Morreu Lídia Sequeira, antiga presidente dos portos de Sines e Setúbal.

Faleceu Lídia Sequeira, economista e gestora que desempenhou um papel determinante no desenvolvimento dos portos portugueses, particularmente no Porto de Sines, onde deixou um legado amplamente reconhecido pelo sector marítimo-portuário nacional. A notícia foi confirmada pela Administração dos Portos de Sines e do Algarve, que manifestou profundo pesar e salientou o contributo decisivo da antiga presidente para a modernização e expansão da infraestrutura portuária.

Lídia Sequeira presidiu à APS entre 2005 e 2013, período durante o qual Sines consolidou a sua posição enquanto principal porto de águas profundas do País. Sob a sua liderança, o porto conheceu uma fase de forte crescimento, marcada pela ampliação do Terminal XXI, pela modernização tecnológica e pela implementação de novos modelos de gestão que permitiram fortalecer a eficiência operacional e atrair novos fluxos de carga. A sua visão estratégica contribuiu de forma significativa para fazer de Sines um dos mais importantes hubs logísticos do Atlântico.

Após concluir o seu mandato em Sines, assumiu funções na administração do Porto de Setúbal, onde continuou a ser reconhecida pela sua competência e liderança. No conjunto da sua carreira, destacou-se pela capacidade de conciliar rigor técnico, visão estratégica e um profundo conhecimento do sistema portuário nacional. A sua morte representa uma perda sentida para o sector, que lhe presta homenagem pela dedicação e pelo impacto estrutural que deixou nos portos que dirigiu.

O legado de Lídia Sequeira permanece vivo no crescimento e projecção internacional que Sines alcançou nos últimos anos, resultado directo do trabalho desenvolvido durante o seu período de liderança.

Porto de Sines reforça influência atlântica com ligação regular ao Canadá.

A presença de Sines nesta rotação semanal permite às empresas portuguesas acederem directamente ao mercado canadense, evitando transbordos noutros portos europeus e reduzindo tempos e custos logísticos. Sectores exportadores como o agro-alimentar, o vinícola, a cerâmica, os materiais de construção e a indústria florestal beneficiam particularmente de uma ligação mais rápida e previsível a um mercado exigente e em expansão.

Para a região e para o País, a nova rota representa também um estímulo económico, com potencial para gerar mais actividade logística, atrair novos investimentos e reforçar a importância de Sines como grande plataforma atlântica.

Com este serviço, a MSC confirma a confiança na capacidade operacional do porto português e contribui para consolidar Sines como uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias na Europa do Sul.

Porto de Portimão reforça capacidade e prepara crescimento recorde.

A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) prepara-se para lançar três intervenções de grande escala destinadas a reforçar a competitividade do Porto de Portimão, em consonância com a Estratégia Portos 5+ (2025-2035).

Entre as medidas anunciadas destaca-se a realização de dragagens de manutenção, a iniciar em 2026, que visam garantir condições de segurança para a recepção de navios de cruzeiro até 220 metros de comprimento. Paralelamente, está prevista a reabilitação do cais RO-RO, operação que permitirá o acolhimento de ferries e a acostagem simultânea de dois tenders, aumentando significativamente a eficiência no desembarque de passageiros.

A APS avançará ainda com a melhoria das acessibilidades terrestres à Gare Marítima, reforçando a articulação entre o porto e a cidade e facilitando o fluxo de passageiros e operadores.Beneficiando de uma localização privilegiada entre o Atlântico e o Mediterrâneo, o Porto de Portimão projecta um ciclo de crescimento sustentado, com 100 escalas previstas para 2026 e 117 para 2027.

O ano de 2025 deverá encerrar com resultados históricos: 58 escalas e cerca de 23 mil passageiros, correspondendo a aumentos de 45% e 63%, respectivamente, face ao período homólogo.

Portugal e Brasil estudam novo corredor marítimo com Sines como ponte atlântica.

O Porto de Sines e o Complexo de Suape estão a aprofundar contactos com vista à criação de um eixo de cooperação que poderá reforçar a ligação marítima entre a Europa e o Nordeste brasileiro. A posição geográfica de Sines, o porto europeu que mais se aproxima do litoral nordestino, coloca-o como candidato privilegiado para acolher e distribuir mercadorias provenientes do Brasil.

Segundo fontes ligadas ao processo, ambos os portos partilham características que facilitam esta aproximação: Zonas industriais extensas, infraestruturas modernas e um papel crescente em sectores emergentes associados à energia e à sustentabilidade. Esta afinidade operacional tem sido um dos argumentos principais para o estreitar da relação.

Com capacidade para receber navios de grande porte e um movimento de contentores em contínuo crescimento, Sines tem vindo a afirmar-se como plataforma de redistribuição para múltiplos mercados europeus. A integração de Suape neste circuito poderá potenciar novas rotas comerciais e dar maior fluidez ao escoamento de produtos brasileiros.

Embora as conversações ainda se encontrem numa fase inicial, espera-se que a cooperação permita reduzir tempos de trânsito e optimizar custos logísticos, sobretudo para sectores como o agroalimentar e os granéis. Caso avance, a iniciativa deverá consolidar Sines como principal interface atlântico da União Europeia e reforçar a presença económica do Brasil no espaço europeu.

Incêndio em porta-contentores no Porto de Los Angeles acaba sem feridos.

Um incêndio que irrompeu a bordo do navio porta-contentores ONE Henry Hudson, que estava atracado no Porto de Los Angeles, na zona de San Pedro ( o qual publicamos o video), teve origem numa avaria eléctrica abaixo do convés e propagou-se rapidamente a diversas secções da embarcação, chegando a provocar uma explosão que interrompeu o fornecimento de energia e levou à paralisação das gruas de carga.

As autoridades portuárias evacuaram os vinte e três tripulantes sem que se registassem feridos, e vários terminais de contentores foram temporariamente encerrados enquanto os bombeiros combatiam as chamas. O navio foi rebocado para fora do quebra-ondas, já com o incêndio considerado substancialmente controlado, embora continuasse sob vigilância devido à presença de materiais perigosos a bordo.

As autoridades norte-americanas prosseguem a investigação para determinar as causas exactas do incidente e avaliar eventuais impactos ambientais resultantes do sinistro.

Sector Portuário pede intervenção de Montenegro no conflito laboral com o SNTAP.

As principais entidades ligadas ao sector marítimo-portuário dirigiram uma carta ao primeiro-ministro, solicitando uma intervenção imediata para desbloquear o conflito laboral que opõe o Governo ao SNTAP, o sindicato que representa os trabalhadores administrativos das administrações portuárias. A paralisação, iniciada em Outubro e já prolongada por várias semanas, tem levado ao cancelamento de numerosas escalas de navios, afectando tanto o transporte de mercadorias como o de passageiros e provocando fortes constrangimentos no funcionamento dos portos nacionais.

De acordo com as associações, os prejuízos acumulados ultrapassam os cinco milhões de euros, resultado directo da suspensão da actividade e de atrasos sucessivos na operação portuária. Criticam ainda o Ministério das Finanças, que acusam de impedir a aplicação de um acordo alcançado em Dezembro de 2024, o que, afirmam, agravou a situação.

Com receio de danos duradouros na competitividade e reputação dos portos portugueses — incluindo a possibilidade de desvios de rotas internacionais e perda de operadores, o sector pede ao Executivo que reabra urgentemente o diálogo e assegure condições de estabilidade para evitar impactos mais sérios na economia.

Ameaça no Mar Negro sobe para nível vermelho.

O nível de ameaça no Mar Negro foi elevado para “vermelho”, numa indicação de risco máximo para os portos ucranianos e para a navegação regional.

O alerta resulta da presença contínua de minas e engenhos explosivos não detonados, já detectados ao largo da Roménia, Bulgária e Turquia, e de actividades militares intensificadas desde o agravamento do conflito na Ucrânia.

As companhias marítimas enfrentam agora restrições acrescidas, incluindo limitações no acesso a portos ucranianos e medidas de segurança reforçadas a bordo.

Analistas alertam que o comércio de cereais, energia e outras mercadorias provenientes da região poderá sofrer novos constrangimentos enquanto não houver garantias efectivas de segurança.

Canal do Suez mostra tímidos sinais de recuperação.

O tráfego no Canal de Suez começou a dar os primeiros sinais de recuperação, após quase dois anos de quebras acentuadas motivadas pela crise no Mar Vermelho. Dados recentes indicam que o número médio semanal de navios subiu para cerca de 244 em Outubro e para 269 em Novembro, acima da média de 229 travessias registadas nos primeiros nove meses do ano. Apesar da melhoria, o movimento continua distante dos níveis anteriores à crise, quando o canal recebia perto de 500 navios por semana.

A estabilização recente deve-se sobretudo à suspensão dos ataques reivindicados pelos Houthi, após o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, restaurando alguma confiança entre os grandes armadores globais. A Autoridade do Canal de Suez tem vindo a reforçar contactos com as principais companhias marítimas para incentivar o regresso das rotas tradicionais, essenciais para a economia egípcia, que antes da crise arrecadava aproximadamente 7,3 mil milhões de euros, em portagens — cerca de 2 % do PIB nacional.

Embora a tendência seja positiva, analistas avisam que a recuperação total ainda está longe. O retorno pleno ao canal dependerá da manutenção da estabilidade regional, da redução dos prémios de seguro e da disposição das companhias marítimas para abandonar definitivamente o desvio pelo Cabo da Boa Esperança. Muitos especialistas antecipam que o tráfego só deverá normalizar por completo ao longo de 2026.

HMM encomenda oito porta-contentores de 13.400 TEU à HD Hyundai.

A HMM assinou um contrato com a HD Hyundai para a construção de oito porta-contentores com capacidade para 13.400 TEU, num investimento avaliado em cerca de 1,46 mil milhões de dólares. Dois destes navios serão construídos pela HD Hyundai Heavy Industries e os restantes seis pela HD Hyundai Samho, prevendo-se que as entregas decorram de forma faseada entre meados de 2028 e o primeiro semestre de 2029.

As novas unidades terão aproximadamente 337 metros de comprimento, 51 metros de boca e 27,9 metros de altura, e serão equipadas com propulsão dual-fuel, permitindo operar com gás natural liquefeito, solução que reduz emissões e melhora a eficiência energética. Este contrato representa o maior volume de encomendas de porta-contentores recebido pela HD Hyundai desde 2007 e enquadra-se na estratégia da HMM de modernizar a sua frota com navios mais eficientes, ambientalmente mais compatíveis e com maior autonomia graças aos tanques de combustível de maior capacidade.

A aposta nestas unidades assegura à HMM uma frota mais versátil, capaz de responder às exigências regulatórias e ao aumento da procura global, enquanto reforça a posição da HD Hyundai como um dos principais estaleiros mundiais na construção naval de grande porte. Trata-se, assim, de um passo significativo para ambas as empresas, quer na consolidação da presença da HMM no comércio marítimo internacional, quer no reforço da capacidade produtiva e competitividade tecnológica da construtora sul-coreana.

Maersk preparada para retomar rota do Mar Vermelho assim que a segurança o permitir.

A Maersk, uma das maiores companhias de transporte marítimo do mundo, afirmou que está pronta para regressar à rota do Mar Vermelho e ao Canal de Suez logo que as condições de segurança o tornem viável. A empresa havia desviado os seus navios daquela via estratégica no início de 2024, na sequência de diversos ataques perpetrados por militantes houthis contra embarcações comerciais, incluindo navios da própria Maersk.

O director-executivo, Vincent Clerc, sublinhou que a protecção das tripulações continua a ser a principal prioridade da empresa, motivo pelo qual a rota permanece condicionada. Ainda assim, reconheceu que os recentes desenvolvimentos no acordo de paz em Gaza constituem um sinal encorajador, podendo conduzir à normalização da navegação no estreito de Bab al-Mandab, o ponto crítico que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho.

A eventual reabertura plena daquela rota representa um passo significativo para o comércio internacional. A passagem pelo Canal de Suez encurta substancialmente a distância entre a Ásia e a Europa, reduzindo custos, tempo de transporte e perturbações nas cadeias de abastecimento. Desde o desvio forçado, os navios têm sido obrigados a contornar o Cabo da Boa Esperança, aumentando a duração das viagens e influenciando os preços globais de transporte marítimo.

O regresso da Maersk à rota tradicional poderá, assim, assinalar uma estabilização progressiva na região e recuperar a eficiência logística perdida no último ano, desde que se mantenha uma melhoria sustentável das condições de segurança.