Ormuz: Quando Portugal já dominou um dos pontos sensíveis do comércio mundial.

Muito antes de o Estreito de Ormuz se tornar sinónimo de tensão energética, ameaça à navegação e risco geopolítico global, já Portugal conhecia bem o peso estratégico daquela passagem.

No início do século XVI, os portugueses chegaram a Ormuz e perceberam rapidamente aquilo que o mundo continua a confirmar em 2026: quem controla aquele estreito toca num dos nervos centrais do comércio marítimo internacional. A presença portuguesa ganhou expressão militar com a conquista de Ormuz por Afonso de Albuquerque em 1507, consolidada depois em 1515, num esforço para afirmar influência sobre a entrada do Golfo Pérsico e sobre as rotas comerciais entre a Ásia, o Médio Oriente e a Europa. A importância de Ormuz não era apenas regional. Era, já nessa época, uma chave de circulação marítima, fiscal e militar.

Portugal percebeu isso cedo e tentou transformar essa posição em poder efectivo, inclusive com a construção da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, símbolo da presença lusa naquela ilha estratégica. O domínio português terminaria em 1622, quando forças persas, apoiadas pelos ingleses, puseram fim a esse ciclo. Cinco séculos depois, a lógica de fundo mantém-se quase intacta. O Estreito de Ormuz continua a ser um dos mais decisivos estrangulamentos marítimos do planeta e é descrito pela U.S. Energy Information Administration como o mais importante ponto de trânsito petrolífero do mundo. Em 2024, passaram por ali cerca de 20 milhões de barris por dia, e a própria EIA sublinha que uma parte muito relevante do petróleo mundial e uma fatia significativa do comércio global de gás natural liquefeito dependem dessa passagem.

É por isso que qualquer ameaça, incidente militar, bloqueio parcial ou simples escalada verbal em Ormuz provoca imediatamente impacto nos mercados, nos fretes, nos seguros marítimos e na percepção de risco global. A actualidade confirma, assim, aquilo que a história portuguesa já tinha demonstrado há mais de 500 anos: Ormuz não é apenas um estreito. É um ponto onde geografia, poder naval e economia mundial se cruzam de forma brutal.

Deixe um comentário