende alargar globalmente as áreas marinhas protegidas de 4% para 10% em três anos.
Contudo, não basta desenhar áreas marinhas protegidas. Tambérm é preciso criar mecanismos que reforcem a sua proteção e fiscalização, nomeadamente impedindo a pesca comercial nos parques marinhos com estatuto de proteção. Para tal, a ministra afirma que está a ser montado o Sistema Nacional de Monitorização em Espaço Marinho. Este sistema, que custará três milhões de euros até 2020, fornecerá informação a entidades fiscalizadoras, como a Polícia Marítima ou a Unidade de Controlo Costeiro da GNR, sobre intrusão de embarcações não autorizadas ou situações de poluição.
Outro dos compromissos que Portugal pretende assumir, passa pelo “mapeamento do mar profundo”. A estrutura de missão para a extensão da Plataforma continental está a fazer esse levantamento, mas a ministra quer ver esse conhecimento ainda mais aprofundado, para além da decisão final sobre esta extensão. Para isso o Governo vai investir “15 milhões de euros no Observatório do Atlântico”, localizado nos Açores. O projeto consta do Programa de Governo mas ainda não saiu do papel. “Deverá ser criado no próximo ano em parceria com o Ministério da Ciência”, diz Ana Paula Vitorino.
O levantamento dos recursos biológicos e minerais existentes no mar profundo depende de “estudos científicos aprofundados”. Para já, argumenta que “estão identificados os impactos positivos dessa exploração, como pode ser o surgimento de novos medicamentos e tratamentos para a cosmética”. Segundo a ministra, “é preferível o impacto positivo de obter conhecimento quer o negativo de não fazer nada”.
“Temos de ter conhecimento, vontade e capacidade de acção”, argumenta. E admite: “Vontade temos muita, capacidade de acção também, mas porventura ainda não todo o conhecimento”.
Fonte: Expresso

Consórcio liderado pela Sonae tem 8 M€ para o Mar

Foi apresentado o projecto ValorMar, uma iniciativa liderada pela Sonae, pelo CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto e pelo Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar que tem como objectivo a valorização de recursos marinhos através da investigação e desenvolvimento de novos produtos.
Formado por 31 entidades, este consórcio inclui algumas organizações do sistema científico nacional, assim como empresas de diversos sectores de actividade, como a Docapesca e a Soja de Portugal, e vai contar com um investimento superior a 8 milhões de euros, cerca de 66% dos quais financiados pelo Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico no âmbito do programa Portugal 2020.
O projecto terá a duração de três anos e tem como principal objectivo gerar novas aplicações marinhas para a indústria alimentar, biomédica, farmacêutica e cosmétic, perspetivando-se o lançamento de novos produtos com base em recursos como algas e similares, novos serviços e tecnologias de desenvolvimento e optimização para aquacultura ou de rastreabilidade integrada da cadeia do pescado.
De acordo com Eunice Silva, Administradora da Sonae MC, “é com grande satisfação que lideramos o projecto ValorMar, que, pela ambição e diversidade das entidades reunidas em consórcio, representa bem aquilo que perspectivamos serem as cadeias de valor alimentar no futuro. Refiro-me à conjugação dos esforços de entidades de diferentes sectores em investigação & desenvolvimento, com grande foco na qualidade dos produtos frescos, na alimentação saudável e na sustentabilidade da cadeia de valor alimentar. Entendemos também que este projecto tem especial relevância por incidir num recurso que nos diz muito, o Mar, no qual existem grandes oportunidades de crescimento, até pela dimensão da nossa Plataforma Continental.”

E se o mar Menor vier a transformar-se num mar morto?

As ligações entre o mar Mediterrâneo e o mar Menor, uma laguna na costa de Múrcia, diminuíram quase 80%. Investigadores pedem intervenção rápida e estruturante.

A paisagem insólita ainda não mudou, e as águas calmas do
mar Menor, na costa de Múrcia, em Espanha, continuam calmas. Mas, à vista
desarmada, muitos poderão já ter reparado que as águas cristalinas estão a dar
lugar a uma água de tons esverdeados, e ter percebido que isso pode não ser um
bom sintoma. Esse será, porventura, um dos sinais mais visíveis do quanto as
coisas têm mudado, sobretudo nos últimos dois anos: uma das principais ligações
naturais entre o mar Mediterrâneo e o mar Menor está a desaparecer.
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Isso pode não ser rapidamente aferido à vista desarmada, mas
com recurso a imagens de satélite e a medições feitas por drones aquáticos,
sim. Esta informação permitiu perceber que as ligações entre o mar Menor e o
mar Maior, nome dado ao mar Mediterrâneo naquela região, diminuíram cerca de
80%. Esta diminuição compromete a continuidade deste ecossistema que fez da
Manga del mar Menor uma movimentada estância turística.
O mar Menor tem uma forma triangular, 135 quilómetros
quadrados de área e uma profundidade máxima de seis metros. La Manga del mar
Menor tornou-se uma reputada estância turística por causa da sua língua de
areia, uma barreira natural que oscila entre os 100 e os 900 metros de largura
durante 20 quilómetros de comprimento, que permitem quase 42 quilómetros de
praias. Esta barreira tem quatro cortes. Isto é, quatro ligações entre ambos os
mares e que são vitais para a sobrevivência do mar interior, regulando a
salinidade e a temperatura da laguna.
Manuel Erena, investigador do Instituto Murciano de Pesquisa
e Desenvolvimento Agrícola e de Alimentação (Imida) ajuda a perceber até que
ponto a principal porta de ligação entre os dois mares está a ficar cada vez
mais estreita: “Desde 2009, Las Encañizadas [nome da ligação] passou de um
tamanho de entrada de 540 metros a 120 metros”, contabiliza, citado pelo
El País. A profundidade média do canal diminuiu de 70 para os actuais 25
centímetros.
Estes dados foram recolhidos durante uma investigação mais
aprofundada feita durante dois anos, desde Maio de 2015 até Maio último. Erena
e um grupo de investigadores de várias universidades espanholas e alemãs
recorreram a imagens aéreas e a drones subaquáticos, recolheram indicadores
como a temperatura da água, a salinidade, a concentração de oxigénio dissolvido,
os sólidos em suspensão e a concentração de clorofila, e fizeram ainda estudos
de batimetria (a medição da profundidade e do relevo do fundo da laguna). E
deixaram, para os mais curiosos, a possibilidade de fazer uma visita virtual a
todo este ecossistema.
A diminuição do canal provocou mudanças na laguna: com a
pressão turística a cada Verão e o aumento do uso de fertilizantes na
agricultura intensiva, há um acumular de matéria orgânica e inorgânica que
impede que a luz chegue à camada vegetal, a base de toda a cadeia trófica.
“Tudo o que está abaixo de 1,5 metros morre”, lembra o pesquisador da
Imida.
Para evitar que o mar Menor se transforme num mar morto, o
professor de ecologia na Universidade de Múrcia e presidente do comité
consultivo científico do mar Menor, Ángel Pérez-Ruzafa, diz que são necessárias
medidas urgentes e estruturais que possam garantir a ligação entre as duas
massas de água.
“O que o estudo das lagunas costeiras e do próprio mar
Menor nos ensinou é que o seu estado ecológico, a sua complexidade e a sua
capacidade de se defender contra a agressão humana depende completamente da
conectividade restrita com o mar adjacente”, explica o especialista ao El
País, acrescentando que as singularidades hidrodinâmicas e ecológicas do mar
Menor lhe atribuem “uma grande capacidade de auto-regulação e recuperação”.

Fonte: Público

Carbono nos oceanos poderá atingir limiar catastrófico em 2100

310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa. Ao ritmo que a actividade humana produz carbono, este limite será atingido por volta do virar do século.

A quantidade de carbono nos oceanos poderá atingir em 2100 o limite acima do qual aconteceram extinções em massa no passado, avisam investigadores norte-americanos que usaram um modelo matemático para prever o que chamam “limiar da catástrofe”.
Segundo o professor de Geofísica Daniel Rothman, 310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa que podem decorrer ao longo de centenas de anos.
“Isto não quer dizer que o desastre acontecerá no dia seguinte”ao limite ser atingido, salientou, indicando que “o ciclo do carbono passaria a estar instável e comportar-se-ia de uma maneira imprevisível”, o que “no passado geológico, está associado com extinções em massa”.
Rothman estima que, ao ritmo a que a actividade humana produz carbono, as 310 gigatoneladas serão atingidas por volta do virar do século.
Ao longo de 540 milhões de anos aconteceram na Terra cinco extinções em massa, cada uma marcada pela perturbação do ciclo do carbono que passa pela atmosfera e pelos oceanos.
Estas perturbações foram ocorrendo ao longo de milhares ou milhões de anos e coincidem com as marcas da extinção de espécies marinhas em todo o planeta.
Num estudo publicado na revista Science Advances, o investigador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts afirma ter identificado um “limiar de catástrofe” nas extinções que já aconteceram, estabelecendo que o que importa não é a quantidade de tempo que demoram as perturbações no ciclo do carbono, mas a quantidade de carbono em causa.
No ciclo normal do carbono, que depende de um vaivém constante entre consumo e produção, há sempre uma quantidade adicional de carbono que é depositada nos fundos oceânicos.
Quando há um excesso de produção de dióxido de carbono, como a que caracteriza a actividade humana desde a industrialização, esse excesso leva ao aquecimento global e à acidificação dos oceanos, o que desencadeia as extinções globais.
Segundo as piores previsões, o nível de carbono nos oceanos poderá ser muito superior ao limite definido por Rothman e chegar às 500 gigatoneladas.
“Deve ser possível recuar nas emissões de dióxido de carbono”, afirmou Rothman, salientando que a sua investigação “aponta razões pelas quais é preciso ter cuidado”.
Fonte: TVI24 

Ambientalistas querem explicação das “sondagens” no mar entre Sines e Aljezur


Os movimentos Climáximo e Alentejo Litoral pelo Ambiente (ALA) “exigem” do Governo um “esclarecimento” acerca de alegadas “sondagens” feitas este mês no mar entre Sines e Aljezur e sobre o estado dos contratos de prospecção de hidrocarbonetos.

“Fomos consultar o registo de tráfego marítimo internacional que está disponível online e é público, e encontrámos a embarcação que estava registada como estando a fazer sondagem ‘offshore’ saindo de Sines na direcção de Aljezur”, disse nesta quarta-feira, em declarações à agência Lusa, João Camargo, da Climáximo.

O ambientalista refere-se ao navio italiano “Vos Purpose” que, segundo divulgaram a Climáximo e o ALA num comunicado conjunto enviado à agência Lusa, terá feito “operações de sondagens no mar, partindo do Porto de Sines em direcção à região do mar de Aljezur”.

“É um sinal de alarme para os movimentos contra a exploração de petróleo e gás a poucos dias das eleições autárquicas”, consideram os ambientalistas no mesmo documento, em que lembram ainda estarem em vigor providências cautelares da Associação de Municípios do Algarve, da Câmara Municipal de Odemira e da Plataforma Algarve Livre de Petróleo.

A Climáximo e o ALA afirmam que, “nos dias 2 e 9 de Setembro, segundo os registos de tráfego marítimo internacional, o navio italiano ‘Vos Purpose’ esteve a realizar sondagens a partir do Porto de Sines, tendo-se dirigido à zona onde seria realizado o furo de Aljezur”.

Fonte: Sábado 

Tsunami do Japão levou espécies marinhas nunca antes vistas nos EUA

Quase 300 espécies marinhas foram transportadas do Japão para a costa oeste dos EUA depois do tsunami de 2011, que, juntamente com o terramoto e o acidente nuclear de Fukushima, devastou o país.

Em 2011, o Japão foi devastado por uma tripla catástrofe. A 11 de Março, o terramoto mais forte alguma vez registado da história do Japão deu origem a um tsunami que varreu várias cidades e levou à catástrofe nuclear de Fukushima. Passados seis anos, um estudo publicado na revista Science revela que esse tsunami levou um milhão de criaturas marinhas de quase 300 diferentes espécies até à costa oeste dos Estados Unidos da América.
Os autores do estudo dizem que esta é a migração marinha mais longa de que há registo: os seres vivos percorreram quase 7800 quilómetros até o outro lado do oceano Pacífico. Como? A bordo de uma “frota” de detritos gerados pelo tsunami. As espécies alojaram-se e reproduziram-se maioritariamente em detritos não biodegradáveis e com propriedades flutuantes, como é o caso dos plásticos e das fibras de vidro, e foram arrastadas para as costas de estados como Washington, Califórnia, Alaska e Havai.
Segundo o estudo, dois terços das espécies nunca tinham sido vistas em costa americana. Desde junho de 2012 que espécies estão a aparecer na costa oeste dos EUA. Aquando da conclusão do estudo, no início deste ano, a equipa de investigadores ainda estava a descobrir seres como crustáceos e lesmas do mar alojados em destroços levados pelo tsunami.
A situação, contudo, pode vir a causar problemas para a fauna natural da costa oeste americana. Peritos dizem que ainda é cedo para perceber se estas espécies se estão a colonizar ao longo da costa, ameaçando as nativas.
A quantidade de destroços de tsunami é também um lembrete do perigo dos plásticos para o ecossistema marinho, não só a nível climático e de poluição, mas também de propagação de espécies marinhas para sítios indevidos.
Fonte: Observador





Tailândia lança campanha para promover limpeza dos oceanos

«Upcycling the Ocean» é o projecto ambiental lançado este mês em Ko Samet com o objectivo de preservar o mar e em especial as praias do Golfo da Tailândia, assim como transformar os plásticos encontrados no oceano em «tecido».
Para o Governador da Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT), Yuthasak Supasorn, «este projecto vem reafirmar o compromisso na promoção de um turismo ambientalmente responsável e deverá servir como incentivo para impulsionar iniciativas de cariz ecológico. Com a ajuda de [mais de 100] mergulhadores e voluntários da TAT e da PTTGC (PTT Global Chemical), esta acção irá remover o lixo dos oceanos e das praias de Ko Samet, assegurando que permanecerá limpa e com as infraestruturas necessárias para recolha de lixo».
No continente asiático, a Tailândia surge como pioneira nesta acção da Ecoalf Foundation, que envolve também os pescadores locais e entidades competentes no desenvolvimento da tecnologia para tornar a recolha mais eficiente.
A acção, que irá transformar o lixo recolhido em produtos ecológicos, tem o apoio de fabricantes de têxteis, designers, marcas de roupas, administração local, comunidades, vilas piscatórias, voluntários, mergulhadores e turistas.

Cláudia Aguiar nomeada relatora para Governação Internacional dos Oceanos

Cláudia Monteiro de Aguiar foi nomeada na Comissão de Transportes e Turismo relatora do documento estratégico ‘Uma Agenda para a Governação dos Oceanos’. Este documento, assinalado como prioritário para Federica Mogherini – Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança – apresenta 15 acções para o futuro dos Oceanos, com o objectivo de preservar, conservar e aproveitar de forma sustentável os recursos marinhos.
Segundo a Eurodeputada do PSD,este documento “é crucial pela importância que atribui na preservação dos oceanos, nas suas várias vertentes. E pela acção global que entidades públicas, privadas e sociedade civil são chamadas a adoptar em coordenação, pois a governação e gestão dos oceanos não têm fronteiras” .
O  parecer está em fase de negociação na Comissão dos Transportes e Turismo e na Comissão do Ambiente, pois ambas partilham competências nesta matéria. Segundo Cláudia Monteiro de Aguiar “os Estados-Membros são instados a um compromisso de aplicação de medidas concretas, que seja cumprido o objectivo 14 da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, sobre a preservação e exploração sustentável dos oceanos. Estes compromissos são transversais a vários sectores, a transportes e turismo mas com o crivo de soluções ambientais e ecológicas.”
No documento apresentado pela Eurodeputada é ainda dado especial enfoque, entre outras matérias, à necessidade do estabelecimento de planos de ordenamento do espaço marítimo o mais tardar até 31 de Março de 2021 para que seja a União a liderar o Fórum a nível internacional; à necessidade de reforçar a segurança marítima; reforçar se necessário o apoio financeiro às Agências, com competências nesta matéria, pelo aumento de competência em matéria de controlo das fronteiras e no combate à poluição marítima e marinha.
Cláudia Monteiro de Aguiar sublinha ainda a necessidade de “desenvolver parcerias no domínio dos oceanos como meio para reforçar a cooperação em questões de interesse comum, como o Crescimento Azul, Soluções Digitais e de Tecnologia Marítima Avançada, em projectos de inovação em tecnologias azuis e energias limpas, como o LNG, para as infra-estruturas e transporte marítimo mais ecológicos.”
O relatório faz ainda referência ao Turismo Costeiro e Marítimo para que seja tido em consideração e para que seja incluído na Agenda Internacional para a Governação dos Oceanos.
Este Parecer Estratégico que vai ao encontro da primeira Conferência dos Oceanos da ONU, que aconteceu em Nova Iorque em Junho do passado, com a participação de 193 países. Além da adopção do compromisso pelos Estados, a conferência teve como objectivos: promover o diálogo entre governos, empresas, fundações e organizações não-governamentais e a realização de outros compromissos voluntários.
Fonte: Dnoticias

Sines pode ser a Capital da Economia do Mar

O título não é enganador. É a realidade e cada vez mais irá consolidar. De pequena cidade piscatória a uma bela cidade portuária, Sines tem tudo para se impor como Capital da Economia do Mar do nosso país. Não é um trabalho que se faz de um dia para o outro, mas sim continuamente. Mas quando se faz trabalho  a nível local, junto das instituições e do governo, independentemente da sua cor política, tudo é possível, se de facto o objectivo for fazer avançar este concelho que possui um potencial tremendo. O desenvolvimento mais sustentado de Sines passa por uma maior aproximação do Sector da Economia do Mar e às empresas que operam no sector. Se no segmento a parte portuária, de logística e de transportes, Sines é de facto um porto de referência, continua de facto a existir reforço do investimento tanto da parte privada como na complementação por parte da Administração Portuária de modo a crescer ainda mais nos próximos anos. Tornar Sines a sede de alguns dos principais players do sector seria interessante, na medida que o retorno esperado seria ainda maior do que se pode esperar. A Feira do Mar realizada em Sines desde 2016, ( que não deixa de ser uma ideia positiva ), deveria estar mais vocacionada para a atracção de investimentos e para a criação de emprego no sector, o que seria uma lufada de ar fresco. No que concerne ao Turismo Náutico, uma maior promoção do mesmo, um maior apoio, seria sempre bem-visto, porque a costa ao largo do concelho é de facto muito rica e até desconhecida para muitos em relação às suas riquezas, já que a vertente do Turismo Náutico no que concerne a um Terminal de Cruzeiros parece-me utópica, para além de muito dispendiosa. Uma maior aposta na náutica de recreio, seja na criação de eventos como na realização de um encontro anual seja sob formato de feira ou exposição seria igualmente uma boa ideia, sem esquecer desportos como o Surf, Bodyboard, Paddle Surf, Kitesurf entre outros. No que concerne à Pesca, actividade tradicional desde sempre de Sines, tem de existir um reforço nos mecanismos à actividade, seja no apoio local ou na desburocratização e ajuda no acesso aos apoios governamentais. Relacionado com esta área, seria igualmente existir programas de incentivo à aquacultura e a reconstrução da indústria conserveira que fez parte do portefólio industrial de Sines durante décadas. Sines possui mão-de-obra qualificada inclusive para fazer uma forte aposta na indústria da reparação naval. A quantidade de navios que passam por Sines todos os anos, justifica essa aposta, porque ao não fazemos nós essa aposta por cá, outros absorvem um serviço que poderia proporcionar muitos postos de trabalho por cá. Algo que tem de ser planificado, projectado e batalhado é um pólo de ensino relacionado com o Mar, como o da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar que existe em Peniche e está sobre a alçada do Politécnico de Leiria. Temos todas as condições para projectar a longo prazo a construção efectiva deste ideal e fazer dela uma realidade. O conceito de “Capital da Economia do Mar” não pode ser só um mero conceito, nem uma conjugação de números. Tem de ser uma aposta efectiva nas pessoas e na sua relação do Mar de modo a explorar o potencial deste Mar, que tanto nos dá. E nunca devemos deixar de ser vigilantes no cuidado que temos do nosso Mar. Seja nas tentativas de o prejudicar ambientalmente. Seja na ignorância e má gestão do mesmo. Com esta cidade de Sines e um Mar à sua frente que pode proporcionar um futuro brilhante, temos todos de fazer para a realidade seja de facto o melhor possível das opções que se tomam nos mais diversos patamares, sejam eles locais, governamentais ou institucionais.

Plataforma digital criada pode aumentar sustentabilidade da pesca

Uma plataforma digital criada nas Caldas da Rainha, que permite rastrear o peixe desde a captura até à sua venda e aumentar a sustentabilidade da pesca, foi apresentada na Conferência Mundial do Atum, em Vigo, Espanha.

Desenvolvida pela empresa BitCliq, sediada nas Caldas da Rainha (distrito de Leiria), a plataforma digital “Big Eye Smart Fishing” permite a “gestão de frotas pesqueiras em tempo real”, fornecendo dados sobre “todas as operações realizadas em mar e em terra”, explicou à Lusa o fundador da empresa, Pedro Manuel.

Através de sensores e de um sistema de informação integrado, a plataforma regista o processo desde que “o barco sai do porto de pesca, a procura de um local onde haja um cardume, o cerco, a captura, a congelação, o desembarque, o transporte, o armazenamento e a entrega final para transformação, exportação ou venda”, explicou.
Os dados tratados em terra, “quase em tempo real”, permitem aos operadores que “tenham vários barcos no mar em simultâneo e gerir a frota de forma mais eficiente, sabendo qual a quantidade e tipos de espécies capturadas, o seu custo instantâneo, o combustível consumido e em stock, entre outras informações”, acrescentou.
A plataforma “que está a revolucionar a indústria da pesca sustentável à escala global” regista ainda “quantos e quem são os tripulantes que estão no barco e as horas de trabalho desenvolvidas durante a viagem”, permitindo aferir “as suas condições laborais” e, por outro lado, “permitir-lhes aceder à internet e comunicarem com as famílias”, adiantou ainda Pedro Manuel.
O software que permite o total controlo sobre a origem do peixe e as boas práticas dos pescadores e fornecedores é foi apresentado na cidade de Vigo, em Espanha, no âmbito da edição 2017 da Conferência Mundial do Atum, onde se concentra grande parte do mercado alvo da empresa.
O sistema, que começou a ser desenvolvido em 2014 numa frota piloto, está já implementado na Europa, nos Estados Unidos e em fase de ensaios na Tailândia.
Até 2016, registou dados de mais de centena e meia de viagens, com cerca de um mês de duração e com cerca de três dezenas de homens a bordo.
Segundo dados disponibilizados pela empresa, foram “mais de cinco mil atividades diárias registadas, mais de 60 mil toneladas capturadas, 23 mil ações de captura e 40 mil registos de pesagem no desembarque”.
A empresa registou ainda” mais de 11.500 transacções de dados via satélite e o lançamento bem sucedido de uma dezena de actualizações automáticas de software em alto mar”.
Actualmente com cerca de uma dezena de trabalhadores, a maioria dos quais engenheiros informáticos, a empresa está em fase de expansão da área comercial e de marketing para levar a plataforma a mais empresas de pescado e conservação em vários países do mundo.
Mas o próximo projecto de Pedro Manuel é estender a rastreabilidade digital “até ao consumidor”, através de um rótulo digital em que que “através de uma aplicação no telemóvel o consumidor tenha acesso a toda a informação sobre o peixe que está a comprar”.
Mas até lá, a ‘start-up’ portuguesa vai continuar a levar o “big eye” a fóruns internacionais ligados à pesca, o próximo dos quais nos Açores, em Outubro.