
Dois navios da chinesa COSCO Shipping começaram a atravessar o Estreito de Ormuz, numa retoma parcial da navegação numa das rotas mais sensíveis do comércio marítimo mundial. As embarcações, que estavam retidas na região, iniciaram a saída do Golfo Pérsico num contexto ainda marcado por forte instabilidade e por um controlo apertado sobre a circulação naquela passagem.
A travessia está a ser feita por um corredor alternativo, situado junto à costa iraniana, entre as ilhas de Larak e Qeshm, fora do modelo habitual de navegação na zona. A utilização desta passagem confirma que o tráfego comercial continua condicionado e dependente de autorização num estreito que permanece sob forte pressão geopolítica.
Numa primeira fase, a prioridade terá passado por retirar navios vazios da área, reduzindo a exposição ao risco numa travessia que continua longe da normalidade. Mantém-se, no entanto, a incerteza sobre as condições de passagem para embarcações com carga, num momento em que a circulação marítima continua sujeita a avaliação caso a caso.
O quadro operacional é especialmente delicado porque o uso deste corredor implica contacto prévio com as autoridades iranianas e o cumprimento de exigências específicas para garantir a passagem. Isso reforça a percepção de que Teerão está a transformar o controlo territorial e militar sobre Ormuz num instrumento directo de condicionamento do tráfego marítimo.
Apesar deste sinal de retoma parcial, a situação no estreito permanece instável. Qualquer perturbação numa rota com este peso estratégico tem impacto imediato nos custos logísticos, nos prémios de seguro, na confiança dos armadores e no mercado global da energia. Em Ormuz, a questão já não é apenas saber se a passagem está aberta, mas em que condições se navega e a que preço.