ZIM retoma ligações directas entre a Ucrânia e Israel com o Serviço LBX.

A ZIM retomou oficialmente as suas operações na Ucrânia através do renovado serviço LBX, restabelecendo uma ligação directa e exclusiva entre a Ucrânia e Israel e garantindo acesso rápido à sua rede global. A primeira escala será realizada pelo navio ZIM Australia (AU6) 221 no porto de Pivdennyi, em 2 de Dezembro de 2025.

O serviço, inteiramente operado pelo armador israelita, passa a funcionar no terminal DP World TIS Pivdennyi Terminal, estrategicamente localizado junto a importantes auto-estradas e equipado com infraestruturas modernas, áreas de desunitização e ampla capacidade de armazenagem. O terminal suporta uma vasta gama de tipologias de carga, incluindo produtos refrigerados, óleos, madeira, cereais, géneros alimentares, automóveis usados e outros bens contentorizados, respondendo assim às necessidades diversificadas dos exportadores e importadores ucranianos.

A empresa sublinha ainda que o renovado LBX constitui o único serviço directo actualmente disponível entre a Ucrânia e Israel, oferecendo um tempo de trânsito reduzido de apenas seis dias entre Haifa e a Ucrânia. A partir de Haifa e de Pireu, a carga beneficia de ligações rápidas e fluídas através da rede global da ZIM:

Ligações de importação/exportação com o Extremo Oriente via Haifa, no serviço ZMP;Importações do Atlântico e Américas via Haifa, no serviço ZCA; Exportações para o Atlântico e Américas via Pireu, igualmente no serviço ZCA. Com o regresso do LBX, a ZIM reforça a sua presença regional e garante aos exportadores ucranianos um acesso fiável às principais rotas de comércio internacional, contribuindo para a reactivação logística do país num momento particularmente crítico.

Lucros da Hapag-Lloyd afundam quase 50% no 3.º trimestre de 2025.

A queda nas taxas de frete marítimo voltou a penalizar fortemente a Hapag-Lloyd, cujo lucro líquido acumulado até ao final do terceiro trimestre recuou 49,8%, fixando-se em 846 milhões de euros, contra 1,687 mil milhões no período homólogo de 2014. Embora a empresa esteja a movimentar mais carga, ( um aumento de 9% ), este crescimento não se reflecte no seu desempenho financeiro, já que as tarifas médias de frete se encontram cerca de 5% abaixo dos níveis registados aquando da crise no Mar Vermelho.

A receita acumulada nos primeiros nove meses ascendeu a 14,35 mil milhões de euros, apenas 2% acima do ano anterior, evidenciando uma desaceleração do ritmo de crescimento. Esta evolução acompanha a da Maersk, parceira da Hapag-Lloyd na Cooperação Gemini, com a qual partilha custos de implementação das novas rotas desde o início do ano.

O abrandamento reflecte-se igualmente noutros indicadores: O EBITDA caiu para 2,495 mil milhões de euros, 32% abaixo da projecção de 2024, e o EBIT desceu para 809 milhões, representando uma reversão de até 120%. O CEO, Rolf Habben Jansen, voltou a apontar a volatilidade do mercado e a incerteza geopolítica nas políticas comerciais como factores determinantes. Ainda assim, mantém expectativas de que a Cooperação Gemini, cuja implementação total arrancou no último trimestre, permita alcançar as economias previstas ao longo de 2026.

Queda acentuada nos resultados da CMA CGM no 3.º Trimestre de 2025.

A receita do armador francês caiu 11,3% no 3° trimestre de 2025, para 14,042 mil milhões de dólares, enquanto o EBITDA recuou 40,5% e o lucro líquido afundou 72,6%, fixando-se em 650,43 milhões de euros.

Segundo o grupo, presidido por Rodolphe Saadé, o desempenho continua fortemente afectado pelo contexto geopolítico e pelas tensões comerciais, em especial entre os Estados Unidos e a China, bem como pelas perturbações no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.

O segmento marítimo, ( responsável por 63,8% do volume de negócios ), registou uma contracção de 17,4%, para 7,78 mil milhões de euros, e o EBITDA caiu 48,8%. A principal causa foi a queda de 19,2% na tarifa média de frete por TEU, que desceu para 1260,92 euros. Apesar disso, a empresa movimentou mais carga: 6,17 milhões de TEUs, um aumento de 2,3%.

O grupo destaca a sua capacidade de redistribuir recursos e captar procura em rotas alternativas, graças à forte diversificação das operações e à presença global, mas reconhece que as tensões comerciais e as interrupções nas principais vias marítimas continuam a penalizar de forma significativa os resultados.

Portos de Lisboa e Setúbal reforçam dinamismo e competitividade regional.

Até Setembro de 2025, os Portos de Lisboa e Setúbal movimentaram 13,3 milhões de toneladas, evidenciando um crescimento contínuo da actividade portuária e consolidando a sua relevância na economia nacional. A complementaridade entre ambas as infraestruturas tem reforçado a competitividade do cluster portuário, contribuindo de forma essencial para o desenvolvimento económico e para a conectividade marítima da região.

A actividade conjunta registou 2 627 escalas de navios de carga, das quais 1 412 em Lisboa e 1 215 em Setúbal, reflectindo um aumento significativo do fluxo operacional. Setúbal afirmou-se igualmente como referência nacional no sector automóvel, movimentando 250 mil viaturas, um crescimento de 8,02%.

No segmento dos contentores, foram processados 478 mil TEU, representando um crescimento global de 4,65%, com Lisboa a aumentar 5,9% e Setúbal 1,07%. Já nos granéis líquidos registou-se um avanço expressivo de 31% face a 2024, totalizando 1,29 milhões de toneladas. Os granéis sólidos, por sua vez, atingiram 5,49 milhões de toneladas.

A carga geral manteve-se como um dos motores fundamentais desta dinâmica conjunta, somando 6,125 milhões de toneladas movimentadas. Dentro deste segmento, a carga contentorizada representou 5,04 milhões de toneladas, enquanto a carga fraccionada contribuiu com 1,09 milhões.

O desempenho acumulado até Setembro confirma uma trajectória de expansão sustentada, reforçando a importância estratégica dos Portos de Lisboa e Setúbal no panorama logístico nacional e na articulação marítima internacional.

Porto de Lisboa ganha três novas linhas de carga contentorizada.

O Porto de Lisboa reforça a sua posição como plataforma logística essencial no comércio internacional com a entrada de três novas linhas regulares de carga contentorizada, duas já activas e operadas pela OTM – X-Press Feeders e a terceira, a iniciar em janeiro, a ser realizada pela Transinsular.

Este alargamento da oferta acrescenta capacidade, frequência e diversidade de destinos, respondendo às necessidades crescentes dos exportadores nacionais e consolidando o papel de Lisboa como porto estratégico no shortsea shipping e nas ligações a grandes hubs de transbordo. A linha SOUTH EUROPE – SPX II, já em operação, estabelece uma rotação quinzenal entre Valência, Lisboa e Casablanca, servindo o Terminal de Contentores de Alcântara (Liscont). É assegurada por dois navios dedicados, Perseus e Emilia, com uma capacidade combinada de 1.360 TEU (660 e 700 TEU, respectivamente) fortalecendo uma rota relevante para o fluxo de exportações nacionais tanto para o Magrebe como para o Mediterrâneo ocidental.

Também já activa, a nova linha NORTH EUROPE – OFX oferece uma frequência semanal e liga Algeciras, Lisboa, Leixões, Southampton e Roterdão. Com operação igualmente em Alcântara, este serviço utiliza o navio Mando (1.174 TEU) e cria novas oportunidades de transbordo e ligação directa aos principais portos do Norte da Europa, reforçando a competitividade logística do Porto de Lisboa, disponível para as empresas portuguesas.

A partir de janeiro de 2026, o porto da capital passa ainda a contar com o serviço TRANSINSULAR MAROC EXPRESS, que ligará semanalmente Leixões, Lisboa e Casablanca, com escala no Terminal Multipurpose de Lisboa (TML) do armador Navex. O serviço será assegurado pelo navio Ponta do Sol (374 TEU) e prevê a movimentação de cerca de 80 contentores por escala, contribuindo para o dinamismo crescente das operações com o mercado marroquino.

A chegada destes três serviços confirma a atractividade do Porto de Lisboa para armadores internacionais e demonstra a capacidade operacional e a eficiência dos terminais nacionais.

HMM alia-se à Samsung Heavy Industries para testar sistema inovador de geração de energia nuclear em alto-mar.

A HMM anunciou uma parceria estratégica com a Samsung Heavy Industries e a Panasia com vista à realização de testes marítimos de um avançado sistema gerador de energia nuclear destinado ao sector naval. Esta colaboração representa um marco tecnológico significativo para a indústria marítima sul-coreana e poderá redefinir a forma como os navios de grande porte produzem e gerem a sua energia.

No centro deste projecto encontra-se um sistema de geração de energia por recuperação de calor, concebido para aproveitar o calor desperdiçado pelos motores do navio. Através desta tecnologia, o calor residual é convertido em energia útil, reduzindo a dependência de geradores tradicionais e contribuindo para a diminuição das emissões de carbono.

Os benefícios estendem-se igualmente aos navios movidos por combustíveis considerados mais ecológicos, como o gás natural liquefeito (GNL) ou o metanol. Com a implementação deste sistema, espera-se uma redução significativa nos custos operacionais, especialmente num contexto de subida contínua dos preços dos combustíveis marítimos. Segundo o acordo celebrado, a HMM tornar-se-á a primeira empresa do país a instalar este sistema num navio porta-contentores da classe 16.000 TEU actualmente em operação, reforçando a sua posição de liderança no desenvolvimento de soluções energéticas sustentáveis.

Este projecto insere-se nos esforços contínuos da empresa para alcançar a meta Net Zero 2045, um compromisso que visa eliminar ou compensar totalmente as emissões de carbono até essa data. A iniciativa sublinha a determinação da HMM em contribuir de forma concreta para a transição energética global e para um futuro marítimo mais sustentável.

Karen Maersk estabelece novo recorde no Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Aveiro.

O navio Karen Maersk atracou no dia 12 de novembro na Ponte Cais 26 do Terminal de Granéis Líquidos do Porto de Aveiro, tornando-se o maior navio de sempre a escalar este terminal.

Com quase 184 metros de comprimento e 28 metros de boca (largura), o navio trouxe ao Porto de Aveiro cerca de 24 mil toneladas de combustível, cuja origem é o Médio Oriente, destinadas à PRIO, empresa com operação instalada neste terminal.

O navio já seguiu com destino a Roterdão, nos Países Baixos. A escala deste navio demonstra a capacidade operacional e a competitividade do Terminal de Granéis Líquidos. De recordar que, no ano passado, o Porto de Aveiro substituiu as defensas e cabeços de amarração da Ponte Cais 26, precisamente com o objectivo de dotar esta infraestrutura das condições necessárias para receber navios até 40 mil toneladas de deslocamento.

Com a conclusão da obra, o Porto de Aveiro passou a poder receber navios de maior porte, com total segurança, dando resposta às necessidades crescentes do mercado.

MSC Cruises reforça aposta em meganavios com encomenda de dois novos World Class.

A MSC Cruises voltou a ampliar a sua ambição no sector dos cruzeiros ao confirmar a encomenda de dois novos navios da série World Class, num acordo avaliado em cerca de 3,5 mil milhões de euros celebrado com o estaleiro francês Chantiers de l’Atlantique. Estas futuras unidades, que deverão ser entregues em 2030 e 2031, integram a geração mais avançada da companhia, concebida para responder às exigências ambientais e operacionais das próximas décadas.

Com esta decisão, a MSC reforça a relação histórica com os estaleiros franceses, num ano em que o investimento acumulado em França ascende a cerca de sete mil milhões de euros. Somando as quatro unidades já existentes ou em construção, o compromisso global da empresa para a série World Class aproxima-se agora dos dez mil milhões de euros, evidenciando uma estratégia clara de renovação e expansão contínua.

Os navios encomendados, conhecidos para já como World Class 7 e World Class 8, prolongam uma linha que inclui exemplares como o MSC World Europa, já em operação, e outros ainda em finalização, como o MSC World America, o MSC World Asia e o MSC World Atlantic. Esta família de navios destaca-se por incorporar soluções tecnológicas de última geração, maior eficiência energética e capacidade para operar com combustíveis mais limpos, como o gás natural liquefeito.

A construção deverá iniciar-se em 2029, seguindo o calendário projectado entre a companhia e os estaleiros. A MSC sublinha que esta aposta não é apenas uma expansão de frota, mas parte de uma visão a longo prazo: navios de grande porte, preparados para novos padrões ambientais e pensados para oferecer uma experiência de cruzeiro mais moderna, sustentável e competitiva num mercado que continua a crescer.

Hapag-Lloyd prepara renovação profunda da frota com encomenda de até 22 navios.

O armador alemão Hapag-Lloyd avançou com um novo e ambicioso plano de renovação da sua frota, um projecto que poderá acrescentar até 22 porta-contentores de menor porte, todos abaixo das 5 000 TEU. Esta decisão insere-se numa estratégia alargada da companhia alemã para modernizar gradualmente a sua operação marítima, reduzir custos e acelerar a transição para navios mais eficientes e menos poluentes.

Com sede em Hamburgo, este armador pretende combinar navios próprios com unidades afretadas a longo prazo, dando continuidade a um modelo que tem permitido equilibrar investimento e flexibilidade operacional. A empresa, liderada por Rolf Habben Jansen, classifica esta renovação como um passo essencial no caminho para uma frota mais eficiente e para o cumprimento da meta de neutralidade carbónica até 2045.

A aposta concentra-se nos navios de menor dimensão — um segmento em que a procura se mantém elevada e no qual a Hapag-Lloyd pretende substituir unidades mais antigas, reduzir a exposição aos mercados de afretamento, hoje mais voláteis, e baixar custos operacionais através de designs mais económicos em termos de consumo de combustível.

Fontes do mercado indicam que a empresa já terá iniciado contactos com estaleiros chineses, estudando a possibilidade de dividir a encomenda em duas séries de navios com capacidades aproximadas de 3 100 e 4 500 TEU. Os preços de referência situar-se-iam nos 70 milhões de dólares para as unidades maiores e nos 60 milhões para as mais pequenas.

Caso esta renovação avance na totalidade, o caderno de encomendas da companhia poderá crescer dos actuais 34 navios para um máximo de 56 novas construções, combinando tanto navios próprios como contratados.

No final de Setembro, a frota da Hapag-Lloyd atingia já 305 navios, totalizando 2,5 milhões de TEU, posição que a consolida como o quinto maior armador mundial no transporte de contentores.

MSC atinge a capacidade de 7 milhões de TEUs e bate novo recorde.

A MSC voltou a ultrapassar um marco histórico no transporte marítimo de contentores, ao atingir mais de sete milhões de TEU de capacidade total na sua frota, consolidando-se como a maior companhia mundial do sector.

De acordo com os dados mais recentes da Alphaliner, a transportadora alcança agora cerca de 7 002 757 TEU distribuídos por uma frota que se aproxima dos mil navios, entre unidades próprias e afretadas. Este crescimento extraordinário, que adicionou cerca de um milhão de TEU em pouco mais de um ano, resulta de uma estratégia agressiva de expansão, assente na aquisição contínua de navios usados, no reforço do afretamento e na entrada em operação de novas embarcações de grande porte, incluindo modelos neo-panamax.

Com esta escala inédita, a MSC aumenta a distância relativamente aos seus concorrentes directos e reforça a sua influência sobre as principais rotas marítimas globais, beneficiando de maior poder de negociação e de maior flexibilidade operacional. O feito, porém, coloca também novas exigências no plano logístico, na gestão eficiente da frota e na sustentabilidade das operações, num mercado onde a dimensão é cada vez mais determinante para enfrentar a concorrência e mitigar a volatilidade das cadeias de abastecimento mundiais.