O Mar como tema recorrente na literatura portuguesa

O Mar é um tema e uma personagem muito recorrentes na literatura do nosso país. Para além de assumir um papel fulcral n’Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, ou na Mensagem, de Fernando Pessoa, outros escritores abordaram os temas marítimos ou lhes deram um papel de destaque nas suas obras. É o caso da História Trágico-Marítima, um livro de crónicas e memórias compiladas por Bernardo Gomes de Brito, de Os Pescadores, de Raul Brandão, ou da épica Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Também na literatura infantil, podemos citar, a propósito, A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, e na poesia, alguns textos de António Nobre (“À toa” e “Somno de João”), Ruy Belo (“Orla marítima” e “Morte ao Meio Dia”) e Al Berto (“Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida” e “Mar-de-Leva”). 

Relembremos:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar para que fosses nosso, ó mar!” (Fernando Pessoa, in Mensagem)

Portugal é um dos países que mais peixe consome per capita

Com uma longa tradição piscatória, Portugal é um dos países no mundo que mais peixe consome anualmente por habitante, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Cá dentro, a organização ambiental Quercus, por exemplo, considera que comemos demasiado peixe.

No que diz respeito ao consumo de produtos da pesca e da aquicultura na União Europeia, de acordo com os últimos dados da Comissão Europeia, Portugal é um líder destacado (59,91 quilogramas por habitante / por ano), consumindo mais do dobro da média (23,97 quilogramas) e deixando os seus “adversários” mais próximos, a Espanha e a Dinamarca, à distância de mais de dez quilogramas per capita.

Os peixes das nossas águas mais consumidos são as sardinhas, os carapaus e o peixe-espada, embora outros peixes como o bacalhau ou a pescada sejam também presença assídua nos pratos dos portugueses.

Politécnico de Leiria com papel ativo na economia azul do Quénia

O director da ESTM – Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, Sérgio Leandro representou o Politécnico de Leiria na cerimónia de apresentação do JKP Kenya Coast Tourism and Cultural Heritage Blueprint, que decorreu recentemente, em Mombaça, no Quénia.

A aliança luso-queniana de redacção do projecto JKP TCH Blueprint 2030 foi co-coordenada por Rui Pedrosa (ESTM) e por Nick Angore, do secretariado da Jumuya Kaunty Za Pwani (JKP).

A visão estratégica deste plano – A globally competitive and sustainable Kenya coastal tourism and cultural heritage destination by 2030 – definida para a região JKP, é suportada em torno de quatro dimensões: políticas e infraestruturas públicas no turismo e património cultural; património natural e cultural e indústrias do sector do turismo e património cultural.

O documento JKP Kenya Coast TCH Blueprint 2030 decorre do projecto GoBlue Quénia, que procura contribuir para o reforço das cadeias de valor de economia azul, cuja actividade relacionada com o mar, visa a preservação e regeneração do ambiente marinho.

Francisco Ordonhas vice-campeão mundial Sub-18

O jovem surfista português Francisco Ordonhas sagrou-se, vice-campeão mundial ISA, depois de ter conquistado a medalha de prata da categoria Sub-18 masculina no Mundial que decorreu no Rio de Janeiro, Brasil.

Ordonhas foi o melhor representante português em prova, entre os seis que conseguiram chegar ao dia final. Numa final muito renhida, o jovem surfista luso somou 14,87 pontos, ficando a apenas 0,50 do brasileiro Ryan Kainalo. O espanhol Kai Odriozola foi 3.º e o japonês Tenshi Iwami foi 4.º.

Destaque ainda para o 5.º posto de João Mendonça na mesma categoria, o 7.º posto de Matias Canhoto e o 9.º posto de Jaime Veselko em Sub-16 masculino, o 10.º posto de Teresa Pereira em Sub-16 feminino e o 13.º de Francisco Mittermayer em Sub-18 masculino.

Feitas as contas, a equipa portuguesa conseguiu alcançar o 6.º posto da tabela coletiva, terminando o evento como a segunda melhor seleção europeia, logo atrás da Espanha e à frente da França. 

Primeiro navio porta-contentores movido a amónia anunciado.

A fabricante norueguesa de produtos químicos Yara está à frente de um grande projecto de descarbonização no transporte marítimo baseado no primeiro navio porta-contentores do mundo movido a amónia. Planeado para 2026, o veículo seria uma alternativa ecológica ao diesel, que contribui significativamente para as emissões globais de CO2.

As baterias e o hidrogénio mostram-se impraticáveis para grandes embarcações devido ao seu tamanho, peso e capacidade de armazenamento de energia limitada. Enquanto isso, o metanol, apesar de ser um passo intermediário, não é uma solução totalmente verde.

A amónia emerge como a melhor opção para uma navegação mais limpa, apesar de ter menos energia por peso e volume comparada ao diesel. No entanto, pode ser queimada de forma limpa em motores de combustão, evitando a produção de óxidos nitrosos, e já é produzida em grande escala para uso agrícola, tornando-se mais acessível.

No projecto do navio porta-contentores, está também a empresa North Sea Container Line. Há ainda uma contribuição financeira de 40 milhões de coroas norueguesas da organização de financiamento climático e energético Enova (quase 3,5 milhões de euro).

Baptizada de Yara Eyde, a embarcação será menor que muitos navios do segmento e deverá operar numa rota curta entre a Noruega e a Alemanha, percorrendo cerca de 442 milhas náuticas. 

A ideia é reduzir anualmente 11.000 toneladas de emissões de CO2. Após o lançamento deste projecto, mais navios movidos a amónia deverão ser lançados pela parceria.

Marinha Portuguesa volta a comandar força naval europeia da Operação Atalanta

 

A partir de hoje, a Marinha Portuguesa vai comandar novamente a Operação Atalanta, Força Naval da União Europeia que tem como objectivo proteger os navios do Programa Alimentar Mundial e combater a pirataria.

A Operação Atalanta será comandada pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Martins de Brito, entre os dias 3 de dezembro de 2023 a 10 de fevereiro de 2024, anunciou a Marinha em comunicado.

Nesta 45.ª rotação da Força Naval da União Europeia, o novo comandante será acompanhado por uma equipa de militares da Marinha.

O grupo esteve recentemente em Rota, Espanha, onde teve oportunidade de preparar a missão que começa este domingo a bordo do navio ESPS Victoria, acrescenta a nota.

A Operação Atalanta tem como objetivos principais “proteger os navios do ‘World Food Programme’ e toda a navegação considerada vulnerável e, ainda, prevenir ataques de pirataria e roubo no mar”.

O cruzeiro que era suposto "nunca acabar" foi cancelado.

De acordo com a CNN, alguns dos passageiros que reservaram os 111 camarotes ainda se encontram em Istambul, tendo chegado antes da data de partida inicial. Outros dizem que não têm para onde voltar, venderam ou arrendaram as suas casas antes da viagem à volta ao mundo, e desfizeram-se dos seus bens

Tinham-se inscrito para a experiência de uma vida: três anos a viajar pelo mundo no conforto de um navio de cruzeiro, a preços que rivalizavam com os custos de vida normais.

Mas agora o sonho acabou para os passageiros que se inscreveram na viagem inaugural de três anos da Life at Sea Cruises. Após semanas de silêncio, a empresa admitiu aos passageiros que não tem navio e cancelou a partida, prometendo reembolsar os passageiros que se inscreveram no cruzeiro que custava centenas de milhares de dólares.

O cruzeiro deveria ter partido de Istambul, na Turquia, a 1 de novembro, mas pouco antes dessa data, a partida foi adiada para 11 de novembro e transferida para Amesterdão, nos Países Baixos, e depois para 30 de novembro, novamente de Amesterdão. Mas a 17 de novembro, menos de duas semanas antes da terceira data de partida, os passageiros foram informados de que o cruzeiro tinha sido cancelado.

Alguns dos passageiros que reservaram os 111 camarotes ainda se encontram em Istambul, tendo chegado antes da data de partida inicial. Outros dizem que não têm para onde voltar, venderam ou arrendaram as suas casas antes da viagem à volta ao mundo, e desfizeram-se dos seus bens.

A maioria gastou dezenas de milhares de dólares naquilo que era suposto ser a experiência de uma vida, e agora enfrenta uma espera de, pelo menos, vários meses para receber o seu dinheiro de volta. A empresa afirmou que irá efetuar os reembolsos em prestações mensais, a partir de meados de dezembro e até ao final de fevereiro. Ofereceu-se também para pagar o alojamento até dia 1 de dezembro e os voos de regresso a casa para todos os que ficaram retidos em Istambul. Mas há quem diga que não tem casa para onde regressar.

Porto de Funchal recebeu a última estreia do ano.

A primeira escala do navio de cruzeiro Renaissance que teve lugar na passada sexta-feira, no Porto do Funchal, foi a 16.ª e última estreia de navios este ano, neste porto.

A previsão era de que em 2023 houvesse 19 primeiras escalas, mas a greve dos pilotos de barra levou ao cancelamento de três, dos navios Corinthian, Norwegian Viva e Seven Seas Grandeur.

As estreias deste ano foram Azamara Onward, MSC Seashore, Costa Diadema, Le Bellot, World Traveller, Enchantement of the Seas, Veja, Norwegian Gateway, Seabourn Pursuit, Costa Firenze, Spitsbergen, Ambition, Carnival Pride, MSC Grandiosa, AIDAcosma e agora, o Renaissance.

No mês que agora começou, estão previstas 43 escalas, nove delas serão a 31 de dezembro durante a passagem de ano 2023/2024.

Nessa altura, estarão na baía do Funchal os navios Borealis, Mein Schiff 1, Queen Victoria, Spirit of Adventure, Renaissense, Marella Explorer, Arcadia, AIDAcosma e Mein Schiff 3.

Calcula-se que o movimento total atinja quase os 20 mil passageiros.

Portugal de fora do acordo MSC/Ellerman para as rotas do Atlântico

Portugal não está incluído nos países que fazem parte do acordo assinado pela MSC e a Ellerman City Liners que irá permitirá à Ellerman utilizar uma combinação da capacidade da MSC e da sua própria capacidade entre portos europeus e da Costa Atlântica dos Estados Unidos.

O acordo inclui um volume semanal definido, com opção pparaa Ellerman aumentar conforme seja necessário. O acordo abrange contentores secos e reefers carga seca e terá início por a 1 de janeiro de 2024.

Não se sabendo se Portugal estava previsto para ser um dos pontos de passagem, a mais curta distância em relação à Costa Atlântica dos EUA, bem como tendo um terminal preparado para dar a resposta (Terminal XXI), dava todas as condições para Portugal e Sines, ser igualmente parte deste novo serviço.

Pasquale Formisano, Vice-Presidente sénior da MSC, disse: “Estou muito satisfeito por eestendermosa nossa parceria estratégica com Ellerman, um dos grandes nomes da indústria naval. Este acordo tem tudo a ver com eficiência. Carga garantida significa que podemos operar na capacidade máxima e, assim, minimizar o impacto ambiental de cada TEU que transportamos. Quanto mais pudermos fazer isso, mais poderemos reduzir as emissões.” 

Peter Andrews, Diretor Comercial da Ellerman, disse: “Temos o prazer de anunciar esta cooperação com a MSC, a maior empresa de transporte marítimo do mundo. Este acordo permite à Ellerman operar com maior eficiência, reduzindo a nossa pegada ambiental e ao mesmo tempo alargando o nosso alcance geográfico na Europa e nos Estados Unidos.” 

O acordo abrange rotas entre portos na Suécia, Polónia, Lituânia, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e França, e portos na costa atlântica dos Estados Unidos, de Nova Iorque à Florida.

Nota: Rectificamos o artigo anterior e adicionamos declarações de responsáveis sobre o acordo.

Catarina Frazão com bolsa para planeamento do uso sustentável do Oceano na Antárctida

 

A investigadora portuguesa Catarina Frazão Santos vai pensar o espaço marinho da Antárctida, ou seja, investigar os benefícios e os desafios do espaço marinho da Antárctida e planear o seu uso de forma sustentável, justa e que promova a adaptação e a mitigação das alterações climáticas. A Antárctida é uma região de capital importância na regulação da saúde do oceano e na regulação climática.

Catarina Frazão Santos ganhou uma bolsa de 1,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para levar a cabo o projecto que deve começar no 1° trimestre de 2024 e durar cinco anos.

A Antárctida é uma região de capital importância na regulação da saúde do oceano e na regulação climática. A reforçá-lo, a visita oficial à Antárctida, na semana passada, do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que alertou para a aceleração do degelo, que acontece três vezes mais rápido do que há 30 anos.