UE pondera sancionar portos de países terceiros que recebam crude russo

A União Europeia está a ultimar o 20.º pacote de sanções dirigido à Rússia e admite, pela primeira vez, alargar o alvo das restrições a infraestruturas portuárias localizadas fora do território russo.

Em causa estão portos situados em países como a Geórgia e a Indonésia que, segundo uma proposta ainda preliminar, têm vindo a receber petróleo com origem na Rússia. Entre as instalações mencionadas constam Kulevi, na Geórgia, e Karimun, na Indonésia, que poderão passar a integrar a lista de entidades sancionadas. A concretizar-se, será um passo inédito na política europeia de sanções, por envolver directamente activos estratégicos em Estados terceiros.

O mecanismo previsto passa por proibir empresas e cidadãos da União Europeia de realizarem transacções com esses portos, limitando pagamentos, prestação de serviços e quaisquer operações comerciais abrangidas pela jurisdição europeia.

EUA alertam navios no Estreito de Ormuz para evitarem águas iranianas

A autoridade marítima dos Estados Unidos emitiu esta segunda-feira um aviso dirigido às embarcações norte-americanas que atravessem o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas comerciais do Médio Oriente e um dos principais corredores mundiais para o transporte de petróleo.

O alerta surge num quadro que é interpretado como novo sinal de agravamento da tensão entre Washington e Teerão. As autoridades recomendam que os navios com bandeira dos EUA se mantenham afastados das águas territoriais iranianas, procurando conciliar essa orientação com a necessidade de não colocar em causa a segurança da navegação.

No mesmo aviso, é deixada uma instrução operacional às tripulações: Caso forças iranianas tentem abordar ou apreender uma embarcação comercial norte-americana, a recomendação é a de não oferecer resistência. O objectivo, segundo o teor do comunicado, passa por reduzir o risco de escalada a bordo e proteger a integridade da tripulação numa zona onde incidentes marítimos têm ocorrido em períodos de maior fricção regional.

Rival dos portos nacionais cresce dois digitos.

A autoridade portuária de Valência fechou 2025 com um salto de cerca de 50% no lucro, para 43,7 milhões de euros, num ano em que a evolução do contentor voltou a ser decisiva.

A cifra de negócios subiu 9%, para 164,3 milhões, e as receitas com taxas e serviços portuários cresceram a dois dígitos, aproximando-se dos 140 milhões.Em termos de actividade, o total de mercadorias em toneladas recuou ligeiramente (-0,7%), mas o porto movimentou 5,6 milhões de TEU, mais 3,4% do que em 2024.

O transbordo abrandou, mas o import/export compensou: as importações ultrapassaram pela primeira vez 1 milhão de TEU (cerca de 1,05 milhões), com a China a pesar perto de metade e a crescer cerca de 20%. As exportações rondaram 920 mil TEU (+5,56%), com os EUA como principal destino (quase 15% e crescimento acima de 5%).

O cash flow atingiu 82,8 milhões de euros, com custos de exploração praticamente estáveis (+0,94%). Também o movimento de passageiros aumentou, tanto na linha regular como nos cruzeiros.

Hapag-Lloyd fecha 2025 com lucros em queda.

O armador alemão Hapag-Lloyd apresentou resultados de 2025 com recuo significativo dos ganhos, seguindo uma trajectória semelhante à da Maersk, sua parceira na Cooperação Gemini.

Terminou o ano com um EBIT na ordem dos 1.000 milhões de euros, abaixo dos 2.600 milhões registados em 2024, num exercício marcado por um mercado de fretes menos favorável e por custos adicionais associados à reorganização operacional. A empresa aponta como principal factor a descida do preço médio dos fretes ao longo de 2025, num ano em que as tarifas ficaram, em média, cerca de 8% abaixo das do exercício anterior. A par disso, a Hapag-Lloyd refere o impacto dos custos de arranque da Cooperação Gemini, que começou há aproximadamente um ano, e o aumento da factura de combustível provocado pelos desvios de rotas em torno do Cabo da Boa Esperança, na sequência da instabilidade no Mar Vermelho. Apesar do recuo nos resultados, a actividade comercial manteve-se robusta em volume.

A Hapag-Lloyd transportou 13,5 milhões de TEU, mais cerca de um milhão do que em 2024, mas essa subida não foi suficiente para compensar a pressão nas tarifas. A facturação também não acompanhou o crescimento dos volumes: a empresa fechou 2025 com cerca de 18.600 milhões de euros, uma descida de 2,6% face ao ano anterior.

O armador sublinhou que o EBIT ficou na parte alta das previsões que tinha divulgado para o ano, num cenário em que o abrandamento dos fretes já era esperado. Do lado da eficiência, identifica poupanças de custos resultantes da Cooperação Géminis, mas indica que esses efeitos só se começaram a notar na segunda metade de 2025 e que o seu impacto pleno deverá sentir-se ao longo de 2026.

Maersk encomenda 8 porta-contentores dual-fuel de 18.600 TEU para 2029-2030.

A Maersk formalizou uma encomenda de oito novos porta-contentores de grande dimensão, com capacidade de 18.600 TEU, a construir no estaleiro chinês New Times Shipbuilding.

Os navios deverão ser entregues a partir de 2029, integrando a estratégia de renovação da frota do armador dinamarquês e o reforço da sua competitividade no transporte marítimo de contentores. As novas unidades serão equipadas com motores de duplo combustível, aptos a operar tanto com búnquer convencional como com gás natural liquefeito (GNL), garantindo maior margem de manobra operacional num sector em transição energética.Em termos de dimensões, os navios terão 366 metros de comprimento e 58,6 metros de boca, um formato descrito como mais “compacto” do que a referência máxima actualmente comum nos maiores porta-contentores, que pode chegar aos 400 metros.

O armador dinamarquês sublinha que a flexibilidade de utilização na rede foi determinante para a decisão, defendendo que, apesar de serem navios de grande porte, permitem mais opções de colocação em serviço do que as classes ainda maiores que têm vindo a ser encomendadas no mercado. Com este contrato, a Maersk passa a contabilizar 33 navios encomendados, incluindo quatro com entrega prevista ainda durante o que resta de 2026.

Uma nova espécie profunda tem nome escolhido pelo público.

Uma nova espécie de quíton das grandes profundezas do oceano foi oficialmente baptizada com a ajuda do público, num processo invulgar que juntou investigadores e milhares de pessoas nas redes sociais.

A iniciativa, conduzida pela Senckenberg Ocean Species Alliance em colaboração com a Pensoft, ganhou dimensão depois de o comunicador de ciência Ze Frank apresentar o animal num episódio da série “True Facts” e lançar o desafio: propor um nome científico e justificá-lo.

Em apenas uma semana chegaram mais de oito mil sugestões, das quais a equipa científica acabou por escolher Ferreiraella populi, uma designação em que “populi” remete para “do povo”. A espécie foi encontrada em 2024 na Fossa de Izu-Ogasawara, no Pacífico, a cerca de 5.500 metros de profundidade, e pertence ao género Ferreiraella, um grupo raro e pouco estudado. Trata-se de um quíton, um tipo de molusco com oito placas sobrepostas, adaptado à vida no fundo do mar, e com uma rádula resistente usada para raspar alimento.

Os investigadores salientam ainda que este animal surge associado a ecossistemas muito específicos de “madeira afundada”, onde vive sobre troncos e detritos lenhosos que descem ao fundo do oceano, formando pequenas ilhas de biodiversidade em ambientes ainda largamente desconhecidos.

Contentores caem a bordo do “Bangkok Express” em Roterdão.

Vários contentores vazios caíram do convés do navio porta-contentores “Bangkok Express” durante a sua escala nos terminais APM Maasvlakte II, no porto de Roterdão.

Segundo a informação disponível, parte dos contentores acabou por atingir a barcaça “K Lotus”, que se encontrava a operar ao lado do porta-contentores no momento do incidente. Foram relatados danos materiais, mas não há indicação de feridos nem de qualquer derrame associado à ocorrência.

Após o episódio, o “Bangkok Express” prosseguiu viagem a 7 de Fevereiro, com destino a Salalah, em Omã. O navio, operado pela Hapag-Lloyd, é um porta-contentores de última geração, com capacidade para 23.660 TEU e sistema de propulsão a GNL (duplo).

O caso volta a sublinhar a importância das rotinas de segurança e manuseamento durante operações em cais, sobretudo em escalas de grande intensidade e com várias frentes de trabalho em simultâneo.

Marinha resgata das cheias mais 83 pessoas e eleva o total para 215.

A Marinha resgatou, nas últimas 24 horas, mais 83 pessoas afectadas pelo agravamento do estado do tempo e pelas cheias registadas em várias regiões do país, associadas à passagem das depressões Kristin e Leonardo.

Com esta nova operação, o número total de pessoas retiradas de locais isolados subiu para 215, com especial incidência nas áreas de Alcácer do Sal e de Leiria, onde o aumento do nível das águas, provocado pela chuva intensa dos últimos dias, deixou populações cercadas e a necessitar de apoio imediato, prestado com recurso a botes previamente posicionados para intervenção rápida nas zonas ribeirinhas.

Durante as acções de socorro foram também retirados 15 animais em Leiria. Em Benavente, o Corpo de Fuzileiros procedeu ainda à relocalização de 10 cavalos e 70 vacas para uma zona considerada segura, junto ao Mochão do Malagueiro, no âmbito das medidas de protecção a explorações e efectivos pecuários afectados pelas inundações. No balanço global da resposta até ao momento, a Marinha indica ter apoiado mais de 2500 pessoas e efectuado reparações em mais de 60 habitações e edifícios públicos. Foi igualmente realizada a desobstrução de cerca de 60 quilómetros de estradas nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém, bem como a recolha de mais de 147 toneladas de detritos no rio Lis, numa operação de limpeza e remoção de materiais arrastados pelas enxurradas.

Quanto ao dispositivo no terreno, permanecem 44 botes prontos para actuação imediata em áreas com risco de cheias, distribuídos por vários cursos de água, incluindo o Lis, o Mondego, o Tejo, o Sorraia e o Sado. Paralelamente, a Autoridade Marítima Nacional mantém um reforço de pessoal e meios no Guadiana, em Vila Real de Santo António, com três embarcações e uma mota de água, tendo apoiado até agora 33 embarcações. No conjunto das operações, estão empenhados cerca de 508 militares, militarizados e agentes da Polícia Marítima, apoiados por 63 viaturas, 53 embarcações, quatro geradores, 17 drones e um helicóptero em prontidão

Foto: Marinha Portuguesa

Porto de Aveiro moveu quase 118 mil toneladas em 6 horas.

O Porto de Aveiro registou, a 4 de Fevereiro, um recorde na sua actividade operacional ao movimentar 117 874 toneladas de carga num intervalo de apenas seis horas.

O resultado foi alcançado graças a uma curta janela de condições meteorológicas mais favoráveis, que permitiu acelerar e concentrar operações num período limitado. Entre as 11h30 e as 17h30 foram manobrados 22 navios, envolvendo movimentos de importação e de exportação, num esforço coordenado que contou com reforço de meios e equipas.

Estiveram empenhadas as estruturas técnicas de pilotagem, o trem naval e o serviço de coordenação portuária, bem como a concessionária responsável pelos serviços de rebocadores e de amarração, garantindo padrões elevados de segurança e eficiência.

Este desempenho sublinha a capacidade logística do Porto de Aveiro e reforça o seu peso estratégico no transporte marítimo, consolidando a sua posição entre os principais pólos portuários do País.

Drones atingem corredor do crude do Cazaquistão no Mar Negro.

A principal saída marítima do crude do Cazaquistão no Mar Negro está a operar com limitações, depois de ataques com drones e problemas técnicos terem obrigado a reduzir o ritmo de carregamentos de petroleiros.

A quebra reflecte-se no programa de Fevereiro, com menos navios previstos e restrições que afectam sobretudo os carregamentos em navios de maior porte. Os constrangimentos resultam de uma combinação de incidentes de segurança e indisponibilidades em infraestruturas críticas de amarração e transferência de crude, num contexto em que o mau tempo também tem dificultado operações e trabalhos de reposição. A situação aumenta a pressão sobre uma rota essencial para o escoamento do petróleo cazaque, que depende fortemente deste corredor para chegar aos mercados internacionais. Do lado da produção, perturbações adicionais em instalações ligadas ao maior campo petrolífero do país acrescentaram incerteza ao abastecimento e ao planeamento logístico.

No conjunto, a sucessão de falhas e riscos de segurança volta a evidenciar a vulnerabilidade do corredor do Mar Negro, com impacto potencial nos prazos de entrega, na disponibilidade de navios e nos custos de transporte e seguro.

Foto: Jonathan Boonzaier