Mar adentro: na lota o preço desce, na loja sobe.

Do pescado português, mais de 39 mil toneladas seguem para Espanha. Para combater o aumento das importações, o preço sobe nas lojas, mas na lota continua pequeno como a sardinha. Apesar da quebra do preço na lota, a enguia continua a ser o peixe com o preço mais elevado. Sardinha está dentro da média.

Os portugueses consomem sardinha como ninguém, mas nem só da sardinha vive o povo português, nomeadamente os que se dedicam à pesca.
Ao longo dos anos verifica-se uma tendência: enquanto o valor médio dos diversos peixes aumenta, o número de capturas diminui drasticamente. Uma das afirmações mais ouvidas quando chega o tempo quente, e este convida a um peixe no carvão, é que “o peixe está caro”. E a afirmação é capaz de passar no polígrafo, pois grande parte dos preços dos peixes capturados em 2018 ficaram mais caros.
No entanto, enquanto em 2017 a enguia estava a ser vendida a 158,94 euros ao quilo, em 2018 este valor fixou-se em 74,09 euros. E o mesmo se verificou com a dourada e atum, que viram os preços descer alguns cêntimos.
Apesar de Mário Centeno reafirmar que está tudo bem com o país, o mesmo não se verifica na balança comercial piscatória. As exportações representaram 1.118 milhões de euros, mas o valor das importações continua a ser superior, com 2.193 milhões de euros. Esta diferença desequilibra a balança comercial.
Dos principais destinos de exportação, Espanha é o que mais se destaca, recebendo mais de 39 mil toneladas. Dentro da UE, Itália e França também sobressaem, com 993 e 835 toneladas, respetivamente. No que toca aos restantes mercados, Angola, Canadá e os EUA estão praticamente ao mesmo nível.
Com o mar frio de Sesimbra a liderar o número de capturas, Matosinhos segue-lhe os passos, e Aveiro ainda se consegue colocar no pódio.

Primeiros navios cargueiros elétricos do mundo começarão a operar na Bélgica e Holanda

Nos próximo tempos, o porto de Antuérpia, na Bélgica, vai se tornar uma atracção internacional. É que o primeiro navio cargueiro eléctrico do mundo, o Port-Liner, entrará em operação ali, após atraso do inicio desta iniciativa.
Já sendo chamado de “Tesla dos Canais”, o novo barco foi desenvolvido graças a uma parceria entre a comunidade de Antuérpia e a Comunidade Europeia, num investimento total de pouco mais de 200 milhões de euros. O objectivo do projecto é reduzir o tráfego de camiões nas estradas do país.
Port-Liner é apenas um dos navios que estão em construção. No total, serão cinco barcos pequenos, com 52 metros de comprimento e 6,7 de largura, e outros seis grandes, com 110 metros de comprimento e capacidade para carregar até 270 contentores. Os menores poderão acomodar 24 contentores com um peso total de 425 toneladas.
Os barcos foram projecyados pela empresa holandesa de arquitetura naval Omega. Os menores conseguirão viajar por 15 horas e os maiores por 35 horas, utilizando somente a eletricidade proveniente das baterias instaladas no deck.
A recarga completa da bateria dos navios cargueiros de 52 mt leva quatro horas e quando necessário, ela pode ser substituída por outras existentes no porto.
Os barcos de grande porte serão utilizados nos trajectos entre os portos de Roterdão, Amsterdão, Antuérpia e Duisburg. 
“Todos eles já estão totalmente alugados para companhias de transporte marítimo e grandes empresas de contentores. Caso contrário, não começaríamos a construí-los”, afirmou Ton van Meegen, CEO da Port-Liner.
O custo dos cargueiros menores é de 1,5 milhão de euros e os maiores, 3,5 milhões. Meegen garante que o valor não é mais alto do que o de um barco movido a diesel.

G20 avança com medidas para reduzir plásticos nos Oceanos

Os ministros da Energia e do Meio Ambiente do G20 chegaram a acordo e decidiram criar uma estrutura internacional para sensibilizar as populações para a necessidade de reduzir a quantidade de plástico no oceano.
Este “é um assunto que requer uma acção urgente tendo em conta o seu impacto negativo nos ecossistemas marinhos […] e, potencialmente, na saúde humana”, referiram os decisores políticos, numa declaração conjunta no final da reunião de dois dias, que decorreu em Karuizawa, no Japão.
Um relatório da ONU divulgado no passado já tinha alertado para o facto de serem produzidas anualmente mais de 400 milhões de toneladas de plástico em todo o mundo. Destes, apenas 9% dos resíduos são reciclados. O estudo mostra ainda que, todos os anos, cerca de 13 milhões de sacos de plástico vão parar aos oceanos. “Se os padrões de consumo e gestão de resíduos continuarem, até 2050 haverá cerca de 12.000 milhões de sacos de plástico em aterros e no meio ambiente”, refere o relatório, que tem como base casos de 60 países.

“Maré vermelha” interdita banhos em praias do Algarve.

As praias algarvias entre a Ilha do Farol (Faro) e a Vilamoura (Loulé) foram interditas a banhos após o surgimento de uma mancha vermelha na água, confirmou-se junto da Autoridade Marítima Nacional. A mancha está a ser provocada de um tipo específico de algas, os dinoflagelados, que pertencem ao plâncton marinho e que podem viver também em água doce. Segundo a Autoridade Marítima Nacional, foi a Agência Portuguesa do Ambiente que avisou que a mancha é “potencialmente perigosa para a saúde pública”.

A situação já foi detetada no domingo, mas a interdição a banhos só chegou ontem. Contudo, a pesca não está proibida e os pescadores profissionais continuaram a ir para o mar entre domingo e o dia de ontem. A Polícia Marítima de Faro diz , no entanto, não aconselhar a pesca nas zonas afetadas, nem o consumo de peixe ou marisco capturado nessas mesmas regiões.

Proposto interesse nacional para fragmento de âncora romana descoberto no Mar

Após deliberação favorável do Conselho Nacional de Cultura em janeiro, a DGPC decidiu propor ao Governo vir a atribuir essa classificação a um cepo de âncora romana em chumbo, proveniente de recolhas arqueológicas subaquáticas realizadas no mar da Reserva Natural das Berlengas, no distrito de Leiria.

“O bem em causa corresponde ao maior cepo desta tipologia e época descoberto em território nacional, apresentando, além disso, um estado de conservação notável. É por si só um testemunho da cultura romana em território português com indiscutível importância científica, cultural e patrimonial”, refere a diretora-geral, no parecer a que a agência Lusa teve acesso.

O fragmento encontra-se à guarda da DGPC, no depósito do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.

Em julho de 2018, vários especialistas em arqueologia náutica e subaquática requereram à DGPC a classificação do achado.
O cepo de âncora, agora submetido a processo de classificação, foi avistado em julho de 1989 e recolhido em setembro de 1991 por técnicos do Museu Nacional de Arqueologia, a 25 metros de profundidade.
Junto à Reserva Natural das Berlengas, foram recolhidos diversos materiais do período romano, nomeadamente cepos de âncoras e ânforas, que levaram os investigadores a realizar várias missões de estudo.
De acordo com os especialistas, a ilha da Berlenga foi utilizada para fundeadouro de embarcações comerciais de médio e longo curso, que percorriam as rotas de ligação entre o Mediterrâneo e os territórios romanos atlânticos.
Os investigadores falam da existência, desde esse período, de um ancoradouro na ilha, considerada por isso um ponto estratégico nas ligações entre o Mediterrâneo e o Atlântico, o que explica a descoberta de materiais cerâmicos originários de centros de produção mediterrânicos e lusitanos na ilha.
Por esse motivo, o maior conjunto de achados de ânforas, encontrados em meio marítimo, foi recolhido junto às Berlengas, assim como o maior conjunto de cepos de âncora da costa portuguesa, conjuntos que se encontram no Museu Nacional de Arqueologia, no Museu de Peniche e no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.

Holanda irá construir primeira central de energia solar flutuante do mundo

A Holanda, sempre na vanguarda de iniciativas tecnológicas sustentáveis e pró-meio ambiente, surpreende mais uma vez o mundo com um ousado projecto que aumentará a sua matriz energética limpa: a construção da primeira central de energia solar flutuante do planeta!
Baptizado de Zon-op-Zee (“Sol no Mar”, em tradução livre),  a central flutuante será inteiramente construída sobre o mar. A China e o Reino Unido já construíram centrais solares em superfícies de água, mas fizeram isso em lagos e com fins apenas académicos.
A central solar holandesa levará três anos para ser construída, com previsão de entrega até 2022. Trata-se de uma parceria entre a iniciativa privada, centros de pesquisa especializados da Holanda e da União Europeia e o governo de Amesterdão.
Segundo Allard van Hoeken, fundador da Oceans of Energy, empresa que constrói centrais de energia renovável, o projecto Zon-op-Zee contará com 2,5 mil metros quadrados de painéis solares até 2022.
O desempenho dos painéis solares será até 15% maior e mais eficiente do que aqueles que estão em operação em terra firme.

A Universidade de Utrecht tem sido a instituição responsável por fundamentar cientificamente todo a gestão de operações da futura central solar flutuante.
Para endossar os estudos de viabilidade da Zon-op-Zee, a universidade convidou especialistas em ecologia marinha que agora monitorizam e avaliam o possível impacto ambiental de uma central solar com tamanha magnitude em alto mar.

Mar de caravelas-portuguesas nos Açores, Algarve, Setúbal e Lisboa

O projecto GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), voltou a chamar a atenção para a existência de caravelas-portuguesas nos últimos dias em praias dos Açores, Algarve, Setúbal e Lisboa. Estes organismos são conhecidos pelas suas cores atraentes, mas é preciso ter cuidado com a proximidade: as picadas são perigosas.
A Physalia Physalis (nome científico) é composta por quatro pólipos e por isso uma picada é extremamente dolorosa. Os sintomas podem incluir dor, uma sensação de queimadura, irritação e inchaço. Uma picada de uma caravela-portuguesa pode ainda causar falta de ar, palpitações, cãibras, náuseas, vómitos, febre, desmaios, problemas respiratórios e cardíacos.
Para atenuar os efeitos é aconselhado lavar a picada com soro fisiológico, aplicar vinagre ou bandas quentes com água para avaliar a dor.
Foto: João Brum

Pingo Doce tem um detergente com embalagem que usa plástico dos oceanos

Chama-se Detergente Concentrado Oceano Ultra Pro, o novo produto do Pingo Doce que está a dar que falar. É que a embalagem é feita com 11% de resíduos marinhos, sendo os restantes 89% provenientes de plástico reciclado pós-consumo.
“A garrafa do detergente foi desenhada para ser 100% reciclável, facilitando a sua transformação em novos materiais depois de ser utilizada. Por outro lado, a sua composição é proveniente em 89% de plástico PET reciclado pós-consumo. Isto promove o mercado da valorização e reciclagem deste material, evitando que este seja tratado como um resíduo indiferenciado. Os restantes 11% são recolhidos no meio marinho, reduzindo a poluição nos mares e oceanos”, destacou Fernando Ventura, director de eficiência e inovação ambiental.
Há vários anos que o Pingo Doce tem lançado iniciativas em prol da preservação ambiental. Por exemplo, desde 2011, o seu projeto de ecodesign de embalagens permitiu a redução de mais de 15 mil toneladas de materiais de embalagens, sobretudo cartão, plástico e vidro. Ao mesmo tempo, evitou-se a emissão de 2.800 toneladas de CO2 associada ao transporte.

8 coisas que talvez não saiba sobre os Oceanos

Os oceanos ocupam a maior parte da superfície do planeta – cerca de 71% – e ainda há muito para descobrir sobre eles.

Não é necessário mergulhar nas profundezas dos oceanos para descobrir alguns segredos escondidos. Aqui ficam alguns:

. No Ponto mais fundo do Oceano, a pressão da água é equivalente ao peso de 50 aviões em cima de uma pessoa.

. Estima-se que daqui a 30 anos, haverá mais plástico descartável nos oceanos que peixes.

. A profundidade média dos oceanos é de 4 quilómetros.

. Mais de 95% do fundo dos Oceanos é desconhecido.

. Do oxigénio que respiramos, 70% é produzido pelos Oceanos.

. Cerca de 80% das erupções vulcânicas acontece debaixo de água.  

. Há uma estimativa de mais de 20 toneladas de Ouro nos Oceanos.

. Actualmente há mais de 360 cabos no fundos dos Oceanos, ligando países e continentes, e sem essa ligação intercontinental subaquática, a internet como conhecemos não seria possível.   

Ficou tetraplégico com um tiro mas hoje é campeão de surf adaptado


Nuno Vitorino passa grande parte do tempo na praia de Carcavelos. Não passa despercebido entre o pessoal do surf, seja pela simpatia e boa disposição, seja por ser o primeiro atleta de surf adaptado a aparecer por aquelas bandas.

Tem 42 anos mas ninguém diz. “É a água que conserva”, atira. Passou os últimos 20 anos numa cadeira de rodas devido a um acidente com uma arma.
“Eu disse para o meu amigo: «queres dar um tiro, já que nunca deste um tiro, só para ouvires o barulho?». Ele não sabia que a arma estava carregada e disparou e acertou-me no pescoço”, recorda.
A bala acertou-lhe na cervical e, aos 18 anos, ficou tetraplégico. “Quando sofri o acidente, disse ao meu amigo que o acidente não ia ser um casamento para o resto da vida. Obviamente os traumas psicológicos estão cá.”
Nuno Vitorino teve dois anos difíceis de reabilitação. Foi também um tempo de luto que se transformou em esperança, já que a lesão – uma tetraplegia incompleta – permitiu-lhe recuperar algum movimento de braços no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.
“Eu tive uma médica muito importante no meu percurso. Foi a doutora Maria da Paz que me disse: «Nuno, esquece. Nunca mais vais voltar a andar na vida, mas otimiza o bom que tens que são os teus braços. A partir daquele momento, em 1995, por muito que me custasse ouvir isto – e custou-me – eu percebi que ela tinha razão e comecei a trabalhar os meus braços».
Da natação ao surf
Antes de se dedicar ao surf, Nuno foi atleta paralímpico de natação, uma modalidade que sempre fez parte do seu dia-a-dia. “De facto, ser um atleta não é fácil.”
Nuno queixa-se da falta de apoios, mas admite que o mais importante é a paixão pelo desporto. “A paixão está cá. Um atleta não pode ser atleta pela questão financeira. Um atleta tem que ser atleta pela paixão. Por isso é que Portugal é tão vencedor nos paralímpicos e no desporto adaptado. Todos nós temos muita paixão pelo que fazemos. E isso leva-nos a ganhar medalhas. A diferença não está no treino, nunca esteve no treino. A diferença está em querer mais e eu sou um atleta que tem sempre fome, tenho sempre fome de ganhar”.
Ganhou muitas medalhas durante oito anos até perder o entusiasmo pela natação de competição. “Isto custa muito. Dói. Levantar às cinco da manhã para ir treinar, voltar à noite para o treino. Eu treinava quatro quilómetros por dia. Tenho nos meus ombros mais de 30 mil quilómetros. É muito.”
Com o fim da carreira nas piscinas, sentiu o chamamento do mar. “Um dia que estava nesta praia de Carcavelos e comecei a sentir um grande incómodo na minha barriga ao ver os outros a surfar.”
Nuno Vitorino queria competir mas, desta vez, encontrou uma modalidade que ainda não estava preparada para receber atletas tetraplégicos. “Não havia nada disto no mundo. A partir daí e até hoje, nós nunca mais paramos. Eu fui sempre surfar. Fundei uma associação que é Associação Portuguesa de Surf Adaptado, em que colocamos, de Norte a Sul do país, outras pessoas com patologias dentro de água. O desporto agora é democrático. O surf é democrático. Dá para todos.”
Em Viana do Castelo para ser o melhor
A Federação Portuguesa de Surf abriu as portas para os atletas com deficiência há quase cinco anos. O presidente, João Jardim Aranha, explica que a chegada de Nuno marcou o início do surf adaptado na federação. “O Nuno foi alguém que se apresentou desde o início como muito interessado. Já treinava, já mostrava um trabalho físico regular e um trabalho de treino regular. Por outro lado, é um atleta que vem dos paralímpicos de natação. É uma pessoa com uma história no desporto.”
A federação tem cerca de 900 atletas, seis deles fazem parte da modalidade de surf adaptado. João Jardim Aranha admite que é pouco. “Não tem havido uma adesão como nós gostaríamos.”